GEOPOESIA E TERRITÓRIO: A CONSTITUIÇÃO DAS IDENTIDADES KALUNGA EM MIMOSO - TO

GEOPOETRY AND TERRITORY: THE NATURE OF KALUNGA IDENTITIES IN MIMOSO - TO

Autores

  • Elizeth da Costa Alves Doutoranda da Universidade Federal de Goiás - IESA
  • Maria Geralda de Almeida Professora da Universidade Federal de Goiás - IESA
  • Augusto Rodrigues da Silva Junior Professor da Universidade de Brasília - POSLIT

DOI:

https://doi.org/10.33360/RGN.2318-2695.2020.i1.p.93-110

Resumo

Nesse artigo objetiva-se discorrer sobre os aspectos culturais e identitários da Comunidade Quilombola Kalunga do Mimoso. Localizada entre os municípios de Arraias e Paranã, no sudeste do estado do Tocantins – compõe-se de parte de remanescentes de quilombos do norte do estado de Goiás. Amparados pela geografia cultural em sua interface com a geopoesia, para alcançar o objetivo proposto, realizamos observações em pesquisas de campo, estudo bibliográfico e análise de narrativas. Utilizando metodologia em sintonia com os espaços heterogêneos das sociedades (CLAVAL, 2013), tecemos reflexões sobre as relações dos Kalunga com o espaço social produzido: facetas essenciais para compreender os elementos que constituem as identidades territoriais, as narrativas orais e a memória compartilhada entre gerações. Esse vínculo com o passado reforça o sentimento de pertencimento ao território e, no conjunto de sentidos do lugar, irrompe questões relativas às origens quilombolas, trabalho rural, dinâmicas de sociabilidade e solidariedade entre moradores. Nas práticas da cultura afro-brasileira as identidades Kalunga baseiam-se na participação coletiva dos sujeitos e no processo de produção do território. Elas transcendem a perspectiva política e administrativa, e valorizam a apropriação do espaço para a reprodução da vida, do trabalho, da cultura e da geopoesia.

Palavras-chave: Identidade Territorial. Cultura. Quilombola. Tocantins.

ABSTRACT:

In this article, the aim is to discuss cultural and identity aspects of the Community Quilombola Kalunga do Mimoso. Located between Arraias and Paranã cities, in southeast of Tocantins state – it is a part of remnants quilombos from the north of Goiás state. Supported by cultural geography in its interface with geopoetry, to achieve the proposed objective, we conducted observations in field research, bibliographic studies and narrative analysis. Using methodology, in line with heterogeneous spaces of societies (CLAVAL, 2013), we reflect on the Kalunga's relations with the social space produced: essential aspect for understanding the elements that constitute territorial identities, oral narratives and memory shared between generations. This bond with the past reinforces the feeling of belonging to the territory and, in the set of meanings of the place, issues related to quilombola origins, rural work, sociability dynamics and solidarity among residents erupt. In Afro-Brazilian culture practices, Kalunga identities are based on the collective participation and on the territory's production process. They transcend the political and administrative perspective, and value the space appropriation for the reproduction of life, work, culture and geopoetry.

Keywords: Territorial Identity. Culture. Quilombola. Tocantins.

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Biografia do Autor

Elizeth da Costa Alves, Doutoranda da Universidade Federal de Goiás - IESA

Doutoranda em Geografia Cultural pelo Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Goiás, com ingresso em 2016. É mestre em Letras: Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2011) e especialista em Libras pela Faculdade Futura (2019). Tem graduação em Letras Português/Inglês: e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual de Goiás (2006) e graduação em Letras Libras (2019), pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente é professora efetiva de Língua Portuguesa e Língua Brasileira de Sinais (Libras), no Instituto Federal do Tocantins. Tem experiência docente no ensino fundamental, médio, técnico, tecnológico e superior, na área de Letras: Português/ Inglês/ Libras e Inclusão Escolar. Em suas pesquisas acadêmicas atua principalmente com os seguintes temas: Português, Libras, Leitura e formação do leitor, Literatura Brasileira, Literatura Popular (Geopoesia), Cultura Popular, Geografia Cultural, Identidades, Territorialidades, Comunidades Quilombolas Kalunga e Relações étnicorraciais.

