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<document>
  <page number="1">
    <line>1 </line>
    <line>DOSSIÊ</line>
    <line>ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO DE AGENTES  </line>
    <line>INSTITUCIONAIS NO CONTEXTO DA CRISE ECONÔMICA  </line>
    <line>DE MEADOS DA DÉCADA DE 2010 NO BRASIL </line>
    <line>Sandro Ruduit Garcia*1 </line>
    <line>Robson Rocha de Souza Júnior**2 </line>
    <line>Rodrigo Foresta Wolffenbüttel*** 3 </line>
    <line>Resumo </line>
    <line>Empiricamente, escrutinaram-se as respostas de agentes institucionais às mudanças provocadas pela cri - </line>
    <line>se econômica dos anos 2010 no sistema nacional de inovação brasileiro, valendo-se de informações em  </line>
    <line>bancos de dados e das próprias organizações para analisar o desempenho das atividades e capacidades de  </line>
    <line>inovação do país e de  entrevistas semiestruturadas com líderes de dez relevantes organizações nacionais  </line>
    <line>(acadêmicas, empresariais) apreender estratégias inovação.   </line>
    <line>três diferentes estratégias: adaptação do país às novas tecnologias estrangeiras para aproveitar vantagens  </line>
    <line>comparativas; controle da agenda de ciência e tecnologia para promover a justiça social diante das contra- </line>
    <line>dições tecnológicas; ampliação de vínculos para gerar inovações no país, acentuando vocações produtivas. </line>
    <line>Palavras-chaves: estratégias de inovação de agentes institucionais; crise econômica; sistema nacional de  </line>
    <line>inovação; transições tecnológicas globais; Brasil. </line>
    <line>*  Universidade do Grande Sul, de e Humanas, de Porto  </line>
    <line>Alegre, Grande Sul, E-mail: Orcid:  CrediT:  </line>
    <line>Conceitualização, Metodologia, Investigação, Tratamento dos dados,  Escrita do Rascunho Original, Escrita,  Administração  </line>
    <line>do Projeto e Supervisão. </line>
    <line>**  Universidade Federal de Lavras, Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de Administração Pública, Lavras,  </line>
    <line>Minas Gerais, Brasil.  E-mail : robsonjunior@ufla.br Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0416-0987   CrediT: Conceitualiza- </line>
    <line>ção, Metodologia, Investigação, Tratamento dos dados, Escrita, Revisão e Edição.   </line>
    <line>***  Universidade Esta </line>
    <line>São , E-mail: Orcid:   Conceituali- </line>
    <line>zação, Metodologia, Investigação, Tratamento dos dados, Escrita, Revisão e Edição.  </line>
    <line> Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)  </line>
    <line>Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24846, 2026 </line>
    <line>DOI:10.21669/tomo.v45.24846   </line>
    <line>Dossiê: Sociologia econômica no Brasil:  </line>
    <line>reconfigurações dos mercados e disputas de poder  </line>
    <line>E-ISSN:2318-9010 / ISSN:1517-4549</line>
  </page>
  <page number="2">
    <line>2 </line>
    <line>INTRODUÇÃO </line>
    <line>As estratégias de inovação consistem em formas de intervenção nos mercados, observando com- </line>
    <line>plexos arranjos na coordenação entre agentes econômicos e não econômicos com vistas à circu- </line>
    <line>lação de conhecimentos, à aprendizagem e ao acesso a outros recursos relevantes. A literatura  </line>
    <line>especializada está atenta a isso, uma vez que conjunturas de crise e processos de transição tec- </line>
    <line>nológica não apenas criam enormes expectativas sobre inovações para mudanças econômicas e  </line>
    <line>sociais, mas também acentuam instabilidades e jogos relacionais entre os agentes diante da força  </line>
    <line>inercial das instituições (Amorós e López, 2011; Etzkowitz, 2012; Bonaccorsi, 2016; Fagerberg,  </line>
    <line>2016; 2016; e 2017; 2017; e 2023;  </line>
    <line>2024; Ebner, 2025). </line>
    <line>Este artigo se detém às estratégias de agentes institucionais que são, nesta investigação, organiza- </line>
