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<document>
  <page number="1">
    <line>1 </line>
    <line>Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24607, 2026 </line>
    <line>DOI:10.21669/tomo.v45.24607   </line>
    <line>Dossiê: Visualidades Urbanas: poder, subjetividades,  </line>
    <line>sociabilidades e o existir citadino </line>
    <line>E-ISSN:2318-9010 / ISSN:1517-4549  </line>
    <line>DOSSIÊ </line>
    <line>MUITO ALÉM DE INTERVENÇÕES E  </line>
    <line>INSTITUCIONALIZAÇÃO:  </line>
    <line>graffiti em João Pessoa pelos passos de múmia </line>
    <line>Jesus Marmanillo* 1 </line>
    <line>Resumo </line>
    <line>O graffiti em João Pessoa é apresentado como prática que combina institucionalização, visualidades e itine- </line>
    <line>rários A de como Lahire, Barth Campos, texto como  </line>
    <line>ações urbanas articulam formas sociais estáveis e criações que produzem sentidos diversos. A etnografia de  </line>
    <line>Múmia Graffiti evidencia essa tensão: sua história, marcada por deslocamentos, rupturas familiares, influên- </line>
    <line>cia do pixo e do HipHop e reinvenções subjetivas, revela como indivíduos reinterpretam referências globais  </line>
    <line>e contextos locais. Redes de sociabilidade, visualidades corporais e experiências biográficas moldam estilos,  </line>
    <line>pertencimentos e a própria transformação do campo do graffiti. </line>
    <line>Palavras-chaves: graffiti; institucionalização; visualidades; subjetividade; Múmia. </line>
    <line>*   Universidade da . de em (PPGS-UFPB) Antropologia  </line>
    <line>Departamento Ciências João Paraíba, E-mail:  https:// </line>
    <line>orcid.org/0000-0001-5220-5567   </line>
    <line> Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)</line>
  </page>
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    <line>2 </line>
    <line>INTRODUÇÃO </line>
    <line>As de ocupam papel nas juvenis articulando  </line>
    <line>modos expressão, de e de identitária. da  </line>
    <line>hipótese que culturas a institucionalizar meio produção circulação  </line>
    <line>de processo pela entre sociais e ação  </line>
    <line>dos – já por (2006) retomada Koury quando  </line>
    <line>considera a social marcada uma constante estruturas moldam  </line>
    <line>comportamentos e indivíduos que, ao agir, podem reconfigurar essas mesmas estruturas. </line>
    <line>Tomando  graffiti  João capital Paraíba, campo analisaremos  </line>
    <line>visualidades, e produzem que a de coletivo  </line>
    <line>homogêneo de estética Interessa-nos como institucionalização  </line>
    <line>prática convive com experiências subjetivas, disputas simbólicas e modos plurais de pertencimen- </line>
    <line>to no. recorte focou-se itinerário um artista rua  - </line>
    <line>do MúmGraffiti. meio uma participante ao do de  </line>
    <line>2025, possível diálogos produzir vídeos acessar - </line>
    <line>tos como portfólios, reportagens e estudos locais sobre o tema. </line>
    <line>Com esse viés empírico, dialogou-se com autores como Lahire (2002), Barth (2000), Ferro (2016),  </line>
    <line>Campos e (2024), defendem, o de - </line>
    <line>gens de viés etnográfico como meio de compreensão da circulação do conhecimento, da ressignifi - </line>
    <line>cação de práticas juvenis globais em contextos locais de criatividade e da visualidade juvenil como  </line>
    <line>fenômeno heterogêneo, cotidiano e transfronteiriço.  </line>
    <line>Tal caminho teórico-metodológico resultou na escrita de duas seções. A primeira trata de um bre- </line>
    <line>ve teórico institucionalização visualidade, as subjetivas  </line>
