LOGÍSTICA REVERSA DE MEDICAMENTOS DOMICILIARES: ANÁLISE DO DESCARTE EM FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS DE PAULO AFONSO (BA)
Palavras-chave:
Descarte consciente, Educação em saúde, Resíduos farmacêuticos, Políticas regulatórias.Resumo
O crescimento no consumo de medicamentos no Brasil tem resultado em um acúmulo significativo desses produtos em domicílios, impulsionado por fatores como automedicação, 8 mudanças terapêuticas e descontinuação de tratamentos. Esse cenário agrava-se com práticas inadequadas de descarte, como o envio ao lixo comum ou esgoto, que impactam negativamente o meio ambiente e a saúde pública. O presente estudo analisou os hábitos de descarte de medicamentos por parte da população de Paulo Afonso (BA), com foco em farmácias comunitárias. A pesquisa, de caráter quantitativo e descritivo, utilizou questionários aplicados a colaboradores de seis drogarias locais. Os resultados evidenciaram a influência direta da existência de programas estruturados de coleta no volume de resíduos devolvidos pela população, além de apontarem fragilidades na segregação e desconhecimento do destino final dos produtos. Classes terapêuticas como analgésicos, antiácidos e antibióticos foram as mais frequentemente descartadas, revelando a prevalência da automedicação. Também foram identificados entraves como falta de capacitação dos profissionais, limitação de espaço físico e ausência de campanhas educativas. Apesar de algumas iniciativas pontuais, não há padronização nas ações de conscientização. Os dados reforçam a urgência de fortalecer a atuação governamental por meio de políticas públicas integradas, maior fiscalização e incentivo à estruturação de sistemas de devolução. Conclui-se que, embora existam esforços isolados, o descarte sustentável de medicamentos ainda enfrenta desafios significativos no contexto estudado.
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Referências
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