    <line>ções de representação e suporte institucional ao processo de inovação, capazes de ação intencio - </line>
    <line>nal para combinar recursos relevantes ao processo. A denominação “agente” visa a grifar a natu - </line>
    <line>reza reflexiva dessas organizações diante das trajetórias institucionais dos sistemas de inovação.  </line>
    <line>Em anos recentes, a digitalização e as novas fontes e usos de energia têm sido avançadas por ino- </line>
    <line>vações radicais protagonizadas por certos países, enquanto outros tentam contribuir incremental- </line>
    <line>mente ou adaptar-se por imitações com maior ou menor sucesso nessas transições, perfazendo um  </line>
    <line>quadro de experiências diversas entre impulsos, aproximações e distanciamentos das fronteiras  </line>
    <line>científicas tecnológicas. sistemas inovação elevar e  - </line>
    <line>car a nova revolução tecnológica, ao passo que outros contaram mais estritamente com recursos ins- </line>
    <line>titucionais pré-existentes (Fagerberg, 2016; Riain, 2016; Arbix, 2017; Donatiello e Ramella, 2017). </line>
    <line>Os diferentes caminhos nas transições expressam arranjos de interesses e relações entre os agen- </line>
    <line>tes em cada sistema, em decorrência principalmente das respectivas trajetórias institucionais ca- </line>
    <line>pazes de sustentar a persistência das políticas (Fagerberg, 2016; Riain, 2016). No entanto, tal  </line>
    <line>explicação é questionada por estudos com ênfase nos motivos dos agentes no realinhamento e  </line>
    <line>sustentação de coalizões face aos choques nos sistemas e suas trajetórias (Bonaccorsi, 2016; Win- </line>
    <line>deler e Jungmann, 2023). Outro aspecto ainda se refere às surpresas e seus paradoxos nas destrui - </line>
    <line>ções criativas (Silva, 2017; Gherardini e Ramella, 2023). </line>
    <line>O Brasil foi apanhado pelas recentes transições tecnológicas numa conjuntura de crise e estag- </line>
    <line>nação econômica. Isso se combinou com a reorientação em medidas de política econômica ao  </line>
    <line>controle e pressão a dos públicos. discus - </line>
    <line>são sobre a situação brasileira recente tende a considerar o seu desempenho em inovação como  </line>
    <line>aquém do esperado, seja destacando a inconstância das políticas de inovação e, por conseguinte,  </line>
    <line>uma cultura empresarial avessa ao risco (Arbix, 2017), seja posicionando o resultado de novas  </line>
    <line>políticas nos limites de constrangimentos macroeconômicos e político-institucionais (Guimarães  </line>
    <line>e Barcelos, 2022).  </line>
    <line>A despeito disso, uma dinâmica emergente no país concerne às startups em certos segmentos de  </line>
    <line>mercado, sendo favorecidas, por exemplo, em novas demandas alimentares internacionais, caso  </line>
    <line>das (Wilkinson, e novos ntos melhor de de e  </line>
    <line>de governamentais e 2024). qualquer as de  </line>
    <line>crise criaram expectativas sobre a performance e o ajuste de incentivos e normas do sistema de  </line>
    <line>inovação, tanto para alcançar ganhos de produtividade quanto para desenvolver novos bens, ser - </line>
    <line>viços e mercados, em busca de alternativas de futuro.</line>
  </page>
  <page number="3">
    <line>3 </line>
    <line>Este artigo propõe-se, centralmente, a analisar as estratégias de inovação de agentes institucio- </line>
    <line>nais à e prolongamentos termos estagnação no Tais  - </line>
    <line>tratégias mais por e que alianças ações  </line>
    <line>intencionais para combinar recursos cognitivos, institucionais e econômicos em favor de inova- </line>
    <line>ções. O enfoque recorre tanto às trajetórias dos sistemas e seus meios para a ação quanto às ideias  </line>
    <line>cognitivas e normativas que instruem percepções sobre interesses e seus repertórios para a ação.  </line>
    <line>O artigo estrutura-se em seis seções, incluindo esta introdução. A próxima seção refere-se ao dese - </line>