    <line>de criatividade. Na segunda, há a apresentação do itinerário de Múmia Graffiti, figura reconhecida  </line>
    <line>na cena pessoense, cuja trajetória permite explorar como experiências biográficas, influências es - </line>
    <line>téticas e redes de sociabilidade se articulam na produção de visualidades.</line>
    <line>INSTITUCIONALIZAÇÃO, SUBJETIVIDADES E VISUALIDADES </line>
    <line>Não há dúvidas de que, atualmente, a prática do  graffiti , como observa Pereira (2025), encontra-se  </line>
    <line>socialmente justificada e aceita, pairando na cabeça de muitas pessoas como uma expressão artís- </line>
    <line>tica cultural.Isso ser por de conjunto editais exposições, da  </line>
    <line>difusão internacional de nomes como Eduardo Kobra, os Gêmeos, Shiko, entre outros. Atualmente  </line>
    <line>há trânsito artistas inúmeros e de com grafismos  </line>
    <line>como, exemplo, oficinas, exposições, de estúdios tatu - </line>
    <line>agem outros. exemplo pode a desse pode observado  </line>
    <line>capa álbum  Radiola Vol. , por cujas também ser  </line>
    <line>no Solon Lucena de Pessoa), produziu assinadas  </line>
    <line>“Derby Blue”. </line>
    <line>Esse entre atores e pode compreendido inte- </line>
    <line>grante um de e de do  graffiti . tal,  </line>
    <line>marcado por uma profusão de imagens, tanto nas produções quanto nas percepções e nas imagens  </line>
    <line>produzidas torno atores Estes ora vistos artistas</line>
  </page>
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    <line>3 </line>
    <line>de rua, ora como artistas de galeria e colocados em uma </line>
    <line>ao internacional. tais que a de problema  - </line>
    <line>lógico, os de (2004), argumenta a de  </line>
    <line>uma social constituição sociais, os que  </line>
    <line>permitem que determinadas questões sejam produzidas, nomeadas e legitimadas como temas re- </line>
    <line>conhecidos e debatidos pub </line>
    <line>às drogas e ao trabalho feminino. </line>
    <line>Assim, fundamental os coletivos, como estariam  - </line>
    <line>postos em aos e as que possibilitariam uma - </line>
    <line>mentação. Seguindo esse viés, verificamos que, no universo da cultura  skateboard, os  videomakers  </line>
    <line>desempenham fundamental na e de quanto própria  - </line>
    <line>nâmica sociabilidade possibilita registro manobras. analisar papel imagens,  </line>
    <line>Oliveira Pereira notam no específico prática skate, imagens ob- </line>
    <line>servadas dois um ligado dinâmica coletivos, outro nas  </line>
    <line>sociais, que consagra membros, influencia a dinâmica interna e estimula novos praticantes.  </line>
    <line>Portanto, produção imagens se apenas um externo busca  </line>
    <line>difundir discurso Os praticantes imersos interações formas  </line>
    <line>sociabilidade moldam que Observando o e exterior  </line>
    <line>dessas sociais, que objetivação prática desenvolve às  </line>
    <line>internas dos grupos e às relações intersubjetivas que sustentam todo o processo.  </line>
    <line>A do  graffiti  Maranhão, por (2025), como prática  </line>
    <line>formas em Luís em Embora filmes  HipHop  anos te- </line>
    <line>nham fundamentais a global  graffiti , cidade processos  </line>
    <line>próprios. São o  graffiti  ligado  HipHop, logo elementos  </line>
    <line>como engajamento do Urbano referências cultura ludovicense.  </line>
    <line>em a associou-se ao sendo por skatistas  </line>
    <line>e artista cujas – pistola compressor pincel /refletiam  </line>
    <line>escolhas estéticas quanto condições materiais e trajetórias pessoais. </line>
    <line>Esses mostram apesar existir cultura do  graffiti , processos insti- </line>
