Licen�as alternativas de prote��o intelectual atribu�das a peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos da �rea da Ci�ncia da Informa��o no contexto da Ci�ncia Aberta

 

Alternative intellectual protection licenses awarded to technical and / or scientific journals in the field of Information Science in the context of Open Science

 

Licencias alternativas de protecci�n intelectual otorgadas a revistas t�cnicas y / o cient�ficas en el campo de las Ciencias de la Informaci�n en el contexto de la Ciencia Abierta

 

 

Nat�lia Rodrigues Silva[1]

Nivaldo Calixto Ribeiro[2]

Dalgiza Andrade Oliveira[3]

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Caixa de Texto: Autor principal para Correspond�ncia 

Nivaldo Calixto Ribeiro 
E-mail: nivaldo@biblioteca.ufla.br
ORCID:  https://orcid.org/0000-0003-0650-0121
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�� Submetido em: 12/05/2021

Aceito em: 26/07/2021

�� Publicado em: 29/08/2021


RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar quais as licen�as alternativas adotadas em peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos da �rea da Ci�ncia da Informa��o no contexto da Ci�ncia Aberta. Trata-se de uma abordagem qualitativa, de caracter�stica classificada como explorat�ria e bibliogr�fica. Foram selecionados 20 t�tulos de peri�dicos da �rea de avalia��o 31 − Comunica��o e Informa��o, que abrange as �reas b�sicas:Comunica��o, Ci�ncia da Informa��o e Museologia, a partir da metodologia proposta pelo novo Qualis, com estratifica��o atribu�da: A1, A2, A3, A4. Como t�cnica de coleta de dados, foram utilizados procedimentos de uma pesquisa documental, pois as p�ginas das pol�ticas editoriais de todos os peri�dicos, escopo deste estudo, foram visitadas com o intuito de se identificar as licen�as atribu�das e, em seguida, analisadas conforme as etapas previstas por Oliveira (2011): 1. Pr�-an�lise; 2. Codifica��o e 3. Tratamento dos resultados. Foi identificado que seis peri�dicos adotam a licen�a CC BY 4.0, dois a CC BY-NC 3.0, dois a CC BY-NC 4.0, dois CC BY-NC-ND 2.5 BR, dois CC BY-NC-SA, dois a CC BY-SA 4.0, um a CC BY 2.5 BR, um a CC BY-NC e dois n�o foram identificadas as licen�as atribu�das. Constatou-se que n�o existe uma uniformidade de licen�as adotadas por peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o, existindo uma predomin�ncia das licen�as CC-BY e CC BY-NC.

Palavras-chave: Ci�ncia Aberta. Creative Commons. Direitos autorais. Licen�as alternativas.

 

ABSTRACT

This article aims to analyze the alternative licenses adopted in technical and / or scientific journals in the area of ​​Information Science in the context of Open Science. It is a qualitative research, with characteristics classified as exploratory and bibliographic. Twenty journal titles were selected from the evaluation area 31 - Communication and Information, covering the basic areas: Communication, Information Science and Museology, based on the methodology proposed by the new Qualis, with stratification attributed: A1, A2, A3, A4. As a data collection technique, procedures were used for documentary research, since as pages of the editorial policies of all journals, the scope of this study, were visited in order to identify themselves as assigned and then analyzed according to the steps presented by Oliveira (2011): 1. Pre-analysis; 2. Coding and; 3. Treatment of results. It was identified that six journals adopt a CC BY 4.0 license, two one CC BY-NC 3.0, two one CC BY-NC 4.0, two CC BY-NC-ND 2.5 BR, two CC BY-NC-SA, two one CC BY -SA 4.0, one to CC BY 2.5 BR, one to CC BY-NC and two were not identified as assigned. It was found that there is no uniformity of concessions adopted by journals in the Information Science area, with a predominance of CC-BY and CC BY-NC concessions.

Keywords: Alternative licenses. Copyright.Creative Commons. Open Science.

 

RESUMEN

Este art�culo tiene como objetivo analizar qu� licencias alternativas se han adoptado en revistas t�cnicas y / o cient�ficas en el �rea de las Ciencias de la Informaci�n en el contexto de la Ciencia Abierta. Es un abordaje cualitativo, con una caracter�stica clasificada como exploratoria y bibliogr�fica. Se seleccionaron veinte t�tulos de revistas del �rea de evaluaci�n 31 - Comunicaci�n e Informaci�n, que cubre las �reas b�sicas: Comunicaci�n, Ciencias de la Informaci�n y Museolog�a, en base a la metodolog�a propuesta por la nueva Qualis, con estratificaci�n atribuida: A1, A2, A3, A4. Como t�cnica de recolecci�n de datos se utilizaron procedimientos de investigaci�n documental, ya que se visitaron las p�ginas de las pol�ticas editoriales de todas las revistas, el alcance de este estudio, con el fin de identificar las licencias asignadas y luego se analizaron seg�n los pasos previstos por Oliveira (2011 ): 1. An�lisis previo; 2. Codificaci�n y 3. Tratamiento de resultados. Se identific� que seis revistas adoptan la licencia CC BY 4.0, dos a CC BY-NC 3.0, dos a CC BY-NC 4.0, dos CC BY-NC-ND 2.5 BR, dos CC BY-NC-SA, dos a CC BY -SA 4.0, una a CC BY 2.5 BR, una a CC BY-NC y dos las licencias asignadas no han sido identificadas. Se encontr� que no existe uniformidad en las licencias adoptadas por las revistas del �rea de Ciencias de la Informaci�n, con predominio de las licencias CC-BY y CC BY-NC.

