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<document>
  <page number="1">
    <line>1 </line>
    <line>DOSSIÊ </line>
    <line>A PAISAGEM URBANA E O EXISTIR CITADINO:  </line>
    <line>o círculo cultural como leitura e construção de visualidades e  </line>
    <line>subjetividades em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro </line>
    <line>Lucas Ribeiro da Silva*1 </line>
    <line>Teresa de Jesus Peixoto Faria**2 </line>
    <line>Resumo </line>
    <line>As políticas públicas habitacionais no contexto urbano brasileiro têm sido orientadas por uma lógica técni- </line>
    <line>co-higienista, que desconsidera dimensões sociais, simbólicas e afetivas das paisagens urbanas. Este artigo  </line>
    <line>analisa os efeitos de uma política habitacional sobre os modos de habitar e existir na cidade, a partir da  </line>
    <line>remoção da favela Inferno Verde e da realocação de seus moradores no Conjunto Habitacional João Batista,  </line>
    <line>em Campos dos Goytacazes/RJ, processo que reconfigurou a paisagem urbana. A pesquisa adota uma abor- </line>
    <line>dagem articulando bibliográfica, participante experiência  </line>
    <line>compartilhada, desenvolvidas em um projeto de extensão universitária. O Círculo Cultural, inspirado em  </line>
    <line>Emiliano Dantas e no Círculo de Cultura de Paulo Freire, foi utilizado para acessar narrativas e percepções  </line>
    <line>dos moradores por meio de imagens da paisagem em transformação. Os resultados indicam rupturas dos  </line>
    <line>vínculos e de do revelando entre política  </line>
    <line>institucional e as vivências locais. </line>
    <line>Palavras-chaves: círculo cultural; paisagem urbana; políticas habitacionais; sociabilidade; intervenções urbanas </line>
    <line>*  Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Centro de Ciências do Homem, Programa de Pós Graduação em  </line>
    <line>Políticas Sociais, Laboratório de Estudo do Espaço Antrópico, Setor de Estudos Interdisciplinares de Estudos sobre Cidade  </line>
    <line>e Espaço Urbano. Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: lucasribeirosv7@gmail.com Orcid:  https://orcid. </line>
    <line>org/0000-0002-4433-450X CrediT: Conceitualização, Investigação, Metodologia e Escrita do Rascunho Original </line>
    <line>**  Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Centro de Ciências do Homem, Programa de Pós Graduação em  </line>
    <line>Políticas Sociais, Laboratório de Estudo do Espaço Antrópico, Setor de Estudos Interdisciplinares de Estudos sobre Cidade  </line>
    <line>e Espaço Urbano. Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail:  teresapf@uenf.br Orcid: https://orcid.org/0000- </line>
    <line>0002-8935-2373 CrediT: Aquisição de Financiamento para a publicação do artigo, Administração do Projeto, Investigação,  </line>
    <line>Supervisão e Escrita - Revisão e Edição. </line>
    <line> Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)  </line>
    <line>Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24404, 2026 </line>
    <line>DOI:10.21669/tomo.v45.24404 </line>
    <line>Dossiê: Visualidades Urbanas: poder, subjetividades,  </line>
    <line>sociabilidades e o existir citadino </line>
    <line>E-ISSN: 2318-9010 / ISSN:1517-4549</line>
  </page>
  <page number="2">
    <line>2 </line>
    <line>INTRODUÇÃO </line>
    <line>O existir urbano na contemporaneidade atravessa inúmeras dimensões, sendo estas políticas, so- </line>
    <line>ciais, econômicas, históricas ou espaciais. Dessa forma, cada indivíduo tem dentro de sua trajetó- </line>
    <line>ria experiência que ramifica diferentes dentre inúmeras - </line>
    <line>dades de vivência na urbe. Essa multiplicidade de experiências evidencia que o existir urbano não  </line>
    <line>pode ser compreendido apenas como uma condição espacial, mas também um processo social,  </line>
    <line>simbólico e histórico, em que diferentes sujeitos produzem e vivenciam a cidade a partir de posi - </line>
