As práticas informacionais de mães atípicas: as informações manifestadas sobre autismo no perfil Somos Colo de Mãe

The informational practices of atypical mothers: the information shared on the Somos Colo de Mãe profile

Las prácticas informacionales de las madres atípicas: la información sobre autismo expresada en el perfil Somos Colo de Mãe

Les pratiques informationnelles des mères atypiques : les informations exprimées sur l'autisme dans le profil Somos Colo de Mãe


Déborah Galvão de SOUZA1 Rodrigo Silva Caxias de SOUSA2


Correspondência


Autor para correspondência. Déborah Galvão de Souza

E-mail: dehgalvao@gmail.com

ORCID: https://orcid.org/0009-0001-3519-1850


Submetido em: 15/09/2025 Aceito em: 11/12/2025 Publicado em: 30/12/2025



1 Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

2 Professor do Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutor em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


RESUMO

Esta pesquisa analisa manifestações discursivas e indícios de práticas informacionais de mães atípicas no perfil @somoscolodemae no Instagram. A pesquisa busca compreender de que forma essas mães se valem do Instagram para buscar, utilizar, compartilhar e ressignificar informações em contextos marcados por incertezas. Discutimos o conceito de práticas informacionais e suas contribuições para a compreensão das dinâmicas informacionais em contextos específicos, como o das mães atípicas no Instagram. O conceito de resiliência informacional engloba todo o processo de como as mães lidam com a informação, desde a ruptura inicial e as barreiras emocionais até o desenvolvimento de práticas informacionais que lhes permitem encontrar apoio, orientação e ressignificar suas experiências. Discutimos a dor vivenciada pelas mães atípicas e propusemos o conceito de "dor materno-atípica". A Análise do Conteúdo foi utilizada como metodologia, possibilitando identificar o que está sendo dito a respeito do tema, e sua aplicação oferece uma abordagem sistemática para interpretar o discurso e suas interações. A análise concentra-se em 02 postagens do feed do Instagram do perfil @somoscolodemae, e a investigação concentrou-se na forma como as mães atípicas compartilham vivências e dores no contexto da maternidade atípica, evidenciando práticas informacionais que se articulam a dimensões emocionais, sociais e culturais. Os resultados indicam que as manifestações analisadas evidenciam indícios de práticas informacionais pautadas no compartilhamento de informações.

Palavras-chave: estudo de usuários; Instagram; maternidade atípica; práticas informacionais; resiliência informacional.

ABSTRACT

This article analyzes discursive manifestations and evidence of informational practices of atypical mothers on the Instagram profile @somoscolodemae. The study aims to understand how these mothers use Instagram to seek, use, share, and re-signify information in contexts marked by uncertainty. The concept of informational practices is discussed as an analytical category for understanding informational dynamics in specific social contexts, such as atypical motherhood on social media. Informational resilience is understood as the process through which mothers deal with information, from the initial rupture and emotional barriers to the development of informational practices that enable support seeking, guidance, and the re-signification of experiences. The study also


discusses the pain experienced by atypical mothers and proposes the concept of “atypical maternal pain.” Content Analysis was adopted as the methodological approach, allowing the identification and interpretation of discursive elements related to the theme. The corpus consists of two posts from the Instagram feed of the profile @somoscolodemae. The analysis focuses on how atypical mothers share experiences and pain within the context of atypical motherhood, highlighting informational practices articulated with emotional, social, and cultural dimensions. The results indicate evidence of informational practices primarily oriented toward the sharing of information.

Keywords: Atypical motherhood; Informational practices; Informational resilience; Instagram; User studies.


