Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24846, 2026  
DOI:10.21669/tomo.v45.24846  
Dossiê: Sociologia econômica no Brasil:  
reconfigurações dos mercados e disputas de poder  
E-ISSN:2318-9010 / ISSN:1517-4549  
DOSSIÊ  
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES  
GESTORAS NO MUNDO RURAL  
Roberta Ness*1  
Rodrigo Cantu**2  
Resumo  
O artigo investiga as mulheres gestoras em empresas familiares do agronegócio brasileiro. A pesquisa ana-  
lisou as propriedades sociais de 124 mulheres em posições de gestão, com base em dados fornecidos por  
uma empresa de consultoria especializada. Metodologicamente, utiliza-se a Análise de Correspondência  
Múltipla (ACM) para criar o espaço social e a Análise de Cluster Hierárquica (ACH) para identificar padrões  
de agrupamento. Os resultados indicam que a principal diferenciação ocorre por fatores geracionais e pelas  
características das empresas, além de evidenciar diferentes percepções sobre desafios, como desigualdades  
de gênero, conciliação entre família e trabalho e conflito geracional e familiar. Além disso, a ACH permitiu  
identificar quatro perfis distintos de gestoras, indicando que suas trajetórias, posições e dificuldades se  
organizam de forma heterogênea no espaço social analisado.  
Palavras-chaves: espaço social; elites; agronegócio, gestoras; análise de correspondência múltipla.  
*
Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:  
dos Dados, Escrita do Rascunho Original.  
** Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Sociologia e Política, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: rodrigo.  
Revisão e Edição.  
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)  
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
INTRODUÇÃO1  
O estudo das elites rurais no Brasil tem uma longa trajetória nas ciências sociais do país (cf. Me-  
neses, 2021). De análises históricas ao exame do contexto recente, vários trabalhos revelam como  
essas elites se articulam em associações patronais e atuam no âmbito da política institucional  
(Font e Barzelatto, 1988; Mendonça, 2009; Pompeia, 2021). Para além desses temas, Heinz (2001)  
aborda igualmente as propriedades sociais de indivíduos que compõem a elite rural brasileira,  
inaugurando uma linha de estudos prosopográficos desse grupo. Paralelamente a esse recorte  
de classe do mundo rural, que divide o exame de camadas subalternas e do “andar de cima” (cf.  
Meneses e Piccin, 2024), as ciências sociais têm igualmente se debruçado sobre outros recortes,  
tais como o de gênero.  
Paralelamente aos estudos sobre elites e estudos rurais, os estudos de gênero também consolida-  
ram-se como uma área de importante relevância nas ciências sociais, contribuindo para a compre-  
ensão das formas historicamente construídas de desigualdades, das relações de poder e dos me-  
canismos de reprodução social. Influenciadas pelas diferentes ondas do feminismo e pelo avanço  
das críticas ao patriarcado, pesquisadoras passaram a ampliar o debate sobre como as diferenças  
entre homens e mulheres são socialmente construídas e atravessam instituições, famílias, car-  
reiras profissionais e subjetividades (Scott, 2017; Butler, 2003; Hirata e Kergoat, 2007; Kergoat,  
2009; Hirata, 2016; Federici, 2019).  
No contexto brasileiro, essa produção acadêmica possibilitou evidenciar como a inserção feminina  
no mercado de trabalho e em posições de poder permanece permeada pela divisão sexual do tra-  
balho, pela sobrecarga associada a atividades de cuidado e pelas desigualdades no acesso a recur-  
sos econômicos, educacionais e simbólicos (Bruschini, 2007; Biroli, 2014; Saffioti, 2015; Bourdieu,  
2020). De modo mais específico à temática do presente artigo, os estudos rurais sobre as mulhe-  
res têm se consolidado em torno de temáticas relacionadas às classes populares do campo, como  
agricultores familiares, camponeses, assentados, quilombolas e trabalhadores rurais. Essa tradição,  
baseada em perspectivas críticas e engajadas, frequentemente articulada às pautas feministas e dos  
movimentos sociais rurais tem privilegiado a compreensão das condições de trabalho, das desigual-  
dades e das formas de resistência das mulheres trabalhadoras rurais em posições subalternizadas  
(Deere e León, 2002; Brumer, 2004; Karam, 2004; Deere, 2004; Maciazeki-Gomes et al., 2021).  
Enquanto a variedade de trabalhos sobre mulheres nas classes populares do campo é numerosa,  
ainda são poucas as pesquisas que analisam as mulheres nas elites do agronegócio, sobretudo  
as que busquem compreender as diferenciações internas entre essas mulheres e suas distintas  
propriedades sociais e trajetórias profissionais. O agronegócio brasileiro representou 24,8% do  
Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2022 (Centro de Estudos Avançados em Economia Apli-  
cada, 2023) e configura-se como um espaço historicamente caracterizado pela predominância  
masculina, sobretudo em posições de poder e prestígio (Lopes e Pontili, 2004; Instituto Brasileiro  
de Geografia e Estatística, 2019; Maciazeki-Gomes et al., 2021).  
Para compreender a configuração desse espaço social, é necessário considerar as desigualdades  
historicamente presentes no acesso das mulheres aos recursos econômicos e produtivos do meio  
1
Este artigo apresenta parte de uma pesquisa desenvolvida na dissertação de uma das autoras, intitulada “’Nascidas no cam-  
po’: o espaço social de mulheres gestoras brasileiras atuantes em empresas rurais familiares do agronegócio, defendida no  
Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGS-UFPel).  
2
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
rural. Deere e León (2002) demonstram que a estrutura fundiária latino-americana foi constituída  
a partir de padrões que privilegiavam os homens enquanto chefes de família, refletindo na assi-  
metria na posse da terra, no acesso ao crédito, à assistência técnica, aos processos sucessórios e às  
oportunidades de inserção em posições de comando. Tradicionalmente, o homem foi socialmente  
identificado como agricultor, enquanto a mulher foi percebida como trabalhadora secundária, in-  
dependentemente da quantidade de tempo dedicada às atividades rurais (Deere e León, 2002).  
Essas desigualdades permanecem visíveis no presente: segundo o Censo Agropecuário de 2017,  
as mulheres são proprietárias de apenas 19% dos estabelecimentos rurais, enquanto os homens  
detêm 81% (Oliveira et al., 2020).  
Apesar dessas disparidades de gênero, familiares e institucionais, a presença crescente de mulhe-  
res na gestão de empresas familiares e em organizações representativas do setor sugere transfor-  
mações nesse universo social. Se, por um longo período, a participação feminina enfrentou dife-  
rentes limitações, a ampliação da presença das mulheres em cargos de gestão indica a abertura de  
novas possibilidades de inserção e ascensão. Esse processo também pode ser observado pela visi-  
bilidade de mulheres ligadas ao agronegócio em espaços de representação política e institucional.  