    <line>ções O da não ser como dado mas  </line>
    <line>uma construção social permanentemente em disputa. </line>
    <line>Ao compreender a cidade em meio a um universo urbano, há o substrato material, os prédios,  </line>
    <line>casas, instituições públicas e privadas, espaços livres, favelas, estacionamentos, isto é, a própria  </line>
    <line>materialidade com a qual a cidade se impõe. E, além disso, existe uma trama intangível, que reflete  </line>
    <line>o imaginário, o simbólico, o típico, o cotidiano, o estranho, o corriqueiro, o afetuoso, o invisível.  </line>
    <line>Estes aspectos tão distintos formam uma dança moderna que acompanha o dia a dia urbano, a  </line>
    <line>partir da particularidade de cada indivíduo dentro da sua cidade. </line>
    <line>Esta dualidade se aproxima da ideia Lefebvriana de cidade, em que o filósofo francês afirma que a ci- </line>
    <line>dade se dá pela projeção da sociedade sobre um local, isto é, não apenas sobre o lugar sensível como  </line>
    <line>também o específico, e pelo que a   </line>
    <line>e o urbano. Em que se estabelece uma relação entre os termos cidade enquanto “realidade presente,  </line>
    <line>imediata, dado prático sensível, arquitetônico” e o urbano como “realidade social, composta de rela- </line>
    <line>ções sociais a serem concebidas” (Lefebvre, 2001, p. 62-69). Para Campos et al. (2018, p. 8), </line>
    <line>A cidade é um universo que pode ser concebido a partir de diversos pontos de vista. É,  </line>
    <line>desde logo, um território, com fronteiras formalmente definidas e com uma geografia que é  </line>
    <line>ocupada por diferentes materialidades e seres (humanos e não-humanos). É, também, um  </line>
    <line>universo social, na medida em que é habitada e vivida, ao longo do tempo, por diferentes  </line>
    <line>pessoas e grupos sociais que vão produzindo a cidade. O espaço e o tempo são, assim, com- </line>
    <line>ponentes da cidade que é fabricada em camadas, marcada pela permanente mudança da  </line>
    <line>sua paisagem.     </line>
    <line>É nesse contexto que a paisagem urbana se apresenta como uma chave analítica privilegiada,  </line>
    <line>pois condensa em sua dimensão visível e sensível os processos históricos, sociais e espaciais que  </line>
    <line>estruturam a experiência urbana. A paisagem permite, assim, observar como o espaço vivido se  </line>
    <line>materializa ao longo do tempo. </line>
    <line>Como assinalado por Lefebvre e complementado por Campos et al. (2018), citados acima, a expe- </line>
    <line>riência da paisagem urbana é repleta de destrinchamentos e guiada pela intervenção constante do  </line>
    <line>tempo na paisagem. O caráter espacial da paisagem urbana acompanha um caráter temporal, que  </line>
    <line>a condiciona a constantes transformações, que ora serão dentro da esfera da cidade, por meio de  </line>
    <line>demolições, reestruturações, revitalizações, entre outros nomes, ora na esfera do urbano, em que  </line>
    <line>a materialidade permanece, porém muda-se a percepção da sociedade sobre aquele local, dando  </line>
    <line>lugar para alteridades, heterotopias, mudanças de perspectiva, e também, estigmatização, invisi - </line>
    <line>bilidade, marginalidade, entre outras. </line>
    <line>Ao apontarmos para a paisagem urbana como ponto de estudo, estamos de frente a um debate  </line>
    <line>longo envolve áreas conhecimento, elas geografia, fotografia</line>
  </page>
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    <line>3 </line>
    <line>e sociologia. A riqueza e a complexidade da paisagem levam a diferentes abordagens e interpre- </line>
    <line>tações, o que nos obriga a adotar um ponto de vista que reforça os principais pontos de interesse  </line>
    <line>neste estudo.  </line>
    <line>Tomemos a paisagem de acordo com o geógrafo e filósofo Jean-Marc Besse (2010; 2014), que a de - </line>
    <line>fine como a “ordem do mundo que se faz visível” (2010, p. 38), um território produzido e praticado  </line>