RESUMEN

Este artículo analiza manifestaciones discursivas e indicios de prácticas informacionales de madres atípicas en el perfil de Instagram @somoscolodemae. El estudio tiene como objetivo comprender cómo estas madres utilizan Instagram para buscar, usar, compartir y resignificar información en contextos marcados por la incertidumbre. Se discute el concepto de prácticas informacionales como categoría analítica para la comprensión de las dinámicas informacionales en contextos sociales específicos, como el de la maternidad atípica en las redes sociales. La resiliencia informacional se entiende como el proceso mediante el cual las madres lidian con la información, desde la ruptura inicial y las barreras emocionales hasta el desarrollo de prácticas informacionales que posibilitan la búsqueda de apoyo, orientación y la resignificación de experiencias. Asimismo, se aborda el dolor vivido por las madres atípicas y se propone el concepto de “dolor materno-atípico”. Se adoptó el Análisis de Contenido como enfoque metodológico, lo que permitió identificar e interpretar elementos discursivos relacionados con el tema. El corpus está compuesto por dos publicaciones del feed de Instagram del perfil @somoscolodemae. El análisis se centra en la forma en que las madres atípicas comparten vivencias y dolores en el contexto de la maternidad atípica, evidenciando prácticas informacionales articuladas con dimensiones emocionales, sociales y culturales. Los resultados señalan indicios de prácticas informacionales orientadas principalmente al intercambio de información.

Palabras clave: Estudio de Usuarios Instagram; Maternidad Atípica; Prácticas Informacionales; Resiliencia Informacional.


RÉSUMÉ

Cette étude analyse les manifestations discursives et les indices de pratiques informationnelles de mères atypiques sur le profil @somoscolodemae sur Instagram. La recherche vise à comprendre comment ces mères utilisent Instagram pour rechercher, utiliser, partager et redéfinir des informations dans des contextes marqués par l'incertitude. Nous discutons du concept de pratiques informationnelles et de ses contributions à la compréhension des dynamiques informationnelles dans des contextes spécifiques, tels que celui des mères atypiques sur Instagram. Le concept de résilience informationnelle englobe tout le processus de gestion de l'information par les mères, depuis la rupture initiale et les barrières émotionnelles jusqu'au développement de pratiques informationnelles qui leur permettent de trouver du soutien, des conseils et de redonner un sens à leurs expériences. Nous avons discuté de la douleur vécue par les mères atypiques et proposé le concept de « douleur maternelle atypique ». L'analyse de contenu a été utilisée comme méthodologie, permettant d'identifier ce qui est dit sur le sujet, et son application offre une approche systématique pour interpréter le discours et ses interactions. L'analyse se concentre sur deux publications du fil Instagram du profil @somoscolodemae, et la recherche s'est concentrée sur la manière dont les mères atypiques partagent leurs expériences et leurs douleurs dans le contexte de la maternité atypique, mettant en évidence des pratiques informationnelles qui s'articulent autour de dimensions émotionnelles, sociales et culturelles. Les résultats indiquent que les manifestations analysées mettent en évidence des indices de pratiques informationnelles basées sur le partage d'informations.

Mots-clés: Étude des utilisateurs; Instagram; Maternité atypique; Pratiques informationnelles; Résilience informationnelle.


  1. INTRODUÇÃO

    A maternidade, enquanto experiência multifacetada e socialmente construída, tem sido historicamente atravessada por discursos normativos que idealizam o papel materno e o associam à abnegação, resiliência incondicional e sacralização do cuidado. No entanto, no contexto contemporâneo, vozes dissidentes têm emergido, especialmente nos espaços digitais, para questionar tais


    representações e visibilizar experiências que rompem com o modelo hegemônico da maternidade. Nesse cenário, destaca-se a vivência da maternidade atípica, termo utilizado para designar as mães de crianças com desenvolvimento neuroatípico, como aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

    Essa pesquisa se insere no campo da Ciência da Informação, ao investigar como as mães atípicas utilizam o Instagram como suporte para práticas informacionais que envolvem busca, uso, compartilhamento e ressignificação da informação. A escolha pela abordagem das práticas informacionais deve-se à sua capacidade de articular dimensões cognitivas, sociais, emocionais e culturais, permitindo compreender os modos como os sujeitos constroem e mobilizam informações em seus cotidianos.

    Nesse sentido buscamos analisar como se manifestam discursivamente indícios de práticas informacionais no conteúdo publicado no perfil @somoscolodemae no Instagram. Definimos como objetivo analisar as práticas informacionais das mães atípicas materializadas no conteúdo das publicações no feed do perfil @somoscolodemae no Instagram.

