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<document>
  <page number="1">
    <line>1</line>
    <line>DOSSIÊ</line>
    <line>DESENVOLVIMENTO E TRABALHO NA INDÚSTRIA</line>
    <line>AUTOMOTIVA: percepções acerca da presença da</line>
    <line>Stellantis em territórios greenfield no Brasil e na Itália*1</line>
    <line>Maria Carolina Barcellos**2</line>
    <line>Raphael Jonathas da Costa Lima***3</line>
    <line>Davide Bubbico****4</line>
    <line>Resumo</line>
    <line>Esta pesquisa investiga os efeitos territoriais da inserção de plantas automotivas em contextos greenfield, a</line>
    <line>partir de um estudo comparativo dos casos de Melfi (Itália), Porto Real (Brasil) e Goiana (Brasil). Com base</line>
    <line>na articulação entre Cadeias Globais de Valor (CGVs) e Redes Globais de Produção (RGPs), explora-se em</line>
    <line>que medida as relações entre economic e social upgrading se traduzem em desenvolvimento local. Meto-</line>
    <line>dologicamente, adota uma abordagem qualitativa, com análise documental, entrevistas semiestruturadas e</line>
    <line>trabalho de campo. Os resultados mostram que, apesar de avanços nas dimensões de processo e de produto,</line>
    <line>os efeitos territoriais são desiguais. Em Melfi, predomina a percepção de retração e de distanciamento da</line>
    <line>empresa, associada a dinâmicas recentes de downgrading. Em Porto Real, os ganhos são territorialmente</line>
    <line>fragmentados, com baixa inserção da população local. Já Goiana apresenta elevado dinamismo produtivo,</line>
    <line>mas enfrenta desafios quanto à distribuição dos ganhos e ao enraizamento institucional.</line>
    <line>Palavras-chaves</line>
    <line>: sociologia econômica; cadeias globais de valor; redes globais de produção; u</line>
    <line>pgrading;</line>
    <line>strategic coupling.</line>
    <line>*</line>
    <line>Uma versão preliminar deste trabalho foi apresentada e publicada nos anais do Congresso da Sociedade Brasileira de Socio-</line>
    <line>logia (SBS) (disponível em: https://www.sbs2025.sbsociologia.com.br/atividade/viewq=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9BVElW-</line>
    <line>SURBREVcIjpcIjk3XCJ9IiwiaCI6ImMyNjliOTI4ZDFmNmY0ZDg4OWVjMzlkNjU3YTkwMzU0In0%3D&amp;ID_ATIVIDADE=97).</line>
    <line>Em conformidade com a política editorial da Revista TOMO, uma versão do texto também foi depositada no repositório Rese-</line>
    <line>archGate. A presente publicação constitui uma nova versão revisada com avanços em relação ao texto original.</line>
    <line>**</line>
    <line>Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Sociologia e Metodologia</line>
    <line>de Ciências Sociais, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: mcarolbarcellos@gmail.com Orcid: https://orcid.org/0009-0002-</line>
    <line>1829-1486 CrediT: Conceitualização, tratamento dos dados, análise formal, metodologia, visualização, escrita do rascunho</line>
    <line>original, escrita, revisão e edição.</line>
    <line>***</line>
    <line>Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Departamento Multidisciplinar de Volta Redonda,</line>
    <line>Volta Redonda, Rio de Janeiro, Brasil. Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA), Programa de Pós-Graduação em</line>
    <line>Sociologia (PPGS), Universidade Federal Fluminense (UFF). Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: raphaeljonathas@id.uff.br Orcid:</line>
    <line>https://orcid.org/0000-0001-9702-0515 CrediT: Investigação, escrita, revisão e provisão de recursos materiais ao projeto.</line>
    <line>****</line>
    <line>Università degli Studi di Salerno, Dipartimento di Studi Politici e Sociali, Fisciano, Salerno, Itália. E-mail:dbubbico@unisa.it</line>
    <line>Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0981-0651 CrediT: Investigação, provisão de recursos materiais ao projeto e supervisão.</line>
    <line>Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)</line>
    <line>Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24793, 2026</line>
    <line>DOI:10.21669/tomo.v45.24793</line>
    <line>Dossiê: Sociologia econômica no Brasil: reconfigurações</line>
    <line>dos mercados e disputas de poder</line>
    <line>E-ISSN:2318-9010 / ISSN:1517-4549</line>
  </page>
  <page number="2">
    <line>2</line>
    <line>Maria Carolina Barcellos; Raphael Jonathas da Costa Lima; Davide Bubbico</line>
    <line>1. INTRODUÇÃO</line>
    <line>A Stellantis constituiu-se em 2021, a partir da fusão entre o Groupe PSA (Peugeot-Citroën) e a</line>
    <line>Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Isso originou um dos maiores grupos automotivos do mundo,</line>
