Mulheres Ideais Irreais

mediações e estereótipos em Influenciadoras criadas por Inteligência Artificial Generativa

Autores

  • Luciane de Fátima Beckman Cavalcante Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência de Tecnologia https://orcid.org/0000-0002-3314-003X

DOI:

https://doi.org/10.33467/conci.v8i.23720

Palavras-chave:

Estereótipos de gênero. Influenciadoras virtuais. Inteligência Artificial Generativa. Mediação cultural da informação. Representações femininas.

Resumo

Este artigo analisa como as influenciadoras digitais criadas por Inteligência Artificial Generativa (IAG) reproduzem estereótipos de gênero e padrões estéticos relacionados aos corpos femininos. A pesquisa parte do pressuposto de que as imagens geradas por IA não são neutras, mas sim mediadas cultural e informacionalmente, refletindo e amplificando preconceitos enraizados na sociedade patriarcal. O objetivo central é analisar estereótipos em relação ao corpo feminino presentes em influenciadoras criadas via IA, de modo a compreender de que forma tais representações, veiculadas no Instagram, reforçam a erotização, a padronização e a mercantilização dos corpos femininos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa documental e qualitativa, de caráter descritivo e analítico. O corpus foi constituído por perfis de influenciadoras virtuais com ampla visibilidade, analisados por meio de publicações e imagens. A técnica de análise de conteúdo permitiu identificar categorias relacionadas à hipersexualização, ao ideal corporal normativo e à invisibilização da diversidade feminina. Os resultados evidenciam que as representações produzidas por IA replicam padrões hegemônicos de feminilidade: mulheres jovens, magras, brancas, com traços simétricos e aparência erotizada. Observou-se ainda que a visibilidade social conferida a esses perfis associa-se quase exclusivamente à atratividade física e ao poder de sedução, reforçando a lógica de consumo do corpo feminino. A diversidade de corpos, etnias e experiências é sistematicamente negligenciada. Conclui-se que as influenciadoras virtuais atuam como mediadoras culturais, impondo modelos irreais de feminilidade e reforçando desigualdades de gênero. Nesse contexto, a mediação da informação e da cultura se apresenta como espaço estratégico para tensionar tais estereótipos e promover novos imaginários sociais baseados na pluralidade e na equidade.



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Biografia do Autor

Luciane de Fátima Beckman Cavalcante, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência de Tecnologia

Pesquisadora Adjunta I no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência de Tecnologia (IBICT). Professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (PPGCI/ IBICT).

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

CAVALCANTE, Luciane de Fátima Beckman. Mulheres Ideais Irreais: mediações e estereótipos em Influenciadoras criadas por Inteligência Artificial Generativa. ConCI: Convergências em Ciência da Informação, Aracaju, v. 8, n. especial, 2025. DOI: 10.33467/conci.v8i.23720. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/conci/article/view/23720. Acesso em: 15 jun. 2026.