O escudo de Dioniso: sobre a relação metafórica entre vinho e guerra na poesia grega

Autores

Palavras-chave:

Aristóteles, Metáfora, Vinho, Guerra, Poesia elegíaca, Drama ático

Resumo

O presente artigo visa a investigar a hipótese de que a imagem usada por Aristóteles em Poética, XXI.1457b16-22, como exemplo da metáfora por analogia – a de que a taça (phialē) está para Dioniso assim como o escudo (aspis) está para Ares, – é, na verdade, a cristalização de um rico imaginário pregresso, e não simplesmente a articulação casual entre duas divindades quaisquer por artefatos característicos antonomásticos. Partindo dessa hipótese, analisamos instâncias do emprego privilegiado desta metáfora nas manifestações poéticas atreladas a dois contextos marcadamente dionisíacos, a saber, o simpósio e a festa: ambos estão ligados ao consumo de vinho, e ambos são possibilitados pela ausência de guerra. Assim sendo, na primeira seção do artigo, investigamos a contraposição entre vinho e guerra na elegia arcaica metasimpótica. Na segunda, nos interessa o vinho como símbolo de trégua militar no drama ático apresentado nas festividades dionisíacas, sobretudo na comédia aristofânica.

Biografia do Autor

Felipe Ramos Gall, Universidade de Brasília

Professor substituto no Departamento de Filosofia (UnB).

Julia Guerreiro de Castro Zilio Novaes, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutoranda em História da Filosofia Antiga (PUC-Rio).

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Publicado

2023-08-22

Como Citar

GALL, Felipe Ramos; NOVAES, Julia Guerreiro de Castro Zilio. O escudo de Dioniso: sobre a relação metafórica entre vinho e guerra na poesia grega. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 16, p. 106–124, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/apaloseco/article/view/n16p106. Acesso em: 21 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos