“Se for, vá na paz”

os ecos da tragédia grega em Bacurau

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51951/ti.v15i34.p246-263

Palavras-chave:

Bacurau. Aristóteles. Tragédia grega. Literatura comparada.

Resumo

Este artigo busca Investigar as Intertextualidades entre a tradição das narrativas antigas, especialmente as das tragédias gregas, e o filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Para isso, tomamos como base a classificação feita por Aristóteles dos elementos trágicos em sua Poética, e extraímos desse texto os conceitos-chave necessários para definir o que é uma tragédia clássica. Então, descrevemos brevemente o enredo do filme de Mendonça Filho e Dornelles, e analisamos como os conceitos delimitados por Aristóteles figuram nessa narrativa contemporânea. Em seguida, apontamos como características da tragédia grega estudadas por outros autores, como Friedrich Nietzsche (2007), Francis Muecke (1983) e Marcos Cardoso Gomes (2016), aparecem em Bacurau, demonstrando como outras Intertextualidades se estabelecem entre as duas obras. Finalmente, analisamos as significações ambivalentes decorrentes dessa relação entre as tragédias e o filme. Para Investigar as Intertextualidades e realizar a análise, utilizaremos como referencial teórico a obra da professora Sandra Nitrini, Literatura Comparada (2015), a fim de delimitar os conceitos de tradição e Intertextualidade.Este artigo busca Investigar as Intertextualidades entre a tradição das narrativas antigas, especialmente as das tragédias gregas, e o filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Para isso, tomamos como base a classificação feita por Aristóteles dos elementos trágicos em sua Poética, e extraímos desse texto os conceitos-chave necessários para definir o que é uma tragédia clássica. Então, descrevemos brevemente o enredo do filme de Mendonça Filho e Dornelles, e analisamos como os conceitos delimitados por Aristóteles figuram nessa narrativa contemporânea. Em seguida, apontamos como características da tragédia grega estudadas por outros autores, como Friedrich Nietzsche (2007), Francis Muecke (1983) e Marcos Cardoso Gomes (2016), aparecem em Bacurau, demonstrando como outras Intertextualidades se estabelecem entre as duas obras. Finalmente, analisamos as significações ambivalentes decorrentes dessa relação entre as tragédias e o filme. Para Investigar as Intertextualidades e realizar a análise, utilizaremos como referencial teórico a obra da professora Sandra Nitrini, Literatura Comparada (2015), a fim de delimitar os conceitos de tradição e Intertextualidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luiz Fernando Huf de Carvalho, Universidade Federal do Paraná - UFPR

Bacharel em Letras – Português/Inglês, com ênfase em Estudos da Tradução (UFPR). Mestrando em Estudos Literários (UFPR). Curitiba, Paraná, Brasil.

Referências

ARISTÓTELES. Poética. Tradução, prefácio, Introdução, comentário e apêndices de Eudoro de Sousa. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1994.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Jaime Bruna. In: Aristóteles: Vida e Obra. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996. p. 27-60.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução e notas de Ana Maria Valente. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2004.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução, textos adicionais e notas de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2011.

BACURAU. Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Rio Grande do Norte: SBS Productions/CinemaScópio/Globo Filmes e Vitrine Filmes, 2019. 1 DVD: 131 min, sonoro, colorido, PAL-M, 2019.

BUARQUE, Chico; PONTES, Paulo. Gota d’água. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.

DIONYSUS In ’69. Direção: Brian De Palma, Robert Fiore e Bruce Rubin. Estados Unidos: Sigma III, 1970. 1 filme (85 min), sonoro, legenda, color., 16 mm.

DUPONT, Florence. Aristóteles ou o vampiro do teatro ocidental. Tradução Joseana Prezotto; Marcelo Bourscheid; Rodrigo Tadeu Gonçalves; Roosevelt Rocha; Sérgio Maciel. Desterro[Florianópolis]: Cultura e Barbárie, 2017.

ÉSQUILO. Oréstia. Tradução: Mário da Gama Kury. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.

EURÍPIDES. Electra. Tradução: Trupersa (trupe de tradução de teatro antigo); direção de tradução: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. São Paulo: Ateliê Editorial, 2015.

GOLDBERG, Leah. Russian literature In the nineteenth century:essays. Jerusalém: Magnes Press, 1976.

GOMES, Marcos C. A ironia trágica em Heródoto. Curitiba: Prismas Editora, 2016.

IL PISTOLERO dell’Ave Maria. Direção: Ferdinando Baldi. Itália: B.R.C. Produzioni/Ízaro Films: Dist. Produzioni Atlas Consorziate, 1969. 1 filme (91 min), sonoro, legenda, color., 16 mm.

LEONARD, Miriam. Tragic Modernities. Cambridge: Harvard University Press, 2015.

MALHADAS, Daisi. Tragédia grega: o mito em cena. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

MEDEA. Direção: Lars von Trier. Dinamarca: Danmarks Radio, 1988. 1 filme (76 min), sonoro, legenda, color., 16 mm.

MUECKE, Francis. Foreshadowing and Dramatic Irony In the Story of Dido. The American Journal of Philology, Baltimore, vol. 104, n. 2, p. 134-155, 1983.

NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. Tradução, notas e posfácio: J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

NITRINI, Sandra. Literatura Comparada: História, Teoria e Crítica. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2015.

PEREIRA, Edimilson de A. No mar com os devotos: o Congado e o Candombe como pontes culturais entre Brasil e África. In: CHAVES, Rita; SECCO, Carmen; MACÊDO, Tânia (Org.). Brasil/ África: como se o mar fosse mentira. Maputo: Imprensa Universitária, Universidade Eduardo Mondlane, 2003. p. 299-327.

PLATÃO. A República. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997.

REHM, Rush. Radical Theatre: Greek Tragedy and the Modern World. Londres: Bloomsbury Academic, 2003.

SHELLEY, Percy B. Prometheus Unbound. London: C and J Ollier, 1820.

SÓFOCLES. Antigonick. Trad. Anne Carson. New York: New Directions Publishing, 2015.

VERAS, Laurene. Tradição e memória: as guardiãs da Praia do Bispo e do Sobrado de Santa Fé. Nau Literária, v. 7, n. 2, jul./dez. 2011. Disponível em: https://www.seer.ufrgs.br/NauLiteraria. Acesso em: 27 nov. 2019.

Publicado

07-08-2025

Como Citar

CARVALHO, Luiz Fernando Huf de. “Se for, vá na paz”: os ecos da tragédia grega em Bacurau. Travessias Interativas, São Cristóvão-SE, v. 15, n. 34, p. 246–263, 2025. DOI: 10.51951/ti.v15i34.p246-263. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/Travessias/article/view/n34p246. Acesso em: 6 mar. 2026.