Lendo o azulejo: artigo de revisão para uma representação lógica
Reading the tile: review article for a logical representation
Leyendo el azulejo: artículo de revisión para una representación lógica
Lire le carreau: article de révision pour une représentation logique
Correspondência
Autor para correspondência: Maria da Consolação Policarpo E-mail: mariacpolicarpo@gmail.com
Submetido em: 14/09/2025 Aceito em: 16/12/2025 Publicado em: 30/12/2025
1 Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia - UFBA.
2 Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UNIRIO e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação – PPGCI da Universidade Federal da Bahia – UFBA.
Esta pesquisa investiga o azulejo e o processo lógico de sua leitura imagética, partindo do pressuposto de que, esta ação, pode gerar conhecimento. É uma pesquisa qualitativa, de revisão de literatura, que buscou reunir um corpus das produções acadêmicas de graduação (TCC) e pós-graduação (dissertação e tese) de universidades públicas e particulares brasileiras na região Nordeste, depositadas em seus repositórios, bem como na plataforma Sucupira, onde estão reunidas as produções brasileiras. As pesquisas que contemplavam a leitura do azulejo e os respectivos aportes teórico-metodológicos, foram analisadas, como subsídio para pesquisa em andamento. Os mecanismos de busca foram relacionados a esse fim, não determinando um marco temporal, a fim de alcançar um maior número de publicações. Na análise das pesquisas identificou-se, principalmente, o uso de metodologias iconográfica/iconológica, semiótica e relacional, que podem ser absorvidas em pesquisas futuras em Ciência da Informação que, neste âmbito, ainda são escassas.
This research investigates the azulejo tile and the logical process of its image reading, based on the assumption that this action can generate knowledge. It is a qualitative, literature review that sought to gather a corpus of undergraduate (TCC) and postgraduate (dissertation and thesis) academic productions from Brazilian public and private universities in the Northeast region, deposited in their repositories, as well as on the Sucupira platform, where Brazilian productions are gathered. Research that contemplated the reading of the azulejo tile and its respective theoretical-methodological contributions were analyzed as a basis for ongoing research. The search mechanisms were related to this purpose, without determining a temporal framework, in order to reach a greater number of publications. The analysis of the research identified, mainly, the use of iconographic/iconological, semiotic, and relational methodologies, which can be absorbed in future research in Information Science, which, in this field, is still scarce.
Esta investigación investiga el azulejo y el proceso lógico de la lectura de su imagen, partiendo del supuesto de que esta acción puede generar conocimiento. Se trata de una revisión bibliográfica cualitativa que buscó reunir un corpus de producciones académicas de pregrado (TCC) y posgrado (disertaciones y tesis) de universidades públicas y privadas brasileñas de la región Nordeste, depositadas en sus repositorios, así como en la plataforma Sucupira, donde se reúnen las producciones brasileñas. Se analizaron
investigaciones que contemplaron la lectura del azulejo y sus respectivas contribuciones teórico-metodológicas como base para la investigación en curso. Los mecanismos de búsqueda se relacionaron con este propósito, sin determinar un marco temporal, para alcanzar un mayor número de publicaciones. El análisis de la investigación identificó, principalmente, el uso de metodologías iconográficas/iconológicas, semióticas y relacionales, que pueden ser absorbidas en futuras investigaciones en Ciencias de la Información, que, en este campo, aún son escasas.
Cette recherche examine le carreau et le processus logique de sa lecture imagée, en partant du principe que cette action peut générer des connaissances. Il s'agit d'une recherche qualitative, sous forme de revue de la littérature, qui a cherché à rassembler un corpus de travaux universitaires de premier cycle (TCC) et de deuxième cycle (mémoires et thèses) provenant d'universités publiques et privées brésiliennes de la région Nordeste, déposés dans leurs référentiels, ainsi que sur la plateforme Sucupira, qui rassemble les productions brésiliennes. Les recherches qui portaient sur la lecture des carreaux de faïence et les apports théoriques et méthodologiques correspondants ont été analysées afin d'alimenter la recherche en cours. Les mécanismes de recherche ont été liés à cette fin, sans déterminer de cadre temporel, afin d'atteindre un plus grand nombre de publications. L'analyse des recherches a principalement identifié l'utilisation de méthodologies iconographiques/iconologiques, sémiotiques et relationnelles, qui peuvent être intégrées dans de futures recherches en sciences de l'information, encore rares dans ce domaine.
INTRODUÇÃO
O tema deste artigo é o azulejo e sua representação, objeto estético artístico, simbólico, patrimonial. Também é linguagem não verbal que, através de sua materialidade e de sua parte pictórica é condutor de informação com grande capacidade de comunicação e conhecimento.
