DÚVIDA, LOUCURA E CETICISMO
Resumo
O objetivo deste trabalho é analisar o suposto caráter cético da dúvida cartesiana. É adequado caracterizar a dúvida cartesiana como uma dúvida cética? A primeira meditação resulta, de fato, numa epoché? Dialogando diretamente com a tradição cética e com o texto cartesiano, sustentaremos a hipótese de que não há identidade ou equivalência entre a dúvida cartesiana e a dúvida cética. Julgamos que esta é uma leitura mais adequada a uma visão de conjunto da obra cartesiana e compatível com o ponto de vista do próprio Descartes. Para sustentar tal leitura, analisaremos a referência à loucura na primeira meditação. Trata-se de uma hipótese capaz de pôr em xeque a capacidade das nossas faculdades para produzir conhecimento e de expor os limites da razão. Ela lança um poderoso desafio em relação à possibilidade de se produzir um conhecimento certo e seguro, isto é, verdadeiro. Não obstante o potencial cético desta hipótese, tentaremos demonstrar que o tratamento dedicado à referência à loucura na primeira meditação é um importante indicador de não equivalência entre dúvida cartesiana e dúvida cética. Ao término deste trabalho, esperamos outrossim ter reunido elementos que nos permitam demonstrar que embora a dúvida cartesiana, assim como a dúvida cética, assuma uma função terapêutica, tratam-se de terapêuticas distintas, que visam a males distintos e cujos resultados são também distintos. Avaliamos que o problema da relação entre a dúvida cartesiana e o ceticismo configura uma das melhores chaves de acesso a compreensão da primeira meditação. Além disso, ao caracterizar melhor a relação entre a filosofia cartesiana e a tradição cética é o próprio projeto das Meditações, de modo geral, que se elucida.
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