Corpos migrantes no campo do visível: racialização, vigilância e disputas por existência no espaço urbano
DOI:
https://doi.org/10.21669/tomo.v45.24361Palavras-chave:
migrantes, racialização, vigilância urbana, visibilidade, decolonialidade, espaço público, biopolíticaResumo
Este artigo examina as dinâmicas de racialização, visibilidade e vigilância que estruturam as experiências de corpos migrantes nos espaços urbanos contemporâneos. Através de uma análise crítica fundamentada em perspectivas decoloniais, biopolítica e estudos de interseccionalidade, argumenta-se que a presença de migrantes, particularmente negros, mulheres e aqueles em situação de precariedade, constitui-se em campo de disputa sobre quem possui direito ao espaço urbano, à visibilidade política e à existência plena. O artigo propõe que a "hipervisibilidade" e a invisibilidade dos corpos migrantes não são contraditórias, mas complementares: enquanto alguns corpos são criminalizados por sua mera presença em certos espaços públicos, outros experimentam invisibilidade em termos de acesso a direitos e dignidade. Conclui-se que as disputas por visibilidade e existência urbana refletem não apenas questões de migração, mas também as heranças coloniais persistentes que continuam a governar quem pode ocupar a cidade e sob quais condições.
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