CINEMA E PENSAMENTO EM VIRGINIA WOOLF
Resumo
Em 1926, um ano antes do lançamento do primeiro filme falado do cinema mundial, Virginia Woolf escreveu um ensaio premonitório sobre uma arte que ainda começava, cambaleante, a dar os seus primeiros passos. Neste ensaio intitulado O Cinema, podemos dizer que Woolf reivindica o lugar de fala da sétima arte, defendendo com veemência a necessidade da afirmação dos elementos que garantem a alteridade do cinema perante as demais representações artísticas, como a literatura. Mesmo que as produções cinematográficas ainda se encontrassem em sua fase mais elementar e originária, Woolf conseguiu perceber um dilema e preocupou-se em questionar: qual é o potencial do cinema? O que ele possui que é só seu? Existe alguma característica intrínseca ao pensamento que pode ser exprimida sem a ajuda de palavras? O ensaio de Woolf reivindica para o cinema a sua capacidade de produzir pensamento de modo singular, em virtude de seus dispositivos e de seu elemento vital: as imagens. Podemos compreender, partindo da leitura dos livros Cinema I- A Imagem-Movimento e Cinema II- A Imagem-Tempo, do filósofo francês Gilles Deleuze, que pensar por imagens é extrair do concreto algo que é inexprimível por palavras, é lidar com a fluidez de uma forma de pensamento singular menos abstrata do que o conceito filosófico, porém não menos potente do que ele. Os cineastas pensam não por conceitos, como os filósofos, ou por versos, como os poetas, mas por imagens. Desse modo, nosso objetivo neste trabalho é analisar, partindo dos escritos de Virginia Woolf, a relação entre cinema e pensamento, buscando compreender em que medida as imagens podem e devem ser construídas de modo autônomo, emancipadas da necessidade de recorrer a elementos e narrativas provenientes de outras artes, como a literatura, para a construção de suas ideias.
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