,
Museu da Vida da Fiocruz: mediações científicas e
culturais em ciência, tecnologia e saúde
Musée de la vie de Fiocruz : médiation scientifique et culturelle dans les domaines
de la science, de la technologie et de la santé
Fiocruz Museum of Life: Scientific and cultural mediation in
science, technology and health
Museo Fiocruz de la Vida: mediación
científica y cultural en ciencia, tecnología
y salud
Debora MENEZES[1]
Régina MARTELETO[2]
Patrick FRAYSSE[3]
![]()
RESUMO
Esta publicação propõe
analisar as mediações científico-culturais implementadas pelo Museu da Vida e
sua atuação no período da pandemia de Covid-19. A pesquisa adota como
referencial teórico metodológico a perspectiva sociocultural da Ciência da
Informação e das Ciências Sociais e Saúde. Os métodos utilizados possuem
caráter qualitativo e exploratório, baseada em pesquisa documental e
observações no campo, realizadas entre 2019 e 2023. Os autores apresentam o
Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz, localizado no Rio de Janeiro,
refletindo sobre suas práticas e abordagens. Percebe-se que os processos
institucionais são permeados por sua missão de promover o diálogo público em
ciência, tecnologia e saúde e respectivos processos históricos, também
contribuindo para melhores condições de vida, autonomia e o exercício dos
direitos de cidadania.
Palavras-chave: Comunicação, Covid-19, Informação, Mediação
de saberes, Território.
RÉSUMÉ
Cette publication vise à analyser les médiations scientifico-culturelles mises en œuvre par le Musée de la Vie et ses travaux lors
de la pandémie de Covid-19. La recherche
adopte la perspective socioculturelle des sciences de l'information et des sciences sociales et de la santé comme cadre
théorique et méthodologique.
Les méthodes utilisées sont qualitatives et exploratoires, basées sur des recherches documentaires et des observations de terrain réalisées entre 2019 et 2023. Les
auteurs présentent le Musée de la vie de la Fondation Oswaldo Cruz, situé à
Rio de Janeiro, en réfléchissant à ses pratiques et approches. Il en
ressort que les processus institutionnels sont imprégnés par sa mission de promouvoir
le dialogue public sur la science, la technologie et
la santé et leurs processus historiques respectifs, tout en contribuant à
l'amélioration des conditions
de vie, à l'autonomie et à l'exercice des droits de citoyenneté.
Mots-clés: Communication,
Covid-19, Information, Médiation des savoirs, Territoire.
RESUMO
Esta publicação propõe
analisar as mediações científico-culturais implementadas pelo Museu da Vida e
sua atuação no período da pandemia de Covid-19. A pesquisa adota como
referencial teórico metodológico a perspectiva sociocultural da Ciência da
Informação e das Ciências Sociais e Saúde. Os métodos utilizados possuem
caráter qualitativo e exploratório, baseada em pesquisa documental e
observações no campo, realizadas entre 2019 e 2023. Os autores apresentam o
Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz, localizado no Rio de Janeiro,
refletindo sobre suas práticas e abordagens. Percebe-se que os processos
institucionais são permeados por sua missão de promover o diálogo público em
ciência, tecnologia e saúde e respectivos processos históricos, também
contribuindo para melhores condições de vida, autonomia e o exercício dos
direitos de cidadania.
Palavras-chave: Comunicação, Covid-19, Informação, Mediação
de saberes, Território.
RESUMO
Esta publicación pretende analizar las mediaciones científico-culturales implementadas por el
Museo de la Vida y su labor durante la pandemia de
Covid-19. La investigación adopta como marco teórico
y metodológico la perspectiva sociocultural de las Ciencias de la Información y las Ciencias Sociales y de la
Salud. Los métodos utilizados son cualitativos
y exploratorios, basados en
investigación documental y observaciones
de campo realizadas entre 2019 y 2023. Los autores presentan
el Museo de la Vida de la Fundación
Oswaldo Cruz, ubicado en Río de Janeiro,
reflexionando sobre sus prácticas y enfoques. Surge
que los procesos institucionales están permeados
por su misión de promover el diálogo público sobre la ciencia,
la tecnología y la salud y
sus respectivos procesos históricos, al tiempo que contribuyen a la mejora de las condiciones de
vida, la autonomía y el ejercicio de los derechos de ciudadanía.
Palabras clave: Comunicación,
Covid-19, Información, Mediación
del conocimiento, Territorio.
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho faz parte de uma pesquisa que investiga os processos
socioculturais de mediação de saberes, implementados por instituições
científicas e organizações comunitárias em territórios marginalizados de
grandes centros urbanos, durante a pandemia de Covid-19. Neste período,
determinados grupos sociais já penalizados pela desigualdade social brasileira
sofreram ainda mais. Esta reflexão tem como objetivo analisar as mediações
científicas e culturais implementadas pelo Museu da Vida, da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, Brasil. Buscamos explorar como as práticas e
abordagens adotadas contribuem para ampliar o acesso às informações sobre
ciência, tecnologia e saúde, em especial para camadas mais amplas da sociedade.
Sabe-se que a museologia social influencia as instituições
museológicas há décadas;
e, que os processos de desenvolvimento de dispositivos devem ter
o visitante como ponto de partida (Fraysse, 2015; Teixeira;
Fraysse, 2022). Porém, apesar de esforços e alguns
avanços, a realização da mediação do patrimônio em todo o seu potencial ainda é
um desafio.
A partir do arcabouço teórico metodológico da Ciência da
Informação e das Ciências Sociais e Saúde, busca-se compartilhar um pouco da
trajetória de uma instituição (Fiocruz) por meio de seu dispositivo (Museu da
Vida), em diálogo com outras instâncias e unidades organizacionais, redes de
organizações, coletivos, profissionais, até chegar ao território e seu(s)
público(s). Nesta análise, encontramos a influência determinante da França e do
Instituto Pasteur, onde Oswaldo Cruz realizou seus estudos antes de dirigir a
instituição que hoje leva seu nome. Mas, principalmente, encontramos práticas
realizadas em bases e valores democráticos, e aprendizado constante nos
processos de exercício da sua missão institucional.