Palabras clave: Ciencia Abierta. Creative Commons. Derechos de autor. Licencias alternativas.

 

1 INTRODU��O

A forma como se faz ci�ncia tem sido remodelada em fun��o das transforma��es tecnol�gicas que se vivenciam atualmente, o que tem impactado na maneira como a informa��o cient�fica circula, impulsionada, sobretudo, pela internet. Neste aspecto, estudos que retratam os fen�menos que envolvem a comunica��o cient�fica podem contribuir para ajudar a compreender as mudan�as que t�m lugar nesse meio, principalmente com os avan�os que o mundo cibern�tico proporciona.

Conforme salientam Galvino, Rosa e Oliveira (2020), o constante avan�o da comunica��o cient�fica no espa�o digital, em compara��o com o alto valor para se ter acesso a um material, fez com que as editoras de publica��es cient�ficas j� n�o correspondessem �s expectativas de cientistas e entidades de fomento � pesquisa que almejavam que suas publica��es tivessem um alcance maior, contribuindo ainda mais com a comunidade cient�fica. Assim, a comunidade cient�fica carecia de recursos ou pr�ticas que possibilitassem meios para que as suas publica��es circulassem de uma forma mais �aberta� entre os seus pares. Esse movimento de uma comunica��o cient�fica aberta surgiu nos anos 90 com o Open Access Movement e o Open Archives Initiative, que visavam possibilitar novas formas de armazenamento, divulga��o e dissemina��o das pesquisas cient�ficas (WEITZEL, 2006), sendo fortalecidas pela declara��o da Iniciativa de Budapeste pelo Acesso Aberto, publicada em 14 de fevereiro de 2002, seguida por diversas iniciativas que surgiram posteriormente.

Assim, o modelo de circula��o da informa��o cient�fica tido at� aquele momento como �nico fora profundamente afetado. Somadas a essa mudan�a na forma de circula��o da comunica��o cient�fica, outras quest�es que acabaram por serem consequ�ncias desse movimento de acesso aberto surgiram de uma maneira mais latente, como a quest�o dos direitos autorais. No contexto deste estudo, � importante ponderar que, de acordo com Escrit�rio Central de Arrecada��o e Distribui��o(ECAD) (2020, p. 1), o direito autoral �[...] � um conjunto de prerrogativas conferidas por lei � pessoa f�sica ou jur�dica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benef�cios morais e patrimoniais resultantes da explora��o de suas cria��es�. Os direitos

autorais est�o regulamentados pela Lei no 9.610/98 e est�o divididos em prote��o dos direitos de autor e prote��o de direitos conexos.

Ao se observar a necessidade de regulamenta��es mais flex�veis, que facilitem a visibilidade dos resultados de pesquisa, bem como todo o seu processo investigativo, delineiam-se, neste estudo, as seguintes quest�es: quais as licen�as alternativas utilizadas pelos peri�dicos cient�ficos da �rea de Ci�ncia da Informa��o? Eles utilizam licen�as alternativas para disponibilizar seus conte�dos? Quais os tipos de licen�as alternativas s�o mais usuais ou recorrentes nos peri�dicos da Ci�ncia da Informa��o analisados?

Assim, partindo-se do pressuposto de que os peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos da �rea da Ci�ncia da Informa��o privilegiam o acesso aberto, este estudo tem como objetivo analisar quais as licen�as alternativas adotadas para o estrato da nova proposta Qualis A e B, sob a responsabilidade da Coordena��o de Aperfei�oamento de Pessoal de N�vel Superior (CAPES).

A relev�ncia deste estudo consiste na constru��o de modelos de atua��o de peri�dicos cient�ficos quanto ao uso de licen�as alternativas e aos rigores das leis de prote��o intelectual nacional, viabilizando meios para permitir que resultados de pesquisas desenvolvidas com recursos p�blicos possam estar dispon�veis ao alcance de pesquisadores e da sociedade de forma mais c�lere, acess�vel e flex�vel.

 

2 LICEN�AS ALTERNATIVAS DE PROTE��O INTELECTUAL NO CONTEXTO DA CI�NCIA ABERTA

 

A Ci�ncia Aberta representa o foco na pesquisa colaborativa, transparente e acess�vel, com o envolvimento de diferentes significados, tipos de pr�ticas e iniciativas, bem como distintas perspectivas, pressupostos e implica��es (ALBAGLI; CLINIO; RAYCHTOCK, 2014; RIBEIRO; OLIVEIRA, 2019; SILVA; SILVEIRA, 2019). Um dos pressupostos da Ci�ncia Aberta � que, devidamente apoiada por uma ciber-infraestrutura tecnol�gica e metodol�gica, pode-se possibilitar que o conhecimento cient�fico seja livre para ser usado, reutilizado e distribu�do, reduzindo as restri��es legais, tecnol�gicas ou sociais (ALBAGLI; CLINIO; RAYCHTOCK, 2014). A Ci�ncia Aberta pode ser considerada como uma nova forma de fazer ci�ncia, pautada em princ�pios �ticos e de integridade,ainda em constru��o, que envolvem aspectos como publica��es cient�ficas abertas, dados e cadernos abertos de pesquisa, ci�ncia cidad� e ferramentas cient�ficas abertas, como os software e hardware (ALBAGLI; CLINIO; RAYCHTOCK, 2014).