    A relevância deste estudo reside, em primeiro lugar, na lacuna de pesquisa sobre o tema no campo da Ciência da Informação no Brasil, ao abordar a maternidade atípica em sua interface com práticas informacionais em redes sociais digitais. Em segundo lugar, destaca-se por promover uma escuta qualificada das vozes de mulheres que frequentemente têm suas dores silenciadas; por fim, contribui para a ampliação dos estudos de usuários e das práticas informacionais em contextos socioculturais marcados pela vulnerabilidade.


    Em relação à estrutura do texto, o artigo está organizado da seguinte forma: após esta introdução, apresenta-se o referencial teórico sobre práticas informacionais, resiliência informacional e a categoria analítica “dor materno-atípica”. Em seguida, são descritos os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa. Posteriormente, realiza-se a análise de duas postagens do perfil @somoscolodemae, com base em categorias emergidas a partir da análise de conteúdo. Por fim, são apresentadas as considerações finais, nas quais se discutem os principais achados e contribuições do estudo para a área da Ciência da Informação.

  2. PRÁTICAS INFORMACIONAIS

    Parte-se do entendimento de que a informação é um fenômeno situado, construído nas relações sociais e nas experiências vividas pelos sujeitos. Assim, em vez de se limitar à busca por dados ou respostas objetivas, as práticas informacionais envolvem modos de agir, interagir, interpretar e compartilhar saberes em contextos específicos. A definição de práticas informacionais adotada no trabalho baseia-se em uma abordagem sociocultural, especialmente nas contribuições de Savolainen (1995), Araújo (2017), McKenzie (2003), Lloyd (2014, 2015),

    Tuominen, Talja e Savolainen (2005) e Harlan (2012).

    A inserção do conceito de práticas informacionais na Ciência da Informação ganhou maior robustez a partir da contribuição de Savolainen (1995), que ressalta que as ações relacionadas à informação, como busca, uso e compartilhamento, estão inseridas em contextos sociais e culturais e não se dão de maneira isolada. A partir de uma ampla articulação entre teorias sociais e culturais, com foco nas ações dos sujeitos em seus cotidianos, Araújo (2017)


    destaca que tais práticas estão ancoradas em fundamentos das ciências humanas e sociais, sendo influenciadas por diversas correntes e tradições de pesquisa. Autores como McKenzie (2003), Lloyd (2010) e Harlan (2012) contribuíram para a construção de modelos que compreendem as práticas informacionais como processos coletivos e dialógicos, destacando o papel das comunidades, dos afetos e dos dispositivos tecnológicos nas formas de produção e circulação da informação.

    No que se refere às ações de informação, compreende-se que estas não se restringem apenas a um ato comunicativo, mas representam também um fazer orientado do sujeito, voltado para a produção de sentido que reverbera coletivamente na sociedade. González de Gómez (2004) observa que a informação é sempre direcionada para alguém e possui um propósito específico, sendo, portanto, atravessada por intencionalidades que a vinculam à ação. O uso de uma plataforma social digital reorganiza a forma como os sujeitos acessam, produzem e compartilham informações, criando territórios informacionais permeados por intencionalidades, emoções e condicionamentos tecnológicos (Araújo, 2014; Carneiro et al., 2018).

    O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista causa uma interrupção significativa na vida cotidiana das mães. Estudos indicam que mães de crianças atípicas apresentam níveis mais elevados de estresse em comparação aos pais, além de relatarem uma maior insatisfação com a qualidade de vida (Demsar; Bakracevic, 2023). No caso das mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa sobrecarga se intensifica, pois o cuidado com os filhos torna-se uma prioridade, frequentemente levando à renúncia do autocuidado, da vida profissional, social e


    das atividades de lazer (Constantinidi; Pinto, 2020). Nesse cenário, as práticas informacionais colaborativas emergem como ferramentas essenciais para a reconstrução de sentidos. Por meio de interações sociais e trocas de experiências, os sujeitos desenvolvem formas de buscar, interpretar e compartilhar informações em rede, formando vínculos de apoio e ampliando suas capacidades de enfrentamento. Essa dinâmica é fundamental para o fortalecimento da resiliência informacional, conceito discutido por Lloyd (2014, 2015), que reconhece a informação como elemento estruturante em contextos de vulnerabilidade.