2 CAMPO TEÓRICO CONCEITUAL
A
pesquisa adota a perspectiva sociocultural da Ciência da Informação e das
Ciências Sociais e Saúde, com o objetivo de estudar os processos de mediação
social de saberes e conhecer as formas
e modalidades do funcionamento simbólico da sociedade (Davallon,
2004; Jeanneret, 2009; Marteleto
et al., 2022), complementados pelas abordagens da mediação documentária (Couzinet, 2014, 2022; Meyriat,
1981), da mediação social e institucional (Fraysse,
2011, 2015; Teixeira; Fraysse, 2022) e da Educação
Popular e Saúde (EPS) (Marteleto, 2020; Marteleto; David, 2021; Marteleto;
Stotz, 2009). Uma referência transversal às perspectivas
teóricas adotadas é a influência da educação popular freiriana (Freire, 1970),
mirando abordagens dialógicas para alcançar o propósito de ampliar o acesso ao
conhecimento científico, permitir ao povo entender melhor o mundo (Bazin, 1997),
contribuindo para o exercício dos seus direitos de cidadania.
2.1 Mediação social de Saberes
Este trabalho buscou
a articulação de elementos comunicacionais e os dispositivos presentes no Museu
da Vida, identificando sujeitos, suas relações e trocas sociais – o terceiro
elemento simbolizante, que opera no processo comunicacional (Davallon, 2004). O percurso analítico, em construção, aspirou
as diretrizes da Tripla Base nos processos da informação-comunicação: Procedimento,
que descreve os processos de comunicação; a Figura Social que qualifica
socialmente as dinâmicas e os regimes da cultura, suas questões sociais e
políticas ligadas às formas sociais, semióticas e técnicas; e, a Reflexividade,
ao questionar o lugar da mediação no processo social de circulação dos saberes
(Jeanneret, 2009, p. 2).
Há que se pontuar a mediação
da mediação, na construção do processo analítico baseado nos conceitos
acadêmicos que são utilizados como arcabouço teórico-metodológico no processo
de análise e construção coletiva de conhecimento e comunicação científica (Jeanneret; Rondot, 2013).
As análises sobre a
popularização do conhecimento atribuem papel central à noção de mediação e ao
papel do mediador “terceiro homem”, o reconciliador entre os instruídos e os
ignorantes. Quando realizada uma análise infocomunicacional,
depara-se com maior complexidade - a mídia, aparatos, situação de comunicação e
documento. A popularização do conhecimento está organizada numa estrutura que pode
condicionar as práticas sociais, e não apenas as refletir. As múltiplas
possibilidades de usos (policrese) contribuem
plenamente para a construção do seu real significado. A popularização
científica é parte dos sistemas que organizam a comunicação da ciência na
sociedade, assim como a relação entre política, ciência, tecnologia e indústria.
Embora naturalizados, os discursos sociais sobre o conhecimento constituem produções
midiáticas, as quais interpõem objetos entre os atores sociais, sejam eles documentários
ou exposições em museus de ciência (Jeanneret, 2009).
No campo da saúde,
os processos de informação e comunicação envolvem uma complexa rede de relações
e saberes, que trabalham em conjunto na construção coletiva do conhecimento e no
diálogo entre o conhecimento popular e o conhecimento científico (Marteleto, 2020; Marteleto; David,
2021; Marteleto; Stotz,
2009). Neste contexto, a Educação Popular e Saúde (EPS) compreende a saúde e a
doença na interface dos níveis biomédico e sociocultural. Os aspectos culturais
e a criação de meios de produção de conhecimento são compartilhados entre
acadêmicos, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil, movimentos
sociais e o público em geral (Marteleto, 2020).
2.2 Mediação institucional
A perspectiva
da mediação científico-cultural realizada por instituições recomenda pensar no
público como ponto de partida e não o saber “acadêmico” do museu nem o discurso
científico. Os dispositivos técnicos constituem um polo logístico da mediação,
eles viabilizam o acesso ao conhecimento que está presente no acervo do museu,
para que seja posteriormente apropriado e transformado em conhecimento pelo
público (Fraysse, 2015).
Desde
os anos 1960, o aporte da museologia social e subsequentes discussões teóricas
ressaltam o papel social das instituições enquanto polos de difusão de
conhecimento técnico-científico-cultural (Teixeira; Fraysse,
2022). Destaca-se a importância do patrimônio ser acessível
pois pertence à comunidade científica e à sociedade (De Mattos; Labat, 2022).
Pensando
sobre o futuro da mediação, o que esperamos de um museu? Não há mais a missão exclusiva
de conservação, do século XIX, nem é mais suficiente a missão educativa, do
século XX (Jacobi, 2021, p. 237). No contexto mais acelerado do século XXI, os eventos
tornam-se a locomotiva da instituição. Não oferecer exposições temporárias o
torna praticamente moribundo, mas oferecer uma programação de eventos o coloca em
seu tempo. Curadores e mediadores precisam conciliar a oferta de mediação, em
linha com a aceleração social que gera aceleração cultural. Este movimento
também é importante para fidelizar os visitantes, que significa fazê-los voltar
a visitar, todo ano (Jacobi, 2021).
2.3 A Popularização da Ciência
A educação
científica ganha status de urgência nacional, em especial nos EUA, após o
lançamento do satélite russo Sputnik I (1957). Na educação, a teoria
construtivista reforça o papel da experiência concreta e inspira novo currículo
escolar (Hooper-Greenhill, 2000).