    <line>com um conglomerado que hoje reúne diversas marcas, como Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Ci-</line>
    <line>troën, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep®, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram, Vauxhall, além</line>
    <line>de plataformas de mobilidade. Depois da fusão, plantas como a de Melfi (Itália), inaugurada pela</line>
    <line>FIAT em 1993; da PSA Peugeot-Citroën, instalada em Porto Real (RJ) em 2001; e da Fiat-Chrys-</line>
    <line>ler Automobiles (Jeep), inaugurada em Goiana (PE) em 2015, passaram a ser representadas</line>
    <line>pela mesma marca, que ainda tem em Betim (MG) um dos principais clusters automotivos da</line>
    <line>América Latina.</line>
    <line>Essas unidades produtivas compartilham, ainda, a característica de terem sido implantadas em</line>
    <line>contextos descritos como</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>(Bubbico, 2021; Dulci, 2015; Ladosky, 2021). Um conjunto</line>
    <line>de estudos sobre desenvolvimento tem utilizado essa terminologia para caracterizar áreas sem</line>
    <line>tradição industrial que, ao receberem investimentos, passam a experimentar transformações em</line>
    <line>suas estruturas socioeconômicas (Ramalho, 2015; Dulci, 2015). Originado nos Estados Unidos, o</line>
    <line>termo refere-se a regiões com baixa densidade sindical, incentivos estatais e menor resistência</line>
    <line>institucional, o que as torna atrativas para instalação de fábricas (Martin e Veiga, 2002)</line>
    <line>1</line>
    <line>.</line>
    <line>Partindo dessa perspectiva, os casos de Melfi, Porto Real e Goiana permitem investigar como a</line>
    <line>inserção da indústria automotiva em territórios</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>se articula a diferentes trajetórias pro-</line>
    <line>dutivas, bem como a seus desdobramentos socioeconômicos. Longe de serem automáticos, esses</line>
    <line>efeitos colocam a relação entre indústria e desenvolvimento como uma questão empírica a ser</line>
    <line>explorada. Essa agenda, portanto, dialoga com a literatura sobre novos territórios produtivos, que</line>
    <line>reconhece a localidade não apenas como um espaço geográfico, mas também como um ator ativo</line>
    <line>na conformação dos processos econômicos e sociais que a atravessam (Ramalho, 2013).</line>
    <line>Nesse horizonte analítico, os territórios deixam de ser concebidos apenas como plataformas su-</line>
    <line>bordinadas às estratégias globais de acumulação voltadas à maximização do valor para os acionis-</line>
    <line>tas. São compreendidos, em vez disso, como espaços de enraizamento, negociação e disputa, nos</line>
    <line>quais os projetos industriais interagem com instituições locais e dinâmicas sociais preexistentes</line>
    <line>(Henderson</line>
    <line>et al</line>
    <line>., 2002). O enraizamento, nesse sentido, diz respeito ao modo como as operações</line>
    <line>desses empreendimentos passam a ser condicionadas, mediadas e, em certa medida, reorientadas</line>
    <line>por arranjos sociais, institucionais e políticos localmente constituídos. Essa perspectiva reconhece,</line>
    <line>portanto, que, para além da lógica da extração de valor, tais empreendimentos podem gerar efei-</line>
    <line>tos concretos nos territórios onde se estabelecem. Ainda que esses processos sejam permeados</line>
    <line>por contradições, impulsionam transformações importantes, reconfiguram mercados de trabalho,</line>
    <line>podem fortalecer instituições locais, elevar a qualificação profissional, melhorar a infraestrutura e</line>
    <line>favorecer o surgimento de novas articulações entre trabalho, Estado e mercado (Ramalho, 2015).</line>
    <line>Para analisar esses efeitos, o estudo mobiliza o aporte das Cadeias Globais de Valor (CGVs), com</line>
    <line>ênfase no conceito de</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>, combinado com contribuições das Redes Globais de Produção</line>
    <line>(RGPs). O conceito de</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>, ao lado da governança, constitui um dos pilares analíticos cen-</line>
    <line>trais da abordagem das CGVs. Em sua formulação inicial, o</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>estava voltado sobretudo ao</line>
    <line>reposicionamento das firmas nas cadeias, a partir da incorporação de atividades de maior valor</line>
    <line>1</line>
    <line>O termo</line>
    <line>brownfield</line>
    <line>, em oposto, refere-se a áreas com trajetória fabril consolidada e forte presença sindical.</line>
  </page>
  <page number="3">