Maria Geralda de Almeida, Professora da Universidade Federal de Goiás - IESA

Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestrado e doutorado em Geografia pela Université de Bordeaux III, pós doutorado em Geografia Humana pela Universidad de Barcelona, em Geografia Cultural pela Université Laval, Universita Degli Studi Di Genova e Universite de Paris IV Paris-Sorbonne. Foi presidente da Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE) de 2009 a 2011. Atualmente é professora colaboradora da Universidade Federal de Sergipe, professora titular da Universidade Federal de Goiás onde é pesquisadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais-LABOTER, e no CNPq, o Grupo de Pesquisa Geografia Cultural: territórios e identidade . Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: manifestaçoes culturais, turismo, territorialidade, sertão. Redes nas quais participo: NEER- Núcleo de Estudos sobre Espaço e Representações. 18 pesquisadores de 12 instituições brasileiras. RETEC- Red internacional de estúdios de território y cultura.- Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, França, México, Peru,Venezuela RELISDETUR- Red latinoamericana de innvestigadores em desarrollo y turismo-Argentina, Brasil, Chile,Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México. RIEF - Red Internacional de Investigadores en Estudios de Fiesta, Nación y Cultura. RIEF-. Una Red con más de 150 investigadores de varias naciones. GI-1871: Grupo de Investigación de Análises Territorial, da universidad de Santiago de Compostela-Espanha. Pesquisadora Senior do Programa Nacional de Cooperação acadêmica na Amazônia, pelo edital Nº 21/2018 PROCAD/ AMAZONIA - CAPES, desenvolvendo o seguinte projeto: Construção de estratégias de desenvolvimento regional e as dinâmicas territoriais do Amapá e Tocantins: 30 anos de desigualdades e complementaridades.

Augusto Rodrigues da Silva Junior, Professor da Universidade de Brasília - POSLIT

Professor Associado I de Literatura Brasileira da Universidade de Brasília. Estágio Pós-Doutoral (Bolsista CAPES/2014-2015) na Universidade do Minho - Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos - Braga/Portugal. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2008). Mestrado e Graduação pela Universidade Federal de Goiás (UFG/1996-2002). Desenvolve trabalhos nas áreas de Literatura Comparada; Literatura e Outras Artes; Tanatografia; Geopoesia; Literatura de Campo; Estudos da performance; Artes Cênicas; Tradução. Criador da Tanatografia, atua com os conceitos autorais de Crítica Polifônica; Tradução coletiva; Cinema literário; O Problema do Hífen Colonial, Teatro de Terreiro, Etnoflânerie, Cultura Popular Quilombola (Regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil). Traduziu Paul Valéry, Richard Schechner, Herman Melville, Stéphane Mallarmé. Consultor ad hoc / CAPES. Poeta e ensaísta, recebeu os seguintes Prêmios: Concurso de Poesia Fernando Mendes Vianna (2009; A.N.E; Thesaurus); Concurso Nacional de Ensaio / Prêmio Cassiano Nunes / Biblioteca Central - Universidade de Brasília/2011). Prêmio UnB de Dissertação 2015 e 2016; Prêmio UnB de Tese 2017. Prêmio Dirce Côrtes Riedel 2017- ABRALIC - Menção honrosa - Categoria: Dissertação (Orientação); Seleção Bienal do Livro de Brasília - Categoria Infanto-juvenil (2018). Publicou os seguintes livros de poesia: Niemar. Goiânia: Vieira, 2008; Onde as ruas não têm nome. Brasília: Thesaurus, 2010 (Prêmio F. M. Vianna); Do livro de Carne. Brasília: Thesaurus, 2011; Centésima Página: Lisboa, 2015; Poemas da rua do fogo. Brasília: Avá, 2019. Publicou as seguintes obras infanto-juvenis: Joãozinho e o pé-de-pequi (Tagore editora: Brasília, 2017); Era uma vez uma vez outra vez (R&F Editora, Goiânia, 2018 - Selecionado para Bienal do Livro de Brasília, 2018).

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Publicado

2020-06-14

Edição

Seção

Artigo: Campo-Rural