Bazin
(1997)[4] atribui o
nascimento dos museus de ciências interativos ao movimento de maio de 1968, o
qual propunha uma maneira mais aberta e honesta de viver, inclusive nas
ciências. O Exploratorium, em São Francisco, EUA, foi
o pioneiro a adotar este modelo. Porém, o autor critica o fato das instituições terem se distanciado desta proposta inicial,
ao longo do tempo. Distanciando-se do porquê e para que fazem as coisas para
priorizarem a arquitetura e os projetos megalomaníacos, sob a gestão dos burocratas
da elite.
Os centros
de ciências interativos e participativos expandiram-se rapidamente pelo mundo,
em geral apresentam exposições com dispositivos que trabalham conceitos da
física, uma disciplina considerada difícil. Contudo, o modelo também recebe críticas
porque normalmente não é acompanhado de uma contextualização histórica e social
(Mcmanus, 1992; Valente, 2005).
Por
outro lado, no contexto contemporâneo onde a ciência é onipresente, por meio
dos seus produtos, mas raramente compreendida nos seus processos, cada vez mais
complexos e dominados por especialistas, os museus de ciências são ambientes
propícios para aproximar a ciência da sociedade. A educação em ciências não pode
limitar-se ao ambiente escolar, tornando fundamentais as iniciativas de
divulgação científica e de educação não formal realizada nestes espaços (Falcão;
Coimbra; Cazelli, 2010).
3 METODOLOGIA
Para
analisar as mediações científico-culturais implementadas pelo Museu da Vida, da
Fiocruz, foi realizada uma pesquisa exploratória e preliminar, no âmbito de
doutorado em Ciência da Informação, baseada em pesquisa documental, pesquisa
bibliográfica em livros, artigos científicos, relatórios e sítios na internet,
além de observações em visitas e fotografias, realizadas entre 2019 e 2023.
Período que compreendeu o mestrado que investigou o diálogo de centros e museus
de ciências brasileiros com o público em vulnerabilidade social no território
das instituições (Menezes, 2021).
Os
resultados deste trabalho são apresentados em quatro seções. Em linha com a
proposta teórico-metodológica, primeiramente são situados aspectos históricos
sobre a Fiocruz. Em seguida, é apresentado o Museu da Vida e sua abordagem dos
processos de informação e comunicação técnico-científica. Duas das áreas expositivas
são descritas em maior detalhe, o Castelo Mourisco, iconografia da marca da Fiocruz
e a Célula Gigante, artefato que compõe a marca do Museu. Posteriormente, é apresentada
a coordenação de Ações Territorializadas, área que lidera o estabelecimento de
diálogo com o público em vulnerabilidade social do território. Por fim, são
mencionadas ações implementadas pela Fiocruz ao longo da pandemia de Covid-19 e
a inserção do Museu neste contexto.
Ressalta-se
que o trabalho apresenta limitações de uma pesquisa documental, e não é
exaustivo, considerando-se as nuances e o volume de ações realizadas pelo Museu
da Vida da Fiocruz.
4 BREVE HISTÓRICO DA FIOCRUZ
O médico Oswaldo Gonçalves Cruz
(1872-1917) realizou sua especialização em “Microbiologia Técnica” e estagiou no
Instituto Pasteur, Paris, entre 1896 e 1899. Inicialmente, ele contou com apoio
financeiro do sogro, mas quando a direção do Instituto tomou conhecimento da
sua origem brasileira, lhe concedeu uma bolsa de estudos. A ação também
representou uma homenagem ao ex-Imperador do Brasil
Pedro II (1825-1891), amigo de Louis Pasteur (1822-1895), com quem trocava
correspondências, recebia incentivo e doações. Em 1900, aos 27 anos, Oswaldo
Cruz assume a direção técnica do recém-criado Instituto Seroterápico Federal,
localizado na Fazenda de Manguinhos, Rio de Janeiro (Lima; Marchand, 2005, p. 163–164). Hoje, as duas instituições seguem realizando ações em colaboração,
sendo a Fiocruz a única instituição brasileira integrante da Rede Mundial
Pasteur (Fiocruz, 2024a).
Em 1902, Oswaldo Cruz passa
a dirigir o Instituto, quando o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Pereira
Passos, realiza uma reforma urbana. No ano seguinte, ele é nomeado Diretor de
Saúde Pública pelo Presidente Rodrigues Alvez, com a missão de combater a febre
amarela, a varíola e a peste bubônica. A partir de então, torna-se referência
em saúde pública, quando também inicia a realização de expedições científicas
no interior do país (Fiocruz, 2022).
A atual denominação,
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi atribuída em 1974, quando o Brasil era governado
pela ditadura militar (1964-1985). O período de repressão ficou marcado pela censura,
o exílio de pesquisadores; e, consequentemente, o retrocesso nas pesquisas
científicas, documentados na obra “O Massacre de Manguinhos” (Lent, 2019). Na reedição do original, publicado em 1978, pesquisadores destacam a
inserção da prática científica no contexto social e político e ratificam a
importância da democracia no desenvolvimento da atividade científica e
intelectual.
A Fiocruz colaborou para o
Movimento da Reforma Sanitária (1976-1988) e para a instituição do SUS, no
contexto de restauração do regime democrático no país, na Constituição da
República de 1988 (Fiocruz, 2023a). A partir de então, a saúde passa a ser reconhecida como direito social
inerente ao exercício da cidadania, garantindo o acesso universal e equitativo
aos serviços. Cabe mencionar que apesar da lei prever uma atuação abrangente do
SUS, ao longo dos anos houve perdas significativas e desmontes (Paim, 2015).
Atualmente presente em onze
estados do país, a Fiocruz conta com mais de doze mil trabalhadores, contribui para
o desenvolvimento econômico e para a resposta aos problemas de saúde nacionais
e internacionais numa atuação abrangente, que envolve desde a pesquisa
científica, a prestação de serviços hospitalares, a fabricação de vacinas e
medicamentos, a implementação de programas sociais, o ensino e formação de
recursos humanos e a informação e comunicação em saúde, ciência e tecnologia (Fiocruz,
2022).