    <line>3</line>
    <line>DESENVOLVIMENTO E TRABALHO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA</line>
    <line>agregado, envolvendo inovações tecnológicas, organizacionais e funcionais (Humphrey e Schmitz,</line>
    <line>2002; Gereffi</line>
    <line>et al.</line>
    <line>, 2005).</line>
    <line>Com o amadurecimento da abordagem e o crescente interesse nos impactos territoriais das CGVs,</line>
    <line>a noção de</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>passou a se desdobrar em</line>
    <line>economic upgrading</line>
    <line>. Este é relativo à capacidade</line>
    <line>das firmas de capturar mais valor. E</line>
    <line>social</line>
    <line>upgrading. Este é entendido como a melhoria das con-</line>
    <line>dições de vida e trabalho dos sujeitos sociais envolvidos nesses processos (Barrientos</line>
    <line>et al.</line>
    <line>, 2011;</line>
    <line>Rossi, 2019). Assim, a ideia de</line>
    <line>social upgrading</line>
    <line>aqui mobilizada pode ser compreendida como a</line>
    <line>dimensão do desenvolvimento local que incide diretamente sobre os trabalhadores e suas condi-</line>
    <line>ções de reprodução social. Isso não implica, necessariamente, uma correspondência automática</line>
    <line>com os ganhos econômicos observados no nível das firmas (Barrientos</line>
    <line>et al.,</line>
    <line>2011).</line>
    <line>É nesse ponto que as contribuições das Redes Globais de Produção (RGPs) se tornam</line>
    <line>particularmente relevantes para a presente discussão, propondo um olhar mais atento ao</line>
    <line>enraizamento institucional. Em especial, o conceito de</line>
    <line>strategic coupling</line>
    <line>possibilita compreen-</line>
    <line>der em que medida os ativos locais (produtivos e sociais) se articulam às estratégias das firmas</line>
    <line>líderes, influenciando a criação, mas também a retenção de valor no território (Henderson</line>
    <line>et al</line>
    <line>.,</line>
    <line>2002). Esses aspectos, relativos à articulação entre dinâmicas econômicas e sociais no território,</line>
    <line>pouco referenciadas explicitamente pela abordagem das CGVs, são apontadas como lacunas por</line>
    <line>Monteiro</line>
    <line>et al.</line>
    <line>(2024). Eles defendem a articulação entre CGVs e RGPs a fim de melhor compre-</line>
    <line>ender como se estruturam as conexões entre firmas globais e territórios, inclusive a partir de</line>
    <line>modelos comparativos. Nesse sentido, este artigo procura contribuir para essa agenda, tratando</line>
    <line>o</line>
    <line>economic</line>
    <line>e o</line>
    <line>social upgrading</line>
    <line>como trajetórias cuja variação entre territórios se relaciona às</line>
    <line>configurações de</line>
    <line>strategic coupling</line>
    <line>de cada caso.</line>
    <line>Diante desse quadro, o artigo tem como objetivo analisar em que medida a presença da indústria</line>
    <line>automotiva em territórios</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>se traduz, na percepção dos atores locais, em diferentes tra-</line>
    <line>jetórias de</line>
    <line>economic</line>
    <line>e</line>
    <line>social upgrading</line>
    <line>. A hipótese é que tais trajetórias refletem formas diferen-</line>
    <line>ciadas de articulação de criação e apropriação territorial do valor, condicionadas pelo momento</line>
    <line>de inserção na cadeia, pelos arranjos institucionais e pelas relações de poder que estruturam a</line>
    <line>inserção desses territórios nas redes produtivas.</line>
    <line>A seleção dos casos seguiu uma lógica comparativa de máxima variabilidade sob condição de par-</line>
    <line>tida comum</line>
    <line>2</line>
    <line>. O corpus empírico reúne seis entrevistas semiestruturadas realizadas entre 2022 e</line>
    <line>2025, complementadas por análise documental. A seleção dos interlocutores priorizou posições</line>
    <line>que conjugam mediação institucional e conhecimento situado sobre a presença da empresa no</line>
    <line>território (representantes do trabalho organizado e da gestão pública local). Em Melfi, foram en-</line>
    <line>trevistados dois delegados sindicais ligados à FIOM-CGIL e o prefeito do município, em fevereiro e</line>
    <line>março de 2025. Em Porto Real, a Secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho</line>
    <line>e Renda (setembro de 2024) e um dirigente sindical da federação metalúrgica que representa a</line>
    <line>unidade (agosto de 2024). No caso de Goiana, recorreu-se de forma complementar a entrevistas</line>
