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Travessias Interativas ➭ jul-dez/2015
n. 10 (2015)Caminhos, mudanças, vida nova... Travessias...
“É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
– Fernando Teixeira de AndradeO volume X da revista de letras Travessias Interativas sai com algum atraso, é certo, mas também com algo novo e vivo – e que é, significativamente, o motor da vida. Com algumas mudanças no corpo editorial, além de novas visões para novos(as), ou velhos(as), autores(as), a revista Travessias, neste volume, espera continuar a contribuir para a busca daquela outra margem que está aquém de nós – mas que é, de toda forma, um pouco de nós mesmos. Entre o saber e o conhecer-se, travessias...
Na primeira sessão do volume, Bruna Tella Guerra (Unicamp) nos traz uma entrevista com o professor, contista e romancista Ricardo Lísias. Finalista do Prêmio Jabuti de 2008 (com Anna O. e outras novelas) e do Prêmio São Paulo de Literatura em 2010 (com O livro dos mandarins), a literatura de Lísias parece se sustentar na tensão entre o discurso ficcional, inventivo, e, muitas vezes, o registro nu da própria autoria. Dando “um nó” não só na cabeça da crítica, mas até mesmo da própria Polícia Federal: Ricardo chegou a ser intimado a prestar depoimento no órgão da Federação por conta do seu e-book Delegado Tobias (2014). Lísias foi acusado por falsificação de documentos. Em algum lugar, sem dúvida, Kafka sorri, triunfante (e, em tempo, Flaubert emenda, também jocoso: “Delegado Tobias, c’est moi”).
No primeiro artigo, Flávio Amorim da Rocha (UFMS) analisa o espaço no romance Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino, buscando a relação entre este o espaço descrito e o desenvolvimento psicossocial das personagens do romance – tudo refletido pela/na busca da própria identidade.
“O jornal como tribuna: uma polêmica literária nas ‘Balas de Estalo’”, de Rodrigo Cézar Dias (UFRGS), percorre as discussões e polêmicas literárias ocorridas entre os críticos Silvio Romero e Valentim Magalhães, publicadas nos jornais Gazeta de notícias e A Folha nova, no final do século XIX, em paralelo com a paródia desenvolvida pelos pseudônimos Lulu Sênior e Zig-Zaga – respectivamente Ferreira de Araújo e Henrique Chaves – na série “Balas de estalo”.
E aproveitando as questões dos meios editoriais, “Minas e o Modernismo: a origem de uma poética moderna”, de Aline Maria Jeronymo (UNESP/Araraquara), mergulha por dentro das revistas do modernismo mineiro (A Revista, Verde e leite criôlo) afim de resgatar as questões históricas e literárias fundamentais não só para a literatura subsequente, mas também para a “mineiridade” patente que ali se disseminará, de alguma maneira, no modernismo vindouro.
Dos mergulhos à identidade, polêmicas e regionalismo, saltamos para a filosofia em “Da linguagem filosófica à ficcional: ecos de modern fiction em Mrs. Dalloway” – texto de Vagner Leite Rangel (UERJ). Num texto de fôlego, o autor (re)liga pontos substanciais da moderna literatura norte-americana através da posição fundamental da autobiografia; do sujeito cartesiano; e da posição do narrador segundo Adorno. Tudo isso através da profunda crítica e literatura de Virginia Woolf – respondendo questões e levantando outras tantas.
Ainda na literatura estrangeira, “Seus olhos viam Deus, de Zora Neale Hurston, e a construção identitária da personagem Janie”, Raquel Barros Veronesi e Carlos Augusto Viana da Silva (ambos da Universidade Federal do Ceará – UFC), analisam o processo da construção da identidade e de um viver poético, em meio à realidade objetiva e fragmentária do mundo, da protagonista Janie, do romance Seus olhos viam Deus (1937), da escritora afro-americana Zora Neale Hurston – que já é importante referência da literatura negra norte-americana e de resistência (tanto cultural, quanto de gênero e das minorias).