    1. Resiliência Informacional das mães atípicas

      O conceito de resiliência informacional emerge da ampliação do termo “resiliência”, anteriormente usado na física e em ciências humanas como psicologia e ecologia, para a área da Ciência da Informação. Segundo Lloyd (2014), trata-se da capacidade de indivíduos e grupos mobilizarem, adaptarem e utilizarem informações de forma eficaz diante de situações adversas, como ambientes informacionais hostis ou desconhecidos. Inspirada em estudos com refugiados, Lloyd destaca que a resiliência informacional está relacionada a práticas coletivas, redes sociais de apoio, mediações situacionais e à circulação de informações em espaços cotidianos. Essas mães constroem estratégias em relação à informação que ultrapassam a perspectiva de uma prática individual. Elas formam redes de suporte, compartilham experiências, validam emoções e desconfortos mútuos e produzem significados coletivos que ajudam a mitigar as barreiras informacionais.


      No contexto brasileiro, os estudos de Brasileiro (2019) constituem importantes referenciais para a compreensão da resiliência informacional em experiências maternas atravessadas por vulnerabilidade, emoções intensas e práticas colaborativas em redes digitais. O autor evidencia que a resiliência informacional se constrói de forma relacional, por meio do compartilhamento de informações, da mediação entre pares e da mobilização de afetos, especialmente em contextos nos quais as mães enfrentam barreiras institucionais, emocionais e informacionais.

      Essas barreiras, conforme Brasileiro (2019), são não apenas técnicas, mas também emocionais, como medo, ansiedade, desânimo e insegurança — que afetam a tomada de decisão e o uso efetivo da informação. No contexto da maternidade atípica, as emoções desempenham papel central nas práticas informacionais, sentimentos como culpa, medo, ansiedade e insegurança são construções socioculturais que interferem diretamente na busca, uso e compartilhamento de conteúdos, moldam decisões e refletem pressões sociais idealizadas sobre o papel e a dor materna advinda dessa condição (Badinter, 1985).

    2. A dor materno-atípica

      A dor é de natureza multifacetada e evidencia sua trajetória representacional e interpretativa ao longo da história, sob o prisma de diversas lentes socioculturais. Ressaltamos que a dor extrapola a dimensão meramente física, entrelaçando-se intrinsecamente com aspectos emocionais, cognitivos e culturais. A compreensão da significação da dor revela-se fundamental para a presente investigação, constituindo o alicerce sobre o qual este estudo se sustenta. Na perspectiva de Le Breton (1999) a dor é uma


      experiência desconcertante, que resiste a explicações simplificadas por ser, ao mesmo tempo, sentida e interpretada, inserida em um contexto de significados e valores. Para o autor, o universo humano é constituído por significações e valores que orientam a ação, de modo que a rede social e cultural em que o indivíduo e a dor estão inseridos influencia diretamente sua interpretação e seu valor simbólico. É nesse contexto que propomos o conceito de "dor materno-atípica". Tais mulheres vivenciam dores que extrapolam o físico: dores do não reconhecimento, da invisibilidade, da sobrecarga, do luto simbólico, da solidão diante das demandas incessantes do cuidado. Por meio de narrativas textuais, visuais e afetivas, essas mães compartilham experiências, constroem comunidades de pertencimento e produzem sentidos que desafiam os discursos normativos sobre maternidade, deficiência e sofrimento. Na pesquisa intitulada Sobrecarga familiar e crianças com transtornos do espectro do autismo: perspectiva dos cuidadores, Misquiatti et al. (2015) identificou que 80% dos cuidadores responsáveis pelas crianças autistas eram mães. A sobrecarga do cuidado, frequentemente atribuída à figura materna, tem implicações significativas na vida das mulheres, sobretudo quando envolve a necessidade de abdicar do seu autocuidado e da própria trajetória profissional (Constantinidi; Pinto, 2020). Esse processo, além de impor desafios práticos, acarreta um impacto emocional profundo, caracterizado por estresse, frustração e um intenso sentimento de perda, que pode comprometer a saúde mental e o bem-estar dessas mães (Constantinidi; Pinto, 2020). Pesquisas indicam que mães de crianças com desenvolvimento atípico reportam níveis de estresse superiores aos dos pais, além de manifestarem maior insatisfação com a própria vida (Demsar;


