Filosofia no Teatro

O esvaziamento da palavra e a escrita de si

Autores

Palavras-chave:

Escrita de Si. Esvaziamento da palavra. Metodologias Ativas. Simbolismo. Teatro Online.

Resumo

Este artigo Investiga a dimensão filosófica do teatro simbolista de Maurice Maeterlinck, tomando o Teatro Estático como espaço privilegiado para pensar o esvaziamento da palavra e o deslocamento da ação dramática para a situação. A partir de Os Cegos (1890), analisam-se o silêncio e a espera como operadores estéticos que Interrogam a subjetividade moderna e a condição humana. Em diálogo com a noção de Escrita de Si em Michel Foucault e com a ética estoica de Sêneca, o teatro é compreendido como prática de reflexão e cuidado de si, na qual a cena não representa o Indivíduo, mas expõe sua relação com o mundo. A pesquisa articula esses referenciais a uma experiência contemporânea de criação em audiodrama, Los Ciegos (2023), entendida como atualização crítica do Teatro Estático, no qual a palavra cede lugar à situação, à espera e à escuta. Por meio de procedimentos cartográficos, examina-se como a encenação com não atores, pessoas com 60 anos ou mais, produz uma reconfiguração da escuta, da voz e da presença, tensionando a crise da alteridade no contexto do capitalismo cognitivo. Ao retomar Maeterlinck a partir da filosofia, o artigo sustenta que o teatro simbolista oferece Instrumentos para pensar a vida contemporânea, afirmando a cena como espaço ético-estético de formação e experiência sensível compartilhada.

Submissão: 12 set. 2024 ⊶ Aceite: 11 dez. 2025

Biografia do Autor

Gabriel Fontoura Motta, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

Ator, educador e pesquisador. Finalista del Premio cRio ESPM 2025. Mestre em Artes da Cena (Capes, Unicamp) e graduado em Teatro Licenciatura pela UFRGS, realizou mobilidade acadêmica em Humanidades e Cinema na Universidad Carlos III de Madrid, com bolsa Santander/UC3M. Licenciando em Letras - Espanhol (UFPel), também é parecerista de artigos acadêmicos em revistas científicas e de projetos culturais em editais públicos. Nascido em Porto Alegre (RS), é habilitado como apresentador de Rádio e TV e ator sindicalizado desde 2011. Atua como professor de Teatro e Espanhol, com foco na presença de não atores na cena contemporânea e na articulação entre dramaturgia e o ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (ELE), especialmente em contextos online. Desenvolve pesquisas e publica artigos em revistas científicas voltados à dramaturgia expandida, à cena digital, ao ensino da língua espanhola e à pedagogia teatral aplicada a contextos sociais diversos. Iniciou sua carreira na série Parada 90 (Ulbra TV), dirigida por Maurício Gyboski, e foi selecionado em 2011 para o concurso "Casal Malhação", no programa Caldeirão do Huck. No teatro, participou de montagens com circulação pelo Sul do Brasil, com obras de autores como Anne Frank, Machado de Assis e Simões Lopes Neto. Tem experiência em produção cultural e em eventos de grande porte. Trabalhou na Copa América Conmebol (2019), na Arena do Grêmio, liderando a equipe de atendimento multilíngue. Produziu espetáculos e shows musicais como Ira!, Maiara Maraisa e Moacyr Franco (Opus), além de festivais como Palco Giratório, Porto Alegre em Cena e a Feira Internacional do Livro de Porto Alegre. Em 2023, participou da campanha internacional do Google, gravada no Uruguai e dirigida por Ben Whitehouse, e integrou a série documental do programa Fantástico (TV Globo), recriando "Sangue Latino" (Ney Matogrosso e Secos Molhados), na primeira pesquisa com inteligência artificial realizada pelo canal. É embaixador do Desafio LED desde 2022, onde ministra o curso de teatro O Feed da Nossa Vida e aulas de espanhol pela plataforma SuperProf, na qual é o professor de teatro com o maior número de avaliações positivas no mundo. Essas atividades integram o projeto Hablas Español?, desenvolvido e apoiado pela Fundação Roberto Marinho e pela Rede Globo, a partir da premiação obtida com sua pesquisa de mestrado realizada com pessoas acima de 60 anos, por meio do audiodrama Los Ciegos (1890), uma interpretação da dramaturgia simbolista de Maurice Maeterlinck. Ministra oficinas com Jogos Teatrais e mediações com base no Teatro do Oprimido, explorando a relação entre convivência e documentação como linguagem cênica em ambientes corporativos. Tem levado o teatro para empresas e instituições como Diageo Brasil e Faculdade São Leopoldo Mandic. Tem experiência como preparador de elenco com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, em trabalhos realizados como educador social. É autor da série de audiodrama Voz para Cumaná, desenvolvida com imigrantes e refugiados venezuelanos. Sua atuação envolve públicos diversos, como idosos, imigrantes, profissionais da saúde e jovens, em experiências presenciais e virtuais, individuais ou em grupo. Sua pesquisa busca integrar teatro, educação e inclusão por meio da sensibilidade pedagógica com não atores e da criação de processos criativos híbridos voltados à transformação social através das artes e das letras. nicos para cada participante nos processos criativos.

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Publicado

30-05-2026

Como Citar

FONTOURA MOTTA, Gabriel. Filosofia no Teatro: O esvaziamento da palavra e a escrita de si. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 20, p. 31–48, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/apaloseco/article/view/n20p31. Acesso em: 19 jun. 2026.

Edição

Seção

Dossiê teatro, filosofia e literatura