Inclusive, sobre resistência e gênero, em “A história de um silêncio: a insurgência da voz feminina em A manta do soldado, de Lídia Jorge”, de Audrey Castañón Mattos (UNESP/Araraquara), podemos ler o silencioso grito da escrita feminina, através do artigo e da obra literária; nas vozes explícitas e implícitas; dominantes e silenciadas; que se convergem para o rompimento dos paradigmas da autoridade masculina numa crítica a sociedade androcêntrica e patriarcal – além de uma crítica à própria literatura.
Se, portanto, a obra literária pode ser reflexo do mundo e dos seres que a cerca, em “Do outro como espelho: a construção da identidade no conto ‘Imagem’, de Luiz Vilela”, de Angélica Catiane da Silva de Freitas e Rubens Aquino de Oliveira (ambos da UFMS), rememorando Machado de Assis, Guimarães Rosa e José J. Veiga – todos autores de contos com o título de “Espelho” –, a análise sobre o texto de Luiz Vilela, “Imagem”, procura mostrar como a construção da identidade é, determinantemente, feita através da figura do outro – num infindável exercício de alteridade.
A questão da alteridade, hoje, parece ser um tema tão pertinente que até mesmo aqueles arquétipos que deveriam ser norteadores de nossas aspirações mais nobres acabam entrando em conflito. É o que podemos observar através do artigo “As representações sociais no discurso dos super-heróis: o caso Batman, o cavaleiro das trevas”, de Lorena da Silva Rodrigues e Maria Leidiane Tavares (UFC – Ceará), que vem para contribuir com uma vertente cada vez mais interessante para os estudiosos das Letras (tanto na linguística; quanto na literatura): o universo das HQ e das Graphic Novel. A consagrada obra Batman, o cavaleiro das trevas (1986), de Frank Miller, é um marco nas histórias em quadrinhos. No artigo, através da ótica da análise do discurso, podemos notar como a edificação das ações e das falas das personagens (no caso, Batman e Superman, heróis que se tornam inimigos) servem para endossar posicionamentos que vão muito além da figura idealizada do herói (ou do mito) – recaindo, portanto, na mais significativa dinâmica social.
Ainda dentro das questões sociais, “Representação social da Língua Portuguesa, mídia e ensino” Ana Miriam Carneiro Rodriguez (UninCor), Aline Macedo Silva Araújo e José Antônio de Oliveira Júnior (ambos UFOP), temos a reflexão do ensino de Língua Portuguesa e a sua relação com a Gramática Tradicional através da polêmica surgida em alguns meios depois da aprovação pelo MEC do livro didático Viver e Aprender – por uma vida melhor (2011), de Heloisa Ramos.
Por fim, “Desejos e conflitos socioculturais de Emma Bovary: o discurso feminista manifesto em pensamento”, de Aline Bruna Barbosa Araújo (AFARP), Milca Tscherne (UNESP/Araraquara) e Alice Meira Inácio (UFOP), temos um artigo pautado pelo análise semiolinguística do discurso, onde a personagem icônica de Flaubert, Emma Bovary, para a ser exemplo do comportamento imposto à mulher no século XIX – sem deixar de traçar correspondências com as posições sócio-histórico-culturais do momento em que a obra foi publicada e com o nosso próprio contexto histórico atual.
Literaturas; identidades; discursos; ensino; questões históricas, sociais, culturais.
Travessias...
Boa leitura.
Os editores,
Alexandre de Melo Andrade - Editor-chefe
Leonardo Vicente Vivaldo - Editor-adjunto
Valéria da Fonseca Castrequini - Editora-adjunta -
Travessias Interativas ➭ jan-jun/2015
n. 9 (2015)Autores, obras, discursos...
Travessias que vão da literatura à análise do discurso.O volume IX da revista de letras Travessias Interativas comemora os quatro anos do surgimento da revista. O ecletismo aqui presente ratifica as muitas travessias a que a revista se propõe como identidade e ideologia. Já de início é necessário fazer um agradecimento especial aos nossos colaboradores, sejam eles participantes oficiais do conselho editorial ou pesquisadores externos requisitados para a emissão de pareceres. A revista tem o compromisso de trazer contribuições para a comunidade acadêmica com artigos de pesquisadores de diversas instituições do país, desde que originais e com visada crítica eficaz.
