ANTROPOLOGIA E CINEMA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS-METODOLÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.21665/2318-3888.v7n13p10-29Resumo
A obra cinematográfica, em si mesma, se manifesta sempre como uma estrutura de símbolos que se propõe e se oferece à observação, ao consumo e à análise como projeção de uma representação cultural análoga, pela sua natureza e significação, aos mitos, aos ritos e às cerimonias que constituem o terrenotradicional da etnologia. Por isso a necessidade de entender o filme como objeto, não só na construção estética, mas, sobretudo, em seu discurso fílmico, se apropriando do seu discurso social e simbólico do objeto/fenômeno representado. Dado que a antropologia conta entre os caracteres que a definem como disciplina, o de estar cientificamente habilitada a fazer análises qualitativas das sociedades, não é necessário insistir sobre o papel do cinema no cerne de seu interesse. Como o cinema funciona tanto como meio de representação da realidade quanto referência cultural? Quais foram as primeiras experiências? Quais representações veicula o discurso fílmico? Quais explorações heurísticas nos permitem tratar o cinema como um poderoso agente e objeto de estudo na antropologia? Baseados em nossas experiências e etnografias fílmicas, este artigo tentará explicitar essas inquietações e apresentará algumas considerações epistemológicas e metodológicas da utilização das narrativas cinematográficas
na pesquisa antropológica.
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