1

Espaços políticos do consumo: Juventudes, políticas de
visualidades e ativismos canábicos

Eder Claudio Malta Souza1

Resumo
Este artigo tem como objetivo discutir as políticas de visualidade e as práticas de consumo visual das ju-
ventudes ativistas em espaços políticos do consumo, exemplificados pelo ativismo canábico. Nosso enfoque
aborda os agenciamentos criativos, as expressões estéticas e as mobilizações em prol de causas sociais,
saúde e direitos civis que envolvem novos sujeitos políticos, indo além do acesso individual à planta e seus
derivados para fins terapêuticos ou recreativos. A metodologia adotada foi a revisão de literatura e a análise
de imagens publicadas em perfis de associações, de profissionais e de coletivos na rede social Instagram.
Os resultados da pesquisa revelam perfis identitários renovados entre os ativistas, que ampliam a compre-
ensão pública sobre a cannabis por meio de práticas visuais estratégicas, articuladas a diferentes pautas
sociais, ainda que conflitos sociais e identitários persistam.
Palavras-chave: Juventudes. Ativismo. Visualidades. Práticas de consumo. Cannabis.

1 Universidade Federal de Sergipe, Programa de Pós-Graduação em Sociologia; Programa de Pós-Graduação em Antropolo-
gia; São Cristóvão, Sergipe, Brasil .E-mail: ecmsouza82@hotmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3153-3400

Revista TOMO
São Cristóvão, v. 43, e21016, 2024

Data de Publicação: Outubro/2024
Dossiê

Dossiê

2

Eder Claudio Malta Souza

Introdução

A relação entre ativismo e práticas sociais e culturais das juventudes pode ser analisada a partir do
consumo visual e das políticas de visualidade. As teorias da sociedade de consumo oferecem uma
base teórica capaz de compreender como processos identitários, as redes sociais e a diversidade
cultural influenciam os conflitos político-sociais e as práticas cotidianas, tanto nas cidades quanto
no ciberespaço. Essas práticas evidenciam como o consumo, especialmente na cultura visual, mol-
da a experiência contemporânea de cidadania e ativismo.
O consumo não se limita à aquisição de bens, mas está intrinsecamente ligado ao modo de vida dos
indivíduos, às suas formas de sociabilidade e à participação na esfera pública. Quando pensamos
na cidadania como um conjunto de práticas e direitos, incluindo os direitos sociais e coletivos,
vemos como o consumo reflete as dinâmicas culturais contemporâneas, inclusive na negociação e
construção de identidades (Holston e Appadurai, 1996; Canclini, 2006). Assim, ao invés de carac-
terizar os consumidores como agentes irreflexivos de gastos desnecessários, é necessário reco-
nhecer que eles podem exercer reflexão crítica sobre suas práticas de consumo e suas implicações
sociais.
Essa abordagem vai além das análises convencionais, considerando que os consumidores são, em
muitas circunstâncias, agentes ativos que refletem sobre os bens que consomem, buscando ali-
nhá-los a um estilo de vida ético. Escolhas relacionadas à defesa do meio ambiente, às condições
trabalhistas e aos direitos humanos são exemplos de como o consumo politizado transcende a
dimensão individual para se tornar uma resposta coletiva e institucional (Stillerman, 2015). No
entanto, muitos desses movimentos de consumo politizado ocorrem em espaços de pequena esca-
la que não se traduzem em maior conhecimento e adesão entre os públicos de massa.
Nesta discussão, propomos a discussão sobre o que chamamos de espaços políticos do consumo
com o entendimento de que o consumo não é apenas uma atividade econômica individual, mas
uma prática social, cultural e política que permeia as estruturas da sociedade, as relações de poder
e as hierarquias sociais. Tais espaços se estendem para as redes virtuais que conectam global-
mente as atividades de consumir produtos físicos ou visuais, e visam transformar a relação dos
produtos que adquirimos com as nossas identidades e relações sociais. Eles são constituídos de
repertórios de ações, expressões de agências estetizadas (Marcon, 2018; 2019), práticas visuais
e de políticas de visualidade (Campos, 2013; Marques e Campos, 2017) observadas nos ativismos
juvenis em suas diferentes manifestações sob a forma de protestos, intervenções e movimentos
culturais, políticos, sociais e institucionais.
Este artigo tem como objetivo discutir as políticas de visualidade e as práticas de consumo visual das
juventudes ativistas em espaços políticos do consumo, com ênfase no ativismo canábico. Para tanto, a
metodologia da pesquisa foi elaborada a partir de revisão de literatura sobre estudos das juventudes,
ativismos canábicos, cultura de consumo visual. Em um segundo momento, conduzimos a pesquisa
através de análise iconográfica, visto que a dimensão visual nas ciências sociais abrange importantes
questionamentos dos processos interativos e subjetivos da vida social (Malta, 2022). Assim, focamos em
como esse ativismo cria repertórios criativos e formas estetizadas de expressão, mobilizando diversas
causas sociais, de saúde e de direitos civis que envolvem novos sujeitos políticos, indo além do acesso
individual à planta e seus derivados para fins terapêuticos ou recreativos.

3

Espaços políticos do consumo

1 Juventudes, ativismos e repertórios de ação

A interação entre as juventudes contemporâneas e a cidade revela um palco de disputas políticas
e de significados. Galvão e Marcon (2023) destacam que as práticas culturais juvenis adquirem
características políticas de reivindicação, expressão política e agência sobre o uso dos espaços
urbanos. Neste palco, especialmente os jovens se engajam com diferentes táticas de intervenção
estética e disputas em torno do espaço público e do direito à cidade.
A noção de juventude é inicialmente discutida por eles através da observação de que ela é comu-
mente referida como uma categoria social e política construída historicamente por representa-
ções e entendimentos institucionais e sociais sobre o que é ser jovem. Por não se limitar a uma fase
específica do ciclo da vida, o olhar para esta categoria é plural e orientado por variáveis sociais,
culturais e políticas, relações de classes, de gênero e étnico-raciais que moldam seus estilos de
vida, perspectivas e concepções sobre a própria juventude.
A pluralidade das juventudes (Marcon, 2019), conforme discutido na literatura socioantropológi-
ca, é caracterizada pela transitoriedade e pela tensão em relação às estruturas pré-estabelecidas
pelos adultos, bem como, deve-se às mudanças globais dos estilos de vida e ao surgimento de
novas identidades culturais (Hall, 2006). Nessa perspectiva, Aderaldo e Raposo (2016) sugerem
que a juventude não deve ser reduzida a uma fase do ciclo da vida, mas compreendida como uma
“posição” que permite vivenciar as mudanças sociais e culturais.
Fatores sociais, econômicos e culturais influenciam a maneira como os jovens vivenciam, por
exemplo, a identidade ocupacional e as incertezas em relação ao futuro no mundo do trabalho.
Além disso a renovação das perspectivas analíticas para a compreensão dos estilos de vida juvenis
leva em conta as diferenças e particularidades entre os grupos e suas diversas afinidades culturais
suas formas de autoexpressão, usos, práticas e formas de consumo distintos, refletidos em suas
escolhas e interesses (Featherstone, 2007).
O sentido plural das juventudes reflete uma mudança na compreensão socioantropológica dessa
categoria, que antes se concentrava em questões como violência urbana, distúrbios políticos e de-
sajustes sociais em relação às instituições. As abordagens mais recentes investigam a hibridização
cultural e a relocalização dos estilos de vida juvenis em espaços descentralizados e em temporali-
dades mais curtas e descontínuas.
Essa mudança trouxe uma análise mais profunda da transformação dos valores juvenis e suas inte-
rações com esferas como educação, família, trabalho, política e consumo. Martín-Barbero (2022)
observa que as juventudes contemporâneas estão em constante reciclagem e reescrita das iden-
tidades culturais tradicionais, usando a metáfora do palimpsesto para descrever como as novas
gerações reinterpretam práticas culturais anteriores, atribuindo-lhes novos significados, sem,
contudo, apagar totalmente as marcas deixadas por essas práticas.
As culturas juvenis manifestam-se também a partir de agências criativas em espaços interconec-
tados, locais e globais, seja sob a forma de consumir e produzir bens, e de transitar entre espaços
on e offline, seja sob a forma de ativismo, protestos, mobilizações etc. As juventudes conectadas
implicam um cruzamento de fronteiras devido à mobilidade das pessoas em diferentes tempos
e espaços intergeracionais, econômicos, políticos e até religioso, e ocasionam as incertezas dos
“mundos plurais” que compõem os estilos de vida e a sociabilidade juvenil da sociedade global
(Nilan e Feixa, 2006).

