Mulheres Ideais Irreais
mediações e estereótipos em Influenciadoras criadas por Inteligência Artificial Generativa
DOI:
https://doi.org/10.33467/conci.v8i.23720Palavras-chave:
Estereótipos de gênero. Influenciadoras virtuais. Inteligência Artificial Generativa. Mediação cultural da informação. Representações femininas.Resumo
Este artigo analisa como as influenciadoras digitais criadas por Inteligência Artificial Generativa (IAG) reproduzem estereótipos de gênero e padrões estéticos relacionados aos corpos femininos. A pesquisa parte do pressuposto de que as imagens geradas por IA não são neutras, mas sim mediadas cultural e informacionalmente, refletindo e amplificando preconceitos enraizados na sociedade patriarcal. O objetivo central é analisar estereótipos em relação ao corpo feminino presentes em influenciadoras criadas via IA, de modo a compreender de que forma tais representações, veiculadas no Instagram, reforçam a erotização, a padronização e a mercantilização dos corpos femininos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa documental e qualitativa, de caráter descritivo e analítico. O corpus foi constituído por perfis de influenciadoras virtuais com ampla visibilidade, analisados por meio de publicações e imagens. A técnica de análise de conteúdo permitiu identificar categorias relacionadas à hipersexualização, ao ideal corporal normativo e à invisibilização da diversidade feminina. Os resultados evidenciam que as representações produzidas por IA replicam padrões hegemônicos de feminilidade: mulheres jovens, magras, brancas, com traços simétricos e aparência erotizada. Observou-se ainda que a visibilidade social conferida a esses perfis associa-se quase exclusivamente à atratividade física e ao poder de sedução, reforçando a lógica de consumo do corpo feminino. A diversidade de corpos, etnias e experiências é sistematicamente negligenciada. Conclui-se que as influenciadoras virtuais atuam como mediadoras culturais, impondo modelos irreais de feminilidade e reforçando desigualdades de gênero. Nesse contexto, a mediação da informação e da cultura se apresenta como espaço estratégico para tensionar tais estereótipos e promover novos imaginários sociais baseados na pluralidade e na equidade.
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