    <line>nho e às técnicas de pesquisa. A terceira seção trata das formulações teóricas acionadas para ana - </line>
    <line>lisar a inovação, com base nas contribuições da Sociologia Econômica. A quarta seção destina-se a  </line>
    <line>apresentar o contexto de crise e as respostas do sistema nacional de inovação em termos regulató- </line>
    <line>rios. A seção seguinte analisa as respostas estratégicas dos diferentes agentes investigados e suas  </line>
    <line>relações com o sistema. Nas considerações finais, são discutidos os resultados da investigação.</line>
    <line>METODOLOGIA </line>
    <line>Este estudo é resultado de pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien - </line>
    <line>tífico Tecnológico  1 e sustenta o argumento de que os agentes institucionais tendem a  </line>
    <line>acionar diferentes tipos de estratégias em resposta às contingências econômicas e políticas, como  </line>
    <line>na situação de crise em análise, estabelecendo-se um jogo de cooperação e conflito entre posições  </line>
    <line>institucionais para tentar conduzir o sistema de inovação.  </line>
    <line>Esse jogo estratégico tem propensão a resultados contraditórios, em que, por um lado, se acham  </line>
    <line>instabilidades nos incentivos e capacidades para a inovação e, por outro lado, os agentes se valem  </line>
    <line>de oportunidades para instituir novas regras. Essas estratégias decorrem não somente da tra- </line>
    <line>jetória produtiva e regulatória do sistema, mas também das avaliações dos agentes sobre o que  </line>
    <line>consideram seus interesses no uso dos recursos relevantes. Isso ocorre porque as conjunturas de  </line>
    <line>retração econômica e de contingências políticas tendem a requerer imagens sobre inovação com  </line>
    <line>reflexos alianças ações agentes que movem disponibilidades res - </line>
    <line>trições dos sistemas de inovação e das condições político-econômicas. </line>
    <line>O desenho de pesquisa acompanha, qualitativamente, o caso do sistema brasileiro de inovação,  </line>
    <line>situado num contexto de crise econômica e de transições tecnológicas internacionais. Em termos  </line>
    <line>operacionais, a pesquisa empírica desenvolveu-se pelo escrutínio das respostas de agentes insti- </line>
    <line>tucionais (empresariais, acadêmicos, governamentais e sociais) às mudanças observadas no siste- </line>
    <line>ma nacional de inovação no Brasil, nos anos 2010, considerando a inflexão econômica experimen- </line>
    <line>tada país 2014, se ao da e se com pandemia  </line>
    <line>de 2020. A investigação combinou dados secundários e de campo.  </line>
    <line>A opção pela investigação de aspectos do sistema nacional de inovação permite não apenas captar  </line>
    <line>jogos intersetoriais e entre esferas institucionais – concernentes a normas de incentivo e regula - </line>
    <line>ção direcionadas para o conjunto da economia do país, como as estratégias nacionais de inovação,  </line>
    <line>os marcos legais e os planos de desenvolvimento e trabalho, entre outras – mas também se aproxi- </line>
    <line>mar de literatura internacional especializada (Fagerberg, 2016; Riain, 2016; Donatiello e Ramella,  </line>
    <line>2017; 2016; 2017; e 2023; 2024; 2025)  </line>
    <line>1   Projeto de Pesquisa Agentes de Inovação e Crise Econômica no Brasil (Processo: 405377/2021-5).</line>
  </page>
  <page number="4">
    <line>4 </line>
    <line>tem discutido questões sobre as complexas combinações entre  trajetórias institucionais e ação  </line>
    <line>estratégica nos arranjos concretos dos sistemas nacionais de inovação. Isso escapa aos estudos  </line>
    <line>sobre sistemas setoriais e sistemas regionais e locais de inovação, tentando-se observar comple- </line>
    <line>mentaridades nesses jogos e esferas que se podem reforçar ou bloquear reciprocamente.  </line>
    <line>Para o das e idades inovação país longo  </line>