Em uma breve apresentação do azulejo pode-se dizer que o termo tem origem no árabe azzelij, ou al zuleycha, al zuléija, al zulaiju, al zulaco, que significa pequena pedra polida, termo usado para designar o mosaico
bizantino do Oriente. Verifica-se, no entanto, o uso dele relacionando-o, erroneamente, com a palavra azul em virtude de a grande parte da produção azulejar portuguesa do século XVIII se caracterizar pelo emprego majoritário desta cor.
A partir do séc. XXVII a.C. o azulejo percorreu longas distâncias entre regiões da Ásia e da África até chegar à Europa, espalhando-se por grande parte do Continente Europeu, como Itália, Espanha, Alemanha e Holanda, bem como para as colônias das metrópoles ibéricas, Portugal e Espanha, impulsionado principalmente pelas invasões e conquistas territoriais.
Por onde circulou, segundo Leitão (2016), o azulejo atuou como ponte social, contando histórias, conectando espaços, tempos, indivíduos e culturas, e produzindo relações afetivas. Ainda segundo a autora e, considerando suas peculiaridades, o azulejo foi determinante na organização e construção do espaço de convivência familiar e social, bem como na valorização da decoração, consolidando seu papel na arquitetura, nos espaços de oração, trabalho, lazer e moradia construídos por uma elite detentora de poder político e social. Essa elite, guiada pelo modo de vida vigente que exigia uma performance social que incluísse cenários decorativos adequados, capazes de promover e perpetuar seu poder.
O caráter multifacetado do azulejo e suas possibilidades de tratamentos têm levado, ao longo do tempo, à realização de diversas pesquisas e abordagens teóricas em diversas áreas do conhecimento, inclusive na Ciência da Informação (CI). Dessa forma, surgem questões de investigação: O azulejo, especificamente, em sua condição de objeto imagético, pode ser considerado um documento informacional? Sua leitura gera conhecimento?
O objetivo geral desta pesquisa é investigar o processo lógico da leitura da imagem azulejar, partindo do pressuposto de que esta ação pode gerar informação e conhecimento. De forma mais específica, propõe-se
analisar, a partir de um corpus de trabalhos acadêmicos, referenciais que evidenciem a análise de imagens azulejares, buscando identificar processos teórico-metodológicos de leitura utilizados para representar e recuperar informação.
Para a realização da análise apresentada neste artigo optou-se por um corpus formado por trabalhos acadêmicos de conclusão de cursos (TCC; dissertações e teses) brasileiras na temática azulejar, selecionados a partir da busca avançada, com aplicações de filtros de pesquisa nos repositórios de universidades públicas e privadas da região nordeste e na plataforma Sucupira. Os mecanismos de busca aplicados não delimitaram um marco temporal para os trabalhos, no entanto, foi aplicado filtro para delimitar a pesquisa apenas em repositórios de instituições de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
A decisão, pela escolha da região brasileira, se deu tendo em vista, pesquisa de doutorado de uma das autoras em andamento, sobre a classificação de azulejos no Estado da Paraíba. Quanto ao corpus, dos trabalhos, justifica-se pela constatação da escassez de artigos no domínio da Representação do Conhecimento, cujo objeto de estudo seja o azulejo. Assim buscou-se além, da perspectiva teórico-metodológica, encontrar indícios de referências adequadas para o tema, em trabalhos acadêmicos da natureza do corpus.
A presente abordagem está organizada em seções. O texto inicia-se por esta seção de introdução, apresentando o objeto, tema, objetivos e corpus de pesquisa. Na segunda seção, tem-se o referencial teórico, onde o azulejo é discutido na perspectiva de objeto, documento e fonte de informação imagética, dividida em três subseções, sendo na primeira discutido o azulejo como objeto documental, na segunda o azulejo como informação imagética e a na terceira, a leitura de imagem, revisando a
literatura acerca das propostas teórico-metodológicas formuladas por autores das Ciências Humanas e Sociais ao longo do tempo.
Após o referencial teórico tem-se na terceira seção a metodologia que a princípio já pode-se afirmar ser uma pesquisa qualitativa documental, com revisão de literatura. Por último apresenta-se os resultados obtidos com a observância de que os objetivos foram alcançados, tanto na questão da análise, quanto na evidência constatada anteriormente da. Por fim, são apresentadas as considerações finais e referências.
O AZULEJO: objeto, documento e fonte de informação imagética
O azulejo é multifacetado e envolve um campo vasto de conhecimento resultando numa discussão interdisciplinar. Seu estudo pode demandar discussão enquanto objeto, onde sua materialidade e existência pode proporcionar o conhecimento de suas características de composição, técnica, produção, etc. Também pode ser compreendido enquanto documento e fonte de informação, atuando como um registro histórico e cultural, fornecendo dados históricos sobre épocas, origem, tendências artísticas e valores sociais incorporados ao longo do tempo.
