Inimigos públicos ou Um rebelde que quer um lugar

Autores

  • Romero Venâncio Departamento de Filosofia/UFS

Resumo

O cinema talvez seja a imagem da violência do homem tomando consciência da sua própria violência. Como dizia um personagem de Wim Wenders: imagem em preto e branco. Porém, Michael Mann faz seus filmes em cor. E a cor é a beleza da luz. Só que a tez dramática do filme Inimigos públicos nos faz senti-lo como se fosse quase em preto e branco. Trata-se de um filme intenso e a sua cor é uma máscara, uma renúncia sem renunciar. Força o contraste, o jogo de oposições, o que quer dizer: faz em cor, mas usa o negro para embranquecê-la, para recriar o contraste. Ao menos, a força do pensamento cinematográfico de Mann nos leva a perceber que a matéria do filme tende para esta expressão, esta forma conflituada. Por quê? Porque ele infiltra a tensão do preto e branco no maravilhoso da cor, tornando o maravilhoso a face pura do fatal. Michael Mann é um cineasta que pode ser incluído na linha da “estética da violência”. Na sua película, a “estética da violência” não tem nada a ver com a estetização da própria violência, não é torná-la banal (como na mídia em geral).

Referências

AUMONT, Jacques. Moderno? Por que o cinema se tornou a mais singular das artes. São Paulo: Papirus, 2008.

BENJAMIN, Walter. Experiência e pobreza. In: Obras escolhidas. Vol. I. São Paulo: Brasiliense, 1986.

BATISTA, Mauro; MASCARELLO, Fernando (Org.). Cinema mundial contemporâneo. São Paulo: Papirus, 2008.

BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

COMBLIN, José. O neoliberalismo: a ideologia do século XXI. Petrópolis: Vozes, 1997.

CHARNEY, Leo; SCHWARTZ, Vanessa (Org.) O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac e Naify, 2004.

DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. Cinema 2. São Paulo: Brasiliense, 1990.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

EAGLETON, Terry. Walter Benjamin: rumo a uma crítica revolucionária. Fortaleza; Editora Omni, 2010.

FERRO, Marc. Cinema e história. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

HOBSBAWM, Eric. Pessoas extraordinárias. Resistência, rebelião e jazz. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

LOSURDO, Domenico. Contra-história do liberalismo. São Paulo: Idéias & Letras, 2006.

ROSENFIELD, Kathrin. Estética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

Publicado

2012-12-13

Como Citar

VENÂNCIO, Romero. Inimigos públicos ou Um rebelde que quer um lugar. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 4, p. 67–70, 2012. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/apaloseco/article/view/n4p67. Acesso em: 21 maio. 2024.

Edição

Seção

Artigos