    <line>tucionalização conforme locais, de e disponíveis.  </line>
    <line>diferenças São e evidenciam entre global local, como  </line>
    <line>entre subjetivas objetivas prática. partir tornase refletir  </line>
    <line>como de  graffiti  configuram cada identificando elementos - </line>
    <line>dos quanto singularidades que emergem das interações e experiências dos atores envolvidos. </line>
    <line>Dessa o de tende criar logomarcas, e  </line>
    <line>uma resultante um coletivo sempre a sua  </line>
    <line>em aos Esta a das que (2006) observava  </line>
    <line>em nas as psicológicas físicas geram conteúdos formas  </line>
    <line>que dissipavam as e sociabilidade seguem da e  </line>
    <line>construção linguagem entre indivíduos. assim, fundamental esquecer  </line>
    <line>a dimensão da subjetividade e sua capacidade de dialogar com estruturas mais amplas.  </line>
    <line>Para que vezes possível existência fenômenos não ser es - </line>
    <line>tritamente por um viés mais estrutural, convém iniciar com o exemplo dado por Lahire (2006b). O</line>
  </page>
  <page number="4">
    <line>4 </line>
    <line>autor cita o caso de Souyla, uma criança que, apesar de ter dez irmãos, pai analfabeto e ex-operário  </line>
    <line>e mãe igualmente analfabeta e dona de casa, mostrava um ótimo desempenho escolar. De maneira  </line>
    <line>irônica, (2008, 11) que quadro poderia qualquer a  </line>
    <line>se questionar: “como uma família que acumula tantas deficiências poderia levar uma criança a ter  </line>
    <line>sucesso escola?”. resposta estaria estatísticas fichas cadastro estudantes,  </line>
    <line>mas desenvolvimento um etnográfico na dimensão  </line>
    <line>importante a do Para (2003), etnografia o  </line>
    <line>rico e necessário para compreender o  habitus para além </line>
    <line>exterioridade” ou da “incorporação das estruturas objetivas”. </line>
    <line>Para autor, teoria  habitus sido geralmente situações - </line>
    <line>mente que para modelo tico “ator em negócio,  </line>
    <line>como peixe na Portanto, interessante epistemológico, (2002)  </line>
    <line>ressalta importância se as de baseadas deslocamentos - </line>
    <line>dos, culturais, biográficas, desvio certas dos e  </line>
    <line>o social, entre entre o nos visualizar de  </line>
    <line>desprovidas determinados mas podem em que, muitos,  </line>
    <line>incompatível suas como o de  nesse que  - </line>
    <line>ramos “reconhecer somos condicionados, não e a  </line>
    <line>história é campo de possibilidades, não de determinações” (Freire, 2025, p. 20). </line>
    <line>Diante tensões subjetividade objetividade, perguntar onde e  </line>
    <line>por emerge viés o em e que resultados rela - </line>
    <line>ção determinados Para Lahire explica desde década  </line>
    <line>de a da consolidou-se relacultura classes e  </line>
    <line>desigualdades acesso, o das culturais hierarquização pessoas,  </line>
    <line>objetos e práticas, tendo em Pierre Bourdieu um dos principais nomes. </line>
    <line>Contudo, é importante considerar que essa história científica foi intimamente ligada à história política, </line>
    <line>especialmente políticas democratização iniciadas a do dos - </line>
    <line>suntos Culturais, em 1959, na França. Houve, assim, uma crítica que operou com limites metodológicos </line>
    <line>do estado mas trouxe benefício puxar políticas o   </line>
    <line>científico. desigualdades distâncias foram que a a   </line>
    <line>interpretativa desse viés mais objetivo, carregado tanto de sentido político quanto científico. </line>
    <line>Uma de (2006b) interessante interpretar singularidades escala - </line>
