Estratégias de enfrentamento de pesquisadoras negras como forma de permanência na ciência
DOI:
https://doi.org/10.33467/conci.v8i.23714Palavras-chave:
Violência epistêmica, Injustiça epistêmica, Enfrentamento ao racismo, Pesquisadoras negras, Racismo acadêmicoResumo
O presente estudo investigou as percepções de pesquisadoras negras da Ciência da Informação acerca das estratégias adotadas diante de violências e injustiças epistêmicas nos espaços acadêmicos. A discussão teórica aborda os conceitos de epistemicídio, injustiça epistêmica, pacto da branquitude e privilégio epistêmico. Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa e exploratória, buscando responder empiricamente ao problema de pesquisa por meio de entrevistas semi-estruturadas realizadas com sete pesquisadoras negras da Ciência da Informação. Os relatos das pesquisadoras foram apresentados sob pseudônimos escolhidos por elas: Beatriz Nascimento, Beyoncé, Débora, Maya Angelou, Expedita, Maria Antonieta e Aqualtune. O método utilizado para análise das entrevistas foi a Análise Episódica de Grada Kilomba, de forma que cada uma das respostas gerou sete episódios que versam sobre estratégias de enfrentamento às violências e injustiças epistêmicas no meio acadêmico. As análises dos episódios se concentraram nas estratégias de enfrentamento. Como conclusão, constatamos que as injustiças epistêmicas se sustentam pela deslegitimação e descredibilização do conhecimento proveniente de grupos sociais considerados subalternos, como as mulheres negras. Nesse ambiente, elas enfrentam diversas situações de não reconhecimento de suas contribuições epistêmicas. No entanto, as pesquisadoras continuam resistindo ao ambiente hostil que as cerca, buscando apoio entre seus pares acadêmicos que compartilham de suas dores e realidades semelhantes.
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