5 O MUSEU DA VIDA DA FIOCRUZ
A Casa de Oswaldo Cruz (COC) é a unidade da Fiocruz
dedicada à preservação da memória, documentação, pesquisa, educação e
divulgação científica, sendo também responsável pela gestão do Museu da Vida (MV).
Inaugurado em 1999, no campus de Manguinhos, a sua missão é “Despertar o
interesse e promover o diálogo público em ciência, tecnologia e saúde, e seus
processos históricos, visando à promoção da cidadania e à melhoria da qualidade
de vida” (Museu da Vida, 2017, p. 22). O museu possui áreas ao ar livre e
interiores, distribuídas por 25 mil metros quadrados e recebe em média 47 mil
visitantes por ano[5] (Mano et
al., 2015). A visita ao museu é gratuita e inicia no Centro de Recepção, espaço
cuja arquitetura é inspirada numa estação de trem, sem paredes e integrado ao
ambiente natural.
No Centro de Recepção são expostas obras de arte, e o
espaço conta com anfiteatro, lanchonete, mesas, cadeiras, bebedouros e
banheiros. Lá, os profissionais do museu informam as atividades disponíveis e é
combinado o roteiro da visita, quando não realizado previamente. Este momento normalmente
conta com o suporte de uma maquete do campus que exibe as áreas de
visitação, são elas: Castelo Mourisco, Parque da Ciência, Pirâmide, Tenda da
Ciência, Borboletário, Salão de Exposições Temporárias e Trilhas
histórico-ecológicas (Museu da Vida, 2023).
A Tenda da Ciência Virgínia Shall
apresenta espetáculos de teatro e outras atividades que integram arte e
ciência. Sua estrutura foi herdada do Fórum Global, evento paralelo à Eco-92
que reuniu a sociedade civil (Bevilaqua, 2018). O MV é também responsável pelo
grupo Ciência em Cena, que produz e apresenta espetáculos nesta tenda, em ações
itinerantes e em outras áreas da Fiocruz (Almeida et al., 2019).
Para ampliar o acesso à instituição, o MV oferece o
Expresso da Ciência, um ônibus destinado ao transporte de grupos de escolas
públicas ou ONGs. Também realiza ações itinerantes, gratuitas, mas realizadas
sob determinadas contrapartidas, como as Exposições Itinerantes, que constituem
no empréstimo para outras instituições do território ou do país; e, o Ciência
Móvel, um caminhão que se transforma em área de exposição e se desloca para
temporadas nas cidades da Região Sudeste, sob agendamento (Museu da Vida,
2023).
5.1 Castel Mourisco, o “Palácio da Ciência”
O Castelo Mourisco é o
símbolo da Fiocruz, tombado em 1981 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan) e candidato a se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade,
conserva suas características originais com ornamentação Neomourisca.
O edifício abriga funções administrativas, além de sala de exposições e
biblioteca de obras raras. Atualmente, pode ser visitado com mediação humana ou
virtualmente (Fiocruz, 2024b).
Projetado pelo arquiteto
português Luiz Moraes Júnior (1872-1955), o Castelo foi construído em fases, entre
1905 e 1918. Parte dos materiais utilizados na construção foram retirados do
próprio terreno, como terra, madeira, areia, saibro e pedra. Os demais
materiais foram importados, como telhas, tijolos e cerâmicas, de Marselha,
França e da marca Bordallo Pinheiro, de Portugal;
luminárias, aço, esquadrias e azulejos da marca Villeroy-Bosch, da
Alemanha; fechaduras Yale, dos Estados Unidos; cimento, da Inglaterra; e,
mármore da Itália. Oswaldo Cruz chegou a trabalhar lá, mas faleceu em 1917 e
não foi possível ele presenciar a inauguração desta obra (Costa; Pessoa, 2003) (Quadro
1).
Quadro 1 – Imagens
do Castelo Mourisco, Fiocruz, RJ
|
(1.1)
|
(1.2)
|
(1.3)
|
Fontes: (1.1) Débora T. S.
Menezes; (1.2) Fiocruz – cerâmica decorativa da fábrica Bordalo Pinheiro; (1.3)
Fiocruz – marca da Fundação, cujo Castelo é iconografia.
Idealizado por
Oswaldo Cruz para representar o “Palácio da Ciência”, o edifício destaca-se no
conjunto arquitetônico histórico de Manguinhos, entre outras construções do
início do século XX localizadas nas suas proximidades, como a Cavalariça, o
Pombal e a Casa de Chá. Acredita-se que o projeto do Castelo recebeu três
influências arquitetônicas. Além do Palácio da Alhambra, localizado na cidade
de Granada, Espanha; do Palácio de Montsouris, em
Paris, que Oswaldo Cruz teria visitado durante a sua formação no Instituto
Pasteur; e da sinagoga de Berlim. A cidade foi visitada duas vezes pelo
cientista e o arquiteto, por ocasião das Exposições Internacionais de Higiene,
em 1907 - quando o Instituto recebeu a Medalha de Ouro; e, em 1911, quando de
passagem para a cidade de Dresden (Costa, 2014).
5.2 Parque da Ciência
Prosseguindo nas áreas
expositivas, o Parque da Ciência (Parque) é um espaço ao ar livre, composto por
dispositivos interativos sobre temáticas de Energia, Comunicação e Organização
da Vida. Um dos destaques do Parque é a Célula Gigante, que foi a inspiração
para a iconografia do Museu. É local de brincadeiras, relaxamento ou registros fotográficos,
por parte dos visitantes e das equipes do MV e Fiocruz (Museu da Vida, 2023) (Quadro
2).