Para Cl�nio (2019), a Ci�ncia Aberta apresenta pelo menos duas facetas polarizadas, uma conjectura utilitarista da ci�ncia, presumindo maior efic�cia, produtividade e competitividade e a outra aspirando a abertura orientada para temas como garantia de direitos, justi�a cognitiva e justi�a social. Assim, as Licen�as Creative Commons s�o um recurso que atua como mecanismo que possibilita maior flexibilidade no uso de obras protegidas pelos direitos autorais, com a expectativa de que sejam utilizadas amplamente, de acordo com o tipo de licen�a escolhida pelo autor, n�o infringindo assim a lei de prote��o � propriedade intelectual, pois elas indicam os tipos de permiss�es que podem ser feitos em sua obra.

Em seu estudo, Oliveira, Guimar�es e Koshiyama (2019) sugerem que a demanda pela supera��o da proprietiza��o da ci�ncia, baseada no modelo econ�mico tradicional e em sistemas legais vigentes para o contexto de sua abertura, tem se tornado irrevers�vel e ascendente em prol do acesso livre aos bens intelectuais. A Ci�ncia Aberta possibilita, ent�o, expandir as possibilidades de inovar n�o somente as pesquisas de cunho cient�fico, mas tamb�m a maneira de se comunicar e divulgar a ci�ncia.

Nessa perspectiva, quando ao pensar nos peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos o entendimento � quetiveram que se adequar a esse novo modo de fazer e comunicar ci�ncia, atentando a quest�es como: acesso aos dados publicados, infraestrutura aberta, revis�o das m�tricas, layouts mais �amig�veis� para seus usu�rios, entre outros. Al�m disso, com o meio digital, os peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos come�aram a ser disponibilizados e disseminados via internet, o que ocasionou que suas vers�es em formato impresso fossem diminuindo, em raz�o do alto custo de manuten��o ou que esses j� "nasceram" digitais acompanhando a nova realidade (MIRANDA; DAM�SIO; FIRME, 2020).

 

2.1 A prote��o intelectual: flexibilizando os direitos autorais

 

� importante considerar que a propriedade intelectual, densamente vinculada a um regime jur�dico global, resulta da express�o de uma ideia. Pode ser uma marca, uma inven��o, um projeto, uma m�sica ou outra cria��o intelectual (LEAL; SOUZA, 2010). Conforme ilustrado na Figura 1 (a seguir), atualmente, no Brasil, em �mbito legal, pode-se afirmar que a propriedade intelectual divide-se em tr�s categorias: o direito autoral, que concede prote��o jur�dica aos autores de obras liter�rias, fotogr�ficas, fonogr�ficas, cinematogr�ficas, artes c�nicas e pl�sticas, regido pela Lei 9.610/1998; a prote��o sui generis, regida pela Lei n� 11.484/2007, que � uma modalidade peculiar e intermedi�ria entre direito autoral e a prote��o da topografia de circuitos integrados (chips), cultivares e conhecimento tradicional; e, por fim, tem-se a propriedade industrial, regida pela lei 9.279/1996, mais abrangente de todas, caracteriza-se por estar diretamente relacionada aos interesses da ind�stria de transforma��o e com�rcio; a sua prote��o pode ser por meio de patentes ou registros (BRASIL, 1998).

 

Figura 1 - Categorias de propriedade intelectual

 

 

Fonte: Adaptado de Ribeiro, Velani e Santana (2006) e Branco et al. (2001)

 

A preocupa��o com a quest�o dos direitos autorais teve in�cio na Gr�cia e na Roma antigas, mas foi a partir da inven��o da prensa de tipos m�veis de Gutenberg, em meados do s�culo XV, que se come�ou a pensar, de fato, na prote��o da propriedade intelectual, devido � produ��o em s�rie de obras que a inven��o possibilitou. Nesse sentido, Martins Filho (1998) ressalta que a partir da prensa de Gutenberg ocorreram as primeiras solicita��es tanto para a prote��o de uma obra quanto pelos proventos autorais individuais, situa��es que, at� aquele momento, n�o eram poss�veis. Desde ent�o, como pode ser visto na linha do tempo dos direitos autorais, Quadro 1, muitos eventos e documentos que influenciaram a evolu��o hist�rica dos/sobre os direitos autorais.

 

Quadro 1 - Linha do tempo dos eventos marcantes em rela��o aos direitos autorais

Data

Acontecimento

>1500

Primeiras ideias sobre a prote��o da propriedade intelectual

 

1557

Surgimento do Copyright, ap�s os reis Philipi e Maria Tudor outorgaram � Stationer�s Company garantindo � corpora��o o direito de exclusividade de publica��o de livros

1662

Licensing Act,monop�lio aos livreiros em rela��o �s publica��es

1710

A primeira lei que garantia a prote��o do direito individual sobre uma obra impressa foi realizada na Inglaterra, conhecida como lei da Rainha Ana ou Copyright Act, ou seja, Ato do Direito de C�pia

1791

S�culos seguintes, durante a Revolu��o Francesa, foi aprovado um decreto sobre direito de autor, que sancionou o direito de execu��o e representa��o

1793

S�culos seguintes, durante a Revolu��o Francesa, outro decreto que garantiu ao autor o direito exclusivo de reprodu��o

1741

Dinamarca foi a segunda na��o a promulgar sua pr�pria legisla��o

1783

Nos Estados Unidos, v�rios estados promulgaram suas pr�prias leis sobre o assunto antes mesmo da Revolu��o Francesa

1790

Primeira lei federal norte-americana sobre direito de autor, que consagrou a prote��o dos livros, mapas e cartas mar�timas

1886

A Conven��o de Berna, discute e regula as quest�es ligadas � prote��o dos direitos de autor sobre obras liter�rias, art�sticas e cient�ficas, sendo tal tratado o mais importante ponto de refer�ncia do Direito Autoral, do qual o Brasil � signat�rio desde 1922

1948

A Declara��o Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 27, item 2, estabelecia que todo homem tem direito � prote��o de seus interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produ��o cient�fica, liter�ria ou art�stica da qual seja autor

1952

Aprova��o da Conven��o Universal sobre Direito de Autor, realizada em Genebra

1858

B�lgica promoveu a primeira confer�ncia internacional sobre direitos autorais

1961

Aconteceu a Conven��o de Roma,da qual o Brasil participou, voltada para a prote��o dos artistas int�rpretes ou executantes, dos produtores de fonogramas e dos organismos de radiodifus�o.