O conhecimento do azulejo pode demandar, ainda, um estudo na perspectiva da percepção e do sentido onde, o estudo da imagem veiculada pela sua parte decorada composta por signos visuais pode proporcionar múltiplas interpretações e significados. Tem-se ainda que considerar a sua representação que corresponde à sua capacidade de abstrair e simbolizar ideias, momentos, movimentos, narrativas e conceitos.
O azulejo: objeto e documento
Os objetos são extensões da presença humana, culturalmente construídos e acumulados, carregados de significado e, portanto, de
informação. Têm sido realizados estudos relevantes sobre o tempo e o lugar em que esses objetos se inserem, bem como sobre o poder informacional que estes carregam. A discussão em torno do seu agenciamento na presença do homem é ampla e acontece em diversas áreas do conhecimento. No entanto, sobre a informação contida nestes e a possibilidade de sua recuperação, representação e transferência é tratada especialmente na CI.
Reconhecido como documento ainda na primeira metade do século XX, o objeto segue em debate, sendo explorado pelas Ciências Sociais e, especialmente, pela CI. Suzanne Briet (2016), ainda na década de 1950, em sua obra “O que é documentação”, já destacava a materialidade, a funcionalidade e a posição fenomenológica dos objetos, chamando atenção para a necessidade de serem considerados como documentos. Para esta autora, o documento é “todo indício, concreto ou simbólico, conservado ou registrado, com a finalidade de representar, reconstruir ou provar um fenômeno físico ou intelectual” (Briet, 2016, p. 1).
Outros autores pioneiros como Buckland (1991), ao escrever os manifestos “What Is a Document?” e “What Could Not Be a Document?” questionando o que seria um documento, também discutia a possibilidade de considerar outras fontes de informação além do texto escrito, como objetos bi e tridimensionais. Ele afirmava: “Normalmente, a palavra ‘documento’ denota um registro textual. Tentativas cada vez mais sofisticadas de fornecer acesso à quantidade crescente de documentos disponíveis levantaram questões sobre o que deveria ser considerado um ‘documento’” (Buckland, 1991, p. 1, tradução nossa).
A relação dos objetos com os humanos é continuamente debatida, dada sua importância social. Autores como Miller (2013) e Bruno Latour (2012) abordam essa relação humano-objeto em seus estudos. Latour, por exemplo, atribui o mesmo status e atenção a atores humanos e não
humanos, analisando os objetos sob uma perspectiva social e interacional por meio da Teoria Ator-Rede (TAR).
Diante disso, quando se considera o objeto físico como documento entende-se que ele não apenas registra ou representa fenômenos, mas também atua como veículo de conhecimento, fazendo a mediação entre a experiência e interpretação, ampliando o conceito tradicional de documento.
O azulejo em sua dimensão visual e material que se apresenta como uma peça geométrica de medidas, espessuras e formatos variados, apresentando características físicas, químicas e mineralógicas, constituída por uma base modelada a partir da mistura de argila e água, chamada de biscoito, e por uma camada fina de material vitrificado que corresponde à sua base decorativa como informa Alcântara e Sanjad (2016).
O azulejo é um objeto artístico tangível e integrado, que adquiriu identidade própria, seja por meio de composições de grandes dimensões, representadas pelos painéis figurativos, ou por padrões avulsos de pequeno formato. Sua execução ocorria tanto pela livre criação estética, quanto pela observação de modelos figurativos vigentes, originando novas composições que adquiriram estatuto de invenção.
Por meio do domínio material revelado por sua materialidade, além de decoração e visualidade, o azulejo desencadeia, imaginação e informação como formas de narrar o mundo, os homens e os tempos históricos, justificando a permanente preocupação com seu conhecimento e preservação. Ao longo de seu processo, estabeleceu mediação constante entre experiência e pensamento, resultando na estruturação de conceitos que ampliaram sua compreensão e permitiram sua representação.
O Azulejo: fonte de informação imagética
Após as reflexões acerca dos objetos na perspectiva de documento, segue-se a discussão em torno dos objetos documentais que veiculam informações por meio de sua composição visual ou decorativa. Trata-se dos
objetos imagéticos, condutores de informação revelada pela percepção do sujeito a partir de seu contexto social em um processo de leitura e decodificação.
Considerando a imagem como veículo de informação, como exemplo tem-se os registros remotos da presença humana feitos por meio da imagem revelada nas pinturas e inscrições rupestres. Desde lá, a imagem tem sido uma “representação mental”, imaterial, intersubjetiva, reveladora do pensamento e da interpretação.