Na primeira sessão do volume, há uma entrevista com o poeta Iacyr Anderson Freitas, que tem se destacado na cena literária brasileira a partir da década de 80, com uma produção já volumosa, premiada e reconhecida. Na entrevista, o poeta discorre sobre aspectos da lírica e da literatura de um modo geral, com ênfase nas relações poéticas que subjazem sua própria produção. A entrevista foi realizada por Alexandre de Melo Andrade (AFARP-UNIESP).
Abrindo o volume, aparece o artigo “Além das fronteiras: a busca, a fuga e o entre-lugar na literatura moçambicana”, da autoria de Nícolas Totti Leite (AFARP-UNIESP) e Mariana Aparecida de Carvalho (UFF). Em seguida, consta o artigo intitulado “Alguns elementos espaciais e temporais na teoria literária e na obra O Equivocrata, de Raul Fiker”, de Matheus Marques Nunes (UNIP-Ribeirão Preto / UNESP-Araraquara). Já no próximo artigo, Alexandre de Melo Andrade (AFARP-UNIESP) analisa “A natureza diurna em Álvares de Azevedo”. Em análise comparativa, o próximo artigo é da autoria de Leonardo Vicente Vivaldo (AFARP-UNIESP / UNESP-Araraquara) e intitula-se “Ah! Um Corvo pousou em minha sorte!”: breves aproximações entre Augusto dos Anjos e Edgar Allan Poe”. Finalizando a sessão de artigos voltados para a análise e crítica literária, há o texto “Era uma vez... Histórias surdas: (re)definindo conceitos de Literatura Infantil”, de José Marcos Rosendo de Souza (UERN) e Maria Lúcia Pessoa Sampaio (UERN).
Os três artigos seguintes, inseridos no âmbito da linguística, tratam de análise do discurso e de fatores teóricos e práticos associados à oralidade e à prática do ensino da língua. O artigo “Os lugares da memória: estudo de anúncios publicitários oitocentistas a partir do ponto de vista da esfera pública burguesa, da antropologia e do discurso”, de Alice Meira Inácio (AFARP-UNIESP), abre a tríade. Na sequência, há o artigo “Articulação teoria e prática e pressupostos linguísticos”, de Valéria da Fonseca Castrequini (AFARP-UNIESP). E finalizando o volume, constamos o artigo “A influência dos fatores linguísticos na concordância ou não concordância verbal na fala adolescente”, de Eliane Vitorino de Moura Oliveira (UEL).
Desejamos leituras prazerosas, produtivas e reflexivas a todos os que se aventurarem por estas travessias.
O editor,
Alexandre de Melo Andrade - Editor-chefe -
Travessias Interativas ➭ jul-dez/2014
n. 8 (2014)Literatura brasileira e outras literaturas. Linguística e ensino de línguas
O oitavo volume da revista de letras Travessias Interativas, correspondente ao segundo semestre de 2015, envereda por caminhos da literatura brasileira e estrangeira, aclarando perspectivas críticas e analíticas, apontando aspectos que têm sido pouco explorados. Traz, ainda, textos questionadores a respeito das teorias linguísticas e do ensino de línguas. Na primeira sessão da revista, há uma entrevista com a poeta, crítica e artista plástica Cleri Aparecida Biotto Bucioli, que esclarece questões importantes sobre o fazer-poético, as relações entre o poeta e a realidade circundante, o diálogo entre pintura e poesia, e ainda a presença do seu olhar crítico – consciente, inclusive, da maturação que traz de outras leituras. A entrevista foi realizada pela também poeta e crítica de literatura Cristiane Rodrigues de Souza (USP-São Paulo / Centro Univ. Barão de Mauá-Rib. Preto).
