A poemografia de Ana Hatherly
do mar que se quebra à variações e suas possibilidades de leitura
Palavras-chave:
Ana Hatherly, Poesia Experimental, Caligrama, Vilém Flusser, François ChengResumo
O presente artigo sintetiza parte das investigações apresentadas na monografia “Pintura das palavras: a relação entre imagem e poema em Ana Hatherly”, bem como revisita e amplia as relações entre as artes visuais e literatura com o foco na obra poética da portuguesa Ana Hatherly, notória pelos seus estudos acerca da escrita e de poesia visual. Aqui buscou-se compreender, de modo breve, o histórico da escrita manual, as influências do fator pictórico na textualidade, o contexto literário que Hatherly se insere e as concepções de Vilém Flusser de Linha, Superfície e Gesto para analisar a poética da portuguesa. Estudou se textos dos teóricos do Concretismo brasileiro, da Poesia Experimental Portuguesa e o livro de François Cheng “Vacío y Plenitud”, focado na pintura e caligrafia chinesa. Apresenta-se a partir desses estudos uma análise da obra O mar que se quebra (1989) e também das Variações de 15 a 20, do Livro III – Leonorana, parte do livro Anagramático (1965-70), que visa ampliar as possibilidades de leituras sobre sua poesia a luz dos princípios da caligrafia e pintura chinesa. De produção labiríntica, o estudo dos poemas selecionados que privilegiam o fenômeno da intertextualidade, propondo uma reinvenção da leitura através da ambiguidade da escrita, aqui intitula-se de poemografia. Considera-se que indicam possibilidades de compreensão do fenômeno visual no poema. Percebe-se em seu labor a influência da arte chinesa e japonesa, tanto em seus materiais e ferramentas quanto na preservação de uma indissociabilidade entre poema e pintura, escrita
e desenho, arte visual e arte literária.
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