Quadro 2 – Imagens da Célula
Gigante, Museu da Vida, Fiocruz, RJ
|
(2.1)
(2.3)
|
(2.2)
(2.4)
|
|
Quadro 2 – Imagens da Célula Gigante, Museu da Vida, Fiocruz, RJ
(continuação) |
|
|
(2.5)
|
(2.6)
|
|
(2.7) |
(2.8) |
Fonte (2.1): Museu da Vida (2024). Fontes (2.2 – 2.8): imagens Débora T
S Menezes. O padrão das etiquetas busca a contextualização dos conceitos
científicos. (2.2) Ponto de registro fotográfico, ideia das proporções e
posição das etiquetas (2.3) Célula Gigante (2.4) Explica as partes da célula e
suas funções (2.5) Histórico sobre estudos da célula e processos de observação em
microscópio digital, que permitem coloridos, convida a identificar cada parte,
no dispositivo (2.6) Descrição da célula, convite para brincar e desconstrução
sobre colorido das imagens: as células são quase transparentes (2.7) Convite a
saber mais e reflexão sobre exames de DNA (2.8) Elementos estéticos que mesclam
arte e ciência, seres vivos e imagens variadas: processos de divisão celular; vegetais;
rostos humanos de diferentes etnias; feto; estruturas de DNA e alusão à
linguagem de programação digital.
As etiquetas do
Parque buscam contextualizar os conceitos científicos abordados, incorporando
elementos estéticos, históricos e culturais adjacentes: convidam o visitante a
realizar uma ação; explicam o que ocorre, com base no conceito científico
abordado; exibem exemplos sobre o princípio, por meio de tecnologias, órgãos do
corpo humano ou saberes tradicionais e trazem perguntas para motivar a expansão
do conhecimento.
Em continuação ao
Parque da Ciência, também pode ser visitada a Pirâmide, que oferece jogos,
experimentos e atividades sobre as vidas micro e macroscópica (Museu da Vida,
2023).
5.3 O diálogo com o público e as ações territorializadas
no Museu da Vida, da Fiocruz
Desde 2015, foi instituída
a coordenação de ações territorializadas (AT/MV), com foco no público que
reside nos territórios de favelas e periferias. O trabalho envolve o diálogo com
os movimentos sociais, grupos culturais, escolas, unidades básicas de saúde e
outros atores que atuam nos territórios onde a Fiocruz está inserida.
O propósito do grupo é construir
um quadro de referências pautado por valores democráticos, como o direito à uma
vida digna e “potenciais humanos associados ao mundo da arte, da cultura, da
produção do conhecimento, da reflexão sobre a cidade e o meio ambiente” (Batista et al., 2021, p.
5). O grupo realiza a gestão do Expresso da Ciência e das Exposições
Itinerantes, além de buscar adesão e participação em cursos e projetos
educativos produzidos pela instituição (Museu da Vida, 2023). Por exemplo, o
Curso de Monitores para formação de mediadores das visitas ao museu e o
Pro-Cultural, sobre produção de eventos e atividades culturais. A escolha da noção
de “território”, utilizada no nome desta coordenação, considera que todos
compartilham o lugar, a construção de histórias, memórias, problemas e
soluções. Da mesma forma, optou-se por não usar a denominação “entorno”, pois
na prática, atribui ao que não é central uma posição periférica, excludente e
hierárquica (Batista et al., 2021, p. 8).
O MV trabalha no
desenvolvimento do conceito de Curadoria com Participação Social (CPS), que
busca democratizar o poder na construção de exposições e processos educativos
emancipatórios, com a finalidade de promover a saúde e construir respostas em
conjunto com os atores envolvidos. Foram realizados dois Seminários de
Curadoria com Participação Social, nos anos de 2016 e 2019. O processo foi
catalisado pela coordenação de AC/MV e influenciou a atuação do MV e da própria
Fiocruz. Outra iniciativa sob responsabilidade desta unidade é o Fórum Favela
Universidade, uma articulação com a Coordenadoria de Cooperação Social da
Presidência da Fiocruz, a Pro Reitoria de Extensão (PR-5) da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e movimentos sociais e culturais da Maré e de
Manguinhos (Batista et al., 2021).
5.4 O museu da vida e sua participação nas ações da
Fiocruz na pandemia de Covid-19
Dado o fechamento dos museus e o contexto de
circulação de fake news, o MV priorizou a comunicação e o
desenvolvimento de atividades por meio das plataformas sociais digitais, o que
permitiu ampliar sua audiência e o acesso às informações científicas. Os
públicos priorizados foram os professores, estudantes da educação e básica e
ensino superior; e, pessoas com deficiência. Foram utilizados os canais Instagram,
Facebook, YouTube, Twitter (atual X) e Whatsapp –
este se mostrou o mais eficaz na receptividade de mensagens pelas pessoas em
vulnerabilidade socioeconômica. As mensagens adotaram formatos de Podcasts,
Lives e Cards, livros e eventos realizados no modo online
e peças de teatro, produzidas em Webseries (Bonatto et al.,
2022).
Uma parte dos temas abordados nessas ações foram
desenvolvidos a partir de dúvidas do público, que foram respondidas por
especialistas. Outros temas foram desenvolvidos em conjunto com outras áreas da
instituição, como o Grupo de Estudos e Ações Educativas para o Público Infantil
(Geaepi) e o mestrado em Divulgação da Ciência,
Tecnologia e Saúde, da COC, nas entrevistas “Conta Aí, Mestre”, entre outros
atores envolvidos neste processo como os profissionais da saúde, da educação e
lideranças de movimentos sociais que atuam no território de Manguinhos (Bonatto
et al., 2022).
