SILENCIAMENTO, AGÊNCIA E ESCRITA DA HISTÓRIA
HORACIO LARA E AS NARRATIVAS MAPUCHE ENTRE O COLONIAL E O NACIONAL
Palavras-chave:
Ambivalência narrativa. Historiografia chilena. Pacificação da Araucanía.Resumo
Este artigo examina a Crónica de la Araucanía (1888-1889), de Horacio Lara Marchant, por meio da leitura integral de seus dois tomos, de seus paratextos e de uma amostragem estratificada da recepção entre 1889 e 2024. Analisa-se em que medida a obra pode ser definida como contranarrativa à historiografia nacional chilena e quais limites cercam a hipótese de seu silenciamento. Os resultados indicam que Lara reconheceu a soberania e a agência diplomática mapuche, mas enquadrou esse reconhecimento em categorias civilizatórias e em uma teleologia territorial. A recepção posterior oscilou entre celebração patriótica, apropriação documental e crítica da narrativa nacional. Sustenta-se, assim, que a obra constitui contranarrativa parcial, com circulação desigual e sentidos historicamente disputados.
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