    <line>pelas sociedades humanas, por motivos econômicos, políticos e culturais, em que é gravado o im- </line>
    <line>pacto das experiências, costumes, valores e práticas desenvolvidas pela sociedade daquele local. </line>
    <line>A seria uma na da produto sempre  </line>
    <line>nem intencional (mas também pode ser) das atividades humanas. A consideração dessa  </line>
    <line>“escrita implica, de certo da entre es - </line>
    <line>fera artística propriamente dita e as esferas sociais e culturais (Besse, 2014, p. 27-28). </line>
    <line>Porém, considerando também o estudo posto pelo arquiteto brasileiro Silvio Macedo (1999), pro- </line>
    <line>fessor emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP),  </line>
    <line>não podemos entender a paisagem apenas como um produto social, mas também como um sistema: </line>
    <line>Como um produto porque resulta de um processo social de ocupação e gestão de um de - </line>
    <line>terminado território. Como um sistema, na medida em que, a partir de qualquer ação sobre  </line>
    <line>ela impressa, com certeza haverá uma reação correspondente que equivale ao surgimento  </line>
    <line>de uma alteração morfológica parcial ou total (Macedo, 1999, p. 11). </line>
    <line>Portanto, Macedo, em consonância com Besse, destaca que a paisagem  é o resultado social das  </line>
    <line>diversas ações humanas sobre um determinado território. Isso significa que a paisagem urbana  </line>
    <line>não de espontânea; construída partir decisões orientam ocupação,  </line>
    <line>o uso e a gestão do espaço. Cada edificação, via, marco, construção ou forma de organização  </line>
    <line>espacial expressa relações sociais específicas e modos de produção que estão se materializando  </line>
    <line>no território. Nesse sentido, a paisagem funciona como um registro visível, e também vivível, das  </line>
    <line>práticas sociais acumuladas no tempo. </line>
    <line>No nto, se também um fica o relacional a - </line>
    <line>gem Não trataapenas resultado ou de processo mas  - </line>
    <line>bém de um conjunto de elementos interdependentes que interagem entre si e com a sociedade.  </line>
    <line>Assim, quaisquer ações impressas sobre a paisagem, intervenções urbanas, políticas públicas ha- </line>
    <line>bitacionais, obras de infraestrutura, apropriações cotidianas (como praticar esportes em praças)  </line>
    <line>desencadeiam reações no próprio sistema paisagístico. Essas reações podem se manifestar como  </line>
    <line>alterações parciais totais, não a física urbe,  </line>
    <line>também os modos de uso, percepção, circulação e sociabilidade. </line>
    <line>Dessa forma, a paisagem urbana atua como intermediária entre a sociedade e a cidade: ela é pro- </line>
    <line>duzida socialmente, mas, ao mesmo tempo, condiciona e reorganiza práticas sociais futuras. A  </line>
    <line>intervenção sobre a paisagem, portanto, não é neutra, pois gera efeitos que retroagem sobre a vida  </line>
    <line>social, reconfigurando comportamentos, relações e experiências urbanas.  </line>
    <line>Em complemento a tal ideia, também se adota a perspectiva da temporalidade da paisagem de  </line>
    <line>Ingold (2021) em que a paisagem não é um mero conjunto resultante de ações passadas nem um  </line>
    <line>cenário estático. Trata-se de um processo vivo formado por múltiplas temporalidades, presentes e</line>
  </page>
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    <line>4 </line>
    <line>passadas, que estão intrínsecas à paisagem, nas marcas deixadas pelos usos cotidianos, pelos usos  </line>
    <line>reiterados e pelas transformações ambientais. </line>
    <line>Ao estudar a paisagem urbana, indagamos não perante uma imagem estática, mas sim sobre um  </line>
    <line>processo social que aconteceu, e ainda acontece, atravessando o habitar das pessoas que ali vivem.  </line>
    <line>Onde as atividades, as práticas comunitárias e as intervenções do poder público se entrelaçam,  </line>