1967

Em Estocolmo, aconteceu uma importante confer�ncia internacional onde foi institu�da a World Intellectual Property Organization (WIPO), a Organiza��o Mundial de Propriedade Intelectual

1994

Firmado o Acordo Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights (Trips),e foi inclu�da a prote��o de programas de computador

1996

WipoCopyright Treaty (WCT), acordo especial a respeito da Conven��o de Berna (1886), que inclui a prote��o de obras e os direitos autorais no �mbito digital

2001

Lan�amento das  licen�as Creative Commons

2013

Tratado de Marrakesh, discute-se o acesso obras por pessoas com defici�ncia visual, cegas ou com dificuldades para acesso ao texto em formato impresso

Fonte: Adaptado de Jardes (2015) e Rosa (2014)

 

A evolu��o dos direitos autorais impulsionou as discuss�es sobre a adequa��o da legisla��o a respeito da dissemina��o da informa��o, antes focado no interesse propriet�rio. A mudan�a ocorre em rela��o ao interesse do conhecimento p�blico, em especial, no ambiente acad�mico e a rela��o com publica��es em Acesso Aberto (ROSA, 2014).

Acompanhando essas discuss�es no �mbito internacional, no Brasil, foco desta pesquisa, a lei de direitos autorais (LDA) divide esse direito em duas partes: o direito moral e o direito patrimonial. O direito moral assegura que a obra foi criada pelo autor e possibilita que ele receba cr�ditos pela sua cria��o. Nesse sentido, Reis e Rozados (2013, p. 4) salientam que:

 

[...] a comprova��o de cria��o original da obra se d� por meio de sua caracteriza��o e distin��o. As cria��es intelectuais cont�m tra�os, marcas e formas de express�o do seu autor e mostram sua originalidade. O direito moral surge a partir do momento em que a obra � criada e o autor recebe o reconhecimento de sua publica��o e divulga��o. A obra criada transcende o tempo, ela permanece sempre sendo de autoria do autor que a criou e nada mudar� isso.

 

O direito patrimonial, por sua vez, possibilita que o autor fa�a uso e disponha de determinada obra da maneira como quiser. Na perspectiva das Licen�as alternativas de prote��o intelectual atribu�das a peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos no contexto da Ci�ncia Aberta, possivelmente, este � o ponto mais conflitante no novo modus operandi de fazer ci�ncia enos remete ao quadro de conflitos e contradi��es em torno do conhecimento propriet�rio e aberto, discutido por Albagli (2015), pois nessa parte do direito,

[...] o autor tem o direito de obter os proventos correspondentes � circula��o econ�mica da sua cria��o, para que possa usufruir pecuniariamente da mesma. Assim sendo, o autor permite a explora��o econ�mica e comercializa��o de sua obra - incluindo reprodu��o, adapta��es e novas vers�es � e goza financeiramente dos frutos desse neg�cio. O autor possui o dom�nio sobre sua obra, que � seu patrim�nio. Exclusivamente ele pode autorizar publica��es ou modifica��es e tamb�m decidir por manter a obra in�dita (REIS; ROZADOS, 2013, p. 4).

Um fato que chama a aten��o na lei de direitos autorais � que em nenhum momento trata, explicitamente, da prote��o de direitos autorais no espa�o digital, talvez isso se deva ao fato de a lei ter sido publicada em 1998, ano em que a internet, em especial, ainda n�o era t�o popularizada. Contudo, apesar de n�o haver essa clara men��o � prote��o de direitos autorais, isso n�o significa que n�o haja prote��o nesse espa�o. A lei de direitos autorais, ao registrar em seu artigo 7� que �[...] s�o obras intelectuais protegidas as cria��es do esp�rito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tang�vel ou intang�vel, conhecido ou que se invente no futuro (BRASIL, 1998, s/p., grifo nosso)�, acaba porafirmar que h� a prote��o dos direitos autorais no espa�o digital, ou seja, na internet, e que ela se aplica sim a esse espa�o. Nesse sentido, para Santos e Brennand (2015, p. 71), deve-se observar que �[...] o suporte n�o altera em nada o direito de autor, pois � v�lido do mesmo jeito, tendo apenas suas adequa��es [...]�. Assim, conforme esses autores �[...] a internet permite um acesso livre, j� os direitos autorais proporcionam uma limita��o a esse acesso [...]� (SANTOS; BERNAND, 2015, p. 71).