    <line>anos foram informações bancos dados em oficiais das  </line>
    <line>organizações envolvidas no sistema de inovação, especialmente Pesquisa de Inovação Tecnológica  </line>
    <line>(PINTEC/IBGE), Anual Informações (RAIS-CAGED), dos de  </line>
    <line>Pesquisa do CNPq, relatórios do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MC- </line>
    <line>TIC), do da (ME) do Central. realizada estatís- </line>
    <line>tica descritiva das informações colhidas.  </line>
    <line>Para acompanhar mudanças nas normas de regulação e incentivo à inovação, foram obtidos docu- </line>
    <line>mentos legais, como o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Marco Legal das  Startups,  </line>
    <line>o Brasil Produtivo, Programa Melhoria da a  </line>
    <line>das de e e Política 2030 as Nacionais  </line>
    <line>de Tecnologia Inovação 2011, e Foi a de do  </line>
    <line>material documental. </line>
    <line>Para as de foram entrevistas com - </line>
    <line>deres de uma amostra de tipo intencional de dez organizações com alcance nacional, tendo por cri- </line>
    <line>térios a sua destacada atuação institucional em torno da inovação, e a variação entre esferas pro- </line>
    <line>dutivas, acadêmicas e governamentais. O universo amostral envolveu a Financiadora de Estudos e  </line>
    <line>Projetos a Brasileira Pesquisa Inovação (EMBRAPII), Associação </line>
    <line>Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), a Sociedade para </line>
    <line>a do Brasileiro a Nacional Indústria a - </line>
    <line>deração da (CNA), Confederação do (CNC), Associação </line>
    <line>Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), a Sociedade Brasilei- </line>
    <line>ra para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). </line>
    <line>As entrevistas visaram a captar as ideias sobre os caminhos para a inovação, as interações com  </line>
    <line>outros agentes e as ações em favor da inovação de cada agente organizacional, sendo realizadas  </line>
    <line>no entre e de (uma para organização amostra). </line>
    <line>entrevistados foram convidados a avaliar os caminhos, as interações e as ações de suas respectivas  </line>
    <line>organizações, o pós-crise 2015 país, seja, prejuízo aprecia- </line>
    <line>ção dos diferentes sobressaltos econômicos, políticos e tecnológicos desse período, as entrevistas  </line>
    <line>buscaram captar as posições institucionais face ao conjunto das instabilidades. Os diálogos ocor - </line>
    <line>reram por videoconferência, tendo sido gravados os áudios para posterior transcrição e categori- </line>
    <line>zação; tiveram duração entre uma e duas horas, sendo conduzidos pelo coordenador do projeto,  </line>
    <line>acompanhado de mais um ou dois pesquisadores da equipe de investigadores. Foram empregados  </line>
    <line>procedimentos de análise textual de discurso dos depoimentos compilados no trabalho de campo.  </line>
    <line>CRISE E INOVAÇÃO: CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS </line>
    <line>As crises econômicas expressam, sob certo aspecto, uma paralisia dos agentes pela ausência de  </line>
    <line>expectativas, despertando a atenção sociopolítica para a busca de alternativas tecno-econômicas  </line>
    <line>com a a no diante natureza incertezas. acaba</line>
  </page>
  <page number="5">
    <line>5 </line>
    <line>instando a articulação de ideias sobre inovação com novas expectativas na condução econômica  </line>
    <line>em face da retração de investimentos e atividades empresariais.  </line>
    <line>O registro da literatura aponta que o choque de uma crise econômica tende a “minar” os caminhos  </line>
    <line>da rentabilidade, levando a um terreno desconhecido em que parte dos decisores políticos e em- </line>
    <line>presariais opta pelo apoio à renovação organizacional combinada com elevação de competências  </line>
    <line>tecnológicas na esfera produtiva (Amorós e López, 2011; Etzkowitz, 2012; Riain, 2016; Donatiello  </line>