4

Eder Claudio Malta Souza

Além disso, uma vez que as juventudes reproduzem ativamente sua relação com as estruturas
de poder dominantes, o grau em que esta relação pode ser contestatória se reflete na cultura ex-
pressiva dos grupos e tendências juvenis. Podemos citar como exemplos dessa expressão a dança,
música, skate e o grafite, por meio dos quais estes mesmos jovens reivindicam sua pluralidade
mediados pelos mercados de produção e consumo audiovisual (Nilan e Feixa, 2006; Aderaldo e
Raposo, 2016; Galvão e Marcon, 2023). Tais mundos plurais e agências se reflete também no ati-
vismo canábico.
A relação entre a ativismo canábico e as juventudes revela-se na forma como as novas gerações
ressignificam o consumo da cannabis, especialmente ao inseri-lo no contexto de lutas por direitos,
saúde e bem-estar. As juventudes ativistas se apropriam do ciberespaço e utilizam a visualidade,
expressões políticas e estéticas, e o conhecimento científico e jurídico para desafiar estigmas anti-
gos associados ao uso recreativo da planta. Em particular, o engajamento com a cannabis medici-
nal reflete a construção de uma identidade política que transcende a busca pela liberação indivi-
dual, posicionando-se em prol de novos agenciamentos coletivos.
Marcon (2019) analisou a emergência das agências estetizadas como formas predominantes de
expressão política e ativismo juvenil, tanto nos espaços urbanos quanto no ciberespaço. Com a
geração digital e a expressão estetizada do ativismo conectado, a internet e as tecnologias móveis
tornaram-se ferramentas de informação para a captura, transmissão e manifestação do ativismo
entre as ruas e as redes sociais. Essa confluência cultural das agências estetizadas envolve formas
de ação, narrativa e comunicação, que emergem das expressões sensíveis dos sujeitos, negociadas
entre quem as produz, consome e propaga, com todos atuando como produtores de sentido.
As manifestações de protesto, mobilizações e ativismos contemporâneos utilizam um “amplo re-
pertório criativo de práticas e símbolos com referências locais e globais e que carregam sentidos
políticos intrínsecos nos contextos em que aparecem” (Marcon, 2019, p.192). Tais repertórios são
formas de agências e criações culturais postas em prática nos espaços de protesto e manifestações
sociais sob a forma de linguagens, formas de expressão, ação e comunicação com públicos diversos.

1.1 Cultura visual e políticas da visualidade

A globalização cultural e o avanço das tecnologias de comunicação intensificaram o consumo au-
diovisual, resultando na hibridização de estilos de vida, símbolos e bens associados a eles. Consu-
mir bens culturais se tornou constitutivo para certos estilos de vida e há uma forte componente
visual (Featherstone, 2007). Para Marques e Campos (2017, p. 6), neste domínio, há “agência e
criatividade, pois há opções e formas de ‘bricolage’ que não são meramente utilitárias, mas tam-
bém simbólicas e que pretendem comunicar algo sobre quem somos e como vivemos”.
Discutir a cultura visual e as políticas de visualidade é relevante para a compreensão das práticas
de consumo, pois mobiliza formas de agenciamentos criativos. A agência criativa se manifesta na
capacidade de produzir bens que comunicam visualmente uma mensagem ou conceito. Conforme
os autores:

a agência criativa reside na capacidade de produção de bens que se destinam, de alguma
forma, a comunicar algo em termos visuais. Esta agência não se reflecte apenas na produ-
ção de imagens, mas também na fabricação de uma série de artefactos e no uso de recursos
que compõem a nossa esfera de representação visual (Marques e Campos, 2017, p. 6).

5

Espaços políticos do consumo

Em outras palavras, os atores sociais exercem sua criatividade na produção de representações vi-
suais que transmitem mensagens e repertórios em um contexto visual coletivo. A cultura visual
contemporânea, renovada por tecnologias e forças de poder político, simbólico e econômico, molda
tanto relações cooperativas quanto conflitantes, e evidenciam as dimensões materiais e imateriais
da sociedade por meio da visualidade que permite aos atores sociais compartilharem linguagens,
símbolos e percepções sensoriais.
Redes sociais e mídias digitais, como Facebook, Instagram, Twitter (X), TikTok e YouTube emergiram
como espaços de encontro e comunicação independentes, ao abranger tanto a cultura visual dominante
quanto micro ou subculturas, que envolvem agentes, objetos, propostas estéticas e ideológicas, além de
processos de produção e disseminação de bens visuais.
Campos (2013) diferencia visibilidade e visualidade: a visibilidade é o que emerge no domínio do
visível e é percebido pelo olho, enquanto a visualidade abrange a forma como o olhar e o visível são
construídos historicamente e socialmente. A visualidade está presente na ideologia, economia, religião,
consciência individual e coletiva, moldando ideias, pensamentos, desejos e necessidades. A política da
imagem e da visualidade na contemporaneidade está intimamente ligada a uma articulação entre poder,
mediação on e offline e o contexto em que as imagens são produzidas e consumidas na era digital.
Para Canclini (2016), o lugar cultural da internet, como as redes sociais, tornou-se uma nova forma de
ler o mundo através da produção diária de conteúdos, onde textos, imagens e sons se combinam nas telas
pessoais. O autor argumenta que para entender essa profusão de imagens no ecrã do celular, é necessário
usar conceitos transdisciplinares que envolvem cidadãos, consumidores e usuários, os chamados pros-
sumidores
, que participam ativamente na produção de imagens, sons ou discursos sobre um bem de uso.
Esta confluência cultural, mediada por tecnologias e pelos novos saberes juvenis, reflete não só a diver-
sidade de expressões das juventudes, mas também favorece a emergência de coletivos de reivindicações
políticas, enquanto consumidores-cidadãos. No entanto, surgem contradições decorrentes da inovação,
como a precariedade do trabalho e a vigilância digital. O compartilhamento de conteúdo envolve sig-
nificados negociados por representações de semelhança e diferença, além das relações entre os grupos,
mediados pelos meios de comunicação e espaços de consumo.
As imagens presentes em nosso cotidiano são cada vez mais mediadas por essas mídias digitais, nos
quais diferentes atores têm influência na produção da linguagem audiovisual para além da indústria cul-
tural, dentre eles, artistas, produtores culturais, ativistas etc. Isso inclui também os territórios periféricos
das cidades que produzem, nessas localidades, circuitos e performances transnacionais, a exemplo do
hip-hop (Aderaldo e Raposo, 2016).
Existem territórios de vivência – periféricos e transnacionais – conectados on e offline. Essa rede
aumenta o leque de práticas sociais expressas em elementos culturais e sociodemográficos he-
terógenos. Além disso, inova os circuitos de sociabilidade, produção e consumo protagonizados
por coletivos juvenis (Aderaldo e Raposo, 2016). Suas agências escritas, sonoras e visuais, podem
estar presentes em produtos culturais já disseminados globalmente ou podem ser produzidas
pelos consumidores através repertórios diversos, sejam artísticos, lúdicos, políticos, corporais e,
inclusive, mercadológicos etc.
O ativismo canábico se conecta com essas formas de agenciamento e vivências na construção de
uma nova narrativa visual em torno da cannabis. Através de estratégias estéticas e simbólicas, es-
sas agências transformam a imagem da planta, associando-a a valores como saúde, ciência, direi-
tos e cuidado social. Essa reconfiguração visual contrasta fortemente com o imaginário negativo

