Pierre Bourdieu e o cinema nacional no ensino médio
Quadro 1 – O aproveitamento subjetivo de Bourdieu
A) POSIÇÃO NO ESPAÇO SOCIAL B) MODO DE PENSAR
C) CONDIÇÕES DE AGÊNCIA SOCIAL
(I) Sim, as aulas sobre Bourdieu fo- (II) Sim, despertei um conheci- (I) Sim, entendi melhor como as coisas fun-
ram muito proveitosas, ajudam a en- mento complexo que eu não sabia cionam, nosso modo de agir. E como funciona
tender como as pessoas se adaptam (EST. 02, 2ª).
a sociedade (EST. 06, 2ª).
e se posicionam na sociedade (...)
(EST. 01, 2ª).
(III) Sim, me ajudaram a entender (IV) Sim, em afirmar algo que eu já sentia des-
que com o conhecimento que ad- de que tinha 7 anos. Minha visão era a seguin-
(I) Sim, a teoria me ajudou a conse- quirimos na vida acadêmica e social te: nós somos como robôs feitos em fábricas,
guir observar melhor os problemas (...) (EST. 07, 2ª).
moldados e configurados para um modo. É
como se tivéssemos um passo a passo do que
seguir e não seguir por ele é difícil, até mes-
mo desvalorizado por não ser o “comum” (EST.
14, 3ª).
em que vivemos em sociedade, tam-
bém mostrando a diferença de vida
na sociedade atual (EST. 04, 2ª).
Sim, comecei a entender uma for-
ma mais avançada de como a so-
ciologia funciona (est. 08, 2ª).
(I) Tive poucos proveitos, e um deles
é enxergar os dois lados, ou seja,
ver meu lado e de outras pessoas
também, sem fazer críticas e tentar
compreender, e analisar os meca-
nismos sociais (EST. 05, 2ª).
Sim, pois com elas consegui abrir
os olhos para a nossa realidade
(EST. 09, 1ª)
(I) As reflexões dessa teoria me desperta-
ram, também, um interesse maior por socio-
logia, e me deu a capacidade de enxergar o
meu interior e exterior de uma forma que, eu
jamais, teria a noção de que enxergaria (EST.
15, 1ª).
(II) (...) SIM, Bourdieu me fez abrir
os olhos para o mundo em que vi-
vemos (EST. 11, 1ª).
(II) Sim, no sentido de abrir os
olhos sobre o modo de viver (...) e
evolução pessoal (EST. 12, 1ª).
(III) (...) e entender o que é neces-
sário para romper minha bolha
(EST. 13, 3ª).
(III) (...) e me fez criar ainda mais força de
vontade para “furar a bolha” (EST. 09, 1ª).
(I) Sim. Graças às aulas, consegui en-
tender melhor o contexto de vida
que tenho (...).
(III) (...) podemos “furar” a bolha em que vi-
vemos e alcançar outros padrões de vida e
deixar de repetir as disposições que o am-
biente social nos pressiona a seguir (EST.
07, 2ª).
(II) Sim. Além do professor, a teo-
ria bourdiesiana auxiliou a dar um
“empurrão” a mais para eu “acor-
dar pra vida” (...) (EST. 15, 1ª).
(II) (...) Minha mãe é doméstica e a
partir das discussões feitas em sala,
eu tentei fazer sociologia com ela.
Coloquei ela para a assistir ao filme
“Que horas ela volta”. Isso ajudou ela a
se posicionar de forma mais certa
em contextos sociais onde sua pro-
fissão é desvalorizada (EST. 16, 2ª).
(III) Sim, me motivou no sentido de
poder ver que podemos tentar me-
lhorar algumas coisas em relação
a desigualdade social e afins (EST.
16, 2ª).
(III) Sim, teve como objetivo mostrar como
existe possibilidade de mudar o sistema cí-
clico das classes sociais, por mais difícil que
pareça (EST. 03, 2ª).
(III) (...) e me fez criar ainda mais força de
vontade para “furar a bolha” (EST. 09, 1ª).
Fonte: elaborado pelo autor.
4.2 A sociologia como ferramenta de pensamento
Para a pergunta 2, sobre como acionar a teoria de Bourdieu com relação aos projetos de vida, é
possível categorizar tematicamente as percepções dos/as estudantes como:
a) reprodução social: percepções menos otimistas com relação à reificação social referente à e aos
condicionamentos de classe;
b) resistência reflexiva: percepções mais otimistas quanto às possibilidades de mudança de traje-
tória mediante a compreensão das condições objetivas através da escolarização;
c) desigualdade de classe social: percepções que articulam as desigualdades entre indivíduos/gru-
pos como mediadas pela desigualdade de capitais e de poder;
d) vago.
O repertório bourdiesiano é mobilizado em praticamente todas as respostas, direta ou indireta-
mente. Bourdieu tinha o objetivo de com sua teoria construir um modo de se fazer ver aquilo que
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