DOI: 10.33467/conci.v8i.23714
DOSSIÊ
ConCI: Conv. Ciênc. Inform. v. 8, n. especial, p. 01-34, 2025
procurar parceiros. Eu acho que a primeira coisa, quando
você é uma pessoa negra na academia, é procurar firmar
parcerias para poder caminhar, porque eu acho que
sozinho, de fato, fica muito difícil. Até emocionalmente,
psicologicamente, é um serviço muito desgastante se sentir
sozinho no meio acadêmico, numa estrutura branca. Então
eu acho que, talvez a primeira, acho que talvez a mais
eficiente das estratégias é procurar ampliar as relações, se
juntar com grupos que pensam e querem lutar pelas
mesmas coisas que você, e até mesmo para você se
resguardar, porque caminhar sozinho é colocar seu corpo
para ser ainda mais violentado. Então é bom você
estabelecer parcerias, e tentar cada vez mais, eu acho que
é aquilombar, é fazer crescer, é se associar a outros grupos
minoritários, que é o que eu tenho feito. Acredito que a
partir daí a gente consegue aglutinar mais forças, porque
sozinho a gente não consegue fazer absolutamente nada,
em nenhum ambiente, não só no acadêmico. Em nenhum
ambiente é fácil, porque a maioria de nós ainda não ocupa
as cadeiras que decidem, então pra poder criar um pouco
mais de pressão e conseguir avançar a gente precisa estar
aliado a outras pessoas que compartilham da mesma dor,
dos mesmos atravessamentos, da mesma luta..
Porque na verdade a gente vive uma guerra racial, não é
uma disputa, não é só injustiça, não é só a questão do
silenciamento, a gente tem uma guerra de disputa de
poder. E a questão da injustiça epistêmica, ou esse
silenciamento de pessoas pretas, ele é só mais uma
ferramenta pra poder continuar mantendo as coisas como
elas sempre foram.
A questão da corporeidade é um elemento central na
materialização das injustiças epistêmicas, tendo em vista que esta é
pautada por preconceitos advindos da pessoa receptora que se
depara concomitantemente com o corpo negro e, por conseguinte
com articulações racistas sobre o conhecimento que baliza as
perspectivas de uma pesquisadora negra. Dessa forma o ouvinte do
conhecimento produzido e enunciado por um indivíduo que ela
considera “inferior” por conta de um preconceito de identidade
imbricado a corporeidade, como o gênero, o pertencimento étnico-
racial, a classe social, dentre outros marcadores se manifesta como
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