    <line>e Ramella, 2017). Os efeitos de trajetória produtiva e institucional podem se combinar com estra- </line>
    <line>tégias diversas dos agentes e com emergências nos sistemas de inovação, escapando às respostas  </line>
    <line>funcionais.    </line>
    <line>Sem entrar em detalhes, cumpre referir que uma influente literatura tem se empenhado em expli - </line>
    <line>car, com diferentes ênfases, esses “momentos críticos” nas trajetórias institucionais, ora supondo  </line>
    <line>complementaridades institucionais ajustadas com efeitos recíprocos numa dinâmica histórica sis - </line>
    <line>têmica 2010; 2010), sugerindo para luta sobre de  </line>
    <line>mercado em meio à resiliência institucional (Morgan, 2010; Thelen, 2010).  </line>
    <line>Pinch Swedberg advertem além enraizamento relações e poder  </line>
    <line>contido em instituições, a análise sociológica deve considerar a materialidade das inovações tec- </line>
    <line>nológicas, uma vez que estas requerem um funcionamento de recombinações de infraestruturas  </line>
    <line>e conhecimentos disponíveis, assim como consistem em utilidades de consumo com cálculos para  </line>
    <line>troca lucrativa, ambos os aspectos muitas vezes negligenciados na literatura mainstream. Fligs- </line>
    <line>tein (2025) alerta, nesse sentido, sobre os limites das teorias dominantes para o entendimento das  </line>
    <line>crises e chances de transições no sistema capitalista atual, conclamando analistas para a formu- </line>
    <line>lação de novas abordagens centradas nos mecanismos de inovação e suas mudanças econômicas  </line>
    <line>e políticas.  </line>
    <line>No esforço de avançar na captação dessas combinações entre trajetórias institucionais e estraté- </line>
    <line>gias de inovação, muitas vezes contraditórias, pode-se tomar as ações tecno-econômicas em suas  </line>
    <line>complexas relações com ações socioculturais e com ações político-institucionais, sustentando  </line>
    <line>abordagens capazes de integrar diferentes níveis e dimensões analíticas. Tal princípio teórico-me - </line>
    <line>todológico permite avançar no reconhecimento de uma variedade de agentes e de políticas que  </line>
    <line>incidem processos inovação e matizes 2005; 2019).  </line>
    <line>O estudo das chances, das temporalidades e das variedades da inovação, nas conjunturas de crise,  </line>
    <line>ganha precisão ao recorrer tanto às imposições e oportunidades inscritas nas transformações do  </line>
    <line>paradigma tecnológico internacional quanto às dimensões contextuais, relacionais e de agência  </line>
    <line>dos sistemas sociais de inovação. </line>
    <line>As revoluções tecnológicas expressam transições entre paradigmas, interligando processos de ino- </line>
    <line>vação que acionam conhecimentos e tecnologias disponíveis. Nas fases iniciais, estão as maiores  </line>
    <line>oportunidades aos países em catching up, em razão da maior disponibilidade dos conhecimentos  </line>
    <line>e relativa para trajetórias Todavia, aproveitamento  </line>
    <line>depende da interatividade e do aprendizado dos sistemas de inovação na indução de trajetórias  </line>
    <line>tecnológicas, da sobre sustentação sobre reflexos revoluções  et  </line>
    <line>al., 2005; Rovére, 2006; Freeman e Soete, 2009).  </line>
    <line>As inovações econômicas são novidades que satisfazem necessidades em torno de problemas de  </line>
    <line>consumidores, empresas, regiões e países, podendo consistir em produtos (bens e serviços), pro- </line>
    <line>cessos produtivos (tecnológicos e organizacionais), marketing, modelos de negócios e institui-</line>
  </page>
  <page number="6">
    <line>6 </line>
    <line>ções, além de criar mercados para o problema do crescimento econômico. O processo de inovação  </line>
    <line>– geração, difusão e uso – acaba, no mais das vezes, conjugando esses diferentes tipos e mesmo  </line>