Para Reis (2020), quando se trata de direitos do autor, existe uma situa��o dicot�mica entre o acad�mico e o comercial quanto aos resultados de pesquisa. De um lado, principalmente, quando financiada com recursos p�blicos, a Ci�ncia Aberta visa ampliar a colabora��o e prover o seu acesso gratuito de forma transparente. Do outro, a propriedade industrial se baseia no monop�lio, competi��o e obten��o de lucros.Visando estreitar essa polaridade, foram criadas licen�as, um documento legal que concede direitos espec�ficos ao utilizador para reutilizar e redistribuir um material licenciado sob determinadas condi��es (BEZJAK et al., 2018). Para os autores, aplicar uma licen�a aberta a um trabalho cient�fico possibilita que o detentor dos direitos autorais possa determinar como a sua cria��o poder� ser utilizada ou modificada, consoante com os direitos de autor e os direitos conexos regulamentados.

 

2.2 Creative Commons

 

�������� O Creative Commons (CC) surgiu em 2001, por iniciativa do professor de Direito Lawrence Lessig, da Universidade de Stanford. Lessing defendia a �cultura livre� e afirmava que mat�rias/conte�dos que impunham algum tipo de permiss�o para uso, restringiam a circula��o dos mesmos entre a sociedade (OLIVEIRA, 2011).

������� O Creative Commons �, ent�o,

 

[...] um projeto sem fins lucrativos, de ades�o volunt�ria, sediado na Universidade Stanford nos Estados Unidos e respons�vel por uma forma de direito autoral que disponibiliza um conjunto de licen�as para �udio, imagem, v�deo, texto e educa��o permitindo a autores e criadores de conte�do intelectual como m�sicos, cineastas, escritores, fot�grafos, blogueiros, jornalistas, cientistas, educadores e outros, indicarem � sociedade, de maneira f�cil e padronizada, com textos claros e baseados na legisla��o vigente, sem intermedi�rios, sob que condi��es suas obras podem ser usadas, reusadas, remixadas, ou compartilhadas, legalmente (ARAYA; VIDOTTI, 2009, p. 47).

 

�������� Conforme Branco e Brito (2013), foi o pr�prio criador quem iniciou a ideia do commons, que, em tradu��o livre, quer dizer bens comuns. Essa ideia de commons � uma forma na qual as pessoas t�m a possibilidade de acessar um material sem a necessidade de se ter alguma permiss�o, como em um modelo mais �tradicional� de direitos autorais. No entanto, vale lembrar que algumas das licen�as Creative Commons exigem a autoriza��o do autor para modifica��es, por exemplo, mas de uma forma mais flex�vel.

�������� Assim, diferentemente das licen�as de direitos autorais �tradicionais�, em que se pode dizer que o autor faz uso da express�o �todos os direitos reservados�, quando se presume que h� um resguardo na prote��o da obra em todos os aspectos determinados pela lei de direito autoral que seja aplicada a ela, com a licen�a Creative Commons ocorre um movimento contr�rio. Passa-se a difundir o uso da express�o �alguns direitos reservados�, em que h� uma prote��o pelo desenvolvimento intelectual de uma determinada obra, mas que possibilita o compartilhamento, a modifica��o do original, em conformidade com a licen�a Creative Commons atribu�da.

�������� Percebe-se, ent�o, que uma licen�a Creative Commons tem o intuito de divulgar, disseminar os mais variados trabalhos em que possam ser aplicadas as licen�as, tais como: texto, m�sica, filme, foto, blog, sites etc., que possam ser suscet�veis � prote��o pelos direitos autorais, observando-se, dentre as licen�as existentes, a que mais se ad�qua � sua necessidade e ao objetivo do autor em rela��o a sua obra, ou seja, se ele permite que sua obra seja compartilhada e/ou replicada em sites, plataformas, que esta seja adaptada, modificada, se pode ou n�o haver comercializa��o desta obra, entre outros.

O Creative Commons visa, ent�o, propiciar o desenvolvimento de conte�dos abertos ou livres, aplicando, para isso, licen�as alternativas ou flex�veis para as mais variadas obras, tais como: cient�ficas, art�sticas ou liter�rias. Isso possibilita que os autores ou os titulares dos direitos autorais dessas obras autorizem a reprodu��o, compartilhamento e at� mesmo a sua modifica��o, conforme o tipo de licen�a Creative Commons atribu�da. No entanto, � importante frisar que, apesar dessa flexibilidade, isso n�o significa que, ao atribuir uma licen�a Creative Commons autorizando, por exemplo, a modifica��o, o autor esteja renunciando aos seus direitos autorais, mas sim que h� a possibilidade de que terceiros possam fazer uso de uma forma mais ampliada da obra, respeitando-se, sempre, a licen�a atribu�da e citando-se a fonte original. ����

Nessa perspectiva, em conson�ncia com Lemos (2005, p. 84)

 

essas licen�as s�o escritas em tr�s n�veis sob o projeto Creative Commons: um n�vel para leigos, pass�vel de entendimento por quem n�o tem forma��o jur�dica, explicando no que consiste a licen�a e quais os direitos que o autor est� concedendo; um n�vel para advogados, em que a reda��o da licen�a se utiliza de termos jur�dicos, tornando-a v�lida perante um determinado ordenamento jur�dico; e um n�vel t�cnico, em que a licen�a � transcrita em linguagem de computador, permitindo que as obras sob ela autorizadas no formato digital sejam digitalmente �marcadas� com os termos da licen�a, e permitindo que um computador identifique os termos de utiliza��o para os quais uma determinada obra foi autorizada. Esta �ltima modalidade � particularmente importante em face da crescente regulamenta��o arquitet�nica da internet, e pode permitir no futuro que, mesmo na eventualidade do fechamento completo da rede, os trabalhos licenciados sob um tipo de licen�a como esta do Creative Commons possam continuar a ser interpretados como livres por um determinado computador.

