Chamada dossiê: O Golpe de 1964+60: democracia, ditaduras e direitos humanos, edição 54/2024 volume 1

2024-03-25

Chamada para o dossiê temático: 

O Golpe de 1964+60: democracia, ditaduras e direitos humanos

 

Organizadores:

Célia  Costa Cardoso

Universidade Federal de  Sergipe

 

José Vieira da Cruz

Universidade Federal de Sergipe

 

Anderson da Silva Almeida 

Universidade Federal de Alagoas

 

Sessenta anos depois da deflagração do golpe civil-militar de 1964, os desdobramentos,  consequências e disputas do passado e do presente persistem significados profundos para a sociedade e as instituições políticas brasileiras. As marcas da referida inflexão política interrompeu uma experiência democrática nacional-desenvolvimentista, reformista e populista, imposta pelo cajado de um golpe de estado conferido pelas forças militares e apoiada por setores da  direita, empresários e religiosos conservadores. 

 

A efetivação do golpe resultou em uma longa ditadura civil-militar, de 1964 a 1985, com cicatrizes vivenciadas até os dias atuais. De forma que seus resquícios, desdobramentos e incompreensões,  rondam como espectros a política e a vida brasileira. Neste sentido, quase três décadas depois do fim da ditadura, do período de redemocratização política, da aprovação de uma nova Constituição e da realização de  nove eleições diretas para a presidência da república, a democracia ainda é um horizonte  de expectativa a ser consolidada, defendida e mais bem conhecida.

 

A esse respeito, a necessidade de estudos interdisciplinares, transversais e críticos sobre essa temática, é um desejado exercício para recuperar, significar e valorizar memórias, narrativas e acontecimentos. Um compromisso acadêmico, ético e cidadão, ainda mais imprescindível, frente ao atual contexto no qual o governo federal evita celebrações, atos  e/ou (des)comemorações críticas do mencionado acontecimento político e histórico.  

 

As razões para esta postura oficial vem se acumulando desde o desenrolar dos  resultados da polarizada eleição presidencial de 2022, do amontoado de pessoas que  permaneceram meses acampadas nas proximidades dos quartéis, dos bloqueios realizados em rodovias federais por parte de inconformados com o resultado eleitoral,  dos falsos questionamentos contra os resultados das urnas eletrônicas, da tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 e  do esforço político do  atual governo de manter as relações republicanas com as forças armadas.

 

Não é, como todos sabem, tarefa fácil estabelecer um contraponto com os  que interpretam uma realidade espelhada em máculas associadas a golpes, ditaduras e seus desdobramentos: cassações, sequestros, prisões, torturas e demais sequelas aos direitos humanos estabelecidos pelas garantias do estado democrático de direito. Mas é dever de cada cidadão avaliar a história de sua sociedade e dos caminhos por ela trilhados para garantir a justiça social, a liberdade de expressão e a democracia.

Desta forma, independentemente de como atos autoritários são conceituados  -  golpe,  ditadura ou movimento antidemocrático, bem como, independente  da classificação de sua natureza: civil, militar ou civil-militar,–,  o  resultado deles decorridos sempre  culminam em interrupções, retrocessos e descontinuidades do processo de civilidade e de respeito aos direitos universais da pessoa humana.

No caso do golpe civil-militar de 1964, a exemplo, as manifestações contaram com  o apoio de setores conservadores de igrejas,  imprensa, empresas e partidos políticos de direita, inclusive com mobilizações de rua. O apoio a esse acontecimento e processo  antidemocrático, não tardou a se voltar  contra grande parte desses atores da sociedade  civil que o apoiou.

Em torno deste debate, sessenta anos depois, a proposta do dossiê “O golpe de 1964+60” busca  reunir pesquisas, memórias e documentos de como  esse tema de um passado próximo, presente e sensível tem sido abordado, ressignificado  e estudado. 

Aguardamos as contribuições dos interessados, até o dia 31 de julho de 2024,  junto ao site da  Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe - https://periodicos.ufs.br/rihgse

 

Referências

 

 

ALMEIDA, Anderson da Silva. Todo o leme a bombordo: marinheiros e ditadura civil-militar no Brasil - da Rebelião de 1964 à Anistia. 1. ed. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2012..

ALMEIDA, Anderson  da Silva. Como se fosse um deles: Almirante Aragão - memórias, silêncios e ressentimentos em tempos de ditadura e democracia. 1. ed. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2017. 

ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e oposição no Brasil (1964-1984). 3 ed. São Paulo: Vozes, 1985.

ARAÚJO, Paulo Barbosa.  Os ícones de um terremoto: Golpe Militar, repressão e resistência política. Aracaju: Diário Oficial, 2010.

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CARDOSO, Célia Costa. Movimento: Um jornal alternativo (1975-1981). 1. ed. São Cristóvão - SE: Editora UFS, 2017.

CARDOSO, Lucileide Costa (Org.) ; CARDOSO, Célia Costa. (Org.) . Ditaduras: memória, violência e silenciamento. 1. ed. Salvador: EDUFBA, 2017. 

CRUZ, José Vieira. Da autonomia à resistência democrática: Movimento Estudantil, Ensino Superior e a Sociedade em Sergipe, 1950-1985. 2 ed. Aracaju: Criação, 2021.

DANTAS, José Ibarê Costa. A tutela militar em Sergipe, 1964-1984: partidos e eleições num estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. 

DANTAS, José Ibarê Costa. História de Sergipe República (1889-2000). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2004.

DOIMO, Ana Maria. A vez e a voz do popular: movimentos sociais e participação política no Brasil pós-70. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 1995.

DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado – ação política, poder e golpe de classe. Tradução Ayeska Branca de Oliveira Farias, Ceres Ribeiro, Pires de Freitas, Else Ribeiro Pires Vieira e Glória Maria de Mello Carvalho. Petrópolis: Vozes, 1981.

FICO, Carlos.  Além do golpe: a tomada do poder político em 31 de março de 1964 e a ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2004.

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SÁ MOTTA, Rodrigo Patto. Passados presentes: o golpe e a ditadura militar. São Paulo: Zahar, 2021.