A existência de figuras proeminentes na política nacional, – tais como as parlamentares e ex-mi-  
nistras da agricultura Tereza Cristina e Katia Abreu, ambas notoriamente ligadas ao agro brasi-  
leiro –, juntamente à disseminação de redes e instâncias institucionais que têm dado visibilidade  
às mulheres nas dinâmicas de camadas sociais superiores do mundo rural. É nesse contexto de  
permanências e mudanças que se torna relevante compreender quem são essas mulheres e como  
se estruturam as diferenciações dessa elite (recente) do agronegócio. Nesse sentido, parece-nos  
que a trajetória dessas mulheres empresárias e gestoras em empresas familiares do agronegócio  
constitui, em grande medida, uma história ainda a ser escrita, cuja compreensão possa contribuir  
para explicar as transformações recentes desse espaço social.  
Buscando contribuir para uma agenda de pesquisa ainda incipiente, esse artigo investiga as mu-  
lheres nas elites contemporâneas do agronegócio no Brasil, por meio de uma análise explorató-  
ria de sua diversidade. Para balizar conceitualmente o exame dos dados empíricos, utilizamos a  
noção de espaço social. Enquanto um dos elementos fundamentais da teoria de Pierre Bourdieu,  
a noção de espaço social permite compreender o mundo coletivo enquanto uma topografia mar-  
cada por posições definidas relacionalmente, com base nas distintas propriedades dos indivíduos  
(Bourdieu, 1985; Hardy, 2014; Wacquant, 2019).  
O talvez mais proeminente conceito de campo é um caso específico de espaço social, em que há limi-  
tes mais definidos, maior autonomia, emergência de um contencioso e de uma forma de autoridade  
específica, além de uma marcada lógica agonística de funcionamento. A relevância da noção de es-  
paço social está, entre outras possibilidades, na sua função de quadro analítico para a compreensão  
das práticas: a variação do comportamento e das visões de mundo entre diferentes grupos sociais  
pode ser concebida (e prevista) por meio do mapeamento das posições dos agentes nesse espaço.  
Bourdieu a empregou de modo explícito em trabalhos como A Distinção (2007), para examinar a  
totalidade de uma sociedade nacional. No entanto, a noção de espaço social pode igualmente ser  
empregada para o exame de grupos e mundos sociais circunscritos, tal como realizado em estudos  
como Hey (2007) e Hey e Rodrigues (2017). Consideramos, ainda, que essa opção analítica evita  
uma transposição automática do mais conhecido conceito de campo para universos sociais cuja  
autonomia é limitada ou atravessada por múltiplas determinações externas, como, nesse caso,  
as econômicas e familiares. Trabalhos como o de Heredia et al. (2010) problematizam a própria  
3
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
concepção do agronegócio como um espaço homogêneo e plenamente estruturado, ressaltando a  
coexistência de diferenças econômicas, culturais, regionais e familiares.  
Metodologicamente, a pesquisa emprega uma perspectiva quantitativa. O material empírico uti-  
lizado é um conjunto de dados das propriedades sociais de 124 mulheres atuantes em cargos de  
gestão em empresas familiares do agronegócio. A coleta de dados se deu por intermédio de uma  
empresa de consultoria, especializada no atendimento a empresas familiares atuantes no agro-  
negócio. Os dados foram examinados por meio da Análise de Correspondências Múltiplas (ACM),  
técnica da estatística multivariada utilizada na análise de dados categóricos, que permite elaborar  
imagens capazes de demonstrar as afinidades e divergências entre indivíduos e entre categorias.  
Representando essas aproximações e distanciamentos em eixos (ortogonais uns aos outros), a  
ACM constitui ainda uma técnica de simplificação da complexidade dos dados, em um resumo  
multidimensional (em vários eixos) da diferenciação das unidades de análise. Assim, ela pode ofe-  
recer um quadro da estrutura de diversificação das mulheres gestoras no mundo rural, coerente  
com a noção de espaço social.  
De modo complementar, recorreu-se à Análise de Cluster Hierárquica (ACH), aplicada às coorde-  
nadas dos indivíduos obtidas na ACM, com o objetivo de identificar agrupamentos de posições  
próximas no espaço social. Enquanto a ACM explicita a estrutura relacional das diferenças, a ACH  
agrupa essas posições em clusters, reunindo indivíduos com localizações semelhantes e eviden-  
ciando padrões de distribuição das gestoras.  
O artigo está estruturado em duas partes, além da introdução e das considerações finais. Na se-  
gunda seção, são detalhados os procedimentos metodológicos e, na sequência, são apresentados  
os resultados da pesquisa, com ênfase na ACM e, complementarmente, na ACH.  
METODOLOGIA  
Apesar de sua crescente importância social, estudar as mulheres de camadas sociais superiores do  
mundo rural envolve diversos desafios: o acesso a informações disponíveis é limitado, em razão de sua  
atuação frequentemente discreta, muitas vezes reconhecida apenas em nichos específicos do agrone-  
gócio, e da limitada disponibilidade de dados públicos, em particular no que se refere a dados sobre as  
propriedades rurais nas quais atuam. Ademais, pesquisas realizadas nesse contexto, frequentemente,  
colocam frente a frente pesquisadores e pesquisados que ocupam posições social e economicamente  
desiguais, o que impõe desafios adicionais ao acesso, à construção de confiança e à própria produção  
dos dados. A pesquisa que baseia este artigo encarou esses desafios de modo criativo, a fim de tentar  
apresentar um retrato pioneiro da diversidade das mulheres gestoras atuantes no agronegócio.  
As contribuições aqui trabalhadas se baseiam preponderantemente na análise de dados quan-  
titativos. Sem se aprofundar no exame de cada mulher (suas trajetórias e vivências específicas),  
apresenta-se um panorama transversal e geral de suas características. Os dados têm origem na  
elaboração de uma amostra por conveniência (não probabilística)2. Devido à ausência de fontes  
2
A seleção por amostragem por conveniência consistiu na escolha de participantes disponíveis para a pesquisa. Em outras  
palavras, os indivíduos foram selecionados por constituírem uma amostra acessível, sem a aplicação de critérios probabi-  
lísticos nem de procedimentos estatísticos para sua definição. Esse método geralmente apresenta vantagens relacionadas  
à facilidade operacional e ao menor custo na etapa de amostragem. Contudo, como consequência, não permite a realização  
de generalizações estatisticamente rigorosas sobre toda a população.  
4
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
de dados públicos para consulta, foi necessária a criação de um banco de dados original, a partir  
de informações disponibilizadas3 por uma empresa de consultoria sediada na cidade de Pelotas/  
RS, especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio4.  
