A vereda especular de Rosa

Autores

  • Jacqueline Ramos Núcleo de Letras/UFS-Itabaiana

Resumo

“Clássico” de nascimento, Guimarães Rosa irrompe em nossas letras recolocando a matéria regionalis-ta num novo modo de conformação. Modo de compor que promove um espantoso amálgama de formas narrativas numa tessitura lingüística peculiar. Estilo in opere, “incoagulável, reinventando-se em incessan-te dinâmica” (Oliveira, 1991, p. 179); opera a linguagem em todos os seus planos: sonoro, lexical, sintático, semântico. A “revolução da linguagem”, que valeu a Rosa os epítetos de “bruxo da linguagem”, “demiurgo da linguagem”, repousa numa aguda consciência estética sobre a problemática da representação. Além de toda essa orquestração na conformação lingüística, que já implica e denuncia o posicionamento estético assumido pelo autor, o poético também entrará em cena no jogo narrativo.

Referências

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Publicado

2009-09-01

Como Citar

RAMOS, Jacqueline. A vereda especular de Rosa. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 1, p. 35–41, 2009. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/apaloseco/article/view/n1p35. Acesso em: 21 abr. 2024.