    <line>com representantes do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (SindMetal-PE)</line>
    <line>sistematizadas por Monteiro</line>
    <line>et al.</line>
    <line>(2024) para manter a comparabilidade entre os perfis de inter-</line>
    <line>2</line>
    <line>Os três territórios compartilham a inserção automotiva em contexto</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>e o vínculo atual com a Stellantis, manten-</line>
    <line>do constante, sobretudo, o caráter inaugural da implantação. Variam quatro eixos relevantes: o momento de inserção na</line>
    <line>cadeia (Melfi, 1993; Porto Real, 2001; Goiana, 2015); a trajetória corporativa de inserção, associada às diferentes monta-</line>
    <line>doras que deram origem aos investimentos posteriormente incorporados à Stellantis; o arranjo institucional e sindical (do</line>
    <line>modelo pluralista italiano à baixa densidade sindical do Nordeste); e o grau de maturidade do</line>
    <line>coupling.</line>
  </page>
  <page number="4">
    <line>4 </line>
    <line>locutores. dizer esse é em socialmente marcados  </line>
    <line>por interesses posições dos envolvidos a da  </line>
    <line>no território e que, portanto, apresentam limitações de viés. </line>
    <line>As entrevistas foram tratada upgra- </line>
    <line>ding no 1, sistematicamente percepções atores os  </line>
    <line>indicadores disponíveis nos documentos institucionais e na literatura especializada.  </line>
    <line>Quadro 1. Quadro de referência para a análise  </line>
    <line>Tipo de  Upgrading Categoria Analítica Exemplo de evidências </line>
    <line>Economic Upgrading Process upgrading - Modernização do parque industrial local </line>
    <line>- Aumento da produtividade média das empresas </line>
    <line>- Introdução de processos automatizados nas plantas </line>
    <line>Product upgrading - Lançamento de produtos com maior valor agregado </line>
    <line>- Certificações de qualidade </line>
    <line>Functional upgrading - Inserção de funções como design, marketing ou logística </line>
    <line>- Criação de empregos em áreas técnicas ou estratégicas </line>
    <line>Inter-sectoral or chain  </line>
    <line>upgrading </line>
    <line>- Diversificação produtiva na região associada à cadeia automotiva </line>
    <line>- Emergência de novos segmentos industriais ou de serviços vinculados </line>
    <line>Social Upgrading Standards - Aumento da formalização do trabalho </line>
    <line>- Crescimento dos salários médios industriais </line>
    <line>- Jornada e tipo de contrato </line>
    <line>Rights - Liberdade de associação sindical, voz e representação </line>
    <line>- Ausência de discriminação e assédio </line>
    <line>- Canais institucionais de diálogo (comissões, conselhos, fóruns) </line>
    <line>- Ampliação do acesso a direitos sociais (previdência, saúde, transporte) </line>
    <line>Fonte: elaboração própria a partir de Humphrey e Schmitz, 2002; Barrientos et al., 2011. </line>
    <line>2. DINÂMICAS DE UPGRADING EM TERRITÓRIOS AUTOMOTIVOS </line>
    <line>2.1. O caso de Melfi (Itália) </line>
    <line>Na que trabalho a mais é da  Fabbrica Italiana Automobili  </line>
    <line>Torino (FIAT), instalada na cidade de Melfi, na província de Potenza, da região da Basilicata, por meio </line>
    <line>de subsidiária  Società Automobilistica Tecnologie Avanzate fundada 1991. planta </line>
    <line>foi oficialmente 1993 parte uma de produtiva   </line>
    <line>FIAT. A foi como laboratório experimentar novo pro- </line>
    <line>dutivo organizacional nos da  lean production 1994) contribuir </line>
    <line>para expansão o da no das de do  Mezzogiorno,  </line>
    <line>considerando as desigualdades estruturais em relação ao norte do país  (Svimez, 1993). </line>
    <line>Diferentemente investimentos italianos nas anteriores, projeto  </line>
    <line>em Melfi foi estruturado a partir de um arranjo público-- </line>
    <line>tividade globa </line>
    <line>industrialização no Mezzogiorno, por legislativas, a 853/1971,  </line>
    <line>que os à empresa (Cersosimo, e “Accordo Pro- </line>
    <line>gramma”, na década de 1990, que estabeleceu uma espécie de compromisso entre Estado, capital e  </line>
    <line>trabalho pela localização da fábrica no Sul, em troca de aportes financeiros e da moderação quanto  </line>
    <line>às sindicais bico, A disso, converteu-se território -</line>
  </page>
  <page number="5">
    <line>5</line>
    <line>DESENVOLVIMENTO E TRABALHO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA</line>
    <line>gico para testar novos formatos organizacionais e produtivos, marcando a transição do modelo</line>
    <line>baseado em estoque (</line>