6

Eder Claudio Malta Souza

outrora vinculado à maconha, abrindo espaço para um debate público mais complexo e diversifi-
cado sobre seu uso terapêutico.
Os repertórios e as políticas de visualidade utilizadas no ativismo canábico incluem imagens cui-
dadosamente escolhidas para comunicar uma mensagem de legitimidade e transformação social.
O uso estratégico da folha de cannabis, por exemplo, recontextualizado como um símbolo de cura
e bem-estar, ilustra como as políticas de visualidade buscam suavizar o estigma ligado ao consumo
recreativo. Essa visualidade ressignificada dialoga com um público mais amplo, composto por pa-
cientes, profissionais da saúde e legisladores, reforçando a necessidade de mudanças nas políticas
públicas sobre a cannabis.
Desse modo, as condições sociais da formação da pessoa e sua inserção na cultura de consumo
visual influencia a construção de um estilo de vida. Devemos olhar para como as desigualdades
sociais baseadas em classe, raça, gênero, sexualidade e idade diferenciam os consumidores e não
devemos ignorá-las em favor de uma análise generalista dos estilos de vida. É preciso discutir
como a desigualdade influencia as escolhas dos consumidores e na construção de suas identida-
des. Portanto, o consumo reflete a posição social de um indivíduo (por exemplo, seu gênero ou et-
nia), mas os indivíduos também usam o consumo como forma de alcançar status social em relação
a outros grupos (Zukin, 2004; Stillerman, 2015).

1.2 Consumo visual: reflexos para as políticas de visualidade canábicas

A cultura de consumo abrange uma diversidade de produtos e imagens que mobilizam interações
complexas entre indivíduos, grupos e suas representações. Canclini (2006) argumenta que o con-
sumo vai além da simples aquisição de bens, propõe uma reflexão contínua sobre a relação entre
mercados, consumo e cidadania. Para ele, os direitos relacionados ao consumo é um processo no
qual os desejos são convertidos em demandas e socialmente regulados. Há um jogo de desejos e
estruturas no qual as mercadorias e o consumo servem como ordem política na sociedade con-
temporânea, mesmo em um contexto neoliberal de maximização dos lucros e concentração de
poder cultural entre elites.
O consumo visual é uma das suposições levantadas pelos autores que discutem o consumo como
uma prática não necessariamente lógica da vida cultural. Isto é, a prática sociossimbólica de con-
sumir envolve o encontro com outros estilos de vida e, por isso, as interações podem ser frequen-
temente conflitantes quando seus agentes buscam inovar os referenciais culturais, inspirados no
lado imaginário da vida e da experimentação imagética (Featherstone, 2007), através da produção
de processos de identificação com mercadorias que desestabilizam as estruturas sociais tradicio-
nais do Estado e dos mercados.
As visualidades no âmbito da cultura de consumo influenciam novas conexões e identificações entre
sociedade, espaço e tempo, alterando até mesmo a maneira como a vida cotidiana é estruturada cul-
tural, política e economicamente no ambiente urbano e no ciberespaço local e global. Nessa perspec-
tiva, Featherstone (2007) e Stillerman (2015) correlacionam estas características não somente às
forças econômicas ou às escolhas individuais, mas a uma proliferação de imagens criadas para atrair
consumidores ávidos por experiências distintas e adequadas ao seu estilo de vida.
Os consumidores mais politizados e atentos às políticas de visualidade, a exemplo das juventudes
ativistas globais, são vistos como agentes interativos nos processos de produção e na emissão de

7

Espaços políticos do consumo

mercadorias, imagens, marcas, tecnologias, moda etc. Essa forma de consumir é uma prática emi-
nentemente social e ativa, influenciada por fatores sociais, políticos e econômicos, e os produtos
circulam em diferentes regimes de valor, ainda que sejam principalmente definidos por uma elite
econômica (Holston e Appadurai, 1996).
No caso do novo ativismo canábico, em termos de visualidade, há uma clara distinção entre as re-
presentações da maconha recreativa e da cannabis medicinal. A primeira carrega um histórico de
estigmatização, ligada ao tráfico e à delinquência juvenil associada ao hábito de “fumar maconha”.
Entretanto, para a segunda representação, há uma regulação social para a noção de “cannabis me-
dicinal”. Essa mudança é reforçada por mercados de cannabis medicinal que, em países como os
Estados Unidos, utilizam visualidades sofisticadas para se distanciar dos estereótipos associados
ao uso recreativo. No Brasil, essa tendência também está presente, com empresas que exploram
brechas legais para comercializar produtos canábicos e acessórios relacionados ao cultivo.
Esses mercados de cannabis, sejam eles locais ou globais, são mediados por agentes culturais que,
ao lado de seus públicos, legitimam novos modos de produção e consumo. Através da inovação no
marketing e na construção de visualidades, esses agentes criam nichos de autenticidade para seus
produtos medicinais. Isso se revela no jogo visual, que falaremos adiante, entre os significados
culturais da “maconha” e da “cannabis”. O consumo visual, portanto, torna-se um campo de dispu-
ta simbólica que redefine não só o mercado, mas também as práticas sociais em torno da planta.

2 Espaços políticos do consumo: análise do ativismo canábico

Para maioria dos jovens consumidores, reconhece-se que eles se apropriam de espaços altamente
complexos. Entre eles, há segmentos juvenis locais e globais que assumem posturas críticas ou
alternativas às publicidades midiáticas e do consumismo de massa. Muitos consumidores constro-
em espaços de autoexpressão, de afirmação de estilos de vida diferenciados, muitas vezes alterna-
tivos ao modelo de cidade e sociabilidade racionalista, excludente e segregada.
São aqueles envolvidos no debate de gênero e a sexualidade, na luta antirracista, militantes políti-
co-partidários, ativistas ambientais e ecológicos, veganos que promovem os direitos dos animais,
ativistas migrantes que lutam pelos direitos dos imigrantes, produtores culturais que utilizam a arte
como forma de expressão política, militantes da democratização da mídia, ativistas antiglobalização
que questionam o modelo econômico global (Rocha e Pereira, 2023). Podemos incluir também os
cicloativistas, que se tornaram agentes de resistência às práticas e valores hegemônicos associados
ao paradigma rodoviarista (Rosin e Leite, 2019), e os ativistas e os neoativistas canábicos (Mourão,
2023), debate esse que passou por uma inflexão significativa nos últimos anos contra o proibicionis-
mo e a existência de um mercado terapêutico legalizado (Fraga, Rosa e Rezende, 2023).
Martín-Barbero (2022) introduz o conceito de hipertexto para explicar as técnicas de escrita das
ciberculturas e a maneira como os jovens usam as tecnologias para interagir, imaginar o futuro e
para a criação de novas formas de comunicação digital. A metáfora do palimpsesto e o conceito
de hipertexto são centrais para entendermos como os jovens se apropriam e transformam as di-
mensões culturais para formar suas próprias identidades em um mundo em constante mudança
tecnológica e cultural.
Dessa forma, os espaços políticos do consumo são constituídos das intricadas relações entre con-
sumo, estilo de vida e poder. A discussão desses espaços requer uma abordagem que considere

