“Alguma coisa viva caminha em círculo dentro da cabeça”

doença, delírio e desterro em Cefaleia, de Julio Cortázar

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.51951/ti.v15i34.p28-43

Mots-clés :

Mancúspias. Pós-natureza. Julio Cortázar.

Résumé

O estudo Investiga a iminência animal no conto “Cefaleia”, escrito por Julio Cortázar (1914-1984), no compêndio de curtas narrativas Intitulado Bestiário (1951). Fundamentado nas abordagens de Donna Haraway, Gabriel Giorggi, Giorgio Agamben, John Berger, Vinciane Despret, entre outros pensadores contemporâneos, desvenda-se o modo como a Infecciosa presença animal arrasta as personagens para o abismo do delírio e do desterro, retirando-lhes o estatuto do humano, outrora concedido pela “máquina antropológica” (Agamben, 2006, p. 51). Dito isso, constata-se, na trama, as personagens, Inseridas no espaço de disciplinamento materializado pelo criadouro, sendo Invadidas por uma desterritorializante contiguidade animal, que de uma só vez Interroga as tecnologias de poder sobre a vida e reflete sobre o quão movediças são as fronteiras entre humanos e não humanos. Destarte, verifica-se a emergência de novas políticas do viver e novas éticas do morrer na construção de outra lógica das relações.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Bibliographies de l'auteur

Hiandro Bastos da Silva, Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA

Mestre em Poéticas da Linguagem pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). Graduado em Licenciatura em Letras Português (2021) pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

Lauro Roberto do Carmo Figueira, Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA

Doutor em Literatura pela Universidade do Porto, Portugal (2007, com revalidação pela Universidade Federal de Santa Catarina, 2008). Professor Associado da Universidade Federal do Oeste do Pará.

Références

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: O Poder Soberano e a Vida Nua. Belo Horizonte: UFMG, 2007.

AGAMBEN, Giorgio. Meios sem fim: notas sobre a política. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

AGAMBEN, Giorgio. O aberto: o homem e o animal. Tradução de Pedro Mendes. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.

BERGER, John. Por que olhar para os animais?. São Paulo: Fósforo Editora, 2021.

CORTÁZAR, Julio. Bestiário. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

CORTÁZAR, Julio. Obra Crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. v. 1.

CORTÁZAR, Julio. Obra Crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. v. 2.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Milplatôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1995 v. 1.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Milplatôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1996. v. 3.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Milplatôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997. v. 4.

DESPRET, Vinciane. Que diriam os animais?. São Paulo: Ubu Editora, 2021.

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

GIORGI, Gabriel. A vida imprópria: histórias de matadouros, In: MACIEL, Maria Esther (Org.). Pensar/escrever o Animal – Ensaios de zoopoética e biopolítica. Florianópolis: Editora UFSC, 2011.

GIORGI, Gabriel. Formas comuns: animalidade, literaturae biopolítica. Rio de Janeiro: Rocco, 2016.

HARAWAY, Donna. Quando as espécies se encontram. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

MACIEL, Maria Esther. Literatura e animalidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.

ROAS, David. A ameaça do fantástico. São Paulo: Unesp, 2013.

Publiée

2025-08-07

Comment citer

SILVA, Hiandro Bastos da; FIGUEIRA, Lauro Roberto do Carmo. “Alguma coisa viva caminha em círculo dentro da cabeça”: doença, delírio e desterro em Cefaleia, de Julio Cortázar. Travessias Interativas, São Cristóvão-SE, v. 15, n. 34, p. 28–43, 2025. DOI: 10.51951/ti.v15i34.p28-43. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/Travessias/article/view/n34p28. Acesso em: 18 avr. 2026.