Sendo a maior instituição de saúde da América do Sul,
a FIOCRUZ desempenhou um papel importante no gerenciamento da pandemia, desenvolvendo
ações que visaram minimizar o impacto da doença para a população brasileira (Fiocruz,
2022, 2023b). O programa “Unidos contra a Covid-19” (Fiocruz, 2021d), representou
uma das maiores captações de recursos do país, arrecadou quase 455 milhões de
reais, além de serviços e materiais, doados por 2.701 pessoas físicas e 132
instituições. Os recursos foram canalizados para cinco frentes de ação[6], dentre
elas, o apoio às populações mais vulneráveis. As favelas e regiões pobres foram
priorizadas, em ações direcionadas à segurança alimentar, monitoramento do
progresso da doença e comunicação. O trabalho foi articulado às organizações comunitárias
locais para criar, cocriar ou apoiar diferentes dispositivos de comunicação
sobre a pandemia, como a campanha #VacinaMaré, que imunizou cerca de 37 mil
moradores no território (Fiocruz, 2023c).
O “Boletim Observatório Covid-19” revelou que o vírus
afetou duas vezes mais mulheres negras do que mulheres brancas (Fiocruz,
2021a). O “Boletim
Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas” demonstrou a metodologia
desenvolvida pela instituição quando os dados relativos à “raça” e “CEP” foram
apagados dos sistemas governamentais (Bento, 2020; Fiocruz, 2020a,
2021b), entre
outros materiais (Fiocruz, 2020c). A série “Radar COVID-19 Favela”
foi estruturada com base no monitoramento ativo de fontes não oficiais,
forneceu análises populares e científicas da situação de saúde em áreas
periféricas, em 17 edições que tornaram visíveis as dificuldades e as iniciativas
populares diante da pandemia.
Por exemplo, a partir do fechamento das escolas, as
famílias perceberam cerca de 87% de aumento nas despesas, principalmente por
causa da alimentação (Fiocruz, 2020d, p. 6). Quatorze
meses após o início da pandemia, ainda estavam presentes a fome, a violência e
as condições precárias para a implementação de cuidados preventivos (Fiocruz,
2021c).
O programa “Se liga no Corona” produziu materiais de
comunicação com foco na prevenção, partindo das reais condições de vida e
moradia de pessoas em situação de vulnerabilidade social. O conteúdo ficou disponível
no portal do Programa e no jornal comunitário “Maré Online” no formato de cartazes;
radionovelas; spots para carros com sistema de som, peças de teatro e
vídeos para plataformas de redes sociais (Fiocruz, 2020b).
6 DISCUSSÃO
Este trabalho compartilha práticas sobre o
processo de informação e comunicação do Museu da Vida da Fiocruz, e os elementos
apresentados nos resultados ressaltam valores institucionais alinhados à
prática dialógica nos processos de popularização da ciência, assim como o papel
da ciência em perspectiva histórica, social, política, ambiental e cultural. Percebe-se
o compromisso institucional da Fiocruz, evidenciado pela criação da coordenação
de Ações Territorializadas. Desta maneira adota uma política consistente de
longo prazo, colaborando com outras áreas da Fiocruz, inclusive no período da
Pandemia de Covid-19.
O Museu da Vida é uma instituição que busca
inspiração nos valores da museologia social, tendo superado obstáculos
estruturais e institucionais para ampliar o acesso ao conhecimento técnico
científico. Ciente de que este é um processo e uma construção de longo prazo,
imbuída de reflexividade, subjacente aos processos de avaliação e pesquisas.
Desta maneira, reconhece limites e realimenta práticas, dando continuidade às
ações e ao aprendizado.
Os autores propositalmente não utilizaram o termo
“vulgarização” para tratar da popularização científica - embora em desuso,
ainda é associado às práticas da divulgação científica, por vezes adquirindo um
caráter pejorativo. Quando se tem contato com a história e a abordagem
apresentada, percebe-se que os processos e escolhas trilhadas pelo Museu da
Vida, em linha com os valores institucionais da Fiocruz, priorizam o diálogo e
aprendizado contínuo nas práticas da instituição.
Recapitulamos as escolhas arquitetônicas de
Oswaldo Cruz para o projeto do Castelo Mourisco e suas possíveis influências de
culturas diversas. Desde o símbolo da instituição estaria imbuída a conciliação
de diferenças e a tolerância, aspectos fundamentais para o estabelecimento de
um diálogo.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os elementos
apresentados sobre os processos de informação e comunicação do Museu da Vida da
Fiocruz buscaram documentar as mediações científicas e culturais implementadas
pela instituição. Percebe-se uma atuação pautada por valores democráticos,
práticas dialógicas e inclusivas, de construção coletiva do conhecimento. Este porém não é um fim em si, mas um processo de trabalho,
do qual não fazem parte fórmulas nem ações pontuais.
Faz-se relevante destacar
o compromisso, precedido de reflexividade, por parte da instituição, e da coragem
para simplesmente iniciar. Percebe-se que sua missão está permeada nos
processos institucionais, promovendo o diálogo público em ciência, tecnologia e
saúde e respectivos processos históricos, também contribuindo para melhores
condições de vida, autonomia e o exercício dos direitos de cidadania. A
candidatura ao Patrimônio da Unesco já seria então um reconhecimento à esta
instituição que completou 120 anos em maio de 2020, quando não poupava esforços
para o cuidado dos brasileiros, durante a pandemia de Covid-19.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, C. et al. Ciência em Cena: teatro no Museu da Vida.
[s.l.] Museu da Vida, COC, Fiocruz, 2019.
BATISTA, A. M. F. et al. Quando o museu vai à favela e a favela
vai ao museu: ações Territorializadas do Museu da Vida. Rio de Janeiro, RJ:
Casa de Oswaldo Cruz, 2021.
BAZIN, M. Em busca de uma ciência acessível. [Entrevista concedida a]
Luiza Massarani. Presença Pedagógica, v. 3, n. 17, p. 5-15, 1997.
BENTO, C. Eugenia e coronavírus, por Cida Bento. Disponível em: https://www.aryramos.pro.br/eugenia-e-coronavirus-por-cida-bento/.
Acesso em: 29 jun. 2023.
BEVILAQUA, D. V. Museu da Vida: um século de museus na Fiocruz.