    <line>make to stock</line>
    <line>) para a produção sob demanda (</line>
    <line>just in time</line>
    <line>) (</line>
    <line>idem</line>
    <line>, 2021).</line>
    <line>Em suma, a escolha por Melfi foi motivada por um conjunto de fatores típicos de um</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>, entre</line>
    <line>os quais se destacam esses incentivos fiscais, a baixa tradição sindical local e a disponibilidade de uma</line>
    <line>força de trabalho jovem, majoritariamente proveniente de áreas rurais e com pouca experiência (Bub-</line>
    <line>bico, 2021), que foi vista como uma oportunidade para a empresa instaurar um novo regime de tra-</line>
    <line>balho mais ajustado às exigências daquilo que viria a ser o</line>
    <line>World Class Manufacturing</line>
    <line>(WCM), padrão</line>
    <line>global adotado pela FIAT a partir dos anos 1990 com o objetivo de elevar a produtividade e controle</line>
    <line>do processo de trabalho (Bubbico, 2001). Somado a isso, a localização da Basilicata oferecia vantagens</line>
    <line>logísticas importantes, devido à presença de uma malha viária e ferroviária capaz de viabilizar o esco-</line>
    <line>amento da produção em direção a outros polos industriais e portuários do país (Svimez, 1993).</line>
    <line>Em comemoração aos 25 anos da unidade, a empresa destacou a planta como um exemplo de</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>bem-sucedido (nestes termos) devido à capacidade de alcançar “a síntese ideal entre</line>
    <line>inovação tecnológica e organizacional” (FCA, 2019, p. 6). Nesse contexto, a FCA referiu-se tanto à</line>
    <line>implementação do WCM e da plataforma digital quanto ao desenvolvimento de habilidades e com-</line>
    <line>petências dos funcionários. Também mencionou iniciativas de formação continuada, criação de</line>
    <line>valor e, sobretudo, a sua estrutura organizacional. Esta foi projetada para ser flexível e adaptável</line>
    <line>às mudanças do mercado.</line>
    <line>Nesse sentido, no discurso corporativo, haveria um</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>de processo, via introdução de prá-</line>
    <line>ticas mais eficientes, novos componentes tecnológicos, redução de desperdícios e padronização</line>
    <line>de tarefas. Isso teria conferido à planta de Melfi destaque em relação às demais unidades do grupo</line>
    <line>naquela época (FCA, 2019). Além disso, supõe-se um</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>funcional, expresso na reorgani-</line>
    <line>zação interna da planta e na ampliação do seu papel na cadeia de valor, com a incorporação de</line>
    <line>atividades de maior valor agregado, como o controle digital da produção, logística interna e ativi-</line>
    <line>dades de suporte técnico, o que indicaria, sob essa ótica, um deslocamento da planta em direção a</line>
    <line>funções mais complexas (</line>
    <line>idem</line>
    <line>, 2019).</line>
    <line>O diagnóstico corporativo também menciona a “atenção que a empresa tem demonstrado para</line>
    <line>com a comunidade local” (FCA, 2019, p. 9), expressa na redução da migração de pessoas para</line>
    <line>outras regiões, nos investimentos em infraestrutura e no desenvolvimento local. Esses elementos</line>
    <line>são frequentemente mobilizados no discurso institucional como expressão de um suposto</line>
    <line>social</line>
    <line>upgrading</line>
    <line>, entendido, segundo Barrientos</line>
    <line>et al.</line>
    <line>(2011), como o processo de melhoria nas condi-</line>
    <line>ções laborais e de vida dos trabalhadores inseridos em cadeias globais. Sob essa perspectiva, é</line>
    <line>possível interpretar a fixação da população local como uma manifestação concreta de avanço em</line>
    <line>alguns padrões mensuráveis. Isso inclui o acesso ao emprego formal, à estabilidade habitacional e</line>
    <line>à capacidade de consumo.</line>
    <line>A entrevista com o sindicalista Danilo Di Chio, ligado à FIOM-CGIL</line>
    <line>3</line>
    <line>, também enfatizou a fixação da</line>
    <line>população local, visto que a migração em busca de empregos no Norte era uma realidade constan-</line>
    <line>te: “</line>
    <line>A Fiat representou uma âncora, um ponto de apoio que permitiu que as pessoas permanecessem</line>
    <line>na região (...) e conseguissem comprar uma casa, formar uma família e criar raízes no lugar onde</line>
    <line>nasci</line>
    <line>” (Di Chio, Melfi, fev. 2025). Ele destaca que, sem a fábrica, sua única perspectiva teria sido</line>
