Cabeças cortadas

trofeus exibidos e punição no embate entre volantes e cangaceiros, sertões nordestinos brasileiros (1922 – 1938)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61895/pl.v17i33.19549

Palavras-chave:

cortar cabeças, volantes, cangaceiros, sertão nordestino

Resumo

Este texto objetiva discutir a prática de cortar cabeças, utilizadas por policiais volantes, quando da perseguição empreendida a cangaceiros, nos sertões nordestinos, entre os anos de 1922 e 1938. A discussão leva em conta o imaginário do nordestino  sertanejo sobre esta prática, mostrando-a como uma das  muitas representações de uma sociedade construída distanciada do que era tido como “civilização”, que desenvolveu um modo de ser e estar no mundo específico, onde a violência se revelava traço característico de sua identidade. Para a construção desse  texto foi feita revisão bibliográfica, sendo trazido à luz conceitos da história cultural, bem como narrativas  presentes na historiografia que trata da temática volantes e cangaceiros.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vanderlan Francisco da Silva, UFCG

Professor de Antropologia da Universidade Federal de Campina Grande - UFCG. Docente do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da mesma universidade. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Paris-Descartes (Paris V - Sorbonne).

Referências

ALBUQUERQUE, André C de. Capitães do fim do mundo. Recife. EDUPE. 2016.

BARROS. Luitigarde O. C. A Derradeira Gesta: Lampião e Nazarenos Guerreando no Sertão. Rio de Janeiro. FAPERJ: Mauad. 2000.

BEZERRA, João. Como dei cabo de Lampião. Recife. Top Produções gráficas. 2013.

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2010.

CALDEIRA, Teresa P do R. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo. Editora 34/Edusp. 2000.

CHANDLER, Billy J. Lampião, o rei dos cangaceiros. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 2003.

CHIAVENATO. Júlio J. Cangaço: a força do coronel. São Paulo: Brasiliense, 1990.

COSTA. Alcino A. Lampião Além da Versão: mentiras e mistérios de Angico. Aracaju. Sociedade Editorial de Sergipe/Secretaria do Estado da Cultura de Sergipe. 1996.

GOMES, Alberto A. Considerações sobre a pesquisa científica: em busca de caminhos para a pesquisa científica. 2018. Disponível em <<https://www.fct.unesp.br/Home/Departamentos/Educacao/AlbertoGomes/aula_consideracoes-sobre-a-pesquisa.pdf>> Acesso em 20/04/2021.

FERREIRA JÚNIOR, José. Cangaço e Fé. In: SOUZA, Anildomá W de. Nas Pegadas de Lampião. Serra Talhada. Esdras Graphic. 2004.

FERREIRA JÚNIOR, José. Memória Monumentalizada do Cangaço: a que se presta tal saber? In: REA – Reunião Equatorial de Antropologia. Aracaju - – SE. 2007.

FERREIRA JÚNIOR, José. Religião no cotidiano cangaceiro: representações e práticas. Anais do II Congresso Nacional do Cangaço e III Semana Regional de História do CFP/UFCG, p. 303 – 309. Cajazeiras – PB. 2011.

FERREIRA JÚNIOR, José. O Estado Novo e o anacronismo oligárquico regional. Esquerda Diário. 2016. Disponível em https://www.esquerdadiario.com.br/O-Estado-Novo-e-o-anacronismo-oligarquico-regional Acesso em 10-08-2023.

FOLHA DE SÃO PAULO. Policial e cangaceiro se encontram 58 anos depois. São Paulo, 29 de julho de 1996.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis. Vozes. 2002.

HOLANDA, Aurélio Buarque de. Feira de cabeças. Diário Oficial do Estado de Pernambuco, Ano IX, jul. 1995.

LENAERS, Roger. Outro cristianismo é possível. A fé em linguagem moderna. São Paulo. Paulus. 2011.

LIMA, Estácio de. O Estranho Mundo dos Cangaceiros. Salvador. Itapoá, 1965.

LIRA. João G. de. Memórias de um Soldado de Volante. Floresta – PE. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. 2007.

LORIGA, Sabina. A tarefa do historiador. In: GOMES, Ângela de Castro. Memórias e narrativas autobiográficas. Rio de janeiro: FGV, 2010.

MARTINS, José de S. Linchamentos: a justiça popular no Brasil. São Paulo. Contexto. 2015.

MONTEIRO, Roberto P. O outro lado do cangaço: as forças volantes em Pernambuco: 1922 – 1938. Recife. Ed. Do Autor. 2004.

NOGUEIRA, André. Sangue no Sertão: os horrores do cangaceiro Corisco, o Diabo Louro. 2020. Disponível em <<https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sangue-no-sertao-os-horrores-do-cangaceiro-corisco-o-diabo-louro.phtml>> Acesso em 20/04/2021.

OLIVEIRA, Aglaê L de. Lampião, Cangaço, Nordeste. Rio de Janeiro. O Cruzeiro. 1970.

PERICÁS, Luiz B. Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica. São Paulo. Boitempo. 2010.

PESAVENTO, Sandra J. História & História Cultural. São Paulo. Autêntica. 2008.

PONTES, Emílio T M. Fé e Pragmatismo no Sertão. Fortaleza. Mercator. 2014.

QUEIROZ. Maria I. P. de. Os Cangaceiros. São Paulo. Duas Cidades. 1977.

RICOEUR, Paul. A memória. A história. O esquecimento. Campinas: Editora da UNICAMP, 2007.

RODRIGUES DE CARVALHO. A Sociologia do Cangaço. Rio de Janeiro. Gráfica Editora do Livro Ltda. 1977.

ROSENDAHL, Zeny. Espaço, cultura e religião: dimensões de análise. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (Orgs). Introdução à geografia cultural. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

SÁ NETO, José M de. David Jurubeba: um herói nazareno. Recife. Editora do Autor. 2004.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias Pedagógicas no Brasil. São Paulo. Editores Associados. 2019.

SOUSA, Ilda R de. Sila, Memória de Guerra e Paz. São Paulo. Imprensa Universitária, 1995.

VILELA, Joprrge M. Operação anticangaço: as práticas e estratégias de combate ao banditismo de Virgulino Ferreira, Lampião. Revista de Ciências Humanas. Florianópolis. 1999.

WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília. UNB. 2010

Downloads

Publicado

2023-12-30

Como Citar

FERREIRA JÚNIOR, José; SILVA, Vanderlan Francisco da. Cabeças cortadas: trofeus exibidos e punição no embate entre volantes e cangaceiros, sertões nordestinos brasileiros (1922 – 1938). Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, São Cristóvão, v. 17, n. 33, p. 164–182, 2023. DOI: 10.61895/pl.v17i33.19549. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/pontadelanca/article/view/19549. Acesso em: 20 maio. 2024.