    <line>dual consequentemente, sobre maneiras quais indivíduos sentidos  </line>
    <line>possuem habilidades criativas. Isso fica mais evidente quando adentra o debate no campo da edu- </line>
    <line>cação refletindo sobre os limites da noção de transmissão do conhecimento. Para ele,  </line>
    <line>Falar em transmissão é (...) conceber a ação unilateral de um destinador para um destinatá- </line>
    <line>rio, ao passo que o destinatário sempre contribui para construir a mensagem que se consi - </line>
    <line>dera ter-lhe sido transmitida. Ele tem de atribuir-lhe sentido na relação social que mantém  </line>
    <line>com que ajudando construir conhecimentos com próprios  </line>
    <line>construídos no curso de experiências anteriores (Lahire, 2006b, p. 341) </line>
    <line>De acordo com esse argumento e adentrando uma literatura mais específica sobre essa prática ju- </line>
    <line>venil, vale considerar que os atores possuem a capacidade de reinterpretar e reutilizar elementos  </line>
    <line>simbólicos das culturas dominantes. Nesse sentido, Ferro (2016) argumenta que a importância de</line>
  </page>
  <page number="5">
    <line>5 </line>
    <line>compreender o  graffiti  como prática cultural  glocal  é essencial: embora derive de uma matriz glo- </line>
    <line>bal ligada ao  HipHop , ele se reinventa localmente segundo as singularidades culturais e os debates  </line>
    <line>étnicoraciais que atravessam cada contexto.  </line>
    <line>Em diálogo com Souza (2024), também pensamos que não se trata de agentes irreflexivos, mas de  </line>
    <line>agentes podem sobre práticas consumo suas sociais, con- </line>
    <line>texto de relaçã- </line>
    <line>sual e políticas de visualidade para a análise de determinadas práticas sociais, já que possibilitam  </line>
    <line>um campo que da criativa manifestação capacidade produzir  </line>
    <line>bens comunicam uma ou Ao o canábico,  </line>
    <line>esse demonstrou a que, era focada uso - </line>
    <line>ativo a a medicinal, aspectos a atores  </line>
    <line>entraram em cena, com estratégias de uma nova narrativa visual em torno dos usos da  cannabis. </line>
    <line>Relacionadas a essas dinâmicas culturais, socioespaciais e comunicacionais que marcam a manei- </line>
    <line>ra como certos atores sociais tornam-se visíveis, Campos (2010) enfatiza que a visualidade é uma  </line>
    <line>esfera de que vale próprio e diferentes  </line>
    <line>(tatuagens,  piercings, e dos vestuário, consumo comunicação  </line>
    <line>massa da de culturais artefatos como  graffiti ,  stickers,  - </line>
    <line>agens,  web ,  fotologs, (Campos, p. É esse que autor  </line>
    <line>percebe que  </line>
    <line>A não apenas modelo imagens é, agente  </line>
    <line>uma laboração natureza A entendida, termos como  </line>
    <line>modo como os jovens se apresentam visualmente ao mundo, recorrendo a diferentes aces- </line>
    <line>sórios, como o corpo, o vestuário, a de bens de consumo etc., é uma  </line>
    <line>fundamental para a organização simbólica dessa categoria social (Campos, 2010, p. 70). </line>
    <line>A entre juvenil visualidade uma esferas por  </line>
    <line>(2010). autor que representação agrupamentos diretamente aos  discur - </line>
    <line>sos aos de e comunicação conferem às sociais  </line>
    <line>ao que envolve. disso, constata as juvenis constituem  </line>
    <line>um novo, expressam debate desde década 1970  Ce - </line>
    <line>tre ContemporarCultural  de (Reino que, modo,  </line>
    <line>compreendia de identitária meio determinadas e que  </line>
    <line>funcionavam uma de coletiva contradições a de e  </line>
