DOI: 10.33467/v8i.23522  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-28, dez./2025  
Mulheres na Ciência da Informação: Uma análise  
bibliométrica da produção científica em periódicos  
brasileiros (2010–2025)  
Women in Information Science: A bibliometric analysis of  
scientific production in Brazilian journals (2010–2025)  
Mujeres en la Ciencia de la Información: Un análisis  
bibliométrico de la producción científica en revistas  
brasileñas (2010–2025)  
Femmes en Sciences de l’Information : une analyse  
bibliométrique de la production scientifique dans les  
périodiques brésiliens (2010–2025)  
Camila Gourgues PEREIRA1  
Camila Taciana SANDRINI2  
Marilyn de Souza CYGANCZUK3  
Correspondência  
Autor para correspondência: Camila Gourgues Pereira  
E-mail: camilagourgues@ufpr.br  
Submetido em: 14/08/2025  
Aceito em: 12/11/2025  
Publicado em: 30/12/2025  
1
Mestrado em Gestão da Informação no Programa de Pós-Graduação em  
Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (PPGGI/UFPR).  
2
Mestranda em Gestão da Informação no Programa de Pós-Graduação em  
Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (PPGGI/UFPR).  
3
Doutorado em Gestão da Informação no Programa de Pós-Graduação em  
Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (PPGGI/UFPR).  
     
DOI: 10.33467/v8i.23522  
DOSSIÊ  
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RESUMO  
O artigo investiga a participação feminina na produção científica em  
Ciência da Informação no Brasil, com foco nas diferenças de gênero  
quanto à autoria e temas abordados, no período de 2010 a 2025.  
Adotando uma abordagem exploratória, descritiva e com métodos  
qualitativos e quantitativos, foi realizada uma análise bibliométrica de  
10 periódicos brasileiros qualificados como A1, A2 ou A3, indexados  
na base de dados BRAPCI. Foram consideradas mais de 6.800  
publicações e cerca de 15.500 autores. A análise revela uma  
predominância feminina na autoria, com 58,53% de autoras, sendo  
que, em todos os periódicos, a presença feminina é igual ou superior  
a 50%. O destaque recai sobre a revista RBBD, com 73,71% de  
autoria feminina. Entre os autores mais produtivos, 9 dos 15  
primeiros colocados são mulheres, demonstrando não apenas maior  
representatividade, mas também liderança em produtividade  
científica. A análise temática por gênero mostra que, embora os  
termos centrais da área estejam presentes em ambos os grupos, as  
autoras tendem a enfatizar temas sociais, institucionais e de  
mediação da informação, enquanto os autores concentram-se em  
tópicos ligados à tecnologia, inovação e administração.  
Palavras-chave: Ciência e equidade; Desigualdade de gênero;  
Gênero e produtividade acadêmica; Mulheres na ciência; Produção  
científica.  
ABSTRACT  
This article investigates female participation in scientific production  
within the field of Information Science in Brazil, focusing on gender  
differences in authorship and research themes between 2010 and  
2025. Adopting an exploratory and descriptive approach, and  
combining qualitative and quantitative methods, a bibliometric  
analysis was conducted on 10 Brazilian journals rated as A1, A2, or  
A3, indexed in the BRAPCI database. This study examined over  
6,800 publications and approximately 15,500 authors. The analysis  
reveals a female predominance in authorship, with women  
representing 58.53% of the total authors. In all journals, female  
participation was equal to or greater than 50%, with the RBBD journal  
standing out at 73.71% female authorship. Among the 15 most  
productive authors, 9 are women, indicating not only higher  
representation but also leadership in scientific productivity. A thematic  
analysis by gender shows that, although central keywords in the field  
appear in both groups, female authors tend to emphasize social,  
institutional, and information mediation themes, while male authors  
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focus more on topics related to technology, innovation, and  
administration.  
Keywords: Gender and academic productivity; Gender inequality;  
Science and equity; Scientific production; Women in science.  
RESUMEN  
El artículo investiga la participación femenina en la producción  
científica en el campo de la Ciencia de la Información en Brasil, con  
énfasis en las diferencias de género en la autoría y en los temas  
abordados, durante el período de 2010 a 2025. Con enfoque  
exploratorio y descriptivo, y métodos cualitativos y cuantitativos, se  
realizó un análisis bibliométrico de 10 revistas brasileñas clasificadas  
como A1, A2 o A3, indexadas en la base BRAPCI. Se analizaron más  
de 6.800 publicaciones y aproximadamente 15.500 autores. El  
análisis revela una predominancia femenina en la autoría, con un  
58,53% de autoras, y en todas las revistas la participación femenina  
fue igual o superior al 50%. Destaca la revista RBBD, con un 73,71%  
de autoría femenina. Entre los 15 autores más productivos, 9 son  
mujeres, lo que demuestra liderazgo femenino en productividad  
científica. El análisis temático por género muestra que, aunque los  
términos centrales del área están presentes en ambos grupos, las  
autoras tienden a enfatizar temas sociales e institucionales, mientras  
que los autores se concentran en tópicos relacionados con tecnología  
e innovación.  