As imagens contidas em suportes físicos, por exemplo, constituem objetos representativos das formas de vida e dos modos de determinada cultura, uma vez que a informação é sempre culturalmente situada, como destacam Kobashi e Tálamo (2003). Já para Cintra et al. (2002, p. 9), a imagem “tem seus códigos próprios, é linguagem não-verbal, que se manifesta na sociedade de um determinado momento histórico e a reflete”. No campo da CI em especial, as pesquisas têm legitimado, a cada dia,
a função da imagem enquanto veículo signico condutores de informação e conhecimento. Autores como Coelho Neto (1980), Buckland (1991), Friedman; Thellefsen (2011), Azevedo Netto (2008); Preucel (2006), Sousa; Fujita; Gracioso (2014), Pinheiro; González de Gómez (2000); Maimone; Tálamo (2008), Gatto (2018), entre outros tem pesquisados sobre o assunto. Buckland (1991), por exemplo diz que, embora a disciplina tenha tradicionalmente priorizado sistemas baseados em textos, sua preocupação não se limita aos documentos textuais. Araújo (2014), ressalta que a informação pela imagem propicia interdiscursos e oferece possibilidades de trabalho, pesquisa e exploração, compreendidos a partir de dimensões cognitivas e sociais. Didi-Huberman (2012), outro autor da área também atribui às imagens grande capacidade informacional e chama a atenção para um olhar mais atento. Segundo ele, enquanto não nos dermos ao árduo trabalho de lê-las, interpretá-las, analisá-las, recompô-las, decompô-las e
libertá-las dos clichês, elas não nos dirão nada, nos enganarão ou permanecerão obscuras. Miller (2013), acrescenta que a materialidade de um objeto imagético revela sua imaterialidade, pois se trata de ações humanas indissociáveis. Já Cintra et al. (2002), asseguram que a informação registrada em suporte passa a constituir-se em documento. Para Manini (2002), o documento representa a concretização de toda informação registrada, independentemente do suporte, sendo capaz de transmitir conhecimento.
As artes plásticas ou visuais onde se insere o azulejo, objeto de análise desta pesquisa, situam-se no domínio da materialidade e da visualidade, utilizando elementos da linguagem visual para gerar significados, apresentando-se sob diferentes manifestações, formatos e modos de produção e consumo. A defesa do objeto azulejar enquanto suporte informação imagética, encontra reforço teórico-metodológico, principalmente em autores da CI, por perceberem nos objetos imagéticos grande capacidade informacional no sentido de que, estes, podem ser registrados, organizados, acessados e utilizados como fontes e mediadores de informação. A Ciência da Informação, com suas teorias e ferramentas próprias de análise da informação, tem competência para gerir a informação nos objetos imagéticos, tratando-a de forma mensurável, reprodutível e transmissível a partir de seus aspectos físicos, simbólicos, semânticos e pragmáticos. Segundo Araújo (2014), essa ação de produzir registros é onde se realiza a informação, que é o objeto de estudo da CI.
Estudos como o de Pinheiro e Gómez (2000), inovam ao discutir o conceito da informação em arte, através da análise das imagens artísticas. Souza, Fujita e Gracioso (2014) também publicaram uma coletânea onde o objetivo de discutirem teoria e experiencias práticas em relação ao papel da imagem na CI. Na perspectiva da informação em arte, na qual se insere o documento azulejar, este se apresenta como expressão plástica visual que
integra elementos da linguagem visual, linhas, cores, formas e relevos, que, juntos, produzem signos capazes de veicular informação e possibilitar o imediato processo cognitivo de percepção, aproximação e interpretação, sem desconsiderar o contexto cultural em que foi produzido e se encontra inserido.
[...] o autor do trabalho faz uso de uma linguagem (imagética) para se expressar e o receptor desta imagem decodifica a mensagem fazendo uma leitura-interpretação através dos signos artísticos, produzindo significados na mente do leitor. Da mesma maneira que a linguagem verbal representa os objetos para fins da comunicação verbal, a imagem artística é a forma simbólica de expressão das ideias para fins da comunicação visual (Maimone; Tálamo, 2008, p. 6).
A arte da azulejaria, nessa perspectiva, pode ser discutida como fonte de informação, passível de abordagem interpretativa, considerando o espectro das interações humanas e a relação social entre produtores e consumidores e as comunidades de prática, capazes de modificar as intenções estéticas, culturais e políticas.
O azulejo: Leitura da imagem
Para reconhecer o processo teórico metodológico utilizado na leitura da imagem azulejar, realizada pelas fontes de pesquisas faz necessário uma revisão da literatura em diversas áreas do conhecimento dentro das Ciências Humanas e Sociais acerca das principais propostas teórico-metodológicas vigentes concebidas e aplicadas ao longo do tempo para a leitura de imagem como forma de amparar cientificamente a discussão.
