A EDUCAÇÃO CAPTURADA PELO NEOLIBERALISMO

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Resumo

Examino neste texto a influência da racionalidade neoliberal na educação contemporânea, enfatizando a centralidade da teoria do capital humano na redefinição das finalidades escolares. Com base nas formulações de Gary Becker e Theodore Schultz, bem como na análise de Michel Foucault em O nascimento da biopolítica, argumento que o neoliberalismo concebe o trabalhador como portador de um capital constituído por competências, habilidades e disposições individuais. O sujeito passa a ser compreendido como “empresário de si mesmo”, responsável por investir continuamente em sua própria valorização. Nesse contexto, a educação assume função estratégica na produção e ampliação do capital humano. Diferentemente da tradição republicana, que associava a escola à formação integral, ao desenvolvimento da autonomia crítica e à preparação para a cidadania, a educação passa a ser orientada pela adaptação às demandas do mercado de trabalho. Empregabilidade, flexibilidade e aquisição permanente de competências tornam-se objetivos centrais da formação. Mobilizo ainda as contribuições de Christian Laval para sustentar que a escola neoliberal transforma a educação em bem privado e investimento individual, subordinando o conhecimento às exigências da competitividade econômica. Isto é reforçado pela atuação de organismos internacionais, especialmente a OCDE e o Banco Mundial, cujas recomendações influenciam reformas educacionais baseadas em currículos por competências, avaliações padronizadas e gestão por resultados. Por fim, indico que a Reforma do Ensino Médio é expressão dessa racionalidade, ao privilegiar a formação de sujeitos adaptáveis às exigências do mercado. Concluo que tal orientação enfraquece a concepção da educação como direito social, formação cidadã e instrumento de emancipação intelectual.

Palavras-chave: Educação; Neoliberalismo; Capital humano; Reformas educacionais.

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Publicado

2026-07-23