A METÁFORA DO ATOR NO ESTOICISMO E SUA RECEPÇÃO NO MANUAL DE EPICTETO
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v18i50.24941Resumo
O presente artigo investiga a metáfora do ator no estoicismo, compreendendo-a não
como um recurso meramente retórico, mas como uma estrutura conceitual fundamental da ética
estoica. Partindo de antecedentes cínicos, especialmente de Bion de Borístenes, o estudo
reconstrói a progressiva elaboração dessa metáfora em Zenão de Cítio, Ariston de Quios, Panécio
de Rodes e sua recepção no Manual de Epicteto, bem como sua reaparição em Sêneca e Marco
Aurélio. Em Ariston, a metáfora do ator exprime a indiferença ética absoluta diante dos papéis
contingentes, enfatizando a neutralidade interior do sábio; em Panécio, ela é sistematizada na
doutrina das quatro personae, funcionando como método heurístico para a deliberação prática dos
officia; em Epicteto, a metáfora é aprofundada por meio das noções de prosōpon, schésis e ónoma,
articulando papel, relação e identidade normativa na determinação do kathēkon. Por fim, o artigo
mostra como, no estoicismo romano, a metáfora do ator se vincula à reflexão sobre a morte,
concebida como a saída serena de cena ao término do drama da vida. Assim, viver bem consiste
em representar bem o próprio papel segundo a razão, e morrer bem em aceitá-lo com gratidão e
conformidade ao logos cósmico.