    <line>graus inovação incremental imitação) 2019). afirmados a </line>
    <line>defender suas trajetórias produtivas, caso se percebam contestados pelas inovações e segmentos  </line>
    <line>emergentes (Rovére, 2006). </line>
    <line>Os sistemas de inovação, por sua vez, consistem em arranjos tecno-produtivos e socioinstitucio - </line>
    <line>nais cujo conjunto adquire propriedades emergentes, distintas dos seus constituintes, assumin- </line>
    <line>do uma arquitetura variável que se adapta às mudanças da estrutura econômica. Um sistema de  </line>
    <line>inovação constitui-se, resumidamente, de componentes, que são as organizações (empresariais,  </line>
    <line>acadêmicas, governamentais, entre outras) e as instituições legais e sociais e das suas tramas de  </line>
    <line>relações entre atores da inovação. Esses constituintes desempenham funções de circulação de  </line>
    <line>conhecimentos de além atividades produzindo infraestrutura  </line>
    <line>de recursos para o processo de inovação (Silva, 2017; Ramella, 2019).  </line>
    <line>A dimensão contextual remete aos recursos tangíveis e intangíveis relevantes para inovação que  </line>
    <line>se disponíveis infraestruturas e e setores vocações - </line>
    <line>dutivas. A dimensão relacional refere-se aos aspectos socionormativos na governança entre os  </line>
    <line>agentes da inovação, como as normas formais, as convenções sociais e as redes de interações pes- </line>
    <line>soais e organizacionais. A dimensão de agência diz respeito aos jogos estratégicos na defesa do  </line>
    <line>que se avalia como de interesse no processo de inovação.  </line>
    <line>Nesse sentido, as estratégias de inovação de agentes institucionais envolvem uma amarração de ideias  </line>
    <line>e expectativas em posições discursivas para a coordenação das relações e para a orientação de cursos  </line>
    <line>de ação, no contexto dos recursos distribuídos pelos quadros produtivos e institucionais dos sistemas.  </line>
    <line>A de (2005) ser ao a para influência ideias  </line>
    <line>e expectativas nas organizações econômicas. A sugestão é que os cursos de ação nesses sistemas  </line>
    <line>se movem por combinações entre interesses materiais e ideais, desdobrando-se com o monitora- </line>
    <line>mento de relações com demais agentes. Além das condições político-institucionais e sociocultu- </line>
    <line>rais, as imagens futuras e as ideias exercem influência nas organizações econômicas.  </line>
    <line>Para (2008), complemento, ideias e têm indepen - </line>
    <line>dência relação interesses articulandoem contextuais. refle- </line>
    <line>tem-se no que os agentes avaliam como seus interesses e nas suas percepções sobre os significados  </line>
    <line>das instituições sociais e legais. Tais ideias acabam contribuindo para a definição dos problemas e  </line>
    <line>para as propostas de solução. As lógicas ideacionais contribuem para coalizões, consensos e con- </line>
    <line>flitos sobre as políticas e mudanças institucionais. </line>
    <line>Bonaccorsi (2016) tem também uma contribuição para a análise dessas estratégias, ao sugerir  </line>
    <line>que os estudos sobre experiências e impasses da inovação em reações aos choques econômicos  </line>
    <line>podem ganhar em precisão com o aprofundamento de aspectos relativos às formas de construção  </line>
    <line>das aproximações entre atores dos sistemas de inovação, chamando a atenção para questões so - </line>
    <line>bre a coordenação da ação entre grupos com distintos interesses e valores e seu peso nas políticas  </line>
    <line>públicas. autor relevo razões aos que as nos de  </line>
    <line>inovação, visto que estes envolvem atores heterogêneos, requerendo estratégias de aproximação  </line>
    <line>e de formação de coalizões entre interesses diversos.  </line>
    <line>Windeler Jungmann têm destacado as econômicas caracte- </line>