Palabras clave: Ciencia y equidade; Desigualdad de género; Género  
y productividad académica; Mujeres en la ciência; Producción  
científica.  
RÉSUMÉ  
Cet article analyse la participation des femmes à la production  
scientifique en Sciences de l’Information au Brésil, en examinant les  
différences de genre dans l’autoria et les thématiques, de 2010 à  
2025. Une approche exploratoire et descriptive, associant méthodes  
qualitatives et quantitatives, a été adoptée. L’étude repose sur une  
analyse bibliométrique de dix périodiques brésiliens classés A1, A2  
ou A3, indexés dans la base BRAPCI, couvrant plus de 6 800  
publications et environ 15 500 auteurs. Les résultats montrent une  
prédominance féminine (58,53 %), avec au moins 50 % d’autrices  
dans chaque périodique. La revue RBBD se distingue avec 73,71 %  
de contributions féminines. Parmi les quinze auteurs les plus  
productifs, neuf sont des femmes, révélant non seulement leur forte  
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représentativité mais aussi leur leadership scientifique. L’analyse  
thématique révèle que, si les concepts centraux de la discipline sont  
partagés, les autrices privilégient des sujets sociaux, institutionnels et  
liés à la médiation de l’information, tandis que les auteurs se  
concentrent sur la technologie, l’innovation et la gestion.  
Mots-clés : Femmes en science; Genre et productivité académique;  
Inégalités de genre; Production scientifique; Science et équité.  
1 INTRODUÇÃO  
A presença feminina no desenvolvimento científico vem se  
tornando um tema de interesse crescente em diferentes campos do  
conhecimento (Zafalon; Lima; Machado, 2020), refletindo, ao longo  
dos séculos, a trajetória contínua protagonizada pelas mulheres de  
resistência e reivindicação por reconhecimento como sujeitos de  
direitos (Gomes, 2023).  
Historicamente, o feminismo surgiu como uma resposta às  
desigualdades enfrentadas pelas mulheres, reivindicando mudanças  
nas esferas pública, privada, profissional e educacional (Pinheiro;  
Inomata, 2022). Ao defender a autonomia e a liberdade feminina —  
especialmente sobre o próprio corpo e decisões de vida, o  
movimento passou a ocupar um papel central em diversos setores  
sociais, incluindo os debates científicos e acadêmicos (Pinheiro;  
Inomata, 2022).  
As conquistas obtidas ao longo desse percurso não apenas  
simbolizaram importantes avanços sociais, como também  
evidenciaram os obstáculos impostos pelo sistema político  
dominante, especialmente diante das mobilizações transformadoras  
oriundas de diferentes segmentos e esferas da sociedade (Gomes,  
2023). Ainda assim, em nível global, a participação feminina nas  
Ciências ainda é inferior à masculina (Chassot, 2013). No entanto,  
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nas últimas décadas, observa-se um avanço na inserção das  
mulheres em diversas áreas científicas, inclusive naquelas que  
historicamente eram consideradas de predominância masculina  
(Chassot, 2013).  
As origens desse desequilíbrio são multifatoriais e dificilmente  
podem ser atribuídas a uma única causa. É importante considerar  
que preconceitos de gênero — muitas vezes implícitos ou pouco  
evidentes — ainda persistem nos ambientes científicos e acadêmicos  
(González-Álvarez; Cervera-Crespo, 2017). Sobre isso, Rodrigues et  
al. (2021) afirmam que a valorização da diversidade na ciência  
permite múltiplas perspectivas e amplia o alcance do conhecimento.  
Ao mesmo tempo, a ciência se fortalece ao incorporar  
diferentes identidades sociais, gerando modelos de desenvolvimento  
mais inclusivos e representativos. Por isso, é importante promover  
iniciativas que incentivem a diversidade com atenção ao  
engajamento, reconhecimento e liderança de mulheres e meninas na  
produção científica (Rodrigues et al., 2021).  
A inserção das mulheres na ciência, especialmente em  
determinadas áreas do saber, vai além de aspectos individuais; ela é  
fortemente influenciada por contextos estruturais mais amplos, que  
envolvem fatores sociais, culturais, históricos, econômicos e  
políticos, tanto em nível micro quanto macro (Rodrigues et al., 2021).  
Nesse contexto, é preciso examinar como esses fatores se  
manifestam em campos específicos do conhecimento, como é o caso  
da Ciência da Informação (CI) no Brasil.  
