Futebol no videoteipe
entre a apocatástase, o trauma e a trapaça em “No último minuto”, de Sérgio Sant’anna e O drible, de Sérgio Rodrigues
DOI :
https://doi.org/10.51951/ti.v15i35.p80-95Mots-clés :
Literatura. Futebol. Apocatástase. Trauma. Trapaça.Résumé
Literatura e futebol parecem dois campos disjuntos ao levarmos em conta, principalmente, a ficção. De fato, existiram escritores, como Nelson Rodrigues, que se dedicaram à figuração dos gramados, mas a partir da crônica. Nessa linha, o conto “No último minuto”, de Sérgio Sant’Anna, e o romance O drible, de Sérgio Rodrigues, parecem jogar isolados. Por meio dessas duas notações ficcionais se visa fazer uma discussão que parte da apocatástase, o juízo do final dos tempos que irá redimir as derrotas e falhas do passado, encontra a trapaça e, por conseguinte, o trauma. Faz-se um trajeto do Individual ao coletivo. No conto, temos um goleiro que assiste, depois do jogo, ao “frango” que levou na final do campeonato. No ex post facto dos videoteipes, ele almeja corrigir esse erro. Por sua vez, no romance a aproximação entre pai e filho, Murilo e Neto, também por meio dos teipes de futebol, parece se constituir como um “pacto honesto” de reconciliação. Entre esses tempos o profano e o sagrado evocado pelos campos. Entretanto, nos dois momentos a apocatástase não vence a dura prova da realidade e do jogo. De um lado, a trapaça da bola e, do outro, a vingança com tintas raciais que espicaça nossa suposta “democracia racial”.
Submissão: 18 ago. 2025 ⊶ Aceite: 08 out. 2025
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