    <line>rizam altareflexividade coordenação suas e internas externas,</line>
  </page>
  <page number="7">
    <line>7 </line>
    <line>usando conhecimentos e habilidades para a gestão de seus interesses e alianças, no âmbito dos  </line>
    <line>sistemas de inovação. Organizações diversas (empresariais, acadêmicas, governamentais, entre  </line>
    <line>outras) não apenas monitoram os atores do entorno, mas também regulam seus processos em  </line>
    <line>torno da imaginação de inovações, tentando agir em seu favor.     </line>
    <line>Portanto, essas são balizas para uma análise das estratégias de inovação de instituições relevantes  </line>
    <line>face ao que ocorre na conjuntura de crise e estagnação econômica do país, em meio às atuais tran- </line>
    <line>sições tecnológicas internacionais. </line>
    <line>CONTEXTO DE INSTABILIDADES </line>
    <line>A trajetória do sistema brasileiro de inovação revela certa imaturidade se contrastada com países  </line>
    <line>de avançada, reúna e com contri- </line>
    <line>buição para a inovação (Mazzucato e Penna, 2016; Schneider e Reynolds, 2020). </line>
    <line>O sistema conta com alto peso relativo da grande empresa que atua especialmente na adaptação  </line>
    <line>de tecnologias estrangeiras, sendo a aquisição de máquinas e software a sua principal atividade  </line>
    <line>inovativa: 75% das empresas com atividades inovativas atribuem alta importância a essas aquisi- </line>
    <line>ções (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020). Isso contrasta não apenas com o relati - </line>
    <line>vamente baixo dispêndio empresarial em Pesquisa e Desenvolvimento – P&amp;D (22% das empresas  </line>
    <line>com atividades inovativas), mas também com a baixa colaboração entre atores para inovação: 8%  </line>
    <line>das empresas com atividades inovativas atribuem alta importância à colaboração com fornecedo- </line>
    <line>res 3% atribuem importância colaboração universidades centros pesquisa  </line>
    <line>(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020).  </line>
    <line>O da empresa é incipiente. um sistema pós- </line>
    <line>-graduação formação pesquisadores de científico 2023), la - </line>
    <line>boratórios pequeno e baixa com setor (Conselho de  </line>
    <line>Desenvolvimento e 2023). empresas alta do  </line>
    <line>para com disponibilidade financiamento e certa  </line>
    <line>aos riscos da inovação (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020). </line>
    <line>O acompanhamento da performance econômica brasileira ao longo da década de 2010 revela as  </line>
    <line>suas dificuldades, a de queda taxas crescimento  </line>
    <line>Produto Bruto maior e na A de exte- </line>
    <line>rior as dificuldades setores no ao tempo que  </line>
    <line>se amplia a importância das commodities agrícolas e minerais nas suas trocas comerciais (Brasil,  </line>
    <line>2024b). Observa-se tendência de simplificação da estrutura produtiva que se expressa nessa pau - </line>
    <line>ta exportações no de relativa indústrias setores voltados  </line>
    <line>para o mercado interno (Brasil, 2024a; Brasil, 2024b).</line>
    <line>A crise econômica desencadeada na metade da década dos anos 2010 tem diferentes impactos no  </line>
    <line>desempenho do sistema de inovação, destacando-se: a) queda nas taxas de inovação das empresas  </line>
    <line>(em 35,7% inovações produto processo; 2014, implemen- </line>
    <line>taram; 2017, e pedidos patentes pedidos, 2010; em  </line>
    <line>28.317, 2019) 2021b); retração taxas dispêndio P&amp;D % PIB  </line>
    <line>2010; no de 1,21% 2019) maior é setor </line>
    <line>vis-à-vis ao setor empresarial (Brasil, 2021b); e c) formação de alguns clusters de  startups ligadas</line>
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    <line>8 </line>
    <line>aos ambientes de inovação e de uma nova geração de parques tecnológicos ligados às universi - </line>
    <line>dades projetos implantação à (em 54 em e  </line>
