O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES GESTORAS NO MUNDO RURAL
de dados públicos para consulta, foi necessária a criação de um banco de dados original, a partir
de informações disponibilizadas3 por uma empresa de consultoria sediada na cidade de Pelotas/
RS, especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio4.
A definição da amostra teve como critério a seleção de mulheres gestoras, empresárias, sócias,
herdeiras e/ou sucessoras de empresas rurais familiares do agronegócio5, atendidas pela empresa
de consultoria e que integrassem projetos de governança familiar ativos no ano de 20226. Com-
puseram o universo estudado 80 projetos/famílias7, apresentando, ao todo, 124 mulheres que
ocupavam cargos de gestão e/ou possuíam cotas na sociedade, podendo ou não compartilhar o
comando com outros familiares. A escolha de gestoras pertencentes a famílias que mantinham
projetos de governança familiar ativos no ano da pesquisa foi adotada como critério de definição
da amostra, por se tratar de um serviço diretamente relacionado à profissionalização, ao estabele-
cimento de regras e à estruturação organizacional do negócio familiar8, além de ter como objetivo
alinhar as relações entre família, negócio e patrimônio. Esses projetos são desenvolvidos majori-
tariamente por profissionais das áreas de Psicologia e Administração.
Para o levantamento de dados, utilizou-se um questionário que foi preenchido pelas equipes da
empresa de consultoria que trabalham nos projetos de governança familiar. Essas equipes conhe-
ciam com profundidade as pessoas da gestão de cada propriedade, permitindo contornar o pro-
blema de acesso aos indivíduos para a coleta de informações. O questionário abordava os seguin-
tes temas:
•
Gestoras – idade, área de formação, estado civil, número de filhos, cargo na empresa, setor
de atuação, tempo de atuação na empresa, processo de inserção no negócio familiar, tipo de
gestão (compartilhada ou individual), com quem compartilham, a quantidade de homens que
compartilham a gestão e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres nas suas carreiras pro-
fissionais.
•
Propriedades rurais – estado em que estão localizadas, faturamento anual, atividade predominante,
tamanho da área produtiva e número de empregados.
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A referida empresa de consultoria é especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio, que possuem alto
faturamento e alta produtividade, além de influência e protagonismo no setor. Com mais de 300 funcionários, possui atua-
ção nacional e internacional e está presente em onze estados brasileiros e em países como Argentina, Bolívia, Paraguai e
Uruguai. Os principais serviços oferecidos incluem planejamento sucessório, governança familiar e societária, planejamen-
to tributário, acompanhamento contábil, fiscal e financeiro, além de serviços de imobiliária rural, regularização fundiária e
gestão de departamento pessoal e de recursos humanos.
Todas as mulheres da amostra têm origem no grupo familiar responsável pela empresa; não há casos de gestoras externas
que tenham assumido cargos de gestão ou se tornado sócias, herdeiras ou sucessoras nas empresas pesquisadas.
Nas empresas familiares, os processos de estruturação organizacional e de sucessão familiar auxiliam na organização da
transmissão de recursos econômicos e simbólicos entre as gerações. Esses processos contribuem para a organização da
gestão do negócio e para a definição das posições ocupadas pelos membros da família na empresa, com o objetivo de
garantir a continuidade do grupo empresarial e familiar ao longo do tempo, bem como estabelecer quem poderá acessar
posições de poder e o patrimônio (material e simbólico) da empresa familiar.
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Todas as empresas que compõem o universo empírico são de capital fechado e são gerenciadas por núcleos familiares vin-
culados aos fundadores de cada empresa rural e, na maioria dos casos, possuem comando compartilhado entre diferentes
gerações.
A estruturação organizacional engloba os processos de mapeamento, a criação dos órgãos de governança (estruturas for-
mais, tais como fórum familiar, conselho de sócios, conselho de administração, comitê gestor, gestão executiva, conselho de
herdeiros) e a elaboração de documentos que orientam e regulam o negócio familiar (como o protocolo familiar).
Atestam esse crescente uso, entre tantos outros, os seguintes trabalhos: Neto (2015); Bertoncelo (2016); Vieira e Chiara-
monte (2021); Cantu (2024); Albuquerque e Cantu (2026).
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