A definição da amostra teve como critério a seleção de mulheres gestoras, empresárias, sócias,  
herdeiras e/ou sucessoras de empresas rurais familiares do agronegócio5, atendidas pela empresa  
de consultoria e que integrassem projetos de governança familiar ativos no ano de 20226. Com-  
puseram o universo estudado 80 projetos/famílias7, apresentando, ao todo, 124 mulheres que  
ocupavam cargos de gestão e/ou possuíam cotas na sociedade, podendo ou não compartilhar o  
comando com outros familiares. A escolha de gestoras pertencentes a famílias que mantinham  
projetos de governança familiar ativos no ano da pesquisa foi adotada como critério de definição  
da amostra, por se tratar de um serviço diretamente relacionado à profissionalização, ao estabele-  
cimento de regras e à estruturação organizacional do negócio familiar8, além de ter como objetivo  
alinhar as relações entre família, negócio e patrimônio. Esses projetos são desenvolvidos majori-  
tariamente por profissionais das áreas de Psicologia e Administração.  
Para o levantamento de dados, utilizou-se um questionário que foi preenchido pelas equipes da  
empresa de consultoria que trabalham nos projetos de governança familiar. Essas equipes conhe-  
ciam com profundidade as pessoas da gestão de cada propriedade, permitindo contornar o pro-  
blema de acesso aos indivíduos para a coleta de informações. O questionário abordava os seguin-  
tes temas:  
Gestoras idade, área de formação, estado civil, número de filhos, cargo na empresa, setor  
de atuação, tempo de atuação na empresa, processo de inserção no negócio familiar, tipo de  
gestão (compartilhada ou individual), com quem compartilham, a quantidade de homens que  
compartilham a gestão e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres nas suas carreiras pro-  
fissionais.  
Propriedades rurais estado em que estão localizadas, faturamento anual, atividade predominante,  
tamanho da área produtiva e número de empregados.  
3
A referida empresa de consultoria é especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio, que possuem alto  
faturamento e alta produtividade, além de influência e protagonismo no setor. Com mais de 300 funcionários, possui atua-  
ção nacional e internacional e está presente em onze estados brasileiros e em países como Argentina, Bolívia, Paraguai e  
Uruguai. Os principais serviços oferecidos incluem planejamento sucessório, governança familiar e societária, planejamen-  
to tributário, acompanhamento contábil, fiscal e financeiro, além de serviços de imobiliária rural, regularização fundiária e  
gestão de departamento pessoal e de recursos humanos.  
Todas as mulheres da amostra têm origem no grupo familiar responsável pela empresa; não há casos de gestoras externas  
que tenham assumido cargos de gestão ou se tornado sócias, herdeiras ou sucessoras nas empresas pesquisadas.  
Nas empresas familiares, os processos de estruturação organizacional e de sucessão familiar auxiliam na organização da  
transmissão de recursos econômicos e simbólicos entre as gerações. Esses processos contribuem para a organização da  
gestão do negócio e para a definição das posições ocupadas pelos membros da família na empresa, com o objetivo de  
garantir a continuidade do grupo empresarial e familiar ao longo do tempo, bem como estabelecer quem poderá acessar  
posições de poder e o patrimônio (material e simbólico) da empresa familiar.  
4
5
6
7
8
Todas as empresas que compõem o universo empírico são de capital fechado e são gerenciadas por núcleos familiares vin-  
culados aos fundadores de cada empresa rural e, na maioria dos casos, possuem comando compartilhado entre diferentes  
gerações.  
A estruturação organizacional engloba os processos de mapeamento, a criação dos órgãos de governança (estruturas for-  
mais, tais como fórum familiar, conselho de sócios, conselho de administração, comitê gestor, gestão executiva, conselho de  
herdeiros) e a elaboração de documentos que orientam e regulam o negócio familiar (como o protocolo familiar).  
Atestam esse crescente uso, entre tantos outros, os seguintes trabalhos: Neto (2015); Bertoncelo (2016); Vieira e Chiara-  
monte (2021); Cantu (2024); Albuquerque e Cantu (2026).  
5
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Após a coleta, os dados foram organizados no programa SPSS, com o objetivo de transformá-los  
em variáveis categóricas. Além disso, optou-se por atribuir uma numeração a cada gestora (de 1 a  
124), a fim de anonimizá-las.  
As variáveis construídas têm como objetivo avaliar como se entrelaçam dimensões biográficas, fami-  
liares e profissionais na diferenciação social neste espaço. A seguir, o Quadro 1 apresenta as variáveis  
e suas respectivas descrições, contendo uma breve justificativa sobre a escolha de cada variável.  
Quadro 1 – Descrição das variáveis  
Variável  
Descrição  
Região  
Organização das propriedades rurais segundo as regiões do Brasil, com a finalidade de identifi-  
car a localização das propriedades rurais analisadas. As regiões produtoras do país apresentam  
diferenças em termos de condições climáticas e geográficas, disponibilidade de terras, estrutura  
fundiária, perfil produtivo e processos históricos de ocupação e de desenvolvimento agrícola.  
Idade  
Identificação de diferenças geracionais entre as gestoras. Para isso, a variável foi organizada  
em quatro modalidades correspondentes ao início da vida adulta, à fase adulta intermediária,  
à meia-idade e à idade mais avançada.  
Formação  
Identificação do nível e da área de formação das gestoras, pois os títulos educacionais podem  
representar capitais socialmente reconhecidos.  
Estado Civil  
Identificação dos fatores que podem exercer influência sobre as oportunidades que as mu-  
lheres têm de exercer atividades profissionais fora do espaço doméstico, bem como sobre as  
formas de inserção no negócio familiar.  
Filhos  
Representação do ciclo familiar e reprodutivo das gestoras, considerando a maternidade como  
um marco significativo na experiência social e biográfica das mulheres que são, ou não, mães.  
Setor de atuação  
Apresentação das áreas do negócio em que as mulheres atuam com maior frequência, consi-  
derando que determinadas atividades podem indicar diferentes níveis de acesso a posições de  
gestão, tomada de decisão e prestígio.  
Tempo de atuação  
Inserção  
Demonstração do tempo de atuação das mulheres nas empresas rurais familiares, uma vez  
que esse tempo pode expressar possíveis diferenças nas trajetórias de inserção e permanên-  
cia na gestão dessas empresas.  
Relação entre as diferentes formas pelas quais as gestoras ocupam posições de gestão nas  
empresas familiares rurais, buscando entender como os modos de acesso a essas posições se  
expressam na configuração do espaço social analisado.  
Quantidade de ho- Quantificação do número de homens com os quais as mulheres compartilham a gestão nas  
mens que comparti- empresas, para tentar identificar possíveis desequilíbrios de poder e a distribuição desigual  
lham a gestão  
de oportunidades na gestão.  
Faturamento anual  
Análise do tamanho das propriedades rurais em termos financeiros anuais, podendo fornecer uma  
noção da amplitude da capacidade de mercado dessas empresas, contribuindo também para indi-  
car diferenças na posição ocupada pelas propriedades na configuração do espaço social.  
