Do Rio bestializado ao Rio do carnaval
Resumo
O presente artigo buscará construir um conceito de cidadania relevante à realidade brasileira. Para isso, debateremos os conceitos de literatura menor, a serem articulados ao contexto brasileiro, primeiro para desmontar alguns vieses simplificadores, do olhar elitista e europeizante, do agir político do povo brasileiro. Segundo para justificar o recurso do samba como dispositivo político devidamente identificado ao conceito de literatura menor de Deleuze e Guattari. Em seguida, trabalharemos Os Bestializados, de José Murilo de Carvalho, no sentido de contar a história do Rio para identificar as noções de cidadania que se quis atribuir ao povo, como omisso de seu compromisso social com a nação e a construção de seus direitos. Assim como, o esforço do Estado em atuar para afastar o povo de seu espaço de poder e, que, mesmo assim, excluídos, as pessoas encontraram meios de organização: redes de solidariedade e combate direito às instituições. E, além disso, se fazendo inserir por meios bem singulares, nos termos de Carvalho, por uma Estadania. Por fim, interpretaremos alguns sambas de enredo para endossar o nosso argumento de que as práticas cidadãs brasileiras são múltiplas, sendo o samba uma delas.
Palavras-chave: História do Rio de Janeiro; Cidadania; Exclusão; Samba; Filosofia brasileira.

