Os olhos dos bichos
uma perspectiva pós-humanista de O vivo, de Adriana Lisboa
DOI:
https://doi.org/10.51951/ti.v15i34.p11-27Palavras-chave:
Pós-humanismo. Adriana Lisboa. O vivo. Poesia. Estudos comparatistas.Resumo
Em O vivo (2021), Adriana Lisboa trabalha com poemas sob uma mesma abordagem temática, Indicada pelo título, que guarda estreitas relações com o pós-humanismo crítico. No livro, revela-se o descentramento do ser humano, visto sem soberania ou exclusividade em relação a outras formas de vida, conforme Pramod Nayar (2020), Rosi Braidotti (2013), Ricardo Gil Soeiro (2019, 2020) e outros pensadores do pós-humanismo, embora, no caso de Lisboa, a origem de seu pensamento remeta à filosofia do budismo e dos direitos animais. Os poemas de O vivo, em especial, trazem características do pensamento pós-humanista como a dissolução do “eu” enquanto unidade delimitada; a busca por equidade entre seres humanos e outros animais; o multiperspectivismo, que abarca diferentes formas de vida; a preocupação com o ecossistema e os questionamentos dos sistemas discriminatórios. Como metodologia do presente estudo, serão levantados referenciais teóricos do pós-humanismo crítico e correntes afins, através de alguns de seus principais pensadores; estes serão comparados com a obra e o pensamento de Lisboa; serão analisados poemas do livro O vivo e realizado o levantamento de depoimentos da artista acerca dos temas abordados, através de entrevistas, outros meios de comunicação e da correspondência entre o autor do artigo e a poeta.
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