Atividade  
nante  
predomi- Caracterização das atividades agropecuárias presentes na amostra, contribuindo para a com-  
preensão e análise do contexto produtivo do país. A maioria das propriedades analisadas de-  
senvolve mais de um tipo de cultivo ou atividade produtiva; ainda assim, optou-se por iden-  
tificar a atividade predominante em cada caso para fins de organização e análise da variável.  
Número de emprega- Identificação de diferenças na estrutura produtiva das propriedades analisadas, podendo es-  
dos  
tar associada ao tamanho do empreendimento, ao nível de tecnologia empregado, ao fatura-  
mento e à atividade produtiva predominante.  
Dificuldades enfrenta- A identificação das dificuldades enfrentadas pelas gestoras, é relevante pela possibilidade de  
das pelas gestoras  
revelar quais são os principais obstáculos relatados e observar como esses desafios se distri-  
buem nas diferentes propriedades sociais das gestoras presentes na amostra.  
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).  
6
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
Para analisar esses dados, foi utilizada a Análise de Correspondências Múltiplas (ACM). Essa téc-  
nica permite reduzir a complexidade da relação entre variáveis categóricas e produz eixos que  
expressam, de forma gráfica, as diferenças predominantes entre as unidades de análise (Klüger,  
2018; Hjellbrekke, 2018; Bertoncelo, 2022). Crescentemente utilizada nas ciências sociais brasi-  
leiras9, ela permite a exploração da estrutura de diferenciação de um grupo de indivíduos e, con-  
sequentemente, a compreensão de sua divisão em distintos perfis.  
Nesse artigo, empregamos uma ACM com Seleção de Modalidades Ativas, também conhecida como  
ACM específica, que permite tornar passivas (não serem consideradas no cálculo de formação dos  
eixos) algumas das categorias. Usamos essa técnica para desconsiderar as categorias de ausência  
de resposta (NAs). Para rodar a ACM, foi utilizado o pacote GDATools no R. Foram utilizadas 63  
modalidades, destas 55 são ativas e 9 são passivas. O conjunto das variáveis, suas categorias, suas  
frequências e as coordenadas e contribuição nos eixos 1 e 2 (além de uma legenda explicando cada  
modalidade) podem ser observadas através do Quadro 2.  
Ademais, para aprofundar a compreensão das diferenças internas da amostra, foi empregada uma  
Análise de Cluster Hierárquica, utilizando como base as coordenadas dos indivíduos derivadas  
da ACM. A definição dos agrupamentos considerou a configuração dos pontos no plano dos dois  
primeiros eixos, resultando na identificação de quatro clusters. Essa estratégia permitiu agrupar  
indivíduos em posições semelhantes no espaço analisado, favorecendo a interpretação das proxi-  
midades e distinções entre os perfis.  
Quadro 2 – Categorias, estatísticas descritivas e resultados da ACM  
Eixo 1  
Coord Contrib Coord Contrib Legenda  
Centro Oeste (Bolívia, Goiás, Mato  
Eixo 2  
Variável Modalidade  
REGIAO.CO  
Freq  
%
43 34,7 -0,652  
3,766  
0,073  
0,064 Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondô-  
nia)  
Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais  
e São Paulo)  
Região  
REGIAO.SE  
49 39,5 0,568  
21 16,9 0,368  
3,254  
-0,759  
7,825  
REGIAO.S  
0,586  
1,057  
9,132  
0,028  
1,596  
5,919  
0,953  
1,183  
0,836  
0,021  
-0,407  
0,044  
0,409  
-0,141  
8,148 Sul (Rio Grande do Sul e Paraná)  
2,133 Nordeste (Bahia)  
0,004 Menos e até 35 anos  
1,469 De 36 a 55 anos  
REGIAO.NE  
IDADE.<35  
11  
8,9 -0,683  
37 29,8 -1,094  
32 25,8 -0,065  
28 22,6 0,526  
27 21,8 1,031  
17 13,7 -0,521  
IDADE.36-45  
Idade  
IDADE.46-55  
0,015 De 46 a 55 anos  
IDADE.>56  
1,25 56 anos ou mais  
FORMACAO.agrarias  
0,094 Ciências Agrárias  
FORMACAO.sociais  
aplicadas  
45 36,3 -0,187  
13 10,5 0,291  
0,323  
0,226  
0,239  
-0,267  
-0,863  
-0,281  
0,887 Ciências Sociais Aplicadas  
2,685 Ciências da Saúde  
FORMACAO.saude  
Formação  
Outras (Exatas, Humanas e Engenha-  
FORMACAO.outras  
10  
8,1  
0,341  
0,219  
rias)  
FORMACAO.EM  
sem informação  
10  
8,1  
1,207  
-
3,004  
-
1,428  
-
5,656 Ensino Médio  
29 23,4  
-
Sem informação  
9
A utilização dos dados disponibilizados pela empresa de consultoria foi previamente autorizada, por escrito, para fins aca-  
dêmicos, assegurando-se o tratamento ético das informações e o anonimato das participantes e da organização.  