    <line>tendo como consequência transformações no habitar, no viver e também na própria paisagem.  </line>
    <line>Logo, pode-se afirmar que estamos tratando de visualidades urbanas, desenhadas na paisagem.</line>
    <line>Conforme discutem Campos  et al. (2018), as visualidades urbanas constituem formas de produ- </line>
    <line>ção de sentidos sobre a cidade. Mais do que simples imagens, elas correspondem a modos de ver  </line>
    <line>e representar os espaços urbanos, sendo atravessadas por relações de poder, disputas simbólicas  </line>
    <line>e diferentes experiências do habitar. Nessa perspectiva, Campos (2016) traz que os regimes de  </line>
    <line>visibilidade organizam aquilo que pode ser visto e reconhecido socialmente, ao mesmo tempo em  </line>
    <line>que produzem processos de invisibilização. Tornar algo </line>
    <line>olhar, mas negar sua existência social, relegando determinados sujeitos, territórios e experiências  </line>
    <line>às margens da cidade. Se a paisagem é a ordem que se faz visível, segundo Besse (2006), argumen- </line>
    <line>ta-se que também se trata da ordem que é tornada invisível.  </line>
    <line>Ademais, também nos apropriamos da abordagem conceitual de Malta, em que o autor aponta que  </line>
    <line>“A paisagem ordena socioespacialmente a estrutura urbana, conforma relações sociais do poder  </line>
    <line>político, do poder econômico e de diferenças culturais.” (Malta, 2017, p. 100). “Podemos entender  </line>
    <line>os arranha-céus e os projetos de habitação popular como paisagens do poder.  Essas paisagens  </line>
    <line>são texto das sociais, e atividades grupos  </line>
    <line>incorporando e reforçando as diferenças” (Zukin, 2000, p. 106 apud Malta, 2017, p. 100). Já o que  </line>
    <line>tensiona estas relações de poder, o que normalmente é associado a algo negativo, desordenado,  </line>
    <line>desafiadores normas urbanização planejamensão contrapaisagens; caso Rio  </line>
    <line>de Janeiro, ilustrado pelos morros ocupados por favelas, a inversão cultural da paisagem do poder,  </line>
    <line>da visualidade dominante (Malta, 2017).  </line>
    <line>Essa compreensão é particularmente relevante para a análise das políticas habitacionais volta - </line>
    <line>das favelas. remoção assentamentos implica uma física  </line>
    <line>da paisagem, mas também a produção de novas visualidades urbanas. Ao substituir a favela por  </line>
    <line>conjuntos habitacionais, de caráter padronizado, ordenado e, teoricamente, digno, constrói-se  </line>
    <line>uma imagem de ordem, progresso e modernização, enquanto as memórias, os vínculos sociais  </line>
    <line>e as territorialidades constituídas anteriormente tendem a ser invisibilizados. Nesse sentido, as  </line>
    <line>visualidades produzidas pelas políticas públicas representam também a cidade, participando ati- </line>
    <line>vamente definição quais e de merecem e devem </line>
    <line>desaparecer, as paisagens e contrapaisagens (Malta, 2017).  </line>
    <line>Logo, este artigo analisa e busca responder como uma política pública habitacional do município  </line>
    <line>de Campos dos Goytacazes/RJ, ancorada em remoções, como é o caso da remoção das famílias da  </line>
    <line>favela Inferno Verde, que foi demolida para dar lugar a um conjunto habitacional popular vertical,  </line>
    <line>onde famílforam reconfigura paisagem e visualidades, - </line>
    <line>zindo novos regimes de sociabilidade e de existir citadino. Assim, elegemos o Círculo Cultural  </line>
    <line>como uma metodologia que, além de ser capaz de acessar subjetividades, narrativas e imagens, é,  </line>
    <line>segundo o autor, uma experiência antropológica que se estrutura na produção de conhecimento  </line>
    <line>compartilhado com as pessoas, em interações e trocas, no movimento dialético de atenção para as  </line>
    <line>imagens (Dantas, 2021).</line>
  </page>