    <line>partir, como ainda ocorre com muitos trabalhadores em busca de melhores condições.</line>
    <line>3</line>
    <line>Sigla para</line>
    <line>Federazione Impiegati Operai Metallurgici-Confederazione Generale Italiana del Lavoro</line>
    <line>.</line>
  </page>
  <page number="6">
    <line>6</line>
    <line>Maria Carolina Barcellos; Raphael Jonathas da Costa Lima; Davide Bubbico</line>
    <line>Como destacado por outro sindicalista ligado à FIOM, residente em um dos municípios do entorno</line>
    <line>de Melfi:</line>
    <line>“No início, (...) com menos de 5.000 habitantes, éramos 120 trabalhadores na Fiat. Imagine</line>
    <line>o impacto econômico desses 120 trabalhadores trazendo para casa 120 salários. Então, os municí-</line>
    <line>pios respiraram (...)</line>
    <line>” (Vittorio, 2025). O depoimento também destacou os efeitos na própria orga-</line>
    <line>nização de infraestruturas e serviços no território. Diante da ausência inicial de sistemas de trans-</line>
    <line>porte que conectassem os municípios à planta, os próprios trabalhadores, com apoio do sindicato,</line>
    <line>organizaram soluções coletivas de deslocamento, que posteriormente foram institucionalizadas</line>
    <line>por meio da atuação do poder público regional.</line>
    <line>O mesmo foi observado na entrevista com o atual prefeito de Melfi, Giuseppe Maglione, que con-</line>
    <line>sidera como radicais as transformações experienciadas a partir da chegada da empresa. Segundo</line>
    <line>ele, a Fiat “</line>
    <line>gerou oportunidades de emprego, principalmente para os jovens, permitindo que muitos</line>
    <line>permanecessem na Basilicata em vez de emigrar</line>
    <line>”. Do ponto de vista crítico, essa perspectiva dia-</line>
    <line>loga com um aspecto já apontado pela literatura desde os anos 1990. É a forma como os jovens</line>
    <line>lucanos carregam um “excedente de memória ‘genética’” sobre as emigrações forçadas vividas</line>
    <line>por seus pais, tios e outros parentes. Essas emigrações teriam deixado uma marca duradoura nos</line>
    <line>horizontes de expectativa (Cersosimo, 1994, p. 66).</line>
    <line>O prefeito também reforça a perspectiva de que a fábrica foi, por anos, um símbolo de desenvolvi-</line>
    <line>mento a partir do nível de emprego: “</line>
    <line>Era a maior unidade fabril da Europa e uma verdadeira refe-</line>
    <line>rência. Produzia cerca de 400 mil veículos por ano e empregava aproximadamente 15 mil pessoas,</line>
    <line>incluindo quase 8.500 funcionários diretamente ligados à Fiat</line>
    <line>” (Maglione, 2025).</line>
    <line>No entanto, nos últimos anos, haveria uma reversão deste quadro. A região perdeu 6 mil postos</line>
    <line>de trabalho ao longo do tempo, 2 mil deles apenas entre 2021 e 2025 devido aos incentivos à</line>
    <line>demissão voluntária (Maglione, 2025). Apesar de o prefeito atribuir esse movimento, em parte,</line>
    <line>à transição para a produção de veículos elétricos, destacando a redução significativa no número</line>
    <line>de componentes e, consequentemente, na necessidade de mão de obra,</line>
    <line>4</line>
    <line>essa explicação não é su-</line>
    <line>ficiente para dar conta do processo em curso. Di Chio (2025) argumenta que, ao contrário dessa</line>
    <line>percepção sustentada por alguns sindicatos e setores políticos, o problema estaria no adiamento</line>
    <line>de investimentos e na falta de preparo para essas mudanças, anunciadas há uma década. Em suma,</line>
    <line>as demissões parecem menos associadas à preparação para a produção de veículos elétricos, ain-</line>
    <line>da incipiente na planta de Melfi, e mais relacionadas à ausência de novos investimentos e à reo-</line>
    <line>rientação estratégica da empresa no território.</line>
    <line>Portanto, a eletrificação tem sido operada como um elemento discursivo que enquadra e legitima</line>
    <line>ajustes produtivos, especialmente em um contexto de incerteza quanto ao futuro da unidade. De</line>
    <line>todo modo, trata-se de um cenário em que a promessa de modernização convive com dinâmicas</line>
    <line>de retração do emprego. Esse tipo de assimetria entre inovação tecnológica e impacto social tem</line>
    <line>se tornado recorrente em territórios produtivos, sobretudo na Europa, e tem impulsionado o de-</line>
    <line>bate sobre a necessidade de uma transição justa no contexto da eletrificação automotiva (Depuis</line>
    <line>et al</line>
    <line>., 2024)</line>
    <line>5</line>
    <line>.</line>
    <line>4</line>
    <line>“</line>
    <line>Enquanto um veículo a combustão tem cerca de 7.800 componentes, um carro elétrico possui apenas 2.800, o que implica em</line>