8

Eder Claudio Malta Souza

as particularidades dos consumidores, suas associações a manifestações sociais e políticas, até as
estruturas de poder, proporcionando uma visão mais ampla das dinâmicas contemporâneas de
produção e consumo. É importante ressaltar que esses espaços não são estáticos, mas fluidos e
plurais, moldados pelas interseções entre diferentes atores, causas e pela reelaboração de suas
práticas.
Com vistas a investigar o ativismo canábico no espaço urbano e nos ecrãs dos dispositivos digitais,
passamos à análise das políticas de visualidade, bem como das agências criativas e estetizadas da
Marcha da Maconha, da atuação das associações e empresas ligadas à cultura e direito canábico.
A nossa análise ocorre com base em produções acadêmicas recentes como subsídios à argumen-
tação, embora, neste momento não faremos análise sócio-histórica desses movimentos. Enfoca-se
no conteúdo postado pelos ativistas na rede social Instagram para capturar suas formas de auto-
expressão, ou seja, o que defendem em suas causas e quais os repertórios de ação e as práticas
visuais. Também analisamos como as empresas e associações criaram suas próprias visualidades
em torno de causas mercadológicas, legais e de conhecimento geral sobre os usos terapêuticos da
planta.

2.1 Ativismos canábicos e a emergências de “novas identidades canábicas”

As manifestações em torno da legalização da maconha restituem uma luta que se travava nas
expressões “guerra às drogas” versus “legalize já”. Essa luta, antes centrada na liberação do uso
recreativo, agora abrange novas dimensões, como o uso medicinal e a luta por direitos civis, re-
fletindo novas identidades políticas em torno do ativismo canábico. Essas “novas identidades ca-
nábicas”, emergentes no ativismo, são compostas por diferentes grupos sociais, incluindo mães,
pacientes, profissionais da saúde e advogados, que mobilizam discursos renovados em defesa da
cannabis medicinal.
Muitos questionamentos foram feitos por cientistas sociais ao longo do tempo, desde que o proi-
bicionismo nas legislações sobre drogas tornou-se uma política mundial, mesmo que as regras
impostas, a exemplo da Lei brasileira de drogas (Lei nº 11.343/2006), não cumpra o seu “objetivo
inicial de privilegiar a saúde pública e nem diminuir o encarceramento” (Fraga, Rosa e Rezende,
2023, p. 12).
Nas últimas duas décadas, os movimentos canábicos no Brasil, impulsionados pela Marcha da
Maconha desde sua primeira edição em 4 de maio de 2002, têm se mobilizado pela descrimina-
lização e outras causas, especialmente após países como Uruguai, Colômbia, Estados Unidos e
Canadá terem flexibilizado as leis sobre o uso medicinal da cannabis. Eles visam a ampla aceitação
da sociedade contra a proibição do uso da planta e de seus derivados, como os óleos, alimentos e
medicamentos.
Fraga, Rosa e Rezende (2023) levantam questionamentos importantes sobre a formação das no-
vas coerências práticas e discursivas relacionadas à planta, e se isso representa uma ruptura ou
continuidade com a proibição. Essa análise pode ser feita investigando as conexões entre os movi-
mentos antiproibicionistas em países que mantêm a criminalização para o uso recreativo e aque-
les que liberaram ou buscam acesso ao uso medicinal, bem como os mercados em países onde as
leis estão sendo alteradas em decorrência da articulação entre esses movimentos e os mercados
ou governos. O binômio recreativo ou medicinal do uso da maconha torna complexa as práticas de
consumo dos usuários e os interesses dos mercados de consumo da maconha legal.

9

Espaços políticos do consumo

Os estudos sobre essa luta ganharam novos enfoques acerca da proibição da maconha e começa-
ram a tomar uma direção macro-micro. Numa direção, compreende-se a atuação dos Estados, a
jurisdição médica, a repressão policial ao uso recreativo, os motivos econômicos e raciais por trás
da proibição do cultivo da planta e do uso de seus derivados em todo o mundo (Carneiro, 2018).
Noutra, compreende-se as condutas dos usuários, suas relações étnico-raciais, de gênero, sexua-
lidades, ocupações, a luta antimanicomial etc. mediante a ressignificação das pautas de luta pela
legalização ou descriminalização.
A internet e as tecnologias móveis no ativismo contemporâneo precipitaram novos processos
identitários e novas práticas visuais em torno dessa causa. Novas formas de comunicação, de dis-
seminação de informações e de organização de ações coletivas, transformaram uma das principais
manifestações em torno do uso e cultivo da planta, a Marcha da Maconha, de modo que esse novo
ativismo ganhou novas visualidades e foi reapropriado por diferentes atores sociais, pelo menos
nas marchas das grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. O ato de conectar em uma rede
social e interagir com repertórios produzidos pela Marcha e pelas associações de cultivo, significa
que as trocas ocorrem em um espaço e tempo além do “usuário de maconha” e dos growers.
Conforme Mourão (2023), temos testemunhado uma significativa mudança no debate e ativis-
mo em torno da cannabis medicinal, refletindo novas tendências entre as redes clandestinas de
growers e a pauta da cannabis medicinal. Anteriormente marginalizada e frequentemente associa-
da à repressão policial, a discussão sobre a cannabis se expandiu para incluir dimensões médicas
e terapêuticas, alcançando uma considerável visibilidade na mídia e na esfera pública.
Essas mudanças ampliaram a compreensão dos usos da cannabis e reconfigurou o cenário do
ativismo, especialmente no contexto das Marchas da Maconha. O ativismo das marchas, histori-
camente associado à defesa da liberação e descriminalização da cannabis para uso recreativo e
adultos, viu emergir o neoativismo associada à cannabis medicinal: 1) associações de cannabis
medicinal, que são discrepantes – ainda que possam manter laços e convergências – dos grupos
e coletivos anteriores; 2) novos sujeitos políticos que se engajam na militância antiproibicionista
desde pais, mães e cuidadores; médicos prescritores, pesquisadores engajados em legitimar os
benefícios terapêuticos; empresários, empreendedores, consultores e investidores antiproibicio-
nistas2; 3) por fim, um novo regime moral de engajamento político antiproibicionista (Mourão,
2023).
Em relação ao primeiro ponto, o autor observa “a centralidade da distinção entre uso medicinal/
terapêutico e uso social/recreativo/adulto [...] e a formação de associações especificamente ou ex-
plicitamente terapêuticas” (Mourão, 2023, p. 73). Quanto ao segundo ponto, há um deslocamento
identitário devido ao surgimento de novos sujeitos políticos que expressam novas identidades
canábicas. Esses sujeitos não se centram no consumo individual e num estilo de vida vinculado
ao uso da planta, ao hábito de fumar maconha, “mas uma vinculação identitária mais próxima da
família, do cuidado, da dignidade, e cujo uso se enquadra no marco da necessidade e, portanto, da
falta de alternativa e de arbítrio” (idem, p. 74).

2 No Brasil, apesar das limitações legais, empresas e serviços do ramo aproveitaram essa tendência e brechas legais para
oferecerem a comercialização de sementes “para colecionadores”, óleos medicinais, uso das flores e vaporizadores com tec-
nologia avançada para o público de associações de cannabis medicinal. Mas também, serviços de cursos de cultivo indoor
e outdoor, lojas de produtos de cultivo específicos para a planta, tendas, iluminação, equipamentos de corte e fertilizantes.
Lojas brasileiras e estrangeiras de produtos e derivados de cannabis criam perfis nas redes sociais, plataformas audiovi-
suais e aplicativos de venda de produtos diversos (Shopee, AliExpress) e em sites próprios.