Segundo Fraga, Gemelli e Rocha-de-Oliveira (2019), analisar a  
produção acadêmica de uma área do conhecimento ajuda a  
compreender os avanços já alcançados e identificar caminhos  
promissores para pesquisas futuras. Assim, este artigo tem como  
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objetivo investigar a participação de mulheres na produção científica  
em Ciência da Informação no Brasil, a partir de uma análise  
bibliométrica de periódicos da área entre 2010 e 2025, com foco nas  
diferenças de gênero em autoria e temas abordados.  
2 GÊNERO E PRODUÇÃO CIENTÍFICA  
O conceito de gênero é amplo e discutido em diversas áreas do  
conhecimento (Santiago; Dias, 2018). Entendê-lo requer examinar  
não só as distinções biológicas entre os sexos, mas também os  
significados culturais atribuídos a essas diferenças, os quais geram  
hierarquias de valor e poder entre homens e mulheres (Marinho et  
al., 2023). Os estudos de gênero têm suas raízes no movimento  
feminista, que passou a adotar o termo em seu sentido mais direto,  
para descrever a forma como as relações sociais entre os sexos são  
construídas (Bufrem; Nascimento, 2012).  
Nesse sentido, a ideia de que a ciência é neutra e imparcial tem  
sido questionada por autores que analisam como a produção do  
conhecimento foi historicamente influenciada por visões masculinas.  
Como afirmam Molter, Silva e Lucca (2024, p. 5), “muito se fala em  
como a ciência deve ser imparcial e neutra, no entanto, essa ideia foi  
historicamente moldada a partir da perspectiva masculina”.  
A ciência foi vista como um espaço predominantemente  
masculino e, embora diversas mulheres tenham contribuído para seu  
avanço, essas participações nem sempre foram devidamente  
reconhecidas (Cordeiro; Cassiano, 2023). Nota-se que, embora as  
mulheres atuem como pesquisadoras há bastante tempo, a  
visibilidade e o reconhecimento enquanto cientistas têm sido  
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reafirmados principalmente por meio de estudos que revelam e  
valorizam as práticas culturais e informacionais da comunidade  
feminina (Oliveira; Bufrem, 2019). Nesse cenário, mais que indicar a  
predominância feminina nos estudos de gênero, esse protagonismo  
revela um esforço ativo para transformar as estruturas científicas e  
ampliar a equidade acadêmica (Bufrem; Nascimento, 2012).  
Segundo Louzada (2008), embora a desigualdade entre os  
sexos na produção científica seja amplamente reconhecida, não há  
consenso sobre suas causas nem sobre os indicadores mais  
adequados para medi-la. Costuma-se utilizar métricas como número  
de publicações e de citações, além de fatores como o número de  
coautores, a posição de autoria, o tipo de colaboração e a  
regularidade das publicações ao longo do tempo (Louzada, 2008).  
Apesar dos avanços recentes na ampliação da presença  
feminina em posições de destaque — como nas bolsas de  
produtividade  
em  
pesquisa  
do  
Conselho  
Nacional  
de  
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) —, persistem  
desigualdades em diversas áreas do conhecimento (Cunha;  
Dimesnstein; Dantas, 2021).  
Segundo relatório lançado pelo Observatório Nacional de  
Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com a Elsevier-Bori  
(2024), entre 2002 e 2022, a participação feminina na autoria de  
publicações científicas no Brasil aumentou de 38% para 49%, com  
crescimento também nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia  
e Matemática (STEM), onde o índice passou de 35% para 45%. O  
Brasil se destaca como o terceiro país com maior participação  
feminina na ciência, com 52% de representatividade feminina,  
ficando atrás apenas da Argentina e de Portugal.  
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Apesar de a participação feminina como autoras em  
publicações científicas estar próxima da paridade no total geral, ainda  
existem áreas com ampla desigualdade, como Matemática (19%),  
Ciência da Computação (21%), Engenharia (24%), Ciências da  
Decisão (27%), Energia (27%) e Física e Astronomia (27%)  
(Observatório Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, 2024).  
Políticas públicas e iniciativas institucionais têm buscado  
enfrentar essas disparidades, promovendo a inclusão e a valorização  
da diversidade de gênero no ambiente científico. Nesse sentido,  
ações promovidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação  
(MCTI), bem como propostas legislativas em andamento,  
demonstram o compromisso crescente com a equidade de gênero na  
produção científica e tecnológica do país (Brasil, 2025).  
Apesar dos avanços em termos de representatividade e  
políticas públicas, persistem obstáculos que dificultam o aumento da  
inserção das mulheres na ciência. Em 2020, um levantamento do  
Movimento Parent in Science apontou que, no início da pandemia,  
65,3% dos docentes homens com filhos conseguiram manter a  
produção de artigos científicos, enquanto entre as docentes mães  
esse percentual foi de apenas 47,4% (Brasil, 2024).  
Esses dados refletem as condições sociais que associam às  
mulheres a maior responsabilidade pelo cuidado da família,  
dificultando o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.  