  <page number="5">
    <line>5 </line>
    <line>Este artigo resulta das atividades realizadas no projeto de extensão Políticas Públicas e a Espera:  </line>
    <line>Ações garantia direitos conjuntos com da de  </line>
    <line>Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), vinculado à Coordenação de Extensão  </line>
    <line>do Centro de Ciências do Homem (CooEx-CCH) da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy  </line>
    <line>Ribeiro A adotada a bibliográfica; pesquisa campo ações  </line>
    <line>junto às famílias afetadas, realizadas no âmbito do referido projeto de extensão. </line>
    <line>As atividades de campo se desdobraram por um longo período, iniciando-se em 2013, logo após a  </line>
    <line>remoção das famílias, em 2012. À época, o trabalho de campo era parte da pesquisa de mestrado  </line>
    <line>de Falcão (2015). A pesquisadora se inseriu no campo, semanalmente, encontrando 34 famílias  </line>
    <line>removidas da favela que estavam morando em aluguel social, no entorno da antiga favela, acom- </line>
    <line>panhando de perto a construção do conjunto. Desse modo, a investigadora estabeleceu interações  </line>
    <line>e vínculos com essas pessoas e familiaridade com o território.  </line>
    <line>Seu foi se o de daquele pela moradia,  </line>
    <line>conformou “território espera” definido Vidal  et al. (2011): “os territórios da  </line>
    <line>espera especificamente espaços voluntariamente servindo  - </line>
    <line>riamente a pôr em espera populações deslocadas ou em deslocamento. Há, por conseguinte, uma  </line>
    <line>dimensão coletiva necessária”. </line>
    <line>Após a conclusão do mestrado, a professora orientadora deu continuidade à pesquisa. Em 2017, a  </line>
    <line>construção já estava concluída, mas ainda não havia sido entregue. Foi quando se iniciou o projeto  </line>
    <line>de extensão. A inserção no território continuou a ser intermediada pela principal interlocutora da  </line>
    <line>pesquisa, a moradora Sharlene, cuja atuação sempre foi ativa desde o primeiro contato com Falcão  </line>
    <line>(2015). O acompanhamento das famílias se dá no conjunto habitacional, a partir de 2018, quando  </line>
    <line>este é entregue pelo poder municipal, cujo prefeito era Rafael Diniz (2017-2020).  </line>
    <line>As atividades de contato, entrevistas, participação em reuniões da associação de moradores, rodas  </line>
    <line>de conversa, apresentações de slides sobre a história do bairro contendo imagens de antes e após  </line>
    <line>a exposições com do do e pelas  </line>
    <line>moradoras, de ou concernentes problemática observações  - </line>
    <line>retas ocorreram semanalmente, principalmente aos sábados ou em determinadas circunstâncias,  </line>
    <line>mais de uma vez por semana, inclusive à noite. De 2020 a 2021, devido à pandemia de Covid-19, as  </line>
    <line>atividades presenciais cessaram, porém o contato se manteve de forma on-line, por meio de gru- </line>
    <line>pos de mensagens automáticas e lives . A partir de 2022, as atividades presenciais são retomadas e  </line>
    <line>se mantêm até o momento atual, tendo como principal objetivo, desvelar os efeitos da remoção, o  </line>
    <line>cotidiano familiar e os desafios do existir citadino dessas famílias neste novo contexto. </line>
    <line>A partir destas experiências no decorrer do acompanhamento das famílias da favela Inferno Ver - </line>
    <line>de, assim como da compreensão da potência das imagens como elemento de ignição de narrativas,  </line>
    <line>palavras, textos que, segundo Dantas (2021), é delas que se dá a leitura e escrita do mundo. Em  </line>
    <line>referência direta a compreensão de paisagem de Besse (2014), foi adotada também a experiência  </line>
    <line>antropológica compartilhada, na forma do círculo cultural.</line>
  </page>
  <page number="6">
    <line>6 </line>
    <line>AS FAMÍLIAS DA FAVELA INFERNO VERDE E A QUESTÃO HABITACIONAL EM  </line>