200 Anos de Museus no Brasil: desafios e perspectivas. Anais... Em:
ANAIS... Brasília, DF: IBRAM, 2018. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/36709.
Acesso em: 10 mar. 2024
BONATTO, M. P. D. O. et al. Museu da Vida Fiocruz e Covid-19: educação, ciência e cultura na
promoção da saúde. Revista Docência e Cibercultura, v. 6, n. 4, p.
93–119, 23 set. 2022.
COSTA, R. DA G.R. Monumentos à Ciência: arquitetura neomourisca, eclética e modernista. 1. ed. Rio de Janeiro:
Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2014.
COSTA, R. DA G.-R.; PESSOA, A. J. D. S. Um Lugar para a Ciência:
a formação do campus de Manguinhos. Rio
de Janeiro: Fiocruz, 2003.
COUZINET, V. Tendances de la recherche
française en sciences de l’information documentation: médiations et documents. As transformações do documento no
espaço – tempo do conhecimento. Anais... Em: 3o
COLÓQUIO INTERNACIONAL DA REDE MUSSI. Salvador, BA, Brésil:
UFBA, ICI, 2014.
COUZINET, V. Do micro ao macrodispositivo
documentário: compartilhando saberes e memória do mundo. ConCI:
Convergências em Ciência da Informação, v. 5, p. 1–30, 11 out. 2022.
DAVALLON, J. La médiation : la communication en procès ?
Em: MEI. Médiations & médiateurs.
Paris: L’Hartmattan, 2004.
p. 37–59.
DE MATTOS, C.; LABAT,
C. Le Fragment: une dynamique de partage. Em: TEIXEIRA, S.; FRAYSSE, P.; SEJALON-DELMAS, N. (Eds.). Mediações
científicas potenciais: museus e coleções da Universidade Federal da
Bahia/Brasil e da Universidade de Toulouse/Paul Sabatier/França.
Salvador: UFBA, 2022. p. 97–114.
FALCÃO, D.; COIMBRA, C. A. Q.; CAZELLI, S. Museus de ciência e
tecnologia e inclusão social. (M. Granato, C. P. dos Santos, M. L. de M. L.
Niemeyer, Eds.)MAST Colloquia:
o caráter político dos museus. Anais...Rio de Janeiro: MAST, 2010.
FIOCRUZ. Boletim Socioepidemiológico da Covid nas Favelas: análise da
frequência, incidência, mortalidade e letalidade por COVID-19 em favelas
cariocas. Ed. 1. Rio de Janeiro: [s.n.]. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/42662.
Acesso em: 29 jun. 2023a.
FIOCRUZ. Se Liga no Corona - Fiocruz tá junto. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/se-liga-no-corona.
Acesso em: 2 jul. 2023b.
FIOCRUZ. Nós, os Vulneráveis. Moradias precárias, desrespeito a direitos
básicos e ausência de proteção social: medidas contra a covid-19 esbarram em
realidades marcadas pela desigualdade. RADIS, n. 212, p. 24, maio 2020c.
FIOCRUZ. Radar COVID-19, Favelas Ed. 1. Rio de Janeiro: ENSP;
EPSJV; FIOCRUZ, 30 jul. 2020d. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/42581.
Acesso em: 28 jun. 2023.
FIOCRUZ. Boletim Observatório COVID. Um balanço da pandemia em 2020.
[s.l: s.n.]. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/documento/boletim-do-observatorio-covid-19-edicao-especial-faz-balanco-da-pandemia-no-brasil-em-2020.
Acesso em: 2 jul. 2023a.
FIOCRUZ. Boletim Socioepidemiológico da Covid nas Favelas: análise da
distribuição e incidência da síndrome gripal em favelas cariocas. Ed. 3. Rio de Janeiro: [s.n.].
Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/46320. Acesso
em: 29 jun. 2023b.
FIOCRUZ. Radar COVID-19 Favelas Ed. 9: Desigualdades, pobreza e o
avanço da fome em plena pandemia. Rio de Janeiro: ENSP; EPSJV; FIOCRUZ, abr.
2021c. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/documento/radar-covid-favelas-edicao-9.
Acesso em: 28 jun. 2023.
FIOCRUZ. Programa Unidos Contra a Covid. Relatório de Prestação de
Contas. Rio de Janeiro: FIOCRUZ; Ministério da Saúde; SUS, nov. 2021d.
Disponível em: https://unidos.fiocruz.br/relatorio/pdf/Fiocruz_Impactos_nov2021_digital.pdf.
Acesso em: 2 jul. 2023.
FIOCRUZ. Relatório de Gestão 2021. Rio de Janeiro: [s.n.].
Disponível em: https://portal.fiocruz.br/documento/relatorio-de-gestao-2021.
Acesso em: 22 mar. 2024.
FIOCRUZ. A Fundação - História. Site na Internet. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/historia.
Acesso em: 2 jul. 2023a.
FIOCRUZ. Relatório de Gestão 2022. Rio de Janeiro: [s.n.].
Disponível em: https://portal.fiocruz.br/documento/relatorio-de-gestao-2022.
Acesso em: 30 jun. 2023b.
FIOCRUZ. Linha do tempo. Página Internet. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/linha-do-tempo.
Acesso em: 25 set. 2023c.
FIOCRUZ. Parcerias Internacionais. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/parcerias-internacionais.
Acesso em: 20 mar. 2024a.
FIOCRUZ. Castelo: patrimônio da Ciência. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/castelo-patrimonio-da-ciencia.
Acesso em: 11 mar. 2024b.
FRAYSSE, P. Document. Em: GARDIÈS, C. (Ed.). Approche de l’information-documentation: concepts fondateurs. Toulouse, France:
Cépaduès-Éditions, 2011. p. 36–73.
FRAYSSE, P. La médiation numérique du
patrimoine : quels savoirs au musée ? Distances et médiations
des savoirs, v. 3, n. 12, 15 dez. 2015.
