A ecologia yanomami contra o desenvolvimentismo:
cosmopolítica, floresta e suficiência intensiva
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i48.23606Resumo
Este ensaio analisa o conflito cosmopolítico entre o projeto desenvolvimentista-capitalístico do Estado brasileiro e a ecologia perspectivista dos povos Yanomami. A partir de uma leitura crítica de eventos, como a COP30 e a implementação do PL 2.159/2021, o texto evidencia como as ações do Estado contribuem para a devastação da floresta e a marginalização dos povos originários. Em contraposição, apresentamos a cosmopolítica yanomami, em que natureza, cultura e espiritualidade são indissociáveis, e a floresta é compreendida como um corpo vivo, composto na reciprocidade e interdependência de seres humanos e extra-humanos. Por meio das palavras de Davi Kopenawa e dos conceitos de perspectivismo ameríndio, o artigo propõe uma ecologia perspectivista contra o Estado, crítica ao antropocentrismo e ao extrativismo colonial e orientada por uma ética da suficiência intensiva. A ecologia yanomami emerge como um modo de vida e pensamento que se contrapõe ao projeto capitalístico desenvolvimentista de Brasil, em prol das alianças cosmopolíticas entre humanos e extra-humanos com a floresta.