Território, ciência e resistência
Práticas agronômicas e o papel das universidades públicas na reconstrução do pensamento latino-americano
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i48.23128Resumo
Este artigo analisa o papel das universidades públicas na América Latina como espaços de disputa entre projetos agronômicos antagônicos: de um lado, o agronegócio, com sua lógica produtivista, tecnocrática e subordinada ao capital global; de outro, experiências formativas e extensionistas comprometidas com a agroecologia, os saberes dos povos do campo e a construção de alternativas ao modelo hegemônico de desenvolvimento rural. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base na análise documental, revisão bibliográfica e estudo de casos em cursos de Agronomia em instituições reconhecidas por suas práticas de extensão rural crítica. Os resultados indicam que núcleos agroecológicos e coletivos universitários, ao estabelecerem vínculos com movimentos sociais, têm promovido uma ressignificação do papel da universidade, tensionando currículos tecnicistas e fortalecendo a coprodução de conhecimento situado. A extensão crítica, orientada pelos princípios da educação popular freireana, emerge como prática de resistência epistêmica, que reposiciona os territórios como espaços pedagógicos e políticos. Essas experiências evidenciam o potencial da universidade pública em contribuir para a construção de um pensamento agronômico latino-americano crítico, enraizado na diversidade socioterritorial e comprometido com a justiça social, a soberania alimentar e a sustentabilidade. Conclui-se que, ao articular ciência e justiça social, essas iniciativas afirmam a universidade como instrumento de transformação social e de reconstrução das epistemologias do Sul.