 

O Creative Commons � utilizado em mais de 50 pa�ses e, por meio do projeto International Commons (icommons), adequa-se �s regras de direitos autorais vigentes em cada na��o que a utiliza, incluindo o Brasil, que foi o terceiro pa�s a adot�-la. Recentemente, a Creative Commons Brasil lan�ou a cartilha O que voc� precisa saber sobre Licen�as CC� (VALENTE; HOUANG, 2021), com o intuito de esclarecer a todas as pessoas que queiram conhecer os conceitos fundamentais de direito autoral e de licenciamento livre, bem como utilizar obras em Creative Commons ou licenciar as suas. Em uma linguagem acess�vel, com exemplos e ilustra��es, este documento discorre sobre os temas: direitos autorais, licen�as alternativas Creative Commons e seu uso institucional, explanando sobre a sua origem, qual a sua fun��o e sua miss�o, a distin��o das licen�as, as autoriza��es de uso, e como combin�-las.

 

3 METODOLOGIA

 

Quanto aos objetivos e � obten��o de dados e informa��es, este estudo caracteriza-se como explorat�rio, documental e descritivo, tendo em vista que busca explica��es aos questionamentos apresentados sobre quais as licen�as alternativas utilizadas pelos peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o. Quanto � necessidade de explana��o sobre quest�es de propriedade intelectual e autorais, buscou-se amparo em instrumentos legais em vigor e em sites governamentais e nos peri�dicos selecionados para o estudo, por isso, pode ser considerada documental. A abordagem qualitativa e as lacunas relacionadas � aplica��o de licen�as alternativas por peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o permitem caracterizar o estudo como explorat�rio e descritivo.
�������� A amostra deste estudo foi composta por 20 peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o, avaliados na �rea 31, conforme classifica��o divulgada na lista pr�via do Qualis em 2019, sendo seis t�tulos com estrato A2, nove com A3 e cinco com A4. A estratifica��o realizada pela CAPES diz respeito � qualidade da produ��o intelectual dos programas de p�s-gradua��o, que s�o avaliados de um crit�rio de A1 a C.

Entende-se como apropriada a escolha dos t�tulos analisados por compreender que assumem o status de publica��es de hipot�tica qualidade na �rea, ideal para o estudo.

Na primeira etapa, os sites dos t�tulos dos peri�dicos foram visitados e foram identificadas quais eram as licen�as que alegavam atribuir �s suas publica��es. Em seguida, as licen�as foram conferidas no Sherpa/Romeo[4], fonte de informa��o que apresenta as pol�ticas de dep�sito de obras com direito autoral e de acesso aberto de publica��es cient�ficas.

Quanto aos resultados, foram adotadas as etapas previstas por Oliveira (2008) para a t�cnica de an�lise dos dados: 1. Pr�-an�lise, composta pelo levantamento dos dados nas p�ginas dos t�tulos de peri�dicos selecionados; 2. Codifica��o, representada pela explora��o do material, pol�ticas dos peri�dicos e o recurso web Sherpa/Romeo; 3. Tratamento dos resultados, que s�o as infer�ncias, as interpreta��es e a dedu��o feitas com base em informa��es e dados dispon�veis para se chegar a uma conclus�o. Essa t�cnica foi adotada em fun��o de sua versatilidade e pela credibilidade que pode gerar para os resultados obtidos. Como vantagem da sua aplica��o pode ser citada a sua capacidade de esquematiza��o da an�lise e organiza��o dos procedimentos, uma vez que todo o planejamento da pesquisa fica expl�cito.

 

4 RESULTADOS E DISCUSS�O

 

�������� Os logotipos das licen�as e o tipo de sua flexibiliza��o, dividida em quatro cores e condi��es, sendo as azuis as mais flex�veis e as vermelhas as mais restritivas s�o apresentadas na Figura 2 (a seguir). Verifica-se que a licen�a do tipo Dom�nio P�blico � a mais aberta. Nesta situa��o, a pessoa que associou a essa licen�a dedicou o seu trabalho ao dom�nio p�blico, renunciando a todos os seus direitos sob as leis de direito de autor e/ou de direitos conexos, em todo o mundo, na medida permitida por lei. Nesse sentido, o utilizador pode copiar, modificar, distribuir e executar o trabalho, mesmo para fins comerciais, sem que haja a necessidade de solicitar autoriza��o ao autor. Nesse levantamento, n�o foi constatada nenhuma revista da �rea da Ci�ncia da Informa��o que possua, neste momento, essa atribui��o, indicando a exist�ncia de algum formato de restri��o ou orienta��o quanto ao uso dos artigos publicados em suas edi��es conforme a licen�a atribu�da.

 

Figura 2 - Logotipos e tipos de flexibiliza��o das licen�as Creative Commons

 

Fonte: Valente e Houang (2021, p. 19)

 

Diante dos dados levantados, ap�s consulta �s p�ginas dos peri�dicos investigados e confer�ncia no Sherpa/Romeo, foi elaborado o Quadro 2, dividido em quatro colunas: 1. T�tulo do peri�dico; 2. International Standard Serial Number (ISSN); 3. Estrato Qualis, nova proposta de 2019, contendo os t�tulos qualificados como A2, na primeira parte, A3 na parte central e A4 na terceira parte; e4. Licen�a atribu�da, dos 20 t�tulos analisados. Foi identificado que seis peri�dicos adotam a licen�a CC BY 4.0, dois a CC BY-NC 3.0, dois a CC BY-NC 4.0, dois CC BY-NC-ND 2.5 BR, dois CC BY-NC-SA, dois a CC BY-SA 4.0, um a CC BY 2.5 BR, um a CC BY-NC e em dois n�o foram identificadas as licen�as atribu�das. Nota-se que n�o h� uma uniformidade entre os peri�dicos analisados, o que indica a diversidade e flexibilidade das pol�ticas de acesso das licen�as Creative Commons atribu�das a essas publica��es.