      Bakracevic, 2023). O compartilhamento de informações sobre esses desconfortos e dores, longe de configurar mero desabafo, constitui-se como ato político fundamentado em informações. Por meio de textos, imagens e interações, mães atípicas criam redes de apoio, rompem com o silêncio imposto pelos discursos normativos e produzem resiliência informacional, transformando vivências de sofrimento em conhecimento coletivo e fortalecimento mútuo.

  3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

    Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, vinculada a uma dissertação de mestrado em Ciência da Informação. Este artigo apresenta um recorte analítico específico da investigação mais ampla, concentrando-se na análise aprofundada de duas postagens do feed do perfil @somoscolodemae, no Instagram.

    A opção por um corpus reduzido justifica-se pela proposta de realizar uma análise qualitativa em profundidade, voltada à compreensão das manifestações discursivas, simbólicas e afetivas relacionadas à experiência da maternidade atípica. Não se busca, portanto, a generalização empírica dos resultados, mas a identificação de indícios e expressões situadas de práticas informacionais, tal como compreendidas no campo da Ciência da Informação sob uma perspectiva sociocultural.

    A seleção das duas postagens ocorreu de forma intencional, considerando sua densidade discursiva, a centralidade do tema da dor materno-atípica e o elevado potencial de articulação entre informação, emoção e experiência social. Ambas foram publicadas no perfil @somoscolodemae, reconhecido por sua atuação na


    visibilidade das vivências de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

    Como procedimento metodológico, adotou-se a Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (2010), compreendida como um conjunto de técnicas sistemáticas voltadas à interpretação de comunicações, permitindo inferências a partir de contextos de produção, circulação e sentido. O processo analítico envolveu as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados.

    Na fase de pré-análise, realizou-se a leitura flutuante do material empírico, com o objetivo de identificar unidades de registro relevantes. Em seguida, procedeu-se à codificação das postagens, cujos registros textuais e visuais foram organizados em planilha eletrônica, incluindo a captura das imagens e dos textos integrais publicados no feed.

    A análise resultou na identificação de nove categorias analíticas, a saber: ações de informação – orienta-se para um agir ou fazer do sujeito com a intenção de informar algo (Barreto, 1994; González de Gómez, 2004; Araújo, 2014); contexto – conjunto de circunstâncias que condicionam a ação de informação); característica de quem é envolvido na marcação e consiste no uso de arroba “@” precedendo o nome do perfil, possibilitando sua citação e notificação em uma postagem; tom – mensagem emocional explícita que o texto transmite; intencionalidade – objetivo a ser alcançado com a ação de informação efetivada. (González de Gómez, 2004); hipermídia – recursos utilizados para apresentação da postagem; figura de linguagem – recurso utilizado para realçar uma ideia.; sentimentos – as emoções são construídas a partir da interpretação cognitiva e emocional de sensações


    corporais, acompanhado de fatores sociais e culturais (Barrett, 2017); sensações – construções conscientes e subconscientes que atribuem significado às sensações físicas, aos contextos e às experiências sociais (Barrett, 2017). Essas categorias foram mobilizadas como instrumentos analíticos, permitindo compreender como determinadas ações e sentidos informacionais se manifestam discursivamente nas postagens analisadas.

    Ressalta-se que, neste artigo, a noção de práticas informacionais é mobilizada de forma analítica e interpretativa, a partir das expressões discursivas presentes no conteúdo publicado, e não como observação direta de comportamentos informacionais. Assim, os resultados devem ser compreendidos como indícios de práticas informacionais situadas, emergentes do compartilhamento narrativo, afetivo e simbólico realizado pelas mães no ambiente digital.


  4. ANÁLISE DAS POSTAGENS


    Nesta seção, apresentamos as imagens das postagens a serem analisadas, aspectos representativos relativos ao texto completo extraído do feed do perfil @somoscolodeemae no Instagram e a análise descritiva dos textos.

