“O SORVETE DE FABINHO”: UMA ANÁLISE BOURDIESIANA DA DISTINÇÃO SOCIAL DO GOSTO NO FILME QUE HORAS ELA VOLTA?
DOI:
https://doi.org/10.21665/2318-3888.v7n13p127-155Resumo
Esse artigo tem como objetivo apresentar uma análise da distinção social do gosto no filme Que horas ela volta da cineasta Anna Muylaert (2015). A obra cinematográfica é utilizada como mediação analítica das distinções imputadas aos agentes em suas relações empregatícias e de renda. Apresentamos uma abordagem teórico-metodológica bourdiesiana em sua contribuição fenomenológica para reler a realidade social e a formação dos processos identitários em sua relação com o gosto - musical, alimentício, vestuário etc. Trata-se, assim, de apresentar uma investigação e observação das representações de classe em sua ressignificação e feição social passíveis de serem observadas nas obras cinematográficas. Este caminho é utilizado para ponderar como os agentes produzem, incorporam e subvertem os signos sociais de distinção através do gosto. Deste modo, a luta de classes aparece não apenas como a desigual distribuição de renda, mas principalmente como corporificação desta, ou seja, a naturalização das diferenças reais e das escolhas consideradas aceitáveis a depender do grupo ao qual o agente pertence.
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Referências
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