7
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Eixo 1  
Eixo 2  
Variável Modalidade  
ESTCIVIL.casada  
Freq  
%
Coord Contrib Coord Contrib Legenda  
89 71,8 0,169  
18 14,5 -1,369  
5
11  
1
34 27,4 -1,089  
15 12,1 -0,187  
42 33,9 0,202  
0,525  
6,95  
2,561  
0,114  
-
0,072  
-0,2  
0,417  
-0,536  
-
0,129 Casada  
0,199 Solteira  
0,241 Viúva  
ESTCIVIL.solteira  
ESTCIVIL.viuva  
ESTCIVIL.divorciada  
sem informação  
FILHOS.sem filhos  
FILHOS.1  
Estado  
Civil  
4
8,9  
0,8  
1,576  
0,224  
-
0,877 Divorciada  
-
Sem informação  
8,311  
0,108  
0,352  
6,143  
0,745  
0,142  
0,904  
2,015  
-
-0,015  
-0,619  
-0,297  
0,675  
-0,02  
0,054  
0,276  
-1,117  
-
0,002 Sem filhos  
1,594 Possui 1 filho  
1,026 Possui 2 filhos  
4,165 Possui 3 filhos ou mais  
0,008 Administrativo  
0,024 Financeiro  
Filhos  
FILHOS.2  
FILHOS.3 ou >  
SETOR. administrativo 74 59,7 -0,221  
33 27,4  
0,95  
SETOR.financeiro  
SETOR.prod/com  
SETOR.cons/exe  
sem informação  
TEMPOAT.<10  
30 24,2 0,152  
12  
5
Setor de  
Atuação  
9,7  
4
2,4  
0,605  
1,398  
-
0,253 Produção e Comercial  
1,728 Conselho e Executivo  
3
-
Sem informação  
52 41,9 -0,621  
27 21,8 0,232  
21 16,9 0,838  
7
2
4,133  
0,298  
3,042  
2,574  
0,603  
-
-0,071  
-0,522  
0,59  
0,565  
1,282  
-
0,072 10 anos ou menos  
2,037 De 11 a 20 anos  
2,026 De 21 a 30 anos  
0,619 De 31 a 40 anos  
0,911 41 anos ou mais  
TEMPOAT.11 a 20  
TEMPOAT.21 a 30  
TEMPOAT.31 a 40  
TEMPOAT.41 ou >  
sem informação  
INSERCAO.casamento  
INSERCAO.sucessão  
Tempo de  
Atuação  
5,6  
1,6  
1,335  
1,209  
-
15 12,1  
-
Sem informação  
21 16,9 0,614  
66 53,2 -0,275  
19 15,3 -0,61  
10  
8
1,631  
1,026  
1,459  
3,264  
-
0,423  
-0,134  
-0,434  
1,587  
-
1,042 Casamento  
0,327 Sucessão  
0,991 Herança  
6,986 Fundadora  
Inserção INSERCAO. herança  
INSERCAO.fundadora  
sem informação  
8,1  
6,5  
1,258  
-
-
Sem informação  
Quanti- HOM.<1  
45 36,3 0,485  
2,179  
2,199  
0,013  
0,184  
-0,307  
-0,223  
0,206  
1,095  
1,178 1 homem ou menos  
0,498 2 homens  
0,293 3 homens  
5,654 4 homens ou mais  
dade de  
Homens  
que Com-  
partilham  
a Gestão  
HOM.2  
HOM.3  
HOM.>4  
36  
25 20,2  
29  
-0,544  
0,05  
17 13,7 -0,229  
sem informação  
1
0,8  
-
-
-
-
Sem informação  
FATUR.<20mi  
FATUR.21mi-80mi  
FATUR.>80  
sem informação  
ATIV.cereais  
25 20,2 0,524  
65 52,4 -0,196  
30 24,2 -0,029  
1,413  
0,517  
0,005  
-
3,106  
3,106  
2,168  
-0,744  
-0,086  
0,663  
-
0,261  
-1,439  
-0,287  
3,835 Menos de R$ 20 milhões  
0,134 De R$ 20 milhões a R$ 80 milhões  
3,653 Mais de R$ 80 milhões  
Fatura-  
mento  
(R$)  
4
3,2  
-
-
Sem informação  
92 74,2 -0,347  
1,738 Cereais (Trigo, Milho, Soja, Arroz e etc.)  
6,885 Café  
0,251 Hortifruti  
ATIV.café  
ATIV.hortifruti  
12  
11  
9,7  
8,9  
1,121  
0,978  
Atividade  
Predomi-  
nante  
Outras (Pecuária de corte e leite e cul-  
tivo de flores)  
ATIV.outros  
9
7,3  
0,86  
1,374  
-0,399  
0,398  
EMPREG.< a 50  
EMPREG.51 a 100  
EMPREG.101 a 150  
EMPREG.151 a 200  
EMPREG.201 ou >  
sem informação  
DIFICUL.inexp/co-  
nhec no ramo  
25 20,2 0,446  
16 12,9 -0,047  
1,026  
0,007  
0,042  
0,037  
0,204  
-
-0,452  
0,831  
1,108  
1,353  
0,495  
-
1,415 50 ou menos  
3,067 De 51 a 100  
1,361 De 101 a 150  
2,538 De 151 a 200  
0,68 De 201 ou mais  
Número  
de Empre-  
gados  
4
5
10  
3,2 -0,225  
4
-0,189  
0,315  
-
8,1  
64 51,6  
-
Sem informação  
Inexperiência/conhecimento  
ramo  
no  
16 12,9 -0,689  
1,565  
1,378  
1,617  
1,548  
-0,137  
-0,971  
-1,067  
0,55  
0,083  
DIFICUL.conflito gera/  
fami  
10  
11  
8,1  
8,9  
0,818  
0,844  
2,616 Conflito geracional/familiar  
Dificul-  
dades  
Enfrenta-  
das pela  
Gestoras  
DIFICUL.conc fami  
trab  
e
3,469 Conciliar família e trabalho  
DIFICUL.autor/ma-  
chi/desc  
DIFICUL.inova tec/ger  
sem informação  
29 23,4 -0,509  
2,43 Autoritarismo/machismo/descrédito  
2,116 Inovação tecnológica/gerencial  
8
6,5  
0,301  
-
0,149  
-
-0,977  
-
50 40,3  
-
Sem informação  
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).  
8
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
RESULTADOS E DISCUSSÕES  
Para determinar a estrutura do espaço social de mulheres gestoras brasileiras atuantes em em-  
presas familiares do agronegócio, foram considerados os dois primeiros eixos fatoriais da ACM. O  
eixo 1 representa 40,5% da variância dos dados e o eixo 2 17,4% (taxa modificada). O Gráfico 1  
apresenta as categorias ativas distribuídas no espaço, formado pelos eixos 1 e 2.  
Gráfico 1 – Modalidades ativas distribuídas no espaço formado pelos eixos 1 e 2.  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Para a interpretação do gráfico gerado pela ACM, foram consideradas as categorias que mais con-  
tribuíram para a formação dos eixos (Tabelas 1 e 2), indicando se suas contribuições são positivas  
ou negativas, isto é, como estão posicionadas em cada eixo. Essa análise possibilitou compreender  
como as variáveis se distribuem no espaço analisado, bem como identificar proximidades, distân-  
cias e oposições entre as modalidades que explicam as principais diferenciações observadas.  
9
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Tabela 1 – Categorias com maiores contribuições na formação do eixo 1  
Contribuições negativas (%) – posicionadas à esquerda  
Idade.<35: -9,13  
Contribuições positivas (%) – posicionadas à direita  
Filhos.3 ou mais: 6,14  
Idade.>56: 5,92  
Filhos.Nenhum: -8,31  
Estado civil.Solteira: -6,95  
Tempo de atuação.< ou 10: -4,13  
Região.Centro Oeste: -3,77  
Atividade.Cereais: -2,29  
Inserção.Fundadora: 3,26  
Região.Sudeste: 3,25  
Atividade.Café: 3,11  
Tempo de atuação.21-30 anos: 3,04  
Formação.Ensino Médio: 3,00  
Homens na gestão.2: -2,20  
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).  
O primeiro eixo da ACM (eixo horizontal) parece ser estruturado principalmente pela variável ida-  
de. As modalidades relacionadas às diferentes faixas etárias apresentam forte contribuição para a  
formação dos dois polos do eixo, indicando a existência de uma oposição entre posições distintas  
no espaço analisado. Essa oposição sugere a presença de diferentes perfis de gestoras, associados  
às variações geracionais observadas na amostra.  