Para a leitura de imagem a teoria mais recente utilizada é a semiótica, que, embora concebida ainda no final do século XIX, só se difundiu a partir da segunda metade do século XX. Trata-se de uma filosofia científica da linguagem que se consolidou como campo teórico em evolução, contribuindo para a compreensão de diversos aspectos da natureza da comunicação e do pensamento humano. A semiótica de Peirce (1990)
preocupa-se com os fenômenos presentes em nossa mente, com o comportamento dos signos na convivência social, na relação entre o mundo e a consciência, e com a extração da informação contida nas imagens por meio da análise triádica: signo, objeto e interpretante, evidenciada pelos ícones, índices e símbolos, bem como pela forma como estes se inter-relacionam. O resultado desta interrelação é uma leitura de imagem consciente onde os seus aspectos intrínsecos e extrínsecos são considerados. Estudiosos da teoria como Preucel (2006), afirma que:
Tal abordagem requer a identificação dos diferentes tipos de signos que os humanos utilizam na mediação semiótica da cultura. Aqui, a noção tripartite de Peirce da relação sígnica e sua famosa distinção entre ícone, índice e símbolo são especialmente relevantes (Preucel, 2006, p. 27).
A teoria do conceito, concebida posteriormente por Ingetraut Dahlberg (1978), também merece destaque no estudo teórico da leitura da imagem. A autora teorizou sobre as linguagens naturais e artificiais, a formulação de conceitos individuais e universais, e sobre a elaboração de enunciados verdadeiros, nos quais possa ser identificado um elemento do respectivo conceito, funcionando como característica definidora, permitindo a síntese dessas características.
Pesquisadores da CI têm discutido a aproximação entre a teoria do conceito e a base filosófica da teoria semiótica para a representação das práticas representacionais, embora os estudos de Dahlberg não apresentem referências diretas a essa relação. No entanto, essa relação dialógica é percebida e debatida por Friedman e Thellefsen (2011) e por Azevedo Netto (2008), que analisaram as interações entre a semiótica e a teoria do conceito na organização do conhecimento. As conclusões desses autores indicam que Dahlberg segue uma linha analítico-conceitual, enquanto Peirce adota uma abordagem lógico-perceptiva.
Na sequência é igualmente indispensável discutir Erwin Panofsky, outro autor que se dedicou ao estudo da imagem. Em 1955, ao escrever “Significado nas Artes Visuais”, com ênfase na arte renascentista, Panofsky apresentou três níveis de abordagem da imagem: a análise pré-iconográfica, a análise iconográfica e a análise iconológica. A análise pré-iconográfica, ou “tema primário ou natural”, refere-se a uma análise superficial e pseudoformal da imagem; a análise iconográfica, ou “tema secundário ou convencional”, busca interpretar os motivos e alegorias presentes na obra; já a análise iconológica, ou “significado intrínseco ou conteúdo”, visa à interpretação considerando o mundo dos valores simbólicos. Segundo Panofsky, “Os objetos e eventos cuja representação, por linhas, cores e volumes, constituem o mundo dos motivos, podem ser identificados, como já vimos, tendo por base nossa experiência prática” (Panofsky, 2007, p. 55).
A partir de Panofsky (1955), Nicolas Bourriaud (2008) desenvolveu seu pensamento também visando o estudo da imagem. No final dos anos 1990, elaborou a teoria da estética relacional, voltada à compreensão das formas e fornecendo elementos que aprofundam o método de Panofsky, especialmente no que se refere à leitura iconológica. Em seu livro “Estética Relacional”, Bourriaud afirma que a teoria “consiste em julgar as obras de arte em função das relações inter-humanas que elas figuram, produzem ou criam” (Bourriaud, 2008, p. 151).
Em continuidade à revisão teórico-metodológica sobre a leitura da imagem, destaca-se também Liev Semionovitch Vigotski (1896–1936), proeminente no campo da psicologia e da arte, que desenvolveu uma abordagem interdisciplinar. Para a produção de seu livro A Psicologia da Arte, Vigotski partiu do pressuposto de que a psicologia, isoladamente, não poderia explicar o comportamento humano sem considerar a reação estética
suscitada pela arte, estabelecendo uma relação de reciprocidade. Segundo o autor, a ideia central da psicologia da arte é o:
Reconhecimento da superação do material da forma artística ou, o que dá no mesmo, o reconhecimento da arte como técnica social do sentimento. Achamos que o método de estudo desse problema é o método analítico objetivo, que parte da análise da arte para chegar à síntese psicológica: o método de análise dos sistemas artísticos dos estímulos (Vigotski, 1999, p. 3).
Tem-se, ainda, a Gestaltheorie, uma teoria que propõe a leitura de imagens a partir da forma, partindo do geral para compreender suas particularidades. De acordo com essa abordagem, a arte inicia-se no princípio da pregnância da forma, ou seja, na formação de imagens pelo sentido, como afirma Santos (2009). Já para Gomes Filho (2008), essa teoria buscava atender, entre outras finalidades, a todos os modos de manifestação visual, sejam configurações bidimensionais ou tridimensionais, como, por exemplo, arquitetura, artes gráficas, obras de arte ou artes plásticas em geral.