    <line>cultura origem.  skindheads,  punks rastas a observados uma  - </line>
    <line>bilidade de leitura da sociedade por meio das visualidades.  </line>
    <line>Considerando os tratados aqui, que identidades não  </line>
    <line>são rtadas processos e visualidades, podendo, ser  </line>
    <line>como núcleo unidade mas, de como de de  </line>
    <line>interação e negociações. Nesse sentido, Barth (2000) explica: </line>
    <line>Precisamos ao modelo produção cultura visão da  </line>
    <line>experiência resultado interpretação eventos indivíduos, como  </line>
    <line>visão dinâmica da criatividade como resultado da luta dos atores para vencer a resistência  </line>
    <line>do mundo (Barth, 2000, p. 129).</line>
  </page>
  <page number="6">
    <line>6 </line>
    <line>Para Ba </line>
    <line>de objeto exige a entre meio expressão quem utiliza.  </line>
    <line>(2000), estudar e em e Nova observou a não  </line>
    <line>apenas é nas sociais, sendo artefato nem  </line>
    <line>a Sua amplia debate indicar de informal  </line>
    <line>desenvolvida na rua, em situações cotidianas e ligadas à experiência. </line>
    <line>Enfim, tais autores apresentam um potencial para se refletir sobre a maneira como determinados  </line>
    <line>agentes desprovidos de algu- </line>
    <line>sibilitam entre campos se em processos instituciona- </line>
    <line>lização maneira criativa visceral. sentido, classificados “imprová- </line>
    <line>veis” convidam observar e de na onde  </line>
    <line>vê: no trânsito entre fronteiras e nos momentos de ruptura entrelaçados no cotidiano. O campo do  </line>
    <line>graffiti , por conta da própria dinâmica de sua cultura que incorporou diferentes atores, ideologias  </line>
    <line>e constitui, um privilegiado a da e seus  </line>
    <line>diferentes de com estruturas inerentes rótulos, bandeiras à - </line>
    <line>titucionalidade da prática. </line>
    <line>O IMPROVÁVEL E A ARTE DE VIVER: CAMINHOS DE MÚMIA NA VISUALIDADE  </line>
    <line>DO GRAFFITI PESSOENSE </line>
    <line>Acompanhou-se o trabalho de Múmia Graffiti 1  entre janeiro e dezembro de 2025, registrando suas  </line>
    <line>intervenções participações mutirões 2 . três entre e foi  </line>
    <line>conversar sua no 19 junho, se a de breve  </line>
    <line>vídeo suas e, 12 julho, a de material sua  </line>
    <line>em mesa Semana Ciências que no dia Centro Ciências  </line>
    <line>Humanas, Artes e Letras (CCHLA)  3 .  </line>
    <line>Jailson Barbosa em de de em na da Norte  </line>
    <line>Pernambuco. de José Genival viveu infância a natal as  </line>
    <line>ao acompanhando mãe seu de Dona José que,  </line>
    <line>uma casas trabalha permitia levasse filhos chegou presentear - </line>
    <line>son com um caderno de desenho, reconhecendo seu interesse.  </line>
    <line>Da Jailson a de casa de de lado rua,  </line>
    <line>de canavial outro Essa bastante remonta cenário Zona  </line>
    <line>Mata marcada pela de Lembrava  </line>
    <line>dos de que nas internas casa da que gerava  </line>
    <line>sua Maria que surpreendida essas no da quando  </line>
    <line>de seu trabalho na cidade de Recife.</line>
    <line>1   Respeitando processo formação interlocutor, chamaremos, seguir, diferentes Jailson, e  - </line>
    <line>mia, acompanhando desde suas etapas iniciais até a inserção no pixo e no graffiti .  </line>
    <line>2    a baseia-se na participante, da de  </line>
    <line>imagens e de pesquisa documental. </line>
    <line>3   Trata-se da atividade “Cine debate – entre rolês, rabiscos e juventude urbana” promovida pelo Centro Acadêmico do Curso  </line>
    <line>de Sociais que a da de Sociais qual desenvolve recepção  </line>