Do lado positivo do eixo (direito), observaram-se contribuições relevantes de sete modalidades  
que caracterizam gestoras com mais idade. Destacam-se as modalidades idade acima de 56 anos,  
inserção como fundadora, três filhos ou mais e tempo de atuação entre 21 e 30 anos, além de ca-  
racterísticas contextuais associadas, como formação em nível médio, atuação na produção de café  
e localização na região Sudeste. Em conjunto, essas modalidades configuram um perfil de gestoras  
em faixas etárias mais avançadas, mães, da primeira geração (fundadora) e, por isso, com maior  
tempo de atuação nas empresas rurais familiares. Esse lado do eixo reúne, portanto, um grupo que  
possui maior experiência profissional, medida pelo tempo de atuação, e por trajetórias vinculadas  
à fundação das empresas.  
No extremo oposto, do lado negativo (esquerdo), cinco modalidades apresentaram contribuições  
relevantes, identificando gestoras com menos idade. Destacam-se as modalidades idade abaixo de  
35 anos, solteiras, sem filhos e com tempo de atuação inferior a 10 anos, além de características  
contextuais associadas, como localização na região Centro-Oeste, atuação na produção de cereais  
e a divisão da gestão com dois homens. Em conjunto, essas modalidades configuram um perfil de  
gestoras mais jovens, solteiras, sem filhos e com menor tempo de atuação nas empresas rurais fa-  
miliares. Esse lado do eixo reúne, portanto, um grupo representado por inserção mais recente na  
gestão, de gerações mais recentes e por trajetórias profissionais ainda em consolidação.  
A oposição observada no primeiro eixo da ACM também pode ser interpretada à luz da formação  
histórica e regional do agronegócio brasileiro. O polo positivo, associado às mulheres de mais  
idade e vinculadas à região Sudeste, aproxima-se de trajetórias ligadas a espaços agrícolas histo-  
ricamente estabelecidos, nos quais a constituição das empresas familiares ocorreu em contextos  
tradicionais, estruturados por processos mais longos de acumulação patrimonial (Heredia et al.,  
2010; Meneses, 2021).  
Já o polo negativo, associado às mulheres mais jovens e vinculadas à região Centro-Oeste, parece  
expressar transformações mais recentes vinculadas à expansão das chamadas fronteiras agrícolas  
e à ocupação empresarial dos cerrados, configurando um espaço social relativamente recente (He-  
10  
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
redia et al., 2010). Essa diferenciação regional parece refletir também as distintas temporalidades  
dos processos de formação e de reprodução das famílias proprietárias. Enquanto as mulheres  
associadas à região Sudeste tendem a estar vinculadas a empresas familiares mais antigas e têm  
como forma de inserção a condição de fundadoras, aquelas localizadas no Centro-Oeste encon-  
tram-se inseridas em grupos familiares atuantes em regiões de consolidação mais recente, o que  
pode estar relacionado a perfis mais jovens, com menor tempo de atuação na gestão e em etapas  
iniciais dos processos de sucessão e inserção nos negócios familiares.  
Tabela 2 – Categorias com maiores contribuições na formação do eixo 2  
Contribuições positivas (%) – posicionadas acima:  
Região.Sul: 8,15  
Contribuições negativas (%) – posicionadas abaixo:  
Região.Sudeste: -7,82  
Inserção.fundadora: 6,99  
Atividade.café: -6,89  
Formação.ensino médio: 5,66  
Homens na gestão.> 4: 5,65  
Faturamento.< 20 milhões: -3,83  
Dificuldade.conciliar família e trabalho: -3,47  
Formação.Saúde: -2,68  
Filhos.3 ou >: 4,17  
Faturamento.> 80 milhões: 3,65  
Empregados.51 a 100: 3,07  
Dificuldade.conflito geracional/familiar: -2,62  
Dificuldade.inovação tecnológica/gerencial: -2,12  
Dificuldade.autoritarismo/machismo/descrédito: 2,43  
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).  
O segundo eixo da ACM (eixo vertical) parece destacar as características das propriedades rurais  
como principal fator estruturante. Comparado ao primeiro eixo, sua interpretação é menos evi-  
dente, mas pode ser definida a partir da combinação das modalidades que expressam as caracte-  
rísticas dos negócios familiares e aquelas relacionadas às trajetórias profissionais das gestoras.  
De modo geral, as variáveis individuais das gestoras tiveram menor peso na formação deste eixo.  
No lado positivo do eixo (parte superior do gráfico), destacam-se oito modalidades com maior  
relevância para a formação do eixo: região Sul, inserção como fundadora, formação em ensino mé-  
dio, gestoras com três ou mais filhos, gestão compartilhada com mais de quatro homens, proprie-  
dades com 51 a 100 empregados e faturamento anual acima de 80 milhões de reais. Em conjunto,  
essas modalidades representam empresas maiores, mais antigas, estruturadas e tradicionais, lo-  
calizadas principalmente no Sul, lideradas por fundadoras e com faturamento elevado.  
11  
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Gráfico 2 – Nuvem de pontos dos indivíduos no plano dos eixos 1 e 2  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
No lado negativo do eixo, destacaram-se sete modalidades que contribuíram mais significativa-  
mente para sua formação: localização na região Sudeste, atuação na produção de café, faturamen-  
to anual abaixo de 20 milhões de reais, dificuldade em conciliar família e trabalho, formação na  
área da saúde, dificuldades relacionadas a conflitos geracionais/familiares e dificuldades associa-  
das à inovação tecnológica/gerencial. Em conjunto, essas modalidades reúnem características de  
empresas com menor faturamento, em comparação com o lado oposto, localizadas principalmente  
no Sudeste, com produção de café e de gestoras que relatam desafios relacionados à gestão, à con-  
ciliação entre trabalho e família e a conflitos geracionais e familiares.  
A oposição observada no segundo eixo parece refletir diferentes momentos dos negócios fami-  
liares. O polo positivo reúne características associadas a empresas de maior porte, maior fatu-  
ramento e à presença de mulheres fundadoras, sugerindo trajetórias vinculadas à constituição e  
consolidação dos empreendimentos familiares. Já o polo negativo associa-se a empresas de menor  
faturamento e a gestoras que relatam maiores dificuldades de conciliação entre família e trabalho,  
conflitos geracionais e processos de inovação. O eixo parece evidenciar diferentes condições de  
atuação das mulheres na gestão das empresas familiares, associadas às características dos empre-  
endimentos e aos desafios enfrentados pelas gestoras em seu cotidiano.  
12  
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
Cabe agora realizar alguns comentários sobre uma “variável experiencial” do conjunto de dados:  
as dificuldades encontradas pelas gestoras em suas carreiras profissionais. Considerando a distri-  
buição das categorias dessa variável no Gráfico 1, é possível afirmar que diferentes posições nesse  
espaço social estão relacionadas às variadas experiências diante dos desafios do cargo e à própria  
definição do que é ser uma mulher gestora que atua no agro. No polo do gráfico à esquerda, onde  
se localizam as gestoras mais jovens, aparecem as dificuldades “Inexperiência/conhecimento no  
ramo” e Autoritarismo/machismo/descrédito. Para além de uma esperada dificuldade envolven-  
do os custos de entrada nesse espaço (a experiência de falta de conhecimento no ramo), é interes-  
sante notar que a geração mais jovem é a que menos toma como naturais as relações de gênero  
assimétricas no negócio e manifesta que o autoritarismo patriarcal é um dos obstáculos centrais  
à sua atuação.  