A teoria fundamenta-se em princípios, leis e categorias, além de propriedades específicas. Para a leitura de imagens, Gomes Filho (2008) destaca que a Gestalt propõe examinar o objeto e segregá-lo em suas partes principais, decompondo-as em unidades compositivas menores, sucessivamente, até um nível considerado satisfatório. A abordagem sugere ainda identificar, analisar e interpretar cada uma das leis da Gestalt em cada unidade, resultante de segregações de natureza variada no objeto, e descrevê-las, caracterizando-as, por exemplo, como segregações físicas, por meio de massas ou volumes, ou por outros tipos de segregações, como pontos, linhas, planos, cores, e também por características de acabamento, como brilho, texturas e relevos positivos ou negativos. Por fim, conclui-se a leitura visual interpretando a organização formal do objeto como um todo e atribuindo um índice de qualidade à sua pregnância formal.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada, foi a revisão da literatura e bibliográfica. As bases de dados pesquisadas para os achados desta pesquisa, foram os repositórios institucionais de Universidades públicas e privadas do Nordeste brasileiro, como também a plataforma Sucupira. A estratégia de busca se deu através do uso de descritores como “Azulejo”; “Leitura de imagem azulejar”; “Leitura de imagem; “Representação do Conhecimento”; “Representação da Informação”. Os filtros sugeridos pela plataforma, também foram considerados. Era essencial delimitar as palavras chave nestes termos, visando o propósito da pesquisa que é a análise da leitura da imagem contida no azulejo especificamente, excluindo-se todos os tipos de imagem e todos os tipos de leitura de imagem de objetos artísticos.
Como critérios de inclusão e exclusão considerou-se que era necessário não demarcar o tempo de publicação, abrindo assim, um leque maior de possibilidades na captação de dados diante da escassez de trabalhos que abordam esse tema em especial. Como resultado obtido identificou-se cinco trabalhos, sendo 4 Dissertações de Mestrado de Universidades Públicas Federais e um trabalho de conclusão de curso (TCC) de uma Universidade Particular, cujo marco temporal variou entre 2009 e 2021.
A análise dos dados deverá captar a imagem analisada e priorizar, principalmente, os seus dados biográficos, o texto da sua leitura, o(os) métodos teóricos-metodológicos aplicados, o (os) autores, a referência e local onde a informação está disponível digitalmente.
RESULTADOS: a leitura da imagem azulejar
Esta seção traz em seu bojo, o objetivo final desta pesquisa, que é investigar o processo lógico da leitura da imagem azulejar, partindo do pressuposto de que esta ação pode gerar informação e conhecimento,
através da representação (classificação e descrição da informação extraída do objeto) para disseminar e dar acesso aos pesquisadores deste objeto. De forma mais específica, a análise foi elaborada a partir das evidências que o método empregado, nos trabalhos selecionados como corpus, a partir dos processos teóricos-metodológicos empregados pelos autores, deu conta de analisar e representar o azulejo.
Abaixo tem-se cinco quadros sistemáticos que apresentam os dados acerca da leitura de imagem azulejar elaborados a partir das informações coletadas nas fontes levantadas. Os quadros sistematizam a informação coletada trazendo a imagem analisada em primeiro plano, os dados biográficos, a leitura imagética, a teoria utilizada, o(s) autor(es), a referência e o endereço eletrônico onde o trabalho pode ser encontrado.
Fonte: Honor (2009) | |
DADOS BIOGRÁFICOS DA IMAGEM | Tipologia azulejar: Painel figurativo historiado Título: Proteção pelo manto de Nossa Senhora do Carmo Localização: Paredes laterais da nave mor da Igreja do Carmo, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Período: Segunda metade do século XVIII Procedência: Portugal Autoria: desconhecida |
LEITURA IMAGÉTICA | No presente painel, auxiliada por anjos e portando uma coroa de rainha, Nossa Senhora do Carmo estende seu manto sobre os frades (membros da primeira ordem) e monjas (membros da segunda ordem) da Ordem Carmelita. O manto funciona como uma alegoria de proteção: aqueles que se espelharem nos modelos de virtude cristã estarão sob a proteção da mãe de Cristo. A intenção é que o católico protegido pelo manto de Maria esteja plenamente identificado com a cultura carmelita, adotando Nossa Senhora do Carmo como matrona e guia espiritual. Na parte inferior do painel, identifica-se uma torre ou castelo, cuja imagem também simboliza proteção dentro da doutrina cristã, especialmente no que se refere à obediência aos preceitos místicos de Santa Teresa de Jesus, que utiliza esta figura em seu livro Castelo Interior para exemplificar suas ideias. Na parte superior, surge a iconografia de um espelho, como um dos símbolos marianos, associando-se ao feminino. Assim como a lua reflete a luz do sol, Nossa Senhora projeta a vontade de Deus ao aceitar conceber seu filho. |