    <line>CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ </line>
    <line>Este estudo ocorreu em Campos dos Goytacazes, situada ao norte do Estado do Rio de Janeiro, cidade  </line>
    <line>média aproximadamente 500 habitantes 1). município desempenhou im- </line>
    <line>portante papel na economia brasileira (entre os séculos XVIII e XX) pela sua pujante indústria sucro- </line>
    <line>alcooleira. Hoje, faz parte da Bacia de Campos, uma das maiores produtoras de petróleo e gás do País. </line>
    <line>Figura 1: Localização do município de Campos dos Goytacazes. </line>
    <line>Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2010). </line>
    <line>A favela Inferno Verde localizava-se no bairro da Lapa, situado no distrito sede, em uma área con- </line>
    <line>tígua centro (figura e ao Paraíba Sul, que favela especifi - </line>
    <line>camente na esquina da Rua Miguel Herédia com a Avenida Adão Pereira Nunes. </line>
    <line>Figura 2: Mapa do bairro Lapa, polígono formado pela Rua dos Goytacazes (aresta esquerda), Rua Miguel Heregia (aresta  </line>
    <line>direita), Av. 7 de Setembro (aresta inferior) e Av. Nelson de Souza (aresta superior). </line>
    <line>Fonte: Centro de Informações e Dados de Campos – CIDAC (2018)</line>
  </page>
  <page number="7">
    <line>7 </line>
    <line>Essa o (figura já uma recorrente cidades - </line>
    <line>leiras: a presença de assentamentos precários em áreas valorizadas do ponto de vista urbano, mas  </line>
    <line>historicamente negligenciadas pelo poder público. A proximidade com o centro e com importan- </line>
    <line>tes eixos de circulação conferia aos moradores acesso facilitado a serviços e postos de trabalho,  </line>
    <line>ainda que em condições habitacionais marcadas pela informalidade e pela precariedade. </line>
    <line>Figura 3: Visão aérea do bairro da Lapa, Igreja Nossa Senhora da Lapa à frente. </line>
    <line>Fonte: César Diniz, disponível em https://shre.ink/5W6E (2019) </line>
    <line>Segundo relatos dos moradores, as primeiras ocupações da favela Inferno Verde ocorreram nos idos  </line>
    <line>dos anos 1960, em função das oportunidades de emprego oriundas da fábrica de tecidos Cia. de Fia- </line>
    <line>ção e Tecelagem Campista, inaugurada em 1885, no bairro da Lapa (figura 4). O aumento do número </line>
    <line>de moradores criou a necessidade de instaurar uma infraestrutura básica no local, que era muito  </line>
    <line>precária. Relatos dos moradores mais antigos dão conta de que, no início da ocupação, as casas eram  </line>
    <line>todas de madeira (barracos), desprovidas de água e energia (figura 5) (Falcão e Faria, 2016). </line>
    <line>Figura 4: Fábrica de tecidos Cia. de Fiação e Tecelagem Campista. </line>
    <line> Fonte: Acervo próprio (2022)</line>
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  <page number="8">
    <line>8 </line>
    <line>Figura 5: Visão Aérea da favela Inferno Verde, marcada em polígono vermelho. </line>
    <line> Fonte: Google Earth (2010). Alterado pelo autor. </line>
    <line>No de em das do Legal bairro Lapa, moradores  </line>
    <line>foram e favela Verde completamdestruída 6) e </line>
    <line>2016). A demolição das casas, iniciada em 2012, inaugurou um período prolongado de incerteza  </line>
    <line>para as famílias removidas. Embora o reassentamento estivesse previsto para ocorrer no mesmo  </line>
    <line>local, por meio da construção do conjunto habitacional, a conclusão das obras levou aproxima- </line>
    <line>damente seis anos. Esse intervalo produziu um estado de espera prolongada, um território da  </line>
    <line>espera, no qual os moradores permaneceram em aluguel social ou em soluções habitacionais pro- </line>
    <line>visórias, experienciando a fragmentação de suas redes de vizinhança e a instabilidade cotidiana. </line>
    <line>Figura 6: Demolição da Favela Inferno Verde. </line>
    <line>Fonte: Acervo próprio (2016)</line>
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