CONFUSÃO, DISTINÇÃO E EXPRESSÃO

TRÊS CHAVES PARA ABORDAR QUALIDADES SENSÍVEIS EM LEIBNIZ

Autores

  • Maria Júlia Bertolio

Resumo

Com o surgimento da Modernidade e a consolidação de uma visão mecanicista da natureza, uma nova diferenciação é introduzida entre dois tipos de propriedades atribuídas aos corpos. Todo evento físico pode ser explicado exclusivamente em termos de impactos entre corpos em movimento, na medida em que a natureza do mundo físico é reduzida a corpos materiais aos quais são atribuídas apenas qualidades como tamanho, forma, posição e movimento. Desse modo, as propriedades mecânicas, que John Locke chamará de propriedades primárias, são frequentemente consideradas propriedades reais presentes nos corpos, enquanto qualidades como cor, calor, sabor (definidas como propriedades secundárias) tornam-se ontológica e epistemologicamente problemáticas, dando origem a uma série de debates sobre o funcionamento adequado dos sentidos, a natureza das representações mentais que produzem e seu valor cognitivo. Este debate, que atravessa grande parte do pensamento moderno, também concerne a Leibniz, embora, em seu caso a questão se inscreva no quadro de uma metafísica mais complexa. No presente artigo, nos propomos a examinar a concepção leibniziana das qualidades sensíveis através da análise de três das suas dimensões essenciais: sua natureza confusa, sua possível distinção e seu caráter expressivo.

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Publicado

2025-07-09