“Quem bate cartão não enrica”
Memórias do Trabalho na Itapagé S/A em Coelho Neto, MA (1990-2000)
Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar como as memórias acerca da indústria Itapagé S/A construíram a subjetividade de uma ex-trabalhadora, revelando as contradições do projeto de desenvolvimento industrial no leste maranhense. Partindo do contexto da industrialização incentivada pela política nacional nos anos 1970, a metodologia utiliza a pesquisa qualitativa, com foco na História Oral. O depoimento de uma única interlocutora é adotado como corpus documental principal, em triangulação com fontes documentais (relatórios de fiscalização) e hemerográficas. Os principais resultados revelam a tensão entre um sofisticado sistema de controle moral e disciplinar imposto pela gestão e as práticas ilegais da própria empresa. Conclui-se que a ex-operária desenvolveu uma “dupla consciência”, performando a submissão, mas mantendo uma lucidez crítica superior à da própria gerência.
Palavras-chave: Maranhão; Industrialização; Trabalho; História Oral.