10

Eder Claudio Malta Souza

Esta alteração no perfil identitário dos antiproibicionistas resultou em mudanças na forma como
a cannabis é compreendida, expandindo, a nosso ver, a compreensão pública da cannabis para
diversos fins, embora os conflitos sociais e identitários ainda persistam. A mudança terminológica
reflete uma transformação mais ampla no perfil do movimento antiproibicionista, ao envolver
uma controvérsia importante sobre a identidade ou a diferença entre os dois termos.
O terceiro ponto compreende que o novo regime moral reflete uma alteração na percepção e uso
planta, indo além das pautas tradicionais das marchas focadas na defesa da liberação, descrimi-
nalização e na defesa do direito individual (e coletivo) autodeterminado pela escolha de um estilo
de vida que adere ao uso recreativo da planta. Tradicionalmente, o movimento antiproibicionis-
ta seguia um paradigma liberal, criticando os danos da repressão estatal ao consumo de drogas
(Mourão, 2023). Contudo, o debate sobre os usos terapêuticos da cannabis desafiou essa visão ao
criticar a ideia de que a planta é necessariamente maléfica e por isso se justificava sua criminaliza-
ção. O foco foi deslocado para a defesa do direito à saúde, especialmente por famílias que buscam
políticas de apoio ao uso medicinal, caracterizando um novo regime moral, diferente do liberalis-
mo anterior (Fiore, 2012; Mourão, 2023).
Além das considerações acima, devemos acrescentar outros agenciamentos que interseccionam o
ativismo canábico não consideradas na análise anterior. As intersecções entre o ativismo canábico
com as causas que enfocam as pautas dos direitos e das condutas dos próprios usuários de ma-
conha como os debates sobre o racismo, homofobia, relações de gênero, vulnerabilidades sociais,
espiritualidade e as diferenças dos estilos de vida.
No Brasil, a maconha/cannabis tem uma longa história de uso medicinal e social, com debates em
torno de sua legalidade e moralidade pós-proibição. Os desafios legais decorrem do quadro polí-
tico-jurídico conservador e da falta de regulamentação federal no país que ocasionam as disputas
jurisdicionais e ações do Judiciário para autorizar o cultivo e uso medicinal da planta. No entanto,
essa situação não impede a atuação de manifestações e agenciamentos pela causa numa rede com
milhares de seguidores, o que demonstra que há atores sociais e políticos que olham para as im-
plicações na saúde pública, economia e direitos civis.

2.2 Marcha da Maconha, associações e empreendimentos canábicos

Nesta última seção, apresentaremos a análise das imagens coletadas em alguns perfis sobre os
usos da cannabis na rede social Instagram, para debatermos acerca das políticas de visualidade e
das práticas de consumo visual das juventudes ativistas. Consideraremos ainda a reciclagem das
imagens e a reescrita dos repertórios. Essas imagens serão apresentadas no formato de “pran-
chas”, uma proposta de olhar imagens ou uma pista imagética (Barros, 2022) para a análise das
visualidades deslocadas de símbolos e discursos tradicionais dado a emergência de uma nova
estética vinculada à cannabis.
Nossa primeira estratégia de coleta de dados foi usar o campo de pesquisa do Instagram para
obter imagens e títulos dos perfis. A amostragem inicial é aleatória, com apenas uso do termo
Cannabis ou Maconha (prancha 1 e prancha 2). Em seguida refinamos a pesquisa com o uso dos
termos cannabis e saúde, e cannabis e direito ou direito canábico (prancha 3). Estes dados pos-
suem valor heurístico para a pesquisa porque conseguem retratar, não somente em imagem, a
mobilização em torno do termo cannabis. Há perfis voltados para uma diversidade de públicos,
desde perfis educacionais, terapêuticos de pessoas e pets, do direito para a defesa do usuário ou

11

Espaços políticos do consumo

para o acesso aos tratamentos e habeas corpus de cultivo. Vemos também os chamados “doutores”
da cannabis, advogados, enfermeiros, institutos, congressos e até perfis da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB)3.

Prancha 1 – Pesquisa visual “maconha”

Fonte: instagram.com

Prancha 2 – Pesquisa visual “cannabis”

Fonte: instagram.com

3 Não contabilizamos em termos quantitativos os resultados da pesquisa. Nossa abordagem remete somente para a visibili-
dade das páginas, das tags que aparecem nos resultados e da visualidade diferenciada que os termos maconha e cannabis
restituem. Chamou-nos a atenção que na rolagem da pesquisa do Instagram que perfis bastante conhecidos do público
usuário e grower como o @growroombr e o @smokebuddies_oficial, ambos com mais de 100 mil seguidores, e o @ex-
pocannabis.brasil, com pouco mais de 72 mil seguidores, não apareceram nos resultados como esperávamos. Isso abre
possibilidades para outros questionamentos acerca do algoritmo da rede social, já que estas páginas cobrem um conteúdo
para o cultivo recreativo, isto é, conteúdo não necessariamente lúdico ou medicinal. Também não apareceu nos resultados
o perfil do @movrecam, Movimento Regulamentação da Cannabis, com quase 28 mil seguidores. O movimento promove
cursos de formação e palestras sobre o tema, e tem como um dos seus criadores o padre Antonio Luiz Marchioni (1953-
2021), conhecido como Padre Ticão, defensor da Cannabis e ativista social.

12

Eder Claudio Malta Souza

Prancha 3 – Pesquisa visual específica – direito e saúde

Fonte: instagram.com

Os resultados revelam diferentes políticas visuais associadas ao binômio cannabis/maconha. O
termo “cannabis” carrega um diferencial simbólico importante em relação à “maconha”, distan-
ciando-se de seus estereótipos recreativos ao criar uma visualidade soft e institucionalizada, vol-
tada para o uso medicinal e legal, e as audiências profissionais da saúde, direito e empresários.
Essa distinção reflete o “novo regime moral de engajamento político” (Mourão, 2023) relacionado
ao ativismo canábico, que articula um novo entendimento da planta como uma mercadoria tera-
pêutica, conforme, também, discutido por Fraga, Rosa e Rezende (2023). Ao dissociar-se da ima-
gem recreativa tradicionalmente associada à maconha, essas visualidades buscam legitimar o uso
da cannabis na esfera pública através de campanhas visuais voltadas para a saúde e bem-estar,
corroborando a análise de Canclini (2006) sobre a relação entre consumo, cidadania e a formação
de novas identidades políticas.
Esse contraste visual é observado em perfis de Instagram ligados ao ativismo medicinal, como
veremos abaixo os perfis @salvar_se e @iecmed, que privilegiam narrativas sobre saúde, qualida-
de de vida e direitos terapêuticos. Tais perfis evitam deliberadamente a conexão com a imagem
recreativa da maconha, focando-se em audiências específicas, como pacientes, profissionais da
saúde e legisladores. Passemos, então, à análise mais detalhada de alguns perfis visitados. A análi-
se baseia-se em perfis com um número mínimo de mil seguidores (1.000), considerando que essa
quantidade revela alguma importância para o público conectado.
O primeiro perfil que visitamos foi @iecmed (Instituto Enfermagem Canábica), criado em junho
de 2021, atualmente com 3.594 seguidores. Esta página que presta cursos de capacitação, pales-
tras e compartilha diversas informações sobre o tema, é mantido por um grupo de jovens enfer-
meiros que tem por objetivo “a pesquisa direcionada para a capacitação de profissionais de saúde
usando a CANNABIS como ferramenta terapêutica” (@iecmed, descrição do perfil). Este instituto
ganhou visibilidade devido à atuação da enfermeira Valéria Moura, conhecida como Enfermeira da
Cannabis, em debates públicos com o Congresso Nacional brasileiro sobre os potenciais terapêu-
ticos da planta. Chama-nos a atenção a variedade de temas divulgados na página como a ligação
entre cannabis e espiritualidade, criminalização, uso medicinal e conhecimento histórico, que de-
monstramos na prancha 4.