    <line>uma redução na necessidade de mão de obra</line>
    <line>” (Maglione, 2025)</line>
    <line>5</line>
    <line>Conforme propôs Depuis</line>
    <line>et al.</line>
    <line>(2024), essa transição deve necessariamente incorporar o envolvimento dos trabalhadores,</line>
    <line>dos territórios e das comunidades locais nos processos de reestruturação, de modo a garantir que não ocorra à custa da</line>
    <line>erosão dos direitos sociais e da coesão territorial.</line>
  </page>
  <page number="7">
    <line>7 </line>
    <line>Nesse tanto depoimentos entrevistados os do de   </line>
    <line>incluem observação de sindicatos atuam unidade 6 . identificam </line>
    <line>que a saída para esse cenário de  downgrading que tem se estabelecido está em uma nova pactuação </line>
    <line>da com território, Estado, e Os por   </line>
    <line>atribuíram situação ao do da com   </line>
    <line>região. Para o prefeito, após a fusão, a governança da empresa se distanciou, sendo conduzida princi- </line>
    <line>palmente da França, o que reduziu a interação com a administração local e o foco no impacto social: </line>
    <line>Essa trouxe desafios, em aos de - </line>
    <line>prego Sempre uma baseada respeito No após  </line>
    <line>fusão, um A da passou ser  </line>
    <line>fora da Itália, principalmente na França, o que dificultou nosso contato direto. Antes, havia  </line>
    <line>uma mais com administração e  com impacto  </line>
    <line>social da empresa no território, mas essa relação foi se enfraquecendo (Maglione, 2025). </line>
    <line>Di (2025), sua alertou o de Itperder posição na - </line>
    <line>deia produtiva automotiva, tornando-se “mera montadora” de componentes fabricados em países  </line>
    <line>com mais Ele destacou queda nos que  </line>
    <line>variam 1.100 1.200 por uma expressiva relação períodos  </line>
    <line>produção quando salários chegar quase euros. das de - </line>
    <line>mandas locais é a alocação de modelos com maior apelo comercial (como foi o caso do FIAT Punto  </line>
    <line>nas anteriores), de a no produtivo. perspectiva pro- </line>
    <line>dução de veículos de luxo, recentemente anunciada (Motor 1, 2025), é recebida com ceticismo por  </line>
    <line>atores que seu de como frente necessidade gerar  </line>
    <line>escala ocupação. incerteza manifesta intensificação  cassa integrazione7 , pro- </line>
    <line>gramas demissão e retomada fluxos agravando esvaziamento  </line>
    <line>populacional a socioeconômica BasilicaOs da portanto,  </line>
    <line>extrapolam a fábrica, ativando um efeito dominó sobre o conjunto do território.</line>
    <line>2.2. O caso de Porto Real (RJ) </line>
    <line>Localizado região Fluminense, cerca 130 do de Porto foi - </line>
    <line>mente marcado pela presença de fazendas cafeeiras e da escravidão, posteriormente, por ciclos de  </line>
    <line>industrialização. O território pertenceu originalmente a Resende e abrigou importantes empreen- </line>
    <line>dimentos agroindustriais, como o Engenho Central (1879) e, mais tarde, a Companhia Fluminense  </line>
    <line>de Refrigerantes (1949-2013) (Lima, 2005). </line>
    <line>Iniciando produção 2001, fábrica PSA de inédita grupo, produção  </line>
    <line>de veículos das duas marcas (Peugeot e Citroën) em uma única linha de montagem. À época de sua  </line>
    <line>instalação, projetada operar alta e automação. estratégia  </line>
    <line>justificada pela empresa como uma forma de equilibrar qualidade, geração de empregos e custos.  </line>
    <line>Isso em contexto baixos relativos região comparação centros  </line>
    <line>6   O sistema sindical italiano, diferente do brasileiro, funciona a partir de um modelo pluralista, o que significa que não há um  </line>
    <line>sindicato único representando toda a categoria, mas sim a convivência de múltiplas organizações sindicais que disputam a  </line>
    <line>representação dos trabalhadores (Bubbico, 2021). </line>
    <line>7   Instrumento sistema proteção italiano permite empresas temporariamente de  </line>
    <line>trabalho ou reduzir jornadas em momentos de crise econômica ou reestruturação produtiva.</line>
  </page>
  <page number="8">
    <line>8</line>
    <line>Maria Carolina Barcellos; Raphael Jonathas da Costa Lima; Davide Bubbico</line>
    <line>industriais mais consolidados (Nascimento e Segre, 2008). Contudo, não há evidências claras so-</line>
    <line>bre até quando essa estratégia foi mantida ou se, de algum modo, ainda persiste sob outras formas.</line>
    <line>A empresa se organizou à semelhança de um condomínio industrial, com fornecedores (muitos</line>