Consequentemente, seguir uma carreira científica ainda representa  
um desafio para muitas mulheres, sobretudo em sociedades  
marcadas por padrões patriarcais, nos quais elas são  
frequentemente associadas ao papel principal nos cuidados  
domésticos e maternos (Rodrigues et al., 2021).  
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2.1 Participação feminina na Ciência da Informação  
A CI é uma área interdisciplinar que estuda a comunicação e o  
uso da informação entre indivíduos e grupos, considerando contextos  
sociais, institucionais e pessoais (Silva et al., 2006). Desde sua  
constituição como campo de estudo, a CI tem se destacado por  
incorporar uma abordagem voltada à responsabilidade social,  
direcionando suas investigações para o enfrentamento das  
desigualdades sociais a partir de uma perspectiva centrada na  
informação (Cortes, 2024).  
Nesse contexto, é importante reconhecer que, em todas as  
regiões do mundo, as mulheres têm liderado lutas por inclusão e  
justiça social, além de contribuírem para avanços políticos, científicos  
e, em especial, para o crescimento e fortalecimento da própria CI  
(Gomes, 2023). Segundo Espírito Santo (2009), os estudos de  
gênero na CI têm avançado a partir de uma perspectiva crítica que  
considera as assimetrias de poder na produção e circulação da  
informação.  
Nas áreas da Ciência da Informação, Arquivologia e  
Biblioteconomia, a presença feminina é significativa. As mulheres  
têm desempenhado um papel central na formação e no  
desenvolvimento desses campos, contribuindo ativamente para a  
produção de conhecimento (Cortes, 2024). No contexto específico da  
CI no Brasil, observa-se também uma expressiva participação  
feminina em cargos acadêmicos de liderança e docência, o que  
evidencia conquistas importantes e o protagonismo das mulheres no  
processo de institucionalização da área (Gomes, 2023).  
Apesar dos avanços nas pesquisas sobre a participação  
feminina na CI, persistem desafios relacionados à realização de  
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análises que utilizem métodos capazes de fornecer dados  
quantitativos e qualitativos fundamentados em registros de produção  
científica (Cordeiro; Cassiano, 2023). A articulação entre os estudos  
de gênero e o campo informacional é importante para combater a  
discriminação e promover a equidade de gênero (Cortes, 2024).  
Lucca, Molter e Guarate (2024) afirmam que estudos sobre  
mulher e gênero na Ciência da Informação são recentes,  
especialmente no Brasil. Os autores realizaram um estudo baseado  
em duas pesquisas para analisar a produção científica sobre a  
mulher na Ciência da Informação e compreender como o tema é  
abordado na área. Ambos os estudos apontam para a necessidade  
de aprofundamento e maior volume de pesquisas no campo.  
Destaca-se a atuação de pesquisadoras que assumem o  
desafio de investigar questões de gênero na Ciência da Informação.  
Além de sua contribuição acadêmica, elas incorporam a temática em  
suas pesquisas, promovendo reflexão crítica sobre a presença  
feminina na área e resgatando historicamente as trajetórias e  
contribuições das mulheres no campo (Gomes, 2023).  
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS  
Este estudo caracteriza-se como exploratório e descritivo. A  
coleta de dados é documental, utilizando como fonte as próprias  
publicações dos periódicos. A abordagem é de natureza qualitativa e  
quantitativa, permitindo mensurar a frequência e distribuição de  
autoria e a análise interpretativa dos resultados.  
A escolha dos periódicos deu-se por meio de uma dupla  
verificação da lista de revistas indexadas na Base de Dados em  
Ciência da Informação (BRAPCI) e na Plataforma Sucupira,  
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considerando somente revistas brasileiras em atividade. As revistas  
foram tabuladas conforme a qualificação do quadriênio 2017-2020,  
e, das cerca de cinquenta revistas identificadas, foram consideradas  
somente as de Qualis A1, A2 e A3 para a análise do presente artigo.  
Dessa forma, restaram 13 revistas, das quais foram excluídas  
“Policromias - Revista De Estudos Do Discurso, Imagem e Som”,  
“Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em  
Saúde (RECIIS)” e “Inclusão Online”, considerando que seus  
escopos editoriais se distanciam do núcleo temático da CI. Assim,  
permaneceram 10 revistas para análise, conforme Quadro 1.  
Quadro 1 - Lista de periódicos  
Qualis 2017-  
Periódico  
Início  
2020  
A1  
A2  
A2  
A2  
A2  
A2  
Transinformação  
Em Questão  
1989  
2003  
1996  
1996  
1991  
1996  
Encontros Bibli  
Informação & Informação  
Informação & Sociedade  
Perspectivas em Ciência da Informação  
Incid: Revista de Documentação e Ciência da  
Informação  
A3  
A3  
A3  
2010  
2005  
2003  
Liinc em Revista  
Rdbci: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da  
Informação  
Rbbd: Revista Brasileira de Biblioteconomia e  
Documentação  
A3  
1973  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Considerando que a revista mais recente teve o início da  
publicação em 2010, optou-se por realizar a análise no período de  
2010 a 2025, visando garantir isonomia temporal entre os periódicos  
analisados. Os dados de publicação de cada revista foram  
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importados diretamente do site da BRAPCI, nos formatos .CSV, .XLS  
e .RIS, a fim de permitir a organização, o tratamento e a análise  
sistemática das informações bibliográficas.  