FREIRE, P. A Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1970.
HOOPER-GREENHILL, E. Communication And Communities: changing paradigms in museum pedagogy. Em:
LINDQVIST, S.; HEDIN, M.; LARSSON, U. (Eds.). Museums of Science Nobel
Symposium. Stockholm, Sweden: Science History Publications/USA & The
Nobel Foundation, 2000. v. 112p. 179–188.
JACOBI, D. Conclusion. Musée et médiations. Em:
FRAYSSE, P. (Ed.). Médiations culturelles innovantes: observations croisées dans deux
musées toulousains. Les dossiers de l’OCIM. Dijon:
OCIM, 2021. p. 229–238.
JEANNERET, Y. La relation entre médiation et
usage dans les recherches en information-communication en France. RECIIS,
v. 3, n. 3, p. 276/320, 10 jul. 2009.
JEANNERET, Y.; RONDOT,
C. Médiation de la médiation au musée du Louvre. Des logiques de recherche au
sein d’un projet politique. Les Enjeux de l’Information et de la
Communication, v. 14, n. 1, p. 131–148, 2013.
LENT, H. O Massacre de Manguinhos. 2. ed. [s.l.] Fiocruz; Edições
Livres, 2019.
LIMA, N. T.; MARCHAND, M.-H. (EDS.). Louis Pasteur & Oswaldo Cruz: inovação e tradição em saúde = innovation et tradition en santé. Rio de Janeiro, RJ, Brasil:
Editora Fiocruz, 2005.
MANO, S. et al. O Público do Museu da Vida (1999-2013). Cadernos
Museu da Vida, n. 5, p. 57, 2015.
MARTELETO, R. Construção coletiva de saberes em saúde: redes,
narrativas e mediações
informacionais. (M. G. da C. Frota, F. J. N. da
Silveira, P. Gomes, Eds.) Anais da 4a Jornada Científica Internacional da Rede
Mussi. Anais... Em: MEDIAÇÕES DA INFORMAÇÃO, DEMOCRACIA E SABERES
PLURAIS 27-28 OUT. 2019 :
BELO HORIZONTE, MG. Belo Horizonte: Escola de Ciência da
Informação/Universidade Federal de Minas Gerais, 2020.
MARTELETO, R. et al. Yves Jeanneret, a Rede
Mussi e a pesquisa internacional Brasil-França no campo da
informação-comunicação. Em: SALDANHA, G.; MARTELETO, R. (Eds.). Yves Jeanneret: trivialidade e mediações da cultura - V Jornada
Científica Internacional da Rede Mussi 2021. Coleção PPGCI 50 Anos. Rio de
Janeiro: IBICT, 2022. p. 17–20.
MARTELETO, R.; DAVID, H. M. S. L. (EDS.). Cultura, conhecimento e
mediação de saberes em saúde: diálogos da informação e da educação popular.
Rio de Janeiro, RJ: IBICT, 2021.
MARTELETO, R.; STOTZ, E. N. (EDS.). Informação, saúde e redes
sociais: diálogos de conhecimentos nas comunidades da Maré. Rio de Janeiro,
RJ : Belo Horizonte, MG: Editora Fiocruz ;
Editora UFMG, 2009.
MCMANUS, P. M. Topics in Museums and Science
Education. Studies in Science Education, v. 20, n. 1, p. 157–182, 1992.
MENEZES, D. T. S. Público Ausente no Território de Centros e Museus
de Ciências: caminhos para a cidadania e o engajamento. Orientador: Douglas
Falcão. Coorientador: Diego Bevilaqua. 2021. 245 p. Dissertação (Mestra em
Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde) - Casa de Oswaldo Cruz, PPGDC, Rio
de Janeiro, 2021. Disponível em: https://ppgdc.coc.fiocruz.br/images/dissertacoes/DissertaoDeboraTSMenezes.pdf.
Acesso em: 8 set. 2024.
MEYRIAT, J. Document, documentation,
documentologie. Schéma et Schématisation, n. 14, p. 51–63, 1981.
MUSEU DA VIDA. Plano Museológico do Museu da Vida 2017 -2021. Rio
de Janeiro: Museu da Vida, COC, Fiocruz, 2017.
MUSEU DA VIDA. sobre o museu. O que é o Museu da Vida Fiocruz.
Página Internet. Disponível em:
https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/sobre-o-museu/o-que-e-o-museu-da-vida-fiocruz.
Acesso em: 25 set. 2023.
PAIM, J. S. O que é o SUS. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2015.
TEIXEIRA, S.; FRAYSSE, P. Introdução. Em: TEIXEIRA, S.; FRAYSSE, P.;
SEJALON-DELMAS, N. (Eds.). Mediações científicas potenciais: museus e
coleções da Universidade Federal da Bahia/Brasil e da Universidade de
Toulouse/Paul Sabatier/França. Salvador: UFBA,
2022. p. 9–15.
VALENTE, M. E. A. O Museu de Ciência: espaço da história da ciência. Ciência & Educação, v. 11, n. 1, p. 53–62, 2005.
[1] Doutoranda em Ciência da Informação pelo PPGCI IBICT UFRJ.
[2] Doutora em Ciência da Informação. Docente do Programa de Pós Graduação
em Ciência da Informação PPGCI/IBICTUFRJ.
[3] Doutor em Ciências da
Informação e da Comunicação. Université Toulouse III - Paul Sabatier.
[4] O Físico francês trabalhou
nos projetos do Exploratorium e do Espaço Ciência
Viva (1983), no Rio de Janeiro, Brasil, entre outros. Viveu no Chile, onde
conheceu Paulo Freire.
[5] Média de visitantes
entre 2000 e 2013, calculado com base no referido relatório.
[6] As outras frentes
foram: ampliação da capacidade de testagem para a Covid-19; assistência à saúde
no SUS; internalização da tecnologia, inclusive produção de vacinas e pesquisa
com foco na Covid-19.