No lado direito do gráfico, localizam-se as categorias “Inovação tecnológica/gerencial, Confli-  
to geracional/familiar” e “Conciliar família e trabalho. O descompasso entre as disposições pro-  
fissionais e as inovações do meio aparece como uma igualmente esperada característica desses  
grupos, como a antítese da inexperiência enquanto dificuldade na geração mais jovem. Embora  
não inteiramente inesperada, a relação entre gerações de mais idade e dificuldades referentes aos  
laços entre família e negócio é um aspecto relevante da configuração desse espaço social.  
Em relação às mais jovens, para quem o peso da dominação patriarcal aparece como mais saliente,  
as gestoras mais experientes se deparam com as vicissitudes de seu duplo papel de profissionais  
no negócio e de mães e esposas no contexto familiar. Em um papel feminino hegemônico que, em  
grande parte, é endossado por essas mulheres, recaem sobre elas as funções de cuidadoras não  
apenas das pessoas individuais da família (vide a categoria “Conciliar família e trabalho”), como  
também dos elos que a unem (“Conflito geracional/familiar”).  
Desse quadro de diferentes percepções sobre as dificuldades, pode-se concluir a importância de  
investigar a diferenciação das mulheres em camadas superiores do mundo rural. Esses resultados  
sugerem que há uma diversidade relevante nesse grupo, que deve ser levada em consideração para  
a própria formação subjetiva dessas mulheres em relação ao que significa ser uma profissional em  
negócios do agronegócio, especificamente, que tipo de desafios de gênero ocupam em suas atuações.  
A fim de aprofundar o exame dessa diversidade, foi realizada uma ACH com base nas coordenadas  
dos indivíduos, geradas pela ACM. Estabeleceu-se como corte a delimitação de quatro grupos, em  
função da distribuição dos indivíduos no plano dos eixos 1 e 2 (Gráfico 2). Em um exame informal  
dessa distribuição, é possível identificar quatro grupos: um em cada ponta da forma triangular da  
nuvem de pontos dos indivíduos e um no centro. O Gráfico 3 mostra o resultado da ACH, com os  
polígonos convexos que delimitam a área contendo os indivíduos que pertencem a cada um dos  
quatro grupos encontrados. Esse resultado corresponde ao esperado pelo exame informal, o que  
sugere a robustez desse modo de agrupamento. Abaixo, discutimos resumidamente as caracterís-  
ticas de cada um dos clusters:  
13  
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Gráfico 3 - Polígonos convexos delimitando os quatro grupos da Análise de Cluster Hierárquica  
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).  
Perfil 1 – Gestoras mais jovens, em início de carreira e em processo de construção profissional:  
mulheres com até 35 anos, solteiras e sem filhos. Atuam, em geral, nos setores administrativos e  
financeiros, em propriedades localizadas no Centro-Oeste, voltadas à produção de cereais e com  
gestão compartilhada com pelo menos dois homens. Inserem-se no negócio familiar por meio  
de herança. Enfrentam, sobretudo, desafios relacionados à menor experiência e à falta de auto-  
nomia, ao machismo e ao descrédito. Esse grupo representa uma geração mais recente de ges-  
toras, cuja inserção no espaço das empresas rurais familiares ocorre em um contexto de maior  
profissionalização da gestão e de transição geracional, ainda em processo de consolidação de  
sua posição no negócio.  
Perfil 2 – Gestoras de meia-idade, sucessoras e em processo de construção de legitimidade: mu-  
lheres entre 36 e 45 anos, em geral casadas e com pelo menos um filho. Possuem formação  
em áreas das ciências sociais aplicadas ou agrárias e atuam predominantemente nos setores  
administrativo e financeiro. Estão inseridas em empresas familiares voltadas à produção de  
cereais, com faturamento entre 21 e 80 milhões de reais, e compartilham a gestão com três ou  
mais homens. Sua inserção no negócio ocorre por meio de processos estruturados de sucessão  
familiar, indicando transformações nas formas de organização do negócio rural, em contex-  
tos de gestão compartilhada entre diferentes gerações. Trata-se de gestoras com experiência  
acumulada e atuação estabelecida, ainda que enfrentem desafios relacionados à construção  
de legitimidade profissional. Estão inseridas em organizações de maior porte e complexidade  
14  
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
dentro da amostra. Esse grupo ocupa uma posição intermediária no espaço social, combinan-  
do inserção estruturada, qualificação profissional e educacional e desafios associados à dinâ-  
mica relacional da gestão familiar.  
Perfil 3 – Gestoras com experiência moderada, atuação consolidada e em posição intermediária:  
mulheres entre 46 e 55 anos, em geral divorciadas e mães de até dois filhos. Possuem entre 11  
e 20 anos de experiência no negócio, formação em áreas das ciências sociais aplicadas ou da  
saúde, e atuam em empresas familiares de médio porte, localizadas principalmente no Sudeste  
e voltadas à produção de café. Tendem a enfrentar dificuldades na conciliação entre trabalho  
e família, além de conflitos geracionais e desafios relacionados à inovação tecnológica e ge-  
rencial. Esse grupo ocupa cargos no conselho e no executivo e uma posição intermediária nos  
processos de sucessão familiar, atuando na mediação entre gerações e na modernização orga-  
nizacional das empresas rurais. Suas trajetórias revelam uma combinação entre experiência  
moderada, demandas atuais de modernização da gestão e do mercado e conflitos familiares.  
Perfil 4 – Gestoras experientes, com trajetórias consolidadas e reconhecimento recente: mulhe-  
res com mais de 56 anos, com longo tempo de atuação (mais de 40 anos), formação no ensino  
médio, em geral casadas e mães de três filhos, frequentemente são fundadoras ou têm forte  
ligação à origem da empresa familiar. Em geral, atuam em propriedades localizadas no Sul.  
Esse grupo representa gestoras com longa trajetória no negócio, que acompanharam o cresci-  
mento e a consolidação das empresas, participando das decisões e da gestão cotidiana. Apesar  
da experiência, nem sempre ocuparam cargos formais ou tiveram seu trabalho plenamente  
reconhecido na estrutura empresarial.  
Os estudos sobre gênero têm demonstrado que as gerações mais jovens passaram a construir seus  
projetos de vida em um contexto influenciado pelas conquistas dos movimentos feministas, que  
ampliaram os questionamentos sobre o patriarcado, a centralidade do casamento e as possibili-  
dades de construção de carreiras profissionais (Bruschini, 2007; Federici, 2019; Jardim e Souza,  
2024). Embora os dados desta pesquisa não permitam estabelecer relações diretas entre essas  
transformações e os perfis identificados, os resultados demonstram a existência de posições e  
trajetórias diversificadas no espaço social das mulheres gestoras do agronegócio.  
