Brasis e contraBrasis para Marilena Chaui: o humor, a ironia e a indignação de uma filosofia universalmente brasileira
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i48.23002Resumo
As recentes discussões sobre a “natureza” de uma filosofia e de um pensamento brasileiros parecem ignorar uma tradição de leitura e produção de pensamento estabelecida a duras penas na história dos séculos XIX e XX no Brasil, em prol ou do retorno a um pensamento heroico, propriedade das classes dominantes de raízes coloniais europeizadas que necessitam excluir a diferença e reafirmar sua linhagem a cada instante, ou da promoção de uma ideia de ressureição de uma filosofia autóctone, que existiria fora do tempo e do espaço de produção de uma nação ou comunidade social brasileira, cuja natureza originária contaria como atestado de validade epistêmica-política. Ainda que sedutora, tal ideia soa como um tipo de retorno a um conceito fundamental da obra de Marilena Chaui, representante fundamental deste modo de filosofar sob ataque: o conceito de mito fundador. Este artigo busca, ao retraçar a construção de tal conceito, não apenas ressaltar o papel crucial da autora na gênese de um pensamento que possa ser chamado de brasileiro, mas analisar de que forma este conceito se mantém vivo não apenas nas relações políticas e sociais de um país atravessado pela desigualdade e violência, mas também nas proposições intelectuais e sociais apresentadas por todos os campos do espectro político.