    <line>dos quais já possuíam relações anteriores com o grupo PSA) produzindo componentes essenciais,</line>
    <line>como bancos, eixos, conjuntos e peças estampadas para a região (Nascimento e Segre, 2008).</line>
    <line>Atualmente, esse complexo industrial atrai mais de 200 fornecedores e prestadores de serviços</line>
    <line>ligados diretamente à cadeia produtiva automotiva, gerando cerca de 1.800 empregos diretos</line>
    <line>(Stellantis, 2025).</line>
    <line>A escolha locacional da PSA foi orientada tanto por esforços de uma rede sociopolítica local quan-</line>
    <line>to por estratégias corporativas de desconcentração produtiva, abdicando de regiões tradicionais,</line>
    <line>como o ABC Paulista, e optando por áreas</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>(Lima, 2005; Nabuco</line>
    <line>et al.</line>
    <line>, 2002). Embora lo-</line>
    <line>calizado em uma região com tradição sindical ligada à siderurgia, o território configurou-se como</line>
    <line>greenfield</line>
    <line>setorial (Dulci, 2015), dado o ineditismo das dinâmicas produtivas e laborais trazidas</line>
    <line>pelo setor automotivo. Esse movimento produtivo impulsionou indicadores econômicos locais,</line>
    <line>como o PIB e a arrecadação municipal, e contribuiu para a formação de um tecnopolo regional.</line>
    <line>O trabalho de Lima (2005) é central para a compreensão desse processo, pois aborda, com pro-</line>
    <line>fundidade empírica, os bastidores da emancipação deste município, em respeito à vinda da PSA</line>
    <line>e aos efeitos dessa presença sobre o território. Entre os impactos destacados, houve a elevação</line>
    <line>do PIB</line>
    <line>per capita</line>
    <line>, a ampliação de obras públicas em áreas como educação, saúde, saneamento e</line>
    <line>mobilidade urbana, bem como a consolidação de uma nova dinâmica institucional e econômica</line>
    <line>no município. Por outro lado, o autor também chamou atenção para as contradições desse desen-</line>
    <line>volvimento. Entre elas, a exclusão parcial da população local, sobretudo das vagas qualificadas no</line>
    <line>setor automotivo. Isso estaria ligado à ausência de formação técnica no município, entre outros</line>
    <line>aspectos, como a constituição de uma identidade e coesão social (Lima, 2005).</line>
    <line>Passados vinte anos desde a realização desse estudo, os achados de Lima (2005) seguem nota-</line>
    <line>velmente atuais. A consolidação da empresa impactou diretamente o emprego formal local, so-</line>
    <line>bretudo nas atividades ligadas à fabricação de veículos, mas a maioria das vagas é ocupada por</line>
    <line>não-munícipes. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, “</line>
    <line>apenas</line>
    <line>8% da população de Porto Real trabalha na Stellantis. Isso é um dado oficial; [...] a gente não conse-</line>
    <line>gue, infelizmente, colocar as pessoas na indústria</line>
    <line>” (Gonçalves, 2024). Para a gestora, a exclusão da</line>
    <line>população local dos postos industriais estaria relacionada tanto às exigências mínimas de escola-</line>
    <line>ridade do setor quanto a aspectos mais subjetivos, como a suposta ausência de identificação com</line>
    <line>a cultura industrial. Essa hipótese, no entanto, demanda investigação empírica mais aprofundada.</line>
    <line>Como forma de mitigar esse cenário, a prefeitura tem adotado medidas alternativas. Entre elas es-</line>
    <line>tão: a) concessão de vale-transporte para moradores que trabalham fora da cidade, em outros seg-</line>
    <line>mentos</line>
    <line>8</line>
    <line>; b) articulação com empresas sistemistas da cadeia automotiva, que oferecem vagas com</line>
    <line>menor exigência de escolaridade formal; e c) oferta de cursos profissionalizantes diretamente no</line>
    <line>município, em parceria com o SENAI</line>
    <line>9</line>
    <line>. A entrevistada também afirmou que essa última iniciativa</line>
    <line>fez com que parte desses jovens retornasse aos estudos. Isso ocorreu ao perceber que o ensino</line>
    <line>8</line>
    <line>O benefício, previsto em lei municipal, atualmente atende cerca de 440 pessoas, um número ainda limitado diante da de-</line>
    <line>manda por inserção produtiva.</line>
    <line>9</line>
    <line>Os cursos formaram cerca de 400 pessoas em quatro anos (logística, almoxarifado e mecânica). O total de inserções no</line>
    <line>mercado é incerto, mas a gestora relata impacto imediato: na primeira turma, 22 dos 24 alunos foram empregados.</line>
  </page>
</document>