MÉTODO | Método iconográfico/iconológico |
AUTOR(ES) | Erwin Panofsky |
REFERÊNCIA | HONOR, André Cabral. O verbo mais que perfeito: uma análise alegórica da cultura histórica carmelita na Paraíba Colonial. 2009. 199 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009. |
DISPONÍVEL EM | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/6027?locale=pt_BR |
Fonte: Nóbrega (2015) | |
DADOS BIOGRÁFICOS DA IMAGEM | Tipologia azulejar: Painel figurativo historiado Título: José sendo nomeado Governador do Egito Localização: Nave-mor da Igreja de São Francisco de João Pessoa, Paraíba, Brasil Período: Século XVIII (1730-1740) Procedência: Portugal Autoria: Teotónio dos Santos (atrib.) |
LEITURA IMAGÉTICA | A figura apresenta o momento em que José reverencia o faraó, que, altivamente sentado entre seus conselheiros, é ladeado por um soldado em pé segurando uma lança. Trata-se do instante em que José recebe o cargo de administrador das mãos do governante egípcio, com a missão de garantir que, durante os sete anos de fartura que se seguiriam, fossem guardados viveres suficientes para atender à população nos sete anos de seca e penúria que se seguiriam. |
MÉTODO | Teoria da estética relacional |
Método iconográfico/iconológico | |
AUTOR(ES) | Nicolas Bourriaud (2008) |
Erwin Panofsky (2007) | |
REFERÊNCIA | NÓBREGA, Michael Douglas dos Santos. Circulação de imagens lusitanas no além-mar: cultura histórica e cultura artística na azulejaria barroca de Teotónio dos Santos na Paraíba Colonial. 2015. 116 f. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015 |
DISPONÍVEL EM | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/8358?locale=pt_BR |
Fonte: Silva (2019) | |
Tipologia azulejar: Painel figurativo historiado | |
Título: “Privilégio Sabatino” ou “Resgate das Almas do | |
DADOS | Purgatório” |
BIOGRÁFICOS | Localização: Nave-mor da igreja da ordem Terceira do Carmo |
DA IMAGEM | de João Pessoa, Paraíba, Brasil |
Período: Século XVIII | |
Procedência: Portugal | |
Autoria: desconhecida | |
LEITURA IMAGÉTICA | A cena revela um plano de fundo desprovido de paisagem ou vegetação e corpos humanos seminus em meio a labaredas, em uma espécie de lago de fogo. Homens e mulheres parecem contemplar com admiração a imagem de uma mulher, situada em primeiro plano, assentada sobre nuvens, rodeada por anjos e trazendo nos braços uma criança. A senhora apresenta-se vestida com um hábito, que a identifica como Nossa Senhora do Carmo e que, com gesto benevolente, parece visitar essas pessoas. O ambiente caracteriza-se como o purgatório que, segundo a mitologia cristã, é o destino das almas passíveis de purificação antes do ingresso no paraíso. Algumas figuras entre as chamas portam, ao redor do pescoço, uma espécie de colar ou cordão, do qual pendem pequenos quadrados em cada extremidade. Trata-se do escapulário, objeto de devoção popular difundido pela Ordem Carmelitana em meados do século XIII, presente também na vestimenta dos carmelitas. |
MÉTODO | Método iconográfico/iconológico |
AUTOR(ES) | Erwin Panofsky (2007) |
REFERÊNCIA | SILVA, Felipe Eugênio da. Ecce Opus: Análise iconográfica e iconológica dos painéis azulejares da igreja-mor do Conjunto Carmelita da Paraíba. 2019. 121f. Monografia (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, 2019. |
DISPONÍVEL EM |
Fonte: Senhorinho (2014) | |
Tipologia azulejar: Painel figurativo historiado | |
Título: “O Sacrifício de Isaac” | |
DADOS | Localização: capela-mor da Ordem Terceira do Carmo de |
BIOGRÁFICOS | Cachoeira – Bahia, Brasil |
DA IMAGEM | Período: Século XVIII |
Procedência: Portugal | |
Autoria: desconhecida | |
LEITURA IMAGÉTICA | Ao observar a imagem, nota-se uma representação fiel às Sagradas Escrituras: em primeiro plano, Isaac está amarrado sobre o altar, sentado sobre a lenha destinada à fogueira, com os olhos vendados e seminu, enquanto suas vestes se encontram dispostas no chão. Abraão surge de barbas longas e turbante, segurando em uma mão o cutelo para o sacrifício e apoiando a outra sobre a cabeça do filho. Próximo a ambos, um anjo segura a mão de Abraão, impedindo-o de sacrificar Isaac. Acima do anjo, fumaça e feixes de luz incidem sobre as figuras centrais da cena. Também se observa o cordeiro enviado por Deus para o holocausto, envolto em cipós e próximo a árvores; ao fundo, erguem-se montanhas. O painel se fundamenta nos livros de Gênesis e I Reis, narrando histórias de comunhão, obediência, sabedoria, devoção, sacrifício e amor — dogmas e preceitos destinados à instrução dos fiéis. |