13

Espaços políticos do consumo

Prancha 4 – Pesquisa visual @iecmed

Fonte: https://www.instagram.com/iecmed/

A Associação Brasileira de Apoio ao Cultivo e Pesquisa de Cannabis Medicinal, fundada em 2019,
com sede em Aracaju, Sergipe, perfil @salvar_se, com 16,2 mil seguidores, é uma Organização
Não-Governamental (ONG) que obteve uma autorização histórica da justiça brasileira para operar.
De acordo com a decisão emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano de
2023, a Salvar recebeu autorização do “direito de plantar e cultivar a Cannabis e manipular, prepa-
rar, produzir, adquirir, ter em depósito, transportar, guardar, dispensar, importar e pesquisar pro-
dutos derivados da Cannabis exclusivamente para fins medicinais, utilizado nos tratamentos das
diversas enfermidades que afligem seus associados”4. O quadro de administradores da associação
é formado por jovens enfermeiros e advogados que visam regulamentar o uso da planta no país,
inclusive utiliza os termos maconha e cannabis em suas postagens, destoando de muitas outras
instituições que privilegiam o termo cannabis. As imagens da prancha 5 demonstram o perfil de
divulgação da associação, que mescla imagens focadas em pessoas que expressam qualidade de
vida em decorrência do uso dos produtos endocanabinóides, relação entre cannabis e profissões e
imagens das lutas tradicionais dos movimentos antiproibicionistas.


4 Outras organizações em prol da cannabis que têm autorizações semelhantes e anteriores à Salvar: Aliança Medicinal, em
Pernambuco, Abrace Esperança, na Paraíba, a Apepi, no Rio de Janeiro, e a Santa Cannabis, sediada em Santa Catarina.

14

Eder Claudio Malta Souza

Prancha 5 – Pesquisa visual @salvar_se

Fonte: https://www.instagram.com/salvar_se/.
Distribuição das imagens editada pelo autor.

As imagens da esquerda foram publicadas no ano de 2023 e tinha como foco chamar a atenção de
profissionais, famílias e divulgação das atividades da associação em congressos. A partir do ano de
2024, a associação assume uma visualidade ativista, mesclando símbolos e repertórios tradicio-
nais ao conhecimento sobre os benefícios da planta e suas origens em território brasileiro, como
o uso medicinal da maconha pelos povos indígenas.
A ressignificação de imagens desempenha um papel central no ativismo canábico visual nas redes
sociais. Nos perfis analisados, observamos como símbolos tradicionalmente associados ao uso
recreativo da maconha são ressignificados para reforçar seu uso medicinal e sua legitimidade no
campo da saúde pública. Por exemplo, a folha de cannabis, antes vista como um símbolo contra-
cultural, é reapropriada em perfis como @iecmed e @salvar_se, além dos resultados de pesquisa
das pranchas 1, 2 e 3, para promover o uso terapêutico, destacando seus benefícios médicos e seu
potencial para o tratamento de diversas condições. Essa reapropriação visual representa uma luta
simbólica por legitimidade e reconhecimento social.
Além disso, profissionais médicos prescritores de cannabis realizam congressos voltados ao tema.
Diferentes iniciativas são divulgadas nas redes sociais, a exemplo do WeCann Summit, congresso
global de medicina endocanabinóide, realizada pela “Comunidade Global de Estudos em Medicina
Endocanabinoide”, a @wecann.academy, com 48,6 mil seguidores no Instagram. Outro evento é o
CNABIS, congresso em sua 4ª edição que acontece online e gratuito destinado à comunidade de
saúde, com ênfase na discussão sobre a cannabis medicinal, seus benefícios e métodos de uso.
Este evento é patrocinado por diferentes comunidades terapêuticas e empreendimentos canábi-
cos (prancha 6), como o @drceducacao (plataforma de educação e pesquisa do grupo Cannect,
com 42 mil seguidores), @cannect.life (considerado o maior ecossistema de cannabis medicinal
da América Latina, com 43,4 mil seguidores) e @sechat_oficial (plataforma de conhecimentos e
negócios voltada ao uso medicinal da cannabis, com 44,7 mil seguidores).

15

Espaços políticos do consumo

Prancha 6 – Pesquisa visual @drceducacao, @cannect.life e @sechat_oficial

Fonte: https://www.instagram.com/drceducacao/; https://www.instagram.com/cannect.life/; https://www.instagram.com/
sechat_oficial/.
Distribuição das imagens editada pelo autor.

Observando-se esses perfis no Instagram, eles conectam um ecossistema robusto de divulgação
de conhecimentos educacionais, de saúde e de negócios, o que incluem educadores, médicos, tera-
peutas e operadores do direito. Vale destacar que a maioria dos membros são jovens com forma-
ção acadêmica e atuação na área da cannabis5. O uso de termos técnicos e científicos também se
tornam evidentes nestas páginas, seja através das hashtags ou nas imagens, o que indica uma forte
projeção de responsabilidade clínica e acadêmica.
Por fim, o perfil @marchadamaconhasp foi escolhido dentre os diversos perfis6 existentes sobre a
marcha devido ao maior número de seguidores, mas principalmente devido a sua política de visu-
alidade. A Marcha da Maconha é um movimento global que ocorre em mais de 70 países com início
em Nova York no ano de 1999, e foi o primeiro em solo brasileiro a se apropriar do espaço público
urbano para fazer manifestações nas ruas na cidade do Rio de Janeiro (Prado, 2023) mobilizando
diversas gerações, e enfrenta constantemente tentativas de proibição por parte das prefeituras
das cidades em que a organização anuncia a data da marcha.
A página @marchadamaconhasp especificamente possui 98,7 mil seguidores, porém há vários
perfis relacionados a cidades como Rio de Janeiro-RJ, Salvador-BA, Natal-RN, Porto Alegre-RS,
Osasco-SP, São Carlos-SP, Aracaju-SE, Recife-PE, Belo Horizonte-MG, Pelotas-RS etc. O diferencial
desses perfis é que eles pautam as causas que consideram transversais ao movimento canábico
desde o seu início em 2002.
As novas pautas têm transformado seu repertório de ações principalmente na palavra de ordem
“Legalize Já”, para outros repertórios e formas de comunicação como demonstramos na prancha 7
e 8: “apologia ao cuidado”, “política de drogas”, “redução de danos”, “bloco terapêutico”, “mulheres

5 Importante explicar que a pesquisa é feita visualmente nos perfis mencionados. Nesses casos, os “jovens” empreende-
dores, médicos e advogados, por exemplo, aparecem nos perfis, seja em vídeos ou imagens, o que reforça o mercado de
autenticidade da cannabis.