    <line>empresas 2014, parques 729 em 71 com </line>
    <line>empresas) (Brasil, 2021b). </line>
    <line>Os efeitos da crise no desempenho do sistema guardam relação tanto com as restrições macroe- </line>
    <line>conômicas e com o quadro político e institucional quanto com demandas emergentes e oportuni- </line>
    <line>dades para intervenção pelos agentes em regulamentos e procedimentos administrativos (Arbix,  </line>
    <line>2017; e 2022; 2023; e 2024). sentido,  </line>
    <line>chamam a atenção diferentes aspectos de mudança na política de inovação no período, cabendo  </line>
    <line>sublinhar a fragilização da ação governamental em torno da coordenação entre os diversos atores  </line>
    <line>que integram um sistema de inovação, como se pode observar em particular nas estratégias nacio- </line>
    <line>nais de ciência, tecnologia e inovação (de 2011, de 2016 e de 2021). Os instrumentos de planeja - </line>
    <line>mento governamental passam a focalizar a redução de custos de produção e transação (trabalho,  </line>
    <line>energia, desburocratização), bem como a absorção da digitalização, abandonando os planos mais  </line>
    <line>abrangentes de formação de novas organizações e instituições no sistema (Brasil, 2012; Brasil,  </line>
    <line>2016; Brasil, 2021a). </line>
    <line>As políticas governamentais de incentivo à inovação acham expressão em instrumentos instituí- </line>
    <line>dos segunda dos 2010, o Brasil Produtivo o de  </line>
    <line>Melhoria da bem em de setorial, a  </line>
    <line>nova das e Programa 2030. a diferentes de  </line>
    <line>destacando-se a progressiva adoção de medidas orientadas para incidir mais estritamente sobre  </line>
    <line>os custos de produção, em especial nos instrumentos de política industrial que se articulam às  </line>
    <line>estratégias nacionais de inovação.  </line>
    <line>Na primeira metade da década de 2010, a política esteve orientada para a aproximação entre  </line>
    <line>componentes sistema inovação, o público setores e  </line>
    <line>tipos de atividades de inovação, selecionados segundo suas potenciais contribuições ao desenvol- </line>
    <line>vimento sustentável e social, ainda que os retornos empresariais estivessem abaixo do esperado.  </line>
    <line>Na segunda metade dos anos 2010, a política governamental passa a orientar-se para a desregu- </line>
    <line>lamentação de atividades combinada com estagnação do investimento público em inovação, esco - </line>
    <line>lhendo temas de interesse conforme sua esperada contribuição para a competitividade econômica  </line>
    <line>e privilegiando suportes a segmentos empresariais escolhidos. </line>
    <line>Em termos regulatórios, pode-se apontar duas importantes novidades na segunda metade da dé - </line>
    <line>cada 2010, país: chamado Legal em Tecnologia Inovação  </line>
    <line>Federal nº 13.243); e o Marco Legal das  Startups  e do Empreendedorismo Inovador (Lei Comple- </line>
    <line>mentar 182/2021 da Presidência da República). Esses marcos regulatórios expressam tendências  </line>
    <line>gestadas na metade década 2010, da da refletindo,  </line>
    <line>sob certo aspecto, discussões das estratégias nacionais de ciência, tecnologia e inovação de então.  </line>
    <line>Trata-se quadros que ao para interações, e  </line>
    <line>entre atores relevantes do sistema de inovação, havendo ainda previsão de meios para certa cons - </line>
    <line>trução de mercados para a pequena empresa inovadora, em especial no novo marco das startups  </line>
    <line>(compras governamentais, spin-off empresarial, trocas entre pequena e grande empresa, investi- </line>
    <line>mentos). </line>
    <line>Portanto, termos gerais, sistema de responde dura nos - </line>
    <line>tes de sua estrutura produtiva e de arquitetura institucional. Ou seja, setores econômicos tradicio -</line>
  </page>
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