MÉTODO | Método iconográfico/iconológico |
AUTOR(ES) | Erwin Panofsky (2007) |
REFERÊNCIA | SENHORINHO, Darlane Silva. Iconografia carmelitana: análise dos painéis azulejares da capela-mor da Ordem Terceira do Carmo de Cachoeira. 2014. 282f. Dissertação. (mestrado em Artes Visuais) Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, 2014. |
DISPONÍVEL EM | https://ppgav.ufba.br/sites/ppgav.ufba.br/files/2014_-darlane_silva_senhorinho |
Fonte: elaborado pelas autoras | |
DADOS BIOGRÁFICOS DA IMAGEM | Tipologia: Padrão Título: Painel “Tapete” Localização: Claustro do convento de Santo Antônio, João Pessoa, Paraíba, Brasil Período: XVII Procedência: Portugal Autoria: desconhecida |
O revestimento cerâmico parietal é composto de duas partes: biscoito e vidrado. O vidrado apresenta base lisa, plana, branca, com pintura policromática em azul cobalto opaco/aguado, laranja e amarelo. Trata-se de um padrão policromático, parte | |
LEITURA IMAGÉTICA | integrante de três centros alternados que formam uma malha de entrelaçados conhecida como “tapete”. Cada centro é formado por um motivo quadrilobado amarelo com rebordo laranja, cujos lóbulos são rematados por enrolamentos opostos entre si. Essa forma define uma reserva de fundo azul que circunscreve um florão recortado branco, sobre o qual se sobrepõem nervuras amarelas dispostas em cruz, com núcleo em quadrado sobre o vértice azul e amarelo. O outro centro amarelo é entrelaçado pelos elementos do primeiro, brancos com rebordos amarelos, formando palmetas com nervuras amarelas e azuis, dispostas na diagonal. |
MÉTODO | Método semiótico |
AUTOR(ES) | Peirce (1990) |
REFERÊNCIA | POLICARPO, Maria da Consolação. “Estudos de Cultura Material: o tratamento da informação em arte documentada nos azulejos paraibanos em perspectiva com a memória e o patrimônio" - séc. XVIII – X”. 2021, 176 p. Dissertação. (Mestrado em Ciência da Informação). Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Centro de Ciências Sociais aplicadas. Universidade Federal da Paraíba. 2021. |
DISPONÍVEL EM | https://repositorio.ufpb.br/jspui/browse?type=author&order=AS C&rpp=20&value=Policarpo%2C+Maria+da+Consola%C3%A7 %C3%A3o |
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo geral desta pesquisa foi investigar o processo lógico da leitura da imagem azulejar, partindo do pressuposto de que esta ação pode gerar informação e conhecimento. Especificamente, analisou-se, a partir de um corpus de trabalhos acadêmicos nas bases de dados dos repositórios institucionais e da plataforma Sucupira, pesquisas que evidenciam a análise de imagens azulejares, a partir de processos teórico-metodológicos de leitura que facilitem a recuperação da informação reveladas nos objetos.
Durante o processo de busca dos dados nas bases, verificou-se uma grande quantidade de pesquisas que abordam a leitura de imagem em diversos formatos. No entanto, em relação a leitura da imagem azulejar a quantidade foi mínima, revelando que o estudo em torno da leitura do azulejo, em especial, está aquém do esperado.
Para dar credibilidade a pesquisa, realizou-se uma revisão de literatura, abordando o azulejo como objeto, documento e informação
imagética, tomando como base as ferramentas teórico-metodológicas da CI, consideradas essenciais para explorar o potencial informacional dos objetos imagéticos. O azulejo se enquadra na categoria de documento não convencional passível de leitura e capaz de servir como ferramenta prática para a produção de conhecimento
Ao longo da discussão, verificou-se que a imagem não se restringe a um objeto estético e estático; ao contrário, ela é dinâmica e carregada de possibilidades de leitura e interpretação, dependendo do contexto de produção e de recepção. Quanto à leitura do azulejo, nos trabalhos analisados, observou-se que os pesquisadores têm investigado, aplicado e obtido informações descritivas positivas em relação à leitura dos signos imagéticos, reconhecendo que estes vão além de simples elementos ilustrativos que embelezam ou dão suntuosidade ao espaço.
Observa-se, ainda, neste estudo, a importância de dar continuidade a pesquisas que envolvam a leitura da imagem, uma vez que, plenamente interpretados, revelam informação e conhecimento sobre o tempo e a sociedade em que foram produzidos, podendo ainda fornecer subsídios para novas pesquisas.
Os referenciais teórico-metodológicos e métodos de análise acumulados pela CI, por meio de seus estudos pioneiros e contemporâneos, fornecem suporte necessário para revelar informação e comunicação de objeto imagético culturalmente produzido, no entanto ainda carece de estudos no âmbito azulejar.
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