    <line>calouros.</line>
  </page>
  <page number="7">
    <line>7 </line>
    <line>Nesse sentido, a habitação foi, para ele, não só lugar de moradia onde pôde acomodar seus próprios  </line>
    <line>ritmos tempos, utilizar terminologia Leroi-Gourhan quando sobre  </line>
    <line>a do e espaço. esse há relação entre primeiras  </line>
    <line>habitações humanas e os primeiros registros rítmicos e a transição de um ritmo da natureza para  </line>
    <line>o de moral física garante perímetro segurança. Leroi-Gourhan  </line>
    <line>(1987), espaço ultrapassa função constituindo expressão do  </line>
    <line>comportamento humano. O habitat responde a três necessidades fundamentais – eficácia técnica,  </line>
    <line>enquadramento e do – submetido relação entre  </line>
    <line>função e forma. </line>
    <line>No caso de Jailson, o meio técnico e a dimensão artística de seu mundo circundante tiveram como  </line>
    <line>suporte paredes para homem 37 Em conheceu  - </line>
    <line>nardo, trabalhava  graffiti , sua experiência pintar camisa a - </line>
    <line>gem Bob urinando uma de A entre dois na  </line>
    <line>produção de camisetas: Jailson recebia valores simbólicos pelos desenhos repassados a Leonardo.  </line>
    <line>Desse recorda seu pagamento um de um  </line>
    <line>mural, qual R$ Até 14 de seu com desenho sido  </line>
    <line>desenvolvido, maneira com recursos investimentos especializados  </line>
    <line>área artes. seu e de família, das da e trabalho  </line>
    <line>Leonardo, também posterior mãe de amigos lhe re- </line>
    <line>vistas da da e  Dragon  . anos participou primeira  </line>
    <line>edição Dalho  Hip- , entre e na se com estilo  Bomb  </line>
    <line>de graffiti , marcado por letras desenhadas. </line>
    <line>Na metade década 1990, a dos de o gerou  </line>
    <line>mudança residência, com duas e mãe a de Até momento,  </line>
    <line>longe uma que o do feliz, seu que sente um  </line>
    <line>peixe água”, uma de como Lahire p. marcada deslo - </line>
    <line>camento forçado ruptura provocando de que fortes  </line>
    <line>processos de adaptação.  </line>
    <line>Nessa fase, passou estudar um público bairro San próximo  </line>
    <line>Avenida na de No teve com pixador 4  como  </line>
    <line>Choy, com um praticante de  graffiti  chamado Leo Gospel e com as próprias latas de Spray. Daquele  </line>
    <line>contexto, que intervenções pixadores “Pilantra”, chamaram sua  </line>
    <line>atenção e o fizeram observar mais os muros da cidade. Sobre aqueles tempos, explica: </line>
    <line>Foi Choy Recife, o que mostrou primeira de  graffiti  eu  </line>
    <line>Na tinha coisa Daim Reisser]. foi cara me  </line>
    <line>muito a atenção. Era um grafiteiro Alemão que faz uns 3D. P..... Eu vi aquilo e fiquei impres - </line>
    <line>sionado o faria Daí algumas e lá cá, muito  </line>
    <line>trabalho dedicação, estudando aprendendo coisa não com - </line>
    <line>4    Seguindo autores como Pereira (2010) e Diógenes (2017), utilizam- </line>
    <line>ferirmos especificamente à prática nativa juvenil mais relacionada ao universo  Hip-Hop ,  Skateboard entre outros. Já Pereira  </line>
    <line>(2025) observa que a “pichação”, com “ch”, carrega aspectos políticos e publicitários voltados ao amplo engajamento, citan - </line>
    <line>do como exemplo a clássica inscrição “abaixo a ditadura”. O pichador, assim, desenvolve uma escala e uma intencionalidade  </line>
    <line>distintas das alme </line>
    <line>trajetórias históricas específicas.</line>
  </page>
  <page number="8">
    <line>8 </line>
    <line>lação ao graffiti 3D mas com relação ao graffiti letra. O graffiti letra também, como eu disse  </line>