Foram consideradas todas as publicações disponíveis nos  
periódicos, como artigos, resenhas, entrevistas, ensaios e relatos de  
experiências. Excluíram-se os editoriais, por não apresentarem  
conteúdo técnico-científico, e os artigos publicados em mais de uma  
língua, considerando-se apenas uma versão por publicação.  
A fim de evitar erros de análise automatizada para identificação  
do gênero, a tabulação foi realizada manualmente com base no nome  
dos autores. A análise baseou-se em uma inferência de gênero  
binária (homem/mulher), o que não abrange a totalidade das  
identidades de gênero, sendo uma limitação do método. Quando  
necessário, foram consultadas a Plataforma Lattes e outras fontes  
públicas para confirmar informações sobre o gênero dos autores.  
Para análise das publicações por autor, foi utilizado o software  
VOSviewer. Os dados extraídos foram organizados em uma planilha  
eletrônica, permitindo o cálculo do número de publicações por autor,  
sua frequência por periódico e a classificação por gênero,  
viabilizando, assim, uma análise da produtividade autoral.  
A análise temática dos títulos e palavras-chave foi realizada por  
meio de extração de termos e categorização, com o auxílio de  
modelos de linguagem para processamento do corpus textual, sob  
supervisão e validação dos autores.  
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4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS  
A análise dos dados coletados dos 10 periódicos revela um  
cenário de forte protagonismo feminino na Ciência da Informação no  
Brasil. Para compreender a participação feminina na produção  
científica da área, foi calculado o percentual de mulheres autoras em  
cada periódico. O Gráfico 1 demonstra que, em todos os periódicos  
analisados, a presença feminina é superior a 50%, com destaque  
para o periódico RBBD, onde as mulheres representam 73,71% da  
autoria no período de 2010 a 2025, seguida pela RDBCI, com  
60,02%. Esse resultado evidencia uma tendência de predominância  
feminina na área de CI. O periódico Transinformação, o único com  
classificação Qualis A1, apresentou praticamente igualdade de  
gênero no período analisado (50,57%).  
Gráfico 1 - Percentual de autoras por periódico  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
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Este resultado posiciona a CI como um campo de destaque no  
cenário científico brasileiro. O achado supera a média nacional de  
49% de participação feminina na ciência, reportada pelo Observatório  
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (2024), e contrasta com  
o cenário global, onde a presença feminina ainda é minoritária, como  
aponta Chassot (2013).  
O Gráfico 2 apresenta a evolução do número de autores por  
gênero entre 2010 e 2025, ilustrando que a predominância feminina  
não é um fenômeno recente, mas uma característica que se  
acentuou ao longo dos anos. O aumento entre 2020-2022 coincide  
com o período da pandemia de COVID-19, que impactou a rotina  
acadêmica e científica (Brasil, 2024).  
No entanto, a partir de 2023 observa-se uma queda acentuada  
do número de autores, retornando a níveis pré-pandêmicos. Essa  
redução pode indicar tanto um reajuste do volume de publicações  
após o pico do período anterior quanto o início de novos ciclos  
editoriais dos periódicos.  
É importante ressaltar que, em 2025, a maioria dos periódicos  
apresentou poucas ou nenhuma publicação registrada, o que pode  
estar relacionado a fatores como o ciclo editorial das revistas ou  
atrasos na indexação à BRAPCI. Dessa forma, os dados de 2025  
necessitam cautela na interpretação, especialmente considerando  
que a coleta foi realizada em julho de 2025, ainda no meio do ano.  
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Gráfico 2 - Evolução do número de autores por gênero  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
No Gráfico 2, a disparidade no ano de 2017 deve-se ao  
periódico RBBD, que, neste ano, teve 235 publicações, com 447  
autoras e 141 autores. Isto representou um acréscimo massivo em  
relação à média do periódico: o número de publicações foi 4 vezes  
maior; o número de autoras foi 5 vezes maior; o de autores quase 4  
vezes maior que a média registrada nos outros anos do período  
analisado. Esse alto número é explicado pela publicação de um  
volume especial em 2017 contendo trabalhos da 27ª edição do  
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, realizado  
em Fortaleza.  
Quando observados os números totais, é possível identificar os  
periódicos que representam os maiores volumes de produção  
científica, tanto em termos de publicações quanto de autores  
envolvidos. A análise de volume, ilustrada no Gráfico 3, revela dois  
indicadores distintos: o total de publicações e o total de autores, que  
nem sempre são proporcionais.  
