Arte urbana e governamentalidade visual nas margens de Fortaleza, Ceará: o Festival Concreto entre resistência e requalificação neoliberal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21669/tomo.v45.24525

Palavras-chave:

arte urbana, governamentabilidade, Festival Concreto, periferias urbanas, neoliberalismo

Resumo

Este artigo analisa as dinâmicas de governamentalidade visual no Festival Internacional Concreto de arte urbana em Fortaleza, Ceará, com foco nas edições realizadas nos Residenciais José Euclides Ferreira Gomes (2020) e Cidade Jardim 2 (2022). A partir de uma abordagem qualitativa que inclui análise iconológica, discute-se como o “graffiti”, prática historicamente associada à resistência dos jovens nas periferias urbanas, é mobilizado como ferramenta de requalificação urbana e controle simbólico nesses contextos. Argumenta-se que o Festival opera em tensão constitutiva: democratiza o acesso à arte e ressignifica territórios marginalizados, mas reforça lógicas neoliberais de gestão urbana, atuando como dispositivo de governamentalidade que molda subjetividades e paisagens

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Biografia do Autor

Natanael Nathan Pereira da Silva, Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Sou sociólogo e pesquisador dedicado a compreender as dinâmicas entre arte urbana, espaço público e formas de governo nas periferias. Minha trajetória acadêmica começou nas Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde fui bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) e desenvolvi as primeiras aproximações com a cidade como campo de investigação. Desde 2018, venho acompanhando de perto o Festival Internacional de Arte Urbana Concreto, experiência que incluiu a atuação direta na produção do evento e no auxílio a artistas durante suas intervenções. Essa vivência de campo, aliada às reflexões do grupo Ciências Sociais e Cidades (CSC) da UECE, sob orientação do Prof. Dr. Wellington Maciel, conduziu à pesquisa de mestrado defendida em 2025. No estudo, investigo como o governo visual opera nas margens urbanas de Fortaleza, analisando as edições do Festival Concreto nos Residenciais José Euclides Ferreira Gomes (2020) e Cidade Jardim 2 (2022). A partir de um diálogo entre Michel Foucault, Henri Lefebvre e a sociologia da arte, a pesquisa problematiza a arte urbana como dispositivo de governamentalidade, tensionando seu potencial de resistência cultural com sua instrumentalização por agendas neoliberais de requalificação urbana. Desde 2022, atuo como pesquisador vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UECE, onde continuo desenvolvendo reflexões sobre as interseções entre estética, poder e cidade nas periferias brasileiras.

Wellington Ricardo Nogueira Maciel, Universidade Estadual do Ceará (UECE)

É professor adjunto do curso de ciências sociais da Universidade Estadual do Ceará-UECE onde também é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia-PPGS. Foi professor adjunto da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia-Afro-Brasileira-UNILAB. É doutor em sociologia pela Universidade Federal do Ceará. Possui também graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (2003) e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (2006). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia Urbana, atuando principalmente nos seguintes temas: cidade, arquiteturas da violência, poder e práticas cotidianas de lazer e consumo. É líder do grupo de pesquisa Ciências Sociais e Cidade - CSC. É autor do livro "O Aeroporto e a Cidade: usos e significados do espaço urbano na Fortaleza turística" (EdUECE, 2010). Atualmente vem se dedicando ao estrudos das formas de governo da cidade na era neoliberal.

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Publicado

2026-09-30

Como Citar

Silva, N. N. P. da, & Maciel, W. R. N. (2026). Arte urbana e governamentalidade visual nas margens de Fortaleza, Ceará: o Festival Concreto entre resistência e requalificação neoliberal. Revista TOMO, 45, e24525. https://doi.org/10.21669/tomo.v45.24525

Edição

Seção

Dossiê Visualidades urbanas: poder, subjetividades, sociabilidades e o existir citadino

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