6 Cada perfil foi criado com base na cidade em que a marcha ocorre.

16

Eder Claudio Malta Souza

antiproibicionistas”, “luta antimanicomial e antiproibicionista”, “mãeconheiras”, “solta o preso, le-
galiza a vida”, “maconheiro não é racista/machista”, “descriminaliza STF” etc. Isso não quer dizer
que as faixas com os dizeres “Legalize Já” perderam importância, mas ela produziu novos #hash-
tags como reforços para que se reivindique a legalização.
A Marcha da Maconha utiliza estrategicamente de hashtags amplamente aceitas pelos novos su-
jeitos políticos como #reducaodedanos e #direitoshumanos é crucial para contornar possíveis
censuras associadas a termos como maconha ou cannabis, que podem não ser priorizados pelos
algoritmos da plataforma. Ao mesmo tempo, mantém as #hashtags da luta histórica da marcha:
#antiproibicionismo, #lutapelalegalização, #fimdaguerra etc. Isso revela uma tensão constante
entre a censura algorítmica e a visibilidade desejada pelos ativistas.
Há também o desenvolvimento de produtos para venda como camisas, canecas, bonés e diversos
adereços divulgados nas redes sociais como Instagram, Facebook, Twitter (X), etc, que não fazem
apenas referência aos seus símbolos tradicionais como o músico Bob Marley, o baseado, a folha
serrada (atualmente a folha da maconha ganha diversas formas na internet) estampadas em ca-
misas e bandeiras. A diversificação de pautas concorre com a já demonstrada diversificação de
serviços, especialistas e associações canábicas no Brasil.
Diferentemente dos outros perfis analisados, a Marcha da Maconha ocorre nos espaços urbanos e
mobiliza a população em torno do debate sobre políticas de drogas, destacando os prejuízos da re-
pressão e criminalização, além de defender o uso medicinal e recreativo da maconha. Organizada,
em grande parte, coletivos antiproibicionistas, ativistas da cannabis medicinal, representantes de
ONGs e movimentos pela reforma das políticas de drogas etc. a marcha ampliou sua pauta para in-
cluir questões como violência policial, encarceramento em massa de negros e justiça racial. Coletivos
como o “Movimentos” e a “Marcha das Favelas”, criados em 2016 e 2018 respectivamente, trouxeram
a participação de jovens de periferias, ampliando o escopo de luta do movimento (Prado, 2023).

Prancha 7 – Perfil da Marcha da maconha-SP e seus repertórios de ação

Fonte: https://www.instagram.com/marchadamaconhasp/. Distribuição das imagens editada pelo autor.

17

Espaços políticos do consumo

Prancha 8 – Perfil da Marcha da maconha-SP e seus repertórios de ação

Fonte: https://www.instagram.com/marchadamaconhasp/. Distribuição das imagens editada pelo autor.

Considerações Finais

A pesquisa realizada com os perfis de Instagram analisados revela a existência de espaços políti-
cos de consumo que articulam novos sujeitos políticos, repertórios e agências criativas em inter-
conexão com a cultura de consumo visual, conhecimento e poder. Esta análise revela também uma
série de estratégias adotadas pelos defensores da causa no contexto brasileiro. Apesar do cenário
político-jurídico conservador do país, manifestações pela descriminalização e acesso à cannabis
medicinal continuam a surgir, refletindo preocupações com questões de saúde pública, economia
e direitos civis.
Os perfis de Instagram analisados transformam o consumo visual em uma ferramenta central para
a reivindicação de direitos e a ressignificação da cannabis no espaço público. As políticas de visu-
alidade dos perfis voltados especificamente para a medicina endocanabinóide como @salvar_se,
@iecmed, @wecann.academy, @cannect.life e parceiros, ressignificam as narrativas e os agencia-
mentos sobre o uso da cannabis, distanciando-se dos estigmas históricos associados ao uso recre-
ativo e constroem uma novas identidades e moralidades em torno do uso medicinal para repre-
sentá-la como um símbolo de saúde e bem-estar. Essa estratégia visual contribui para suavizar o
estigma que há muito circunda a maconha, não necessariamente articulada com os repertórios da
luta antiproibicionista das Marchas da Maconha.
O engajamento das Marchas é ampliado do ciberespaço e dos espaços institucionais para as cida-
des e outros repertórios, sob formas de linguagem e expressão estetizadas, além da mobilização

18

Eder Claudio Malta Souza

em torno da defesa de diversas causas sociais, o que inclui a luta antirracista, a diversidade de gê-
nero, a luta antimanicomial, entre outras. Neste caso, as Marchas visam romper o binômio canna-
bis/maconha para dialogar com os diversos setores da sociedade e classes sociais através da luta
pela descriminalização, seja no campo medicinal ou recreativo. Tal luta está intimamente ligada
às questões de justiça social, como o encarceramento em massa e a violência policial nas favelas.
Apesar das diferenças na forma como se propagam informações sobre o uso da cannabis, estes
espaços políticos utilizam a visualidade como estratégia para mobilizar diferentes públicos, desde
ativistas antiproibicionistas até profissionais de saúde e pacientes. Atores políticos importantes,
como coletivos de mães, educadores e profissionais da saúde, emergem como protagonistas nesse
espaço, reforçando a legitimidade da luta pela regulamentação da cannabis medicinal.
Ademais, a interconexão entre os ativismos juvenis e as políticas de visualidade é claramente ob-
servada nos perfis pesquisados. As juventudes tornam-se o principal agente no uso das redes so-
ciais, mobilizam postagens estilizadas e conteúdos visuais para reivindicar direitos e representa-
tividade. Nesse sentido, o consumo visual e os agenciamentos criativos mobilizados transformam
o Instagram em uma arena de disputa política, onde as imagens e narrativas circulam e produzem
novas ordens morais. Essa forma de ativismo, que une a estética com a política, desempenha um
papel essencial na forma como os públicos juvenis contemporâneos reivindicam seu espaço na
sociedade e nos debates sobre políticas públicas.

REFERÊNCIAS

ADERALDO, Guilhermo.; RAPOSO, Otávio. Deslocando fronteiras: notas sobre intervenções estéticas, economia cultural
e mobilidade juvenil em áreas periféricas de São Paulo e Lisboa. Horizontes Antropológicos (online), v. 22, p. 279-305,
2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/3p9TLysCJY8gmxjQDGKVVtB/?format=pdf&lang=pt. Acesso em:
25 mai. 2024.
BARROS, Erna. Uma cidade muda não muda: Mulheres, Graffitis e Espaços Urbanos Hostis. Aracaju, SE: Criação Edi-
tora, 2022. 278 p. Disponível em: https://editoracriacao.com.br/wp-content/uploads/2022/05/livro-cidade-mudafi-
nal_compressed.pdf. Acesso em: 03 mai. 2024.
CAMPOS, Ricardo. A cultura visual e o olhar antropológico. Visualidades, Goiânia v. 10 n. 1, p. 17-37, 2012. Disponível
em: https://revistas.ufg.br/VISUAL/article/download/23083/13629. Acesso em: 24 abr. 2024.
CAMPOS, Ricardo. Introdução à Cultura Visual. Abordagens e Metodologias em Ciências Sociais. Lisboa. Ed. Mundos
Sociais, 2013. 167 p.
CANCLINI, Nestor García. Consumidores e Cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. 6ª ed. Rio de Janeiro:
Editora UFRJ, 2006. 227 p.
CANCLINI, Nestor García. O Mundo Inteiro como Lugar Estranho. São Paulo: EDUSP, 2016. 171 p.
CARNEIRO, Henrique. Drogas. A história do proibicionismo. São Paulo: Autonomia Literária, 2018. 541 p.
FEATHERSTONE, Mike. Consumer Culture and Postmodernism. 2ª ed.. London: Sage, 2007. 232 p.
FIORE, Maurício. O lugar do Estado na questão das drogas: o paradigma proibicionista e as alternativas. Novos Estudos
CEBRAP,
n. 92,, p. 9-21, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/nec/a/yQFZQG48VQvdYW8hQVMybCd/?forma-
t=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 mai. 2024.
FRAGA, Paula; ROSA, Lilian; REZENDE, Daniela (orgs). De maconha à cannabis: entre política, história e moralidades.
Juiz de Fora: Editora UFJF/Aldeia, 2023. 206 p. Disponível em: https://www2.ufjf.br/editora/wp-content/uploads/
sites/113/2023/09/De-maconha-%C3%A0-cannabis-entre-pol%C3%ADtica-hist%C3%B3ria-e-moralidades-Editora-
-UFJF.pdf. Acesso em: 15 mai. 2024.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11ª Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. 104 p.