    A postagem 1, intitulada “Adoecimento da maternidade atípica”3, revela um retrato doloroso das condições enfrentadas pelas mães de filhos atípicos dentro de um sistema social que muitas vezes não oferece suporte adequado, além de negligenciar as suas necessidades. A dor vivida pelas mães é o reflexo de uma


    3 Disponível em: https://www.instagram.com/p/C8jog8Tu6KE/ Acesso em: 23 maio 2025.


    estrutura social falha que impõe obstáculos desumanizadores, tornando-as vulneráveis a uma série de abusos e frustrações cotidianas.

    Figura 1 – Adoecimento da maternidade atípica

    Fonte: @somoscolodemar, Instagram, 2025.


    Texto completo:


    Existe um sistema social no qual todas as famílias atípicas estão imersas. de forma compulsória. ele envolve saúde, educação e justiça. e o que esse sistema, num primeiro momento espinha dorsal da existência autônoma e independente dos nossos filhos faz? nos adoece. o advogado que não peticionou, se negou a fornecer o número do processo e deixou uma família meses sem notícias, e sem dinheiro para o ônibus. o outro que perdeu os prazos e culpou a secretária. o outro que respondeu à mãe que quando tudo é urgente nada é e que ela se acalmasse pois dentro do período hábil o trabalho seria feito. que ela se acalmasse. ela, a mãe, a contratante, a pessoa que pagando por um serviço está com o filho sem acesso às terapias. você leu certo. o terapeuta que tem valores diferentes de sessão a depender do desespero materno e do sabor do vento. o outro que confirma a


    agenda para horas depois desmarcar e deixar a criança absolutamente desorganizada. sob os cuidados de quem? adivinha? pois. ela mesma, a tal mãe. o outro que iniciou o tratamento a partir de um contrato, mas que no meio da intervenção achou que aquele não era um bom modelo de trabalho, que o plano demora a fazer o repasse do valor. e agora? dá um jeitinho, mãe. o protocolo intensivo solicitado sem reembolso previsto, sem choro nem vela, mas dito fundamental para o desenvolvimento. vende o carro ou a casa, mãe, é o seu filho. não tem carro e nem casa, trabalha oitenta horas por semana, ele precisa. o médico? ah, o médico não tem agenda. nem horário. não tem disponibilidade para responder whatsapp. o médico cobra consulta e depois cobra retorno para o laudo. cobra consulta e depois indica medicação. mas e se o remédio tiver efeito adverso, posso voltar, ligar, fazer o quê? ah, aí a gente vê, mãe! mas e se o plano negar? aí o problema é do advogado, não meu. mesmo plano que tem reajustes anuais, muitos nomes, vários sotaques, mesmas manobras. este ano, sessenta por cento. e agora? a escola ficou de mandar o PEI ontem. desse ontem até hoje, cinco meses. quem vive?


    O que pode ser depreendido do conteúdo é que várias barreiras fundamentadas em ruídos de comunicação são evidenciadas, tais como a ausência de transparência dos advogados que não informam sobre o andamento dos processos, terapeutas que alteram agendas e médicos que não têm horários definidos. Isso leva a um cenário de incerteza constante para as mães, que dependem dessas informações para o bem-estar de seus filhos. O conteúdo da postagem permite identificar que problemas burocráticos e desafios no acesso a serviços básicos de saúde e educação impactam diretamente na saúde física e emocional das mães atípicas. A autora enfatiza que este sistema, inicialmente visto como a espinha dorsal para garantir uma existência autônoma e independente para as crianças, na verdade acaba por adoecer as próprias mães. Isso é ilustrado pelos inúmeros obstáculos, frustrações e decepções enfrentadas no dia a


    dia, desde advogados que não cumprem suas responsabilidades até terapeutas e médicos com práticas questionáveis ou insuficientes. Ao perguntar “Quem vive?" é notório que o as informações em meio a totalidade de conteúdo da postagem resumem a dor e a exaustão enfrentadas por essas mães, que muitas vezes se sentem pressionadas pela responsabilidade de garantir não apenas o cuidado físico, mas também o desenvolvimento integral de seus filhos. Destacamos aqui uma barreira emocional relacionada aos sentimentos de ansiedade, medo e insegurança, que interferem nas capacidades individuais de tomar decisões, estabelecer consenso, selecionar e se apropriar de fontes de informação relevantes, bem como na disposição para enfrentar uma situação adversa (Brasileiro, 2019). No caso do “desabafo”, analisado, as articulações entre descasos e negligências é desveladora de um desconforto compartilhado em informações no perfil do Instagram. As informações são catalisadoras de uma compreensão mútua e de formas de empatia que conectam essas mães na troca de experiências e aprendizado.

