S. ŽIŽEK E M. NICOLELIS
FILOSOFIA, NEUROCIÊNCIA E HOMEM-MÁQUINA
Resumo
O artigo tenciona analisar, a partir de paralaxes filosóficas e neurocientíficas, um tema recorrente do contemporâneo, a saber: o homem-máquina, o devir-máquina e o humano. Uma atual narrativa da tecnologia difundiu-se no contemporâneo frente a áreas específicas de saberes como a filosofia e a neurociência, os caminhos desta narrativa surgem a partir das confluências entre as ciências cognitivas e as ciências analíticas no século XX. O cerne da questão entre o homem, a máquina e o homem-máquina fazem surgir um conto técnico e científico em torno de uma ideia que anuncia a era das inteligências artificiais e a revolução das máquinas com um certo desconforto: o homem-máquina já coabita entre nós e irá nos dominar – a saber, o modelo da máquina alcançará a singularidade e irá nos superar. Por outro lado, a filosofia e a neurociência pontuam uma enxurrada de paralaxes sobre esse tema. Em Slavoj Žižek, a máquina é a representação da autonomia da subjetividade humana e da maximização da cognição a partir de aparatos tecnológicos no devir-máquina. Em Miguel Nicolelis, a máquina não só é parte fundamental do processo evolutivo biológico, como é parte do que é o humano em sentido dos atributos que a relação mente e cérebro produz. Enquanto a narrativa da superação e aniquilação do homem se difunde, esse artigo pretende esmiuçar o papel da filosofia e da neurociência em Žižek e Nicolelis a fim de captar a destreza do acoplamento de máquinas externas ao corpo humano não como um fim, contudo como um pequeno passo para um robô e um passo gigantesco para um primata.
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