 

Quadro 2 - Tipos de licen�a atribu�da a peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o

Peri�dico

ISSN

Qualis

Licen�a atribu�da

1. Informa��o & Informa��o

1414-2139

A2

CC BY-NC 4.0

2. Informa��o & Sociedade: estudos

0104-0146

A2

CC BY-NC 4.0

3. Perspectivas em Ci�ncia da Informa��o

1981-5344

A2

CC BY 4.0

4. Encontros Bibli

1518-2924

A2

CC BY 4.0

5. Liinc em Revista

1808-3536

A2

CC BY 4.0

6. Transinforma��o

2318-0889

A2

CC BY 4.0

7. Acervo

2237-8723

A3

CCBY 4.0

8. Brazilian Journal of Information Science: research trends (Brajis)

1981-1640

A3

CC BY-SA 4.0

9. Ci�ncia da Informa��o

1518-8353

A3

CC BY-SA 4.0

10. Em Quest�o

1808-5245

A3

CC BY-NC 3.0

11. InCID:Revista de Ci�ncia da Informa��o e Documenta��o

2178-2075

A3

N�o identificado

CC BY NC 4.0*

12. Informa��o & Tecnologia

2358-3908

A3

CC BY-NC-SA

13 PontodeAcesso

1981-6766

A3

N�o identificado

14. Revista Digital de Biblioteconomia e Ci�ncia da Informa��o (RDBCI)

1678-765X

A3

CC BY 4.0

15. Revista Eletr�nica de Comunica��o, Informa��o e Inova��o em Sa�de(RECIIS)

1981-6278

A3

CC BY-NC

16. Comunica��o & Informa��o

2317-675X

A4

CC BY-NC 3.0

17. Logeion: filosofia da informa��o

2358-7806

A4

CC BY-NC-SA 4.0

18. Perspectivas em Gest�o & Conhecimento

2236-417X

A4

CC BY-NC-ND 3.0 BR

19. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documenta��o (RBDB)

1980-6949

A4

CC BY 2.5 BR

20. Revista ACB

1414-0594

A4

CC BY-NC-ND 2.5 BR

Fonte: Elaborado pelos autores (2020)

*Licen�a identificada nas p�ginas dos metadados dos artigos deste t�tulo.

 

Em estudo similar a esta pesquisa, em partes, Muriel-Torrado e Pinto (2018) se propuseram a verificar e debater os meios de licen�as adotados pelos peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o segundo a apresenta��o descrita pela revista como o tipo de licen�a e a aplicabilidade de fato da licen�a representada nos seus conte�dos. Os autores identificaram que pouco mais da metade dos peri�dicos da amostra tinham uma licen�a Creative Commons. Destacaram que 18% dos peri�dicos tinham alguma licen�a Creative Commons com erros, ou a informa��o estava errada ou apresentava alguma dificuldade para que usu�rios e/ou autores soubessem com certeza de que licen�a se tratava.

�������� Observa-se que houve predomin�ncia de atribui��o das licen�as CC-BY e CC BY-NC, seis t�tulos dos 20 investigados para cada uma. Por meio da licen�a CC-BY, � permitido o uso, a distribui��o e a deriva��o do trabalho, inclusive para fins comerciais, desde que os cr�ditos sejam devidamente mencionados. Outra especificidade � que, dos seis t�tulos que atribu�ram esse tipo de licen�a, quatro possuem estrato Qualis A2, o que pode representar uma caracter�stica que contribui para a qualidade dos peri�dicos. J� na licen�a CC BY-NC, � permitido adaptar e criar obras derivadas, desde que se cite o autor nos cr�ditos e � tamb�m vedado o uso para fins comerciais. Observa-se que � vari�vel a vers�o para essa licen�a: vers�o 3.0 (utilizada por dois peri�dicos); vers�o 4.0 (utilizada por tr�s peri�dicos); e um peri�dico que n�o identifica a vers�o utilizada. As licen�as Creative Commons com vers�o 3.0 ou inferiores s�o uma vers�o adaptada � jurisdi��o e particularidades da lei de direitos autorais do pa�s que adotou essa vers�o. A vers�o 4.0, por sua vez, � uma licen�a internacional e � a mais atualizada da Creative Commons. Foram identificados que dois peri�dicos possuem estrato Qualis A2, tr�s com Qualis A3 e um com estrato Qualis A4.

Ainda entre as licen�as mais flex�veis, a CC BY-SA representa o mesmo que a licen�a anterior, por�m � exigida que a obra derivada seja compartilhada com uma licen�a igual, nas mesmas condi��es utilizadas da original. Neste estudo, foram identificados dois t�tulos com essa licen�a e estrato Qualis A3.

�������� Dois dos peri�dicos analisados utilizam a licen�a CC BY-NC-ND que � a mais restritiva das licen�as Creative Commons, pois permite a redistribui��o, o download e compartilhamento das obras licenciadas, desde que citada a fonte. Nesse tipo de licen�a n�o � permitido modific�-la nem us�-la para fins comerciais, o que torna essa licen�a mais r�gida. Nota-se que um dos peri�dicos utiliza a vers�o 2.5 e 3.0 dessa licen�a que, como dito anteriormente, s�o vers�es adaptadas �s leis de direitos autorais do pa�s que a utiliza, sendo inclusive identificada a sigla BR, para esclarecer que aquela � uma licen�a Creative Commons adaptada � lei de direitos autorais do Brasil. Ambos os peri�dicos possuem estrato Qualis A4.