    <line>anteriormente 5 , diz o está sempre algo Entãoo o  </line>
    <line>graffiti  o  Wild yle, Bomb, que  graffiti  geral, um, mais  - </line>
    <line>ples ao mais complexo tem algo especial a proporcionar ( </line>
    <line>É detalhes que que se apenas aquisição um  </line>
    <line>capital cultural e social (Bourdieu, 2004) por meio do contato com amigos e praticantes de  graffiti   </line>
    <line>respeitados como Choy e Leo Gospel. Muito menos somente da Revista que lhe apresentou o Daim.  </line>
    <line>Apesar considerarmos importância recursos e possibilitados am- </line>
    <line>biente escolar e na rua, o sentido da prática é muito mais profundo para Múmia. Se ele explica que  </line>
    <line>o graff nunca apenas que escrito”, compreendemos seus refletem  </line>
    <line>sua “arte de fazer”.  </line>
    <line>Para Certeau (2014), essas “artes de fazer” podem ser observadas nas práticas comuns, nas expe- </line>
    <line>riências e maneira os moldam percursos, suas  </line>
    <line>narrativas da urbana Trata-se práticas expressam  </line>
    <line>táticas e criatividade para que se projetem a partir das situações possíveis no espaço urbano.  </line>
    <line>Até então, Jailson, desde cedo, aprendeu a lidar com o espaço como um lugar praticado, seja a casa  </line>
    <line>da infância utilizada como suporte, seja o trabalho com Leonardo utilizado como possibilidade de  </line>
    <line>aprendizado ou escola conheceu e Leo fazendo  graffiti  um seus  </line>
    <line>muros. A maneira como esse ator social interagiu com Daim e com os conhecimentos da cidade de  </line>
    <line>Recife traz um traço disruptivo, marcado pelo entusiasmo de um aprimoramento próprio, embora  </line>
    <line>tomasse o artista alemão e os pixadores da capital como importantes referências.  </line>
    <line>Em sua mudou-se o bairro José 6 , João marcando  </line>
    <line>outra biográfica 2002) seu Nos anos, trabalhou  </line>
    <line>uma durante dia estudava colégio à Naquele em as - </line>
    <line>ções cidade muito às organizadas, se com colegas  </line>
    <line>de conhecidos “Pequeno” “Divon” formou grupo ficou como  </line>
    <line>“pixadores Nos suas eram RBO lado Gagau  </line>
    <line>e Sobre primeira em Pessoa, um relato um conhecido  </line>
    <line>como Skill, em uma entrevista com o pesquisador Thiago da Silveira Cunha:  </line>
    <line>Skill: dos rolê que dei madrugada que... com... com  </line>
    <line>RBO (...). Que teve uma época que acabou com as embolada da cidade. [Pausa] (...). Aí quan- </line>
    <line>do, começou mandar... a começou querer mundo, também  </line>
    <line>uma... uma assinatura dessa, né?’ Uma xarpi. Aí todo mundo começou a fazer também. Acho  </line>
    <line>que ele... ele mudou também, né? Queira ou não, o estilo da cidade. E... influenciou a galera,  </line>
    <line>né? Instigou a galera. A dar rolê. E o cara dava rolê sozinho, oxe. (...) Ele dava rolê, velho, de  </line>
    <line>rolo também, sozinho. (....) O cara tinha na cidade toda. O cara... pixava muito mesmo, muito  </line>
    <line>mesmo. mesmo... tá [Pausa] influência foi demais  </line>
    <line>pra galera. Pra todo mundo. Até hoje ele... o cara é foda aí. Até hoje o cara tá  </line>
    <line>as tintas.  </line>
    <line>5   Trata-se de um </line>
    <line>6   Além observarmos cotidianamente, como de (2012) de  et  demonstram  </line>
    <line>como o preconceito, o medo e o estigma caracterizam narrativas sobre o bairro, nos veículos de comunicação e nas frontei- </line>
    <line>ras do São José com o bairro vizinho, o Manaíra.</line>
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