POLISSEMIA E SUTILEZA: O MARTELO DE NIETZSCHE CONTRA A MÁ INTERPRETAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v13i35.12838Resumo
Após 1886, Nietzsche adotou a crítica que o resenhista Widmann fez ao seu livro Além de bem e mal: não se via mais como homem, mas, metaforicamente, como dinamite. Essa concepção demonstra o poder da filosofia nietzschiana perante as verdades que ela questiona. No entanto, também traz consigo a impressão de ser unicamente destrutiva. Em um de seus símbolos mais famosos, isso se evidencia ainda mais facilmente. Visto apenas como um instrumento que quebraria os ídolos da modernidade, o martelo de Nietzsche perde seus inúmeros significados, tornando-se mais um ponto de má-interpretação que recai sobre sua filosofia. Pretendemos demonstrar que martelo nietzschiano dota-se de polissemia e de sutileza que evidenciam, por um lado, a criatividade e a intensidade das sínteses e das perspectivas de Nietzsche e, por outro, requisitam a atenção, o conhecimento e a interpretação de seus leitores.