TAMBÉM EU NA ARCÁDIA: A RELAÇÃO DE GOETHE COM OS ANTIGOS NA ELABORAÇÃO DE UMA CIÊNCIA DA NATUREZA

Autores

  • José Alesson Rodrigues Lima

Resumo

O presente trabalho busca analisar a relação do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe com os Antigos no que tange à elaboração epistemológica e metodológica de sua ciência da natureza. Para tanto, tomar-se-á como base dois textos seminais, a saber: sua obra autobiográfica Viagem à Itália (1817) e sua obra científica A Metamorfose das Plantas (1790). Admirador confesso da sociedade greco-romana, Goethe empreendeu uma viagem pela Itália entre os anos de 1786 e 1788 a fim de ampliar seus horizontes artísticos e de buscar uma solução para a questão da unidade do reino vegetal, especialmente no que se refere à existência de um elemento unificador capaz de conectar todas as plantas. Em solo italiano, Goethe deparou-se com a exuberância da natureza local e com a perfeição estética da arte clássica, o que aprofundou sua admiração pelos Antigos enquanto modelo de harmonia entre homem, arte e natureza. Essa experiência mostrou-se decisiva para o desenvolvimento de sua noção de forma primordial (Urform), concebida como o princípio unificador dos seres vegetais. Nesse contexto, argumentamos que a influência dos Antigos não se limita à esfera estética, mas permeia sua ciência em termos epistemológicos e metodológicos enquanto uma ciência da mudança, da metamorfose contínua da natureza e igualmente do pesquisador. Por fim, propomos que a concepção goethiana de forma primordial não apenas reflete uma inspiração extraída dos modelos clássicos, mas também inaugura uma metodologia científica que busca conciliar intuição e empirismo, subjetividade e objetividade, em uma perspectiva orgânica influenciada pela harmonia idealizada da Antiguidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2026-07-23