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Gráfico 3 - Volume de produção por periódico  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Os periódicos RBBD (955 publicações), Perspectivas em CI  
(876) e Em Questão (827) consolidam-se como os de maior número  
de publicações. No entanto, o gráfico evidencia que a liderança em  
número de autores é dominada pela RBBD (2.256 autores), e que  
essa posição é impulsionada pela massiva contribuição de autoras  
femininas, que somam 1.663 do total. Este é o maior número absoluto  
de autoras em um único periódico, demonstrando que a alta  
produção e o alto índice de colaboração da revista estão ligados ao  
protagonismo feminino.  
A Tabela 1 sintetiza os dados totais de cada periódico,  
apresentando o volume de publicações, a composição de autoria por  
gênero e as métricas calculadas de participação feminina. Os  
periódicos foram ordenados pelo percentual de autoras em ordem  
decrescente, destacando a predominância feminina.  
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DOSSIÊ  
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Tabela 1 - Panorama da produção e da autoria por gênero  
Total de  
Publicações Autores  
Total de Autores  
Autoras  
(M)  
% de  
Autoras  
Periódico  
(H)  
593  
449  
806  
RBBD  
RDBCI  
955  
507  
827  
2256  
1123  
1911  
1663  
674  
73.71%  
60.02%  
57.82%  
Em Questão  
1105  
Informação &  
Informação  
715  
604  
1764  
1423  
745  
602  
1019  
821  
57.77%  
57.70%  
Informação &  
Sociedade  
INCID  
378  
704  
786  
334  
726  
452  
931  
57.51%  
56.19%  
Encontros Bibli  
1657  
Perspectivas em  
CI  
876  
1814  
815  
999  
55.07%  
Liinc em Revista  
Transinformação  
Total  
581  
670  
1174  
1590  
571  
786  
603  
804  
51.36%  
50.57%  
58,53%  
6817  
15498  
6427  
9071  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Para identificar as lideranças da área, foi realizado um  
levantamento dos autores com maior número de publicações nos 10  
periódicos analisados. O Quadro 2 apresenta o ranking dos 15  
autores com o maior número de publicações.  
Quadro 2 - Ranking dos 15 autores com mais publicações  
Autor(a)  
Gênero  
Masculino  
Feminino  
Total  
36  
Periódicos (Nº publicações)  
Pinto, A. L.  
Encontros Bibli (27), Inf. & Soc. (9)  
Vidotti, S. A. B.  
G.  
Inf. & Inf. (11), Inf. & Soc. (10),  
Encontros Bibli (8)  
29  
Inf. & Soc. (11), Inf. & Inf. (9), RBBD  
(8)  
Valentim, M. L. P  
Bufrem, L. S.  
Feminino  
Feminino  
28  
27  
27  
26  
Inf. & Inf. (10), Transinformação (10),  
Em Questão (7)  
Em questão (9), Encontros Bibli (8),  
Inf. & Soc. (7)  
Segundo, J. E. S. Masculino  
Transinformação (14), Em Questão  
(7), Perspectivas em CI (5)  
Rodrigues, R. S  
Feminino  
17  
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Encontros Bibli (10), Em Questão (8),  
Transinformação (7)  
Caregnato, S. E.  
Feminino  
Masculino  
25  
23  
Muriel-Torrado,  
E.  
Encontros Bibli (23)  
Inf. & Inf. (8), Inf. & Soc. (8),  
Perspectivas em CI (7)  
Fujita, M. S. L.  
Vitorino, E. V.  
Feminino  
Feminino  
Feminino  
Masculino  
Masculino  
23  
21  
18  
17  
17  
RBBD (13), Em Questão (8)  
Transinformação (10), Em Questão (8)  
Liinc em revista (9), INCID (8)  
Gasque, K. C. G.  
D.  
Saldanha, G. S.  
Castro Filho, C.  
M.  
RBBD (11), INCID (2), RDBCI (4)  
Santos, R. R.  
Almeida, M. A.  
Feminino  
Masculino  
17  
16  
Inf. & Inf. (9), Em Questão (8)  
INCID (16)  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
O autor A. L. Pinto ocupa a primeira posição no ranking, com  
36 publicações, tendo uma forte presença no periódico “Encontros  
bibli”. Em seguida, destacam-se as autoras Vidotti (29 publicações),  
Valentim (28 publicações) e Bufrem (27 publicações), além do autor  
Segundo (27 publicações), com contribuições distribuídas entre os  
principais periódicos da área.  
No Quadro 2, é possível observar também que há uma  
expressiva presença de mulheres entre os autores mais produtivos:  
das 15 posições, 9 são ocupadas por mulheres, sendo 7 delas entre  
as 10 primeiras colocações. Este dado reforça a percepção de que a  
liderança feminina não se limita à representatividade numérica, mas  
também se manifesta em alta produtividade científica.  