A participação feminina nesse universo não aponta para um perfil homogêneo, abrangendo o perfil  
de gestoras jovens, solteiras e sem filhos, e de gestoras de mais idade, casadas ou divorciadas, com  
diferentes configurações familiares, níveis de escolarização e formas de inserção nas empresas. Ao  
mesmo tempo, trajetórias femininas orientadas para a formação profissional e para a construção  
de carreiras não estão isentas de tensões e sacrifícios, frequentemente acompanhadas de conflitos  
emocionais decorrentes das expectativas sociais relacionadas ao casamento, à maternidade e à  
constituição da família (Jardim e Souza, 2024). Nesse sentido, os resultados encontrados sugerem  
que a inserção das novas gerações de mulheres na gestão das empresas rurais familiares ocorre  
em um contexto de reconfiguração das relações de gênero, no qual diferentes projetos de vida e  
formas de participação feminina passam a coexistir.  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Esse artigo teve como objeto de pesquisa as mulheres nas camadas superiores do mundo rural  
brasileiro. Os resultados de pesquisa aqui apresentados enfocaram a diversidade de perfis dessas  
mulheres, considerando alguns aspectos da desigualdade de gênero e da interseção entre família  
15  
Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
e negócio, presentes em suas experiências. Buscou-se superar a falta de dados disponíveis, assim  
como o acesso limitado a esses meios, com um questionário preenchido por intermédio de uma  
empresa de consultoria. Com esse artifício, foi possível coletar informações de um grupo relativa-  
mente grande e variado de mulheres, possibilitando uma análise quantitativa e exploratória desse  
espaço social.  
Os dados foram examinados com a ACM, que revelou duas dimensões de diferenciação nesse es-  
paço social. No primeiro eixo, há uma diferenciação geracional, em que as mulheres mais jovens  
se opõem a mulheres de mais idade com filhos. A essa oposição correspondem também diferentes  
experiências da mulher gestora, sendo as mais jovens mais sensíveis às desigualdades de gênero  
e as de mais idade às questões familiares. No segundo eixo, opõe-se às empresas maiores às me-  
nores, em termos de faturamento e de número de funcionários (e, secundariamente, por região).  
A ACH, realizada a partir das coordenadas dos indivíduos na ACM, permitiu identificar quatro gru-  
pos distintos, de acordo com a distribuição das características das agentes. Esses agrupamentos  
reforçam a existência de perfis diferenciados de gestoras, indicando que suas trajetórias, posições  
e desafios não são homogêneos, mas se organizam em padrões relativamente estruturados no  
espaço social analisado.  
Os resultados também dialogam com uma tradição consolidada dos estudos de gênero que tem evi-  
denciado como as experiências das mulheres são atravessadas por diferentes formas de desigual-  
dade e por posições sociais heterogêneas. A análise sugere que a atuação feminina em posições de  
gestão no agronegócio permanece permeada por tensões associadas às relações de gênero, embora  
essas tensões assumam configurações diferentes de acordo com fatores como geração, maternidade,  
trajetória profissional e características das empresas familiares em que as gestoras atuam.  
Os achados ainda apontam para transformações em um espaço social tradicionalmente associado  
à predominância masculina. Ainda que persistam barreiras relacionadas às dinâmicas familiares,  
aos processos sucessórios e à divisão sexual do trabalho, a crescente presença de mulheres em  
cargos de liderança sugere mudanças nas formas de participação feminina nas empresas familia-  
res do agronegócio. Considera-se, assim, que o artigo contribui para uma aproximação empírica à  
estrutura de diferenciação desse grupo social, ainda pouco estudado pela academia. Desse modo,  
espera-se contribuir para os estudos sobre elites econômicas do agronegócio e para os estudos de  
gênero, estimulando novas pesquisas capazes de aprofundar a compreensão das transformações  
recentes nas relações de gênero em segmentos empresariais do mundo rural, bem como das es-  
truturas de diferenciação que organizam esse espaço social.  
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16  
O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL  
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Roberta Ness; Rodrigo Cantu  
Abstract  
Resumen  
Key-Words  
Palavras Clave  
The social space of women managers  
in the rural world  
El espacio social de las mujeres gestoras  
en el mundo rural  
Abstract  
Resumen  
This article investigates women managers in fa-  
mily-owned agribusiness companies in Brazil. The  
research analyzed the social properties of 124 wo-  
men in management positions based on data provi-  
ded by a specialized consulting company. Methodo-  
logically, Multiple Correspondence Analysis (MCA)  
was used to construct the social space, while Hie-  
rarchical Cluster Analysis (HCA) was employed to  
identify grouping patterns. The results indicate  
that the main differentiation occurs through gene-  
rational factors and company characteristics, in ad-  
dition to revealing different perceptions regarding  
challenges such as gender inequalities, work-fa-  
mily balance, and generational and family conflicts.  
Furthermore, the HCA identified four distinct pro-  
files of women managers, indicating that their tra-  
jectories, positions, and difficulties are organized  
heterogeneously within the analyzed social space.  
Keywords: social space; elites; agribusiness; wo-  
men managers; multiple correspondence analysis.  
El artículo investiga a las mujeres gestoras en em-  
presas familiares del agronegocio brasileño. La  
investigación analizó las propiedades sociales de  
124 mujeres en cargos de gestión, con base en da-  
tos proporcionados por una empresa de consul-  
toría especializada. Metodológicamente, se utilizó  
el Análisis de Correspondencias Múltiples (ACM)  
para construir el espacio social y el Análisis de  
Clúster Jerárquico (ACJ) para identificar patrones  
de agrupamiento. Los resultados indican que la  
principal diferenciación ocurre por factores gene-  
racionales y por las características de las empresas,  
además de evidenciar diferentes percepciones so-  
bre desafíos como las desigualdades de género, la  
conciliación entre familia y trabajo, y los conflictos  
generacionales y familiares. Asimismo, el ACJ per-  
mitió identificar cuatro perfiles distintos de gesto-  
ras, indicando que sus trayectorias, posiciones y  
dificultades se organizan de manera heterogénea  
en el espacio social analizado.  
Palabras clave: espacio social; élites; agronegocio;  
gestoras; análisis de correspondencias múltiples.  
Histórico  
Recebido: Abril/26  
Primeiro Parecer: Abril/26  
Segundo Parecer: Maio/26  
Aceito: Junho/26  
Revisão Gramatical/Ortográfica e ABNT: Junho/26  
Revisado Autor: Julho/26  
Publicado: Agosto/26  
Equipe Editorial Revista TOMO envolvida no processo editorial deste artigo  
Marina de Souza Sartore (Editora-chefe)  
Contato: revistatomo@gmail.com  
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