    A postagem 02, intitulada “Vontade de morrer4, traz um relato chocante e comovente. Percebe-se a frequência com que mães se sentem responsáveis pelas dificuldades de seus filhos ou julgadas por não se encaixarem em um ideal de maternidade neurotípica. A internalização desses sentimentos, potencializada pela falta de apoio e, muitas vezes, pelo julgamento de profissionais e da sociedade, as leva à sobrecarga, exaustão e sofrimento psíquico.



    4 Disponível em: https://www.instagram.com/p/C5N-9H2uX9f/ Acesso em: 23 maio 2025.


    Figura 2 – Vontade de morrer

    Fonte: @somoscolodemar, Instagram, 2025.


    Texto completo:

    afinal, como diz Saramago, cada um de nós vê o mundo com os olhos que tem. e os meus têm visto muita dor e impossibilidade. têm visto muito medo. muita vergonha. muita culpa. meus olhos têm visto mulheres que deixaram de sorrir seus sorrisos e sonhar seus sonhos. mulheres esquecidas pelo papel determinante da maternidade. esmagadas pelo protagonismo da rotina com seus filhos. meu abril (mês de conscientização sobre o autismo) é pela saúde mental das mulheres mães de pessoas autistas. pelo resgate afetivo, cuidado psíquico e sorvete na lanchonete. para que a sociedade entenda que ao lado de um filho "vivo" há inequivocamente uma mãe igualmente "viva". um indivíduo. alguém autorizado a ser.


    O relato demonstra o sofrimento psíquico e o esgotamento emocional das mães atípicas, destacando a manifestação dos desejos de morte, de desaparecimento e um esgotamento


    generalizado, refletido na ausência de desejo de viver. Esse padrão aponta para um estado de exaustão emocional crônica, agravado pela falta de apoio social e institucional. Os profissionais da saúde, educação e os meios de comunicação são mencionados como agentes que reforçam a penalização dessas mães, o que evidencia a negligência estrutural em reconhecer a subjetividade materna para além da função do cuidado. A maternidade atípica, segundo o relato, é vivida como um esmagamento da identidade pessoal. As mulheres deixam de sonhar, de sorrir e de se enxergar como sujeitos autônomos, sendo reduzidas ao papel exclusivo de cuidadoras. Há, aqui, uma crítica direta aos discursos hegemônicos que glorificam a “mãe especial”, ao custo de silenciar sua dor. Mesmo diante de tanto sofrimento, o depoimento também reconhece que algumas mulheres conseguem ressignificar suas trajetórias, encontrando na maternidade atípica um novo propósito de vida. Trata-se de uma expressão da resiliência informacional, construída por meio de redes de apoio e trocas significativas nas redes sociais. Por fim, o relato apresenta uma convocação ética e política para que se reconheça o direito dessas mulheres ao cuidado, ao afeto e à vida plena. A frase “ao lado de um filho ‘vivo’ há inequivocamente uma mãe igualmente ‘viva’” sintetiza o apelo por humanização e reconhecimento da figura materna como sujeito de direitos e desejos.

