A PROBLEMÁTICA DO DESEJO/PODER EM GILLES DELEUZE E MICHEL FOUCAULT

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Resumo

O presente artigo pretende elaborar os elementos da esquizoanálise deleuzo-guattariana e microanálise foucaultiana que tornaram possível a celebre disputa teórica entre os outrora amigos Gilles Deleuze (1925-1995) e Michel Foucault (1926-1984). Neste sentido, partiremos da hipótese que para além de uma mera indisposição afetiva, o motivo da eventual ruptura entre ambos os filósofos pode ser encontrado na forma como ambos compuseram o campo problemático de suas filosofias, buscando elaborar diferentes respostas para um mesmo problema compartilhado: como conceber o sistema de organização social a partir de seu elemento diferencial? Publicamente exposto por Foucault com a publicação de seu História da sexualidade 1 em 1976, este racha teórico veio a ser reconhecido em uma carta endereçada por Deleuze ao seu colega em 1977 e posteriormente aprofundado com a publicação em 1981de Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia 2, onde Deleuze e Guattari dedicam uma nota inteira para recusar a analítica foucaultiana. A fim de elaborar uma resposta àquele problema, defenderemos que ambos os autores elaboraram soluções que são mutuamente excludentes e incompatíveis: existe uma unidade antinômica formada pelo que denominamos de o princípio esquizoanalítico do desejo e o foucaultiano do poder. Dito isso, nosso artigo pretende apontar uma possível solução a esta antinomia ao mesmo tempo em que nos inserimos no debate elaborado pela fortuna crítica acerca racha teórico que divide a literatura secundária entre os pró-deleuzianos e os pró-foucaultianos, lançando mão de uma ousada solução por meio do terceiro incluído daquela dicotomia: o monstro lacano-deleuziano.

Palavras-chave: antinomia; esquizoanálise; microanálise; desejo e poder; Deleuze e Foucault.

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Publicado

2026-07-23