A identificação de uma maioria feminina (9 de 15) entre os  
pesquisadores mais produtivos do campo atende à necessidade,  
apontada por Cordeiro e Cassiano (2023), de realizar análises que  
utilizem registros de produção científica para valorizar e dar  
visibilidade às contribuições das mulheres. Este resultado confirma o  
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protagonismo feminino na área, como destacado por Gomes (2023),  
mostrando que ele se manifesta não apenas em número, mas  
também nos mais altos níveis de produtividade.  
Para aprofundar a análise do protagonismo, a Tabela 2  
apresenta a produtividade por gênero em cada periódico. Para  
compor a tabela, foram considerados os autores com 7 ou mais  
publicações em cada periódico.  
Tabela 2 - Produtividade por gênero em cada periódico  
Média Média  
Pub.  
totais  
Pub. de Pub. de  
autoras autores autoras autores  
Nº de  
Nº de  
Periódico  
por  
por  
autora autor  
Transinformação  
Em Questão  
Encontros Bibli  
Inf. & Inf.  
111  
112  
157  
131  
94  
59  
72  
32  
78  
48  
52  
40  
6
9
4
9
5
6
5
9,83  
8,00  
8,00  
8,67  
9,60  
8,67  
8,00  
12,50  
7,57  
7,67  
125  
53  
10  
7
Inf. & Soc.  
46  
6
Perspectivas em  
CI  
61  
37  
24  
5
3
7,40  
8,00  
INCID  
Liinc em Revista  
RDBCI  
24  
16  
0
0
24  
16  
28  
32  
0
0
2
2
4
3
0
0
12,00  
8,00  
28  
0
0
0
7,00  
RBBD  
129  
97  
10  
9,70  
10,67  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
A análise evidencia diversidade no cenário de produtividade por  
gênero nos periódicos de CI. Alguns periódicos, como  
“Transinformação” e “Informação & Sociedade”, alcançaram  
equilíbrio tanto em produtividade quanto em representatividade,  
sendo que a média de publicações de autoria feminina é ligeiramente  
maior.  
Outros, como “Em Questão”, “Informação & Informação” e  
“RBBD”, destacam-se pela presença feminina. Este protagonismo é  
evidente na “RBBD”, onde apenas 10 autoras são responsáveis por  
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cerca de 75% das publicações de destaque (97 de um total de 129).  
Em “Informação & Informação”, o cenário é similar, com as mulheres  
sendo autoras de 62,5% dos artigos gerados pelos pesquisadores  
que mais publicaram. Nestes casos, a liderança feminina se  
manifesta tanto na representatividade quanto no volume de  
contribuição científica.  
Em contrapartida, “INCID”, “Liinc em Revista” e “RDBCI”  
revelam concentração masculina, com ausência total de autoras  
entre os mais produtivos. O periódico “Encontros Bibli” também é  
notável, pois o protagonismo entre os autores mais publicados é  
predominantemente masculino, com os homens sendo responsáveis  
por 80% das publicações.  
Essa variação entre periódicos evidencia disparidades  
estruturais e editoriais, sugerindo que a visibilidade e protagonismo  
científico não são uniformes entre os gêneros. A ausência total de  
autoras entre os mais produtivos em alguns periódicos pode ser uma  
evidência das desigualdades que persistem, mesmo em áreas com  
representatividade feminina geral elevada, como apontado por  
Cunha, Dimesnstein e Dantas (2021).  
Para compreender se a predominância de gênero se associa a  
focos temáticos distintos, foi realizada a análise dos títulos e das  
palavras-chave das publicações para permitir uma análise  
comparativa. Dessa forma, o Quadro 3 mostra as 7 temáticas mais  
comuns em cada grupo.  