    A análise evidencia um quadro alarmante de sofrimento coletivo e invisibilizado que permeia o cotidiano de mães atípicas. A postagem analisada permite identificar expressões discursivas que funcionam como estratégias informacionais de sobrevivência. As práticas informacionais dessas mulheres emergem como estratégias de sobrevivência, onde a busca por informação está


    indissociavelmente ligada à busca por acolhimento, validação e sentido. Ao mesmo tempo, os dados revelam como a desinformação e a solidão institucionalizada contribuem para o agravamento do sofrimento psíquico, tornando urgente a criação de políticas públicas e redes de apoio informacional que contemplem essas mães como sujeitos singulares. O Instagram, nesse contexto, constitui-se como espaço de acolhimento simbólico e informacional, onde narrativas dolorosas são convertidas em resistência e solidariedade. A dor compartilhada torna-se uma ferramenta de mobilização, permitindo que essas mulheres reconstruam, mesmo que parcialmente, a própria identidade, fragmentada pela sobrecarga e pelo silêncio social.

    As análises das postagens colaboram para o processo de análise descritiva desta pesquisa ao fornecerem uma compreensão aprofundada e multifacetada das experiências e desafios enfrentados por mães atípicas. Os resultados indicam que as práticas informacionais são fundamentais para que essas mães lidem com a ausência de suporte do Estado e da sociedade, revelando como a falta de apoio adequado contribui para o adoecimento físico e emocional dessas mulheres. Além disso, as análises destacam a importância das redes sociais como espaços de acolhimento, onde as mães compartilham informações sobre suas dores, frustrações e buscam validação, configurando-se como uma forma de resistência e cuidado coletivo.

  5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo analisar manifestações discursivas e simbólicas relacionadas às práticas informacionais de mães atípicas no perfil @somoscolodemae, no Instagram, a partir


de um recorte empírico específico composto por duas postagens. A proposta não consistiu em esgotar ou generalizar as práticas informacionais dessas mães, mas em compreender, de forma qualitativa e situada, como determinadas ações informacionais se expressam no compartilhamento de experiências, dores e afetos em ambientes digitais.

A análise de conteúdo evidenciou que as postagens examinadas funcionam como espaços de elaboração informacional da experiência da maternidade atípica, nos quais o ato de compartilhar narrativas pessoais ultrapassa o desabafo individual e assume caráter informacional, simbólico e coletivo. As manifestações analisadas apontam para indícios de práticas informacionais articuladas ao acolhimento mútuo, à validação das emoções e à construção de sentidos compartilhados, especialmente em contextos marcados pela vulnerabilidade emocional e pela ausência de suporte institucional.

Sob a perspectiva da Ciência da Informação, os resultados reforçam a compreensão de que as práticas informacionais não se restringem a ações instrumentais de busca ou uso da informação, mas se constituem em processos situados, atravessados por dimensões sociais, afetivas e culturais. No contexto investigado, a informação emerge como elemento mediador da dor materno-atípica, permitindo que experiências de sofrimento sejam narradas, reconhecidas e ressignificadas coletivamente no ambiente digital.

O Instagram, a partir das postagens analisadas, apresenta-se como um espaço de circulação informacional no qual se constroem redes simbólicas de apoio, visibilidade e pertencimento. As narrativas compartilhadas pelas mães atípicas evidenciam como a plataforma é apropriada não apenas para a difusão de conteúdos,


mas para a produção de sentidos que confrontam discursos normativos sobre maternidade, cuidado e deficiência, conferindo legitimidade às experiências maternas frequentemente silenciadas nos espaços institucionais.

Ressalta-se que os achados deste estudo devem ser compreendidos à luz de seus limites metodológicos. A análise de um corpus reduzido não permite extrapolações empíricas amplas, mas oferece subsídios analíticos relevantes para a compreensão de como práticas informacionais podem se manifestar discursivamente em contextos específicos. Nesse sentido, o artigo contribui para o debate sobre práticas informacionais em ambientes digitais, ao evidenciar a centralidade das emoções, da narrativa e da experiência vivida na constituição dos processos informacionais.

Por fim, sugere-se que futuros estudos possam ampliar essa discussão para outros contextos de maternidade atípica, bem como explorar com mais profundidade o papel das plataformas digitais como agentes mediadores das práticas de cuidado, informação e pertencimento. A escuta das mães atípicas, a valorização de suas experiências e a atenção às formas com que constroem conhecimento em rede representam não apenas um gesto de acolhimento acadêmico, mas também um compromisso ético com a produção de uma ciência verdadeiramente inclusiva e sensível às diferenças.

REFERÊNCIAS


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