19

Espaços políticos do consumo

HOLSTON, James.; APPADURAI, Arjun. Cities and Citizenship. Public Culture, v. 8, p. 187-204, 1996. Disponível em: ht-
tps://read.dukeupress.edu/public-culture/article-abstract/8/2/187/32194/Cities=-and-Citizenship?redirectedFrom-
fulltext. Acesso em: 13 mai. 2024.
MALTA, Eder. Imagens de um tempo lento: reflexões sobre o cotidiano urbano em Belém (Brasil) e Santiago (Chile). AMBI-
VALÊNCIAS
, v. 10, p. 59-96, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/Ambivalencias/article/view/18421/13841.
Acesso em: 10 mai. 2024.
MARCON, Frank Nilton. Agências Estetizadas: Juventudes, Mobilizações e Ativismos em Angola. Crítica e Sociedade:
revista de cultura política, v. 9, n. 2, p. 191-208, 2019. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/criticasociedade/
article/view/56679/30081. Acesso em: 12 mai. 2024.
MARCON, Frank Nilton. Agências Estetizadas, Geração Digital, Ativismos e Protestos no Brasil. Ponto Urbe, n. 23, p.
1-19, 2018.
MARCON, Frank Nilton; GALVÃO, Letícia Oliveira Feijão. Práticas culturais juvenis e a cidade como locus de ação política
e disputa de sentidos sobre o espaço público. Ponto Urbe, v. 31, n. 1, p. 1-17, 2023. Disponível em: https://journals.
openedition.org/pontourbe/pdf/15056. Acesso em: 12 mai. 2024.
MARQUES, Sandra C. S.; CAMPOS, Ricardo. Políticas de Visualidade, Práticas Visuais e a Construção de Espaços de Ima-
ginação. Cadernos de Arte e Antropologia, v. 6, n. 2, p. 5-10, 2017. Disponível em: https://journals.openedition.org/
cadernosaa/pdf/1250. Acesso em: 24 abr. 2024.
MARTÍN-BARBERO, Jesús.; FEIXA, Carles.; FIGUERAS, Monica. (Orgs.). Jovens, entre o palimpsesto e o hipertexto. São
Paulo: Edições SESC, 2022. 200 p.
MOURÃO, Victor. Neoativismo canábico, controvérsias científicas e canabização do humano: Transformações no com-
plexo simbólico e político da cannabis. In: FRAGA, Paulo; ROSA, Lilian; REZENDE, Daniela (orgs). De maconha à can-
nabis
: entre política, história e moralidades. Juiz de Fora: Editora UFJF/Aldeia, 2023, p. 72-83. Disponível em: https://
www2.ufjf.br/editora/wp-content/uploads/sites/113/2023/09/De-maconha-%C3%A0-cannabis-entre-pol%C3%A-
Dtica-hist%C3%B3ria-e-moralidades-Editora-UFJF.pdf. Acesso em: 15 mai. 2024.
NILAN, Pam; FEIXA, Carles. Global Youth? Hybrid identities, plural worlds. New York: Routledge, 2006. 218 p.
PRADO, Monique. Política de drogas e “reparação histórica”: uma análise da atuação da marcha da maconha do Rio de
Janeiro e sua influência no cenário político e cultural. In: FRAGA, Paula; ROSA, Lilian; REZENDE, Daniela (orgs). De ma-
conha à cannabis
: entre política, história e moralidades. Juiz de Fora: Editora UFJF/Aldeia, 2023, p. 72-83. Disponível
em: https://www2.ufjf.br/editora/wp-content/uploads/sites/113/2023/09/De-maconha-%C3%A0-cannabis-entre-
-pol%C3%ADtica-hist%C3%B3ria-e-moralidades-Editora-UFJF.pdf. Acesso em: 16 mai. 2024.
ROSIN, Lucas Bravo.; LEITE, Cristiane Kerches da Silva. A bicicleta como resistência: o paradigma rodoviarista e o papel
do ativismo ciclista no município de São Paulo/SP. Cadernos Metrópole, v. 21, n. 46, p. 879-902, 2019. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/cm/a/qdHRFqcstzR5BBTR48Yt7VJ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 28 mai. 2024.
STILLERMAN, Joel. The Sociology of Consumption: A Global Approach. Cambridge, UK, Polity Press, 2015. 223 p.
ZUKIN, Sharon. Point of Purchase. New York: Routledge, 2004. 336 p.

20

Eder Claudio Malta Souza

Political spaces of consumption: Youth,
visual politics and cannabis activism

Abstract
This article discusses the politics of visuality and
visual consumption practices among activist youth
in political spaces of consumption, exemplified by
cannabis activism. Our focus addresses the creative
agencies, aesthetic expressions, and mobilizations
for social causes, health, and civil rights involving
new political actors, extending beyond individual
access to the plant and its derivatives for therapeu-
tic or recreational purposes. The methodologies
adopted are literature review and image analysis
from the social network Instagram profiles of asso-
ciations, professionals, and collectives. The resear-
ch results reveal renewed identity profiles among
activists that expand public understanding of can-
nabis through strategic visual practices, even as so-
cial and identity conflicts persist.
Keywords: Youth. Activism. Visualities. Consump-
tion practices. Cannabis

Espacios políticos de consumo: Juventudes,
políticas visuales y activismo cannábico

Resumen
Este artículo tiene como objetivo discutir las políti-
cas de visualidad y las prácticas de consumo visual
entre las juventudes activistas en los espacios po-
líticos de consumo, ejemplificadas en el activismo
cannábico. Nuestro enfoque aborda los agencia-
mientos creativos, las expresiones estéticas y las
movilizaciones en favor de causas sociales, la salud
y los derechos civiles que involucran a nuevos acto-
res políticos, y que van más allá del acceso individu-
al a la planta y sus derivados con fines terapéuticos
o recreativos. Las metodologías utilizadas son la
revisión de literatura y el análisis de imágenes pu-
blicadas en perfiles de asociaciones, profesionales
y colectivos en la red social Instagram. Los resulta-
dos de la investigación revelan perfiles identitarios
renovados entre los activistas, que amplían la com-
prensión pública del cannabis mediante campañas
visuales estratégicas articuladas a diversas agendas
sociales, aunque persisten los conflictos sociales e
identitarios.
Palabras Clave: Juventud. Activismo. Visualida-
des. Prácticas de consumo. Cannabis

HISTÓRICO
Recebido: Julho/24
Parecer: Agosto/24
Parecer: Agosto/24
Aceito: Setembro/24
Revisado Autor: Outubro/24
Revisão Gramatical/Ortográfica e ABNT: Novembro/24
Revisado Autor: Novembro/24
Publicado: Novembro/24
Equipe Editorial Revista TOMO envolvida no processo editorial deste artigo
Marina de Souza Sartore (Editora-Chefe)
Gabriela Losekan (Editora Junior)
Ítalo Gordiano de Cerqueira (Editor-Junior)