Quadro 3 - Focos temáticos por gênero e periódico  
Temas com  
Temas com  
Periódico  
Predominância Feminina Predominância Masculina  
científica, comunicação,  
conhecimento, bibliotecas,  
científica, conhecimento,  
gestão, social, redes,  
Transinformação  
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ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-28, dez./2025  
gestão, informacional,  
periódicos  
produção, brasil  
social, aplicada, ciência,  
científica, comunicação,  
conhecimento,  
social, aplicada, ciência,  
comunicação, científica,  
conhecimento, gestão  
Em Questão  
informacional  
biblioteconomia,  
informação, científica,  
informacional,  
conhecimento, biblioteca,  
gestão  
biblioteconomia,  
informação, científica,  
conhecimento, gestão,  
biblioteca, digital  
Encontros Bibli  
conhecimento, gestão,  
biblioteconomia,  
informacional, científica,  
social, mediação  
conhecimento, científica,  
gestão, organização, digital,  
biblioteconomia, inovação  
Informação &  
Informação  
biblioteconomia,  
conhecimento, biblioteca,  
informacional, tecnologia,  
social, científica  
conhecimento, tecnologia,  
gestão, social, digital,  
informação, informacional  
Informação &  
Sociedade  
conhecimento, gestão,  
biblioteca, biblioteconomia,  
informacional,  
biblioteca, biblioteconomia,  
Perspectivas em CI informacional, bibliotecas,  
social, científica, gestão  
administração, digital  
informacional,  
conhecimento, memória,  
conhecimento, gestão,  
informacional, informação,  
biblioteconomia, digital,  
biblioteca  
INCID  
científica, mediação,  
biblioteca, gestão  
digital, information, pública,  
digital, social, information,  
política, economia,  
Liinc em Revista  
RDBCI  
covid, política,  
comunicação, tecnologia  
comunicação, conhecimento  
gestão, bibliotecas, digital,  
biblioteconomia,  
conhecimento,  
bibliotecas, gestão,  
conhecimento, biblioteca,  
científica, produção,  
universitárias  
informacional,  
desenvolvimento  
biblioteca, bibliotecas,  
biblioteconomia,  
competência, informacional,  
mediação, gestão  
biblioteca, bibliotecas,  
pública, mediação, gestão,  
biblioteconomia,  
RBBD  
conhecimento  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Considerando que muitas das publicações analisadas possuem  
coautoria mista, é possível verificar a existência de temas comuns da  
área. Termos como ‘informacional’, 'conhecimento', 'científica',  
21  
DOI: 10.33467/v8i.23522  
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ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-28, dez./2025  
'gestão', ‘biblioteca’ e 'biblioteconomia' formam a base da maioria dos  
periódicos analisados.  
No entanto, apesar dos temas em comum, a análise também  
revela algumas ênfases distintas. As publicações com maior  
participação feminina tendem a enfatizar temas ligados à  
universidade, mediação, memória e aspectos sociais da informação.  
Isso sugere um foco de pesquisa voltado à interface entre informação  
e sociedade, bem como ao papel das instituições educacionais.  
Por outro lado, as publicações predominantemente masculinas  
destacam com maior frequência temas como produção, tecnologia,  
economia, administração, digital, inovação e desenvolvimento. Esse  
padrão indica uma abordagem mais orientada a aspectos estruturais,  
metodológicos e tecnológicos.  
Essa complementaridade de ênfases temáticas enriquece o  
campo e corrobora a afirmação de Rodrigues et al. (2021) de que a  
diversidade na ciência é importante para permitir múltiplas  
perspectivas e ampliar o alcance do conhecimento. A forte presença  
feminina na CI parece, portanto, não apenas garantir a  
representatividade, mas também expandir a agenda de pesquisa da  
área, em linha com o que afirmam Molter, Silva e Lucca (2024) sobre  
como a ciência foi historicamente moldada por uma perspectiva  
masculina e agora se beneficia de novos olhares.  
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A análise dos dez periódicos de CI, no período de 2010 a 2025,  
sugere uma tendência de forte protagonismo feminino. As mulheres  
não só representam a maioria do total de autores, mas também têm  
uma liderança que se consolida ao longo do tempo, com presença  
22  
DOI: 10.33467/v8i.23522  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-28, dez./2025  
superior a 50% em todos os periódicos analisados. Este cenário  
posiciona a CI como um campo de destaque na ciência brasileira,  
superando a média nacional de participação feminina.  
O protagonismo não se limita à representatividade numérica,  
mas se manifesta também na produtividade científica. No entanto, a  
simples presença numérica não garante, por si só, igualdade de  
condições, visibilidade ou reconhecimento. É necessário olhar para  
além da quantidade, explorando a qualidade das interações, os  
espaços de poder ocupados e os temas com destaque nos periódicos  
analisados.  
De acordo com Cordeiro e Cassiano (2023), embora existam  
iniciativas que buscam promover a inserção e participação feminina  
na ciência, ainda é preciso compreender e prover mecanismos e  
soluções de questões que perpassam os limites da ciência e da  
produção científica. A equidade de gênero na ciência demanda ações  
contínuas, que considerem não apenas a presença, mas também a  
permanência e o reconhecimento das mulheres no cenário científico  
brasileiro. É necessário um esforço constante, que mude as regras  
do sistema e que leve em conta as outras dificuldades que as  
mulheres enfrentam, como raça e classe social.  
Como trabalhos futuros, sugere-se estudos sobre redes de  
coautoria para verificar se há padrões de colaboração entre os  
gêneros. Além disso, um estudo de citações poderia verificar se a  
alta produtividade feminina converte-se em impacto científico. Por  
fim, a inclusão de dados institucionais poderia mapear  
geograficamente os polos de liderança feminina na Ciência da  
Informação no Brasil.  
23  
DOI: 10.33467/v8i.23522  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-28, dez./2025  
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