Ceticismo Brasileiro?
A Obra de Oswaldo Porchat e o ceticismo antropofágico
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i48.22792Resumo
Oswaldo Porchat foi uma das figuras mais relevantes da filosofia brasileira no século XX, tendo exercido forte influência sobre distintas gerações de estudiosos no país. Sua leitura do ceticismo pirrônico, ancorada na obra de Sexto Empírico, enfatiza conceitos como a suspensão do juízo e o uso pragmático dos critérios de ação. No entanto, este artigo propõe uma inflexão interpretativa: em vez de analisar o pensamento de Porchat apenas à luz do ceticismo clássico, busca-se compreender de que modo sua filosofia pode ser atravessada por características culturais brasileiras. Para isso, recorre-se ao conceito de antropofagia cultural e, sobretudo, à obra de Darcy Ribeiro, cuja compreensão do Brasil como uma síntese tensa de matrizes civilizatórias oferece um caminho original para pensar a possibilidade de um ceticismo com feição brasileira. O artigo sustenta que o ceticismo de Porchat, ao evitar dogmatismos e admitir a convivência com a incerteza, pode ser lido como expressão filosófica de uma sensibilidade cultural historicamente forjada.