EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA E O PAPEL DO INTÉRPRETE GUARANI-PORTUGUÊS: POR UMA PERSPECTIVA CRÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.51951/ti.v10i22Resumo
Este texto investiga o modo como uma escola indígena localizada em uma comunidade indígena da etnia Guarani Mbya no sul do Brasil busca promover uma educação intercultural e bilíngue, por meio da atuação de “professores intérpretes”, designação utilizada pela própria comunidade. O contexto de pesquisa envolve uma escola indígena na qual o corpo docente é formado majoritariamente por professores não indígenas que atuam em parceria com professores intérpretes indígenas. Os dados foram gerados por meio de observação participante e de entrevistas formais e informais com membros da comunidade escolar. Argumentamos que a presença de professores intérpretes em sala de aula tem sido crucial para que a escola promova uma educação escolar intercultural e bilíngue, pois esse formato possibilita um diálogo crítico e criativo entre os saberes da cultura hegemônica ocidental e os saberes da cultura Guarani Mbya. Ao reconhecer a importância do intérprete indígena na esfera educacional, o artigo visa contribuir com as políticas de profissionalização dessa atividade.
Palavras-chave: Educação indígena. Educação escolar indígena. Intérprete guarani-português. Interculturalidade.
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