�������� Por fim, tem-se a licen�a CC BY-NC-SA, localizada em dois dos peri�dicos analisados, que permite o compartilhamento, o download e a redistribui��o das obras licenciadas desde que a autoria seja mencionada. Nessa licen�a n�o � permitido modificar nem utilizar a obra para fins comerciais. Observa-se que um peri�dico utiliza uma vers�o n�o identificada e outro a vers�o 4.0, a mais atualizada. Foi identificado que um peri�dico possui estrato Qualis A3 e o outro Qualis A4.

Embora na p�gina principal da revista Ponto de Acesso n�o tenha expl�cito qual � a licen�a Creative Commons adotada, ressalta-se que consta em suas pol�ticas editoriais que esse t�tulo � de

 

[...] acesso livre e imediato ao seu conte�do, seguindo o princ�pio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento cient�fico contribui para a democratiza��o do saber. Assume-se que, ao submeter um artigo, o(a) autor(a) se reconhece como detentor(a) do direito autoral sobre ele e autoriza seu livre uso pelos leitores, podendo ser, al�m de lido, baixado, copiado, distribu�do e impresso (PONTODEACESSO, 2021, p. 1).


�������� Com rela��o ao t�tulo InCID: Revista de Ci�ncia da Informa��o e Documenta��o, nas fontes principais, p�gina principal e das pol�ticas da revista n�o foi identificada a licen�a atribu�da. Entretanto, em suas pol�ticas esclarece que o autor cede integralmente seus direitos patrimoniais � publica��o, permanecendo detentor de seus direitos morais (autoria e identifica��o), conforme estabelece a legisla��o espec�fica. Apesar de n�o constar nas pol�ticas ou de forma expl�cita na p�gina principal do peri�dico, em cada p�gina dos metadados dos artigos, como padr�o � evidenciada, em destaque, a atribui��o da licen�a CC BY NC 4.0.

 

5 CONSIDERA��ES FINAIS

 

Tendo em vista os aspectos observados neste estudo sobre quais as licen�as alternativas adotadas em peri�dicos t�cnicos e/ou cient�ficos da �rea da Ci�ncia da Informa��o, no contexto da Ci�ncia Aberta, tem-se que as licen�as CC-BY e CC BY-NC, com algumas varia��es de vers�o desta �ltima, s�o as mais utilizadas entre os t�tulos analisados. Em ambas � permitido o uso, a distribui��o e a deriva��o do trabalho, desde que citada a autoria, diferenciando-se apenas quanto aos fins comerciais. Identificou-se, tamb�m, que os peri�dicos que atribu�ram essas licen�as est�o com melhores estratos Qualis, sugerindo que essa pol�tica pode impactar em suas avalia��es.

Ressalta-se que foi identificado que n�o h� uma padroniza��o da forma de apresenta��o do tipo de licen�a adotada pelos peri�dicos da �rea da Ci�ncia da Informa��o analisados. Como solu��o para essa quest�o, recomenda-se o uso padr�o da licen�a no rodap� da p�gina principal dos peri�dicos para facilitar a identifica��o, pelo leitor, da licen�a atribu�da. Ainda, que seja mencionada e detalhada nas pol�ticas editoriais, a fim de ceifar qualquer d�vida sobre as possibilidades de usos dos trabalhos publicados pelos t�tulos.

Destaca-se, ainda, a necessidade de manter atualizadas as informa��es sobre as licen�as atribu�das para cada t�tulo de peri�dico em servi�o que explicita as pol�ticas de dep�sito de obras com direito autoral e de acesso aberto de publica��es acad�micas como o Sherpa/Romeu e o Directory of Open Access Journals (DOAJ), que mant�m uma lista na web de peri�dicos de acesso aberto com curadoria popular, com o intuito de n�o apresentar contradi��es de pol�ticas de acesso em fontes diferentes.

Por fim, como trabalhos futuros, recomenda-se que sejam analisados t�tulos de peri�dicos dos demais estratos da �rea de Ci�ncia da Informa��o, com o objetivo de se averiguar se existe algum tipo de rela��o entre a classifica��o do peri�dico no estrato Qualis e suas pol�ticas de acesso e licen�as alternativas atribu�das.

Ainda, � importante considerar que, no momento, observa-se que v�rias institui��es sincronizam suas a��es, buscando parcerias e colabora��o em pesquisas. Entende-se que estudos que viabilizam estrat�gias para fomentar o livre acesso aos resultados e aos dados de pesquisas cient�ficas s�o promissores, bem-vindas ao mundo acad�mico e podem desaguar em caminhos que levam a uma ci�ncia mais aberta.

 

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[1] Doutoranda em Gest�o e Organiza��o do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (PPG-GOC/ECI/UFMG)

[2] Doutorando em Gest�o e Organiza��o do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (PPG-GOC/ECI/UFMG).

[3] Professora Associada da Escola de Ci�ncia da Informa��o (ECI)/Programa de P�s-Gradua��o em Gest�o da Organiza��o e do Conhecimento (PPGGOC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

[4] Sherpa Romeo. Dispon�vel em: https://v2.sherpa.ac.uk/romeo/. Acesso em: 18 fev. 2021.