Abrimos a sessão de artigos com o texto “Literatura Brasileira na Internet”, de Jaime Ginzburg (USP-SP). O texto problematiza a forma como alguns websites (Google, Yahoo e Bing) apresentam os autores Álvares de Azevedo e Clarice Lispector, e propicia uma reflexão sobre pesquisas pautadas nestas fontes, levando em conta desde as informações nelas contidas até o aspecto visual com o qual se depara nestes sites de busca. Em seguida, há o artigo “Uma análise das imagens de devir na obra de Viviane Mosé”, de Lorena Lima Kalid (UFBA), que propõe uma leitura da poesia de Mosé, também filósofa, promovendo diálogo com a filosofia de Nietzsche. Já em “O espaço regional na literatura brasileira: um problema de fronteiras”, André Tessaro Pelinser (UFMG) discute relações de espaço físico, dimensões simbólicas e regionalismo – questões caras à literatura brasileira. No próximo artigo, intitulado “Uma análise comparativa entre Teoria do medalhão e O homem que sabia javanês”, de Verônica Franciele Seidel (UFRGS), faz-se uma comparação entre duas obras em prosa de literatura brasileira, mapeando relações entre narrador, construção retórica, ironia e a figura do malandro. Por meio da obra “O globo da morte de tudo”, de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, Raisa Damascena Rafael (UNIRIO) reflete acerca da arte e do progresso, no texto “O globo da morte de tudo: transitoriedade, excesso, ruína”. Focalizando a figura do personagem em Guimarães Rosa e Hoffmann, e obediente às figuras estéticas de Kierkegaard, Jacob dos Santos Biziak (UNESP/Araraquara) é autor do próximo artigo – “As figuras estéticas kierkegaardianas: um estudo comparativo entre Hoffmann e Guimarães Rosa”. Na esteira da prosa de ficção contemporânea de viés político-intimista, Rosalia Rita Evaldt Pirolli (UFPR) encerra o estudo de autores brasileiros desta edição, com o artigo “Abusos da memória em K. – Relato de uma busca”, analisando a obra de Bernardo Kucinski.
A próxima sequência de artigos privilegia autores estrangeiros. Em “O inferno da existência: o trágico de Schopenhauer em Entre quatro paredes, de Jean Paul Sartre”, Gustavo Ramos de Souza (UEL) busca compreender o trágico na referida obra sartreana, à luz da teoria do filósofo alemão Schopenhauer. No artigo seguinte – “A Cidade nos contos ‘Um encontro’ e ‘Um caso doloroso’, de James Joyce” –, Gabrielle Cristine Mendes (UFPR) analisa a abordagem que se faz, nos dois contos, da cidade de Dublin, amparando-se em teorias de Bakhtin e de Salvatore D’Onofrio. Jenifer Evelyn Saska (UFSCar) analisa a recepção da obra Ariel, de Sylvia Plath, fundamentada na Estética da Recepção de H. R. Jauss, no artigo “A recepção da primeira edição de Ariel em artigos acadêmicos”. O artigo seguinte traz a obra de José Saramago para análise, com ênfase no conto “O Centauro”, levando em conta aspectos caros ao escritor português; trata-se de “A relação entre o mito e o maravilhoso em ‘Centauro’, de José Saramago”, de Tania Mara Antonietti Lopes (UNESP/Araraquara). A poesia dos contemporâneos franceses Jean-Marie Maulpoix e Jean-Marie Gleize é discutida no próximo artigo – “O lirismo crítico e a pós-poesia: diferentes propostas estéticas para a poesia contemporênea”, de Érica Milaneze (UNICAMP).
Os demais artigos se inserem nos estudos linguísticos e suas práticas. Em “Cultura participativa e práticas de produsagem na escrita de fanfictions em websites de compartilhamento online”, de Larissa Giacometti Paris (UNICAMP), parte-se da análise de uma sinopse de fanfictions, aplicando teorias de Bruns e Jenkins. No artigo seguinte, intitulado “Alunos do 2º ano do ensino fundamental e a leitura inferencial”, Dione Márcia Alves de Moraes (UFPA) propôs uma reflexão acerca do texto verbal e do texto não verbal, visando a possíveis avanços na compreensão leitora. Andrea Esther Anocibar (UFRGS) promove uma discussão acerca do léxico de origem espanhola adotada pelo Aurélio (2010), no texto “Empréstimos do espanhol na língua portuguesa – análise de indicações diaintegrativas no Aurélio (2010)”. Analisando o verbo “poder” sob o ponto de vista semântico-pragmático, os articulistas Lauriê Ferreira Martins, Nathália Félix de Oliveira, Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda e Luís Felipe de Moraes Silva (todos da UFJF), considerando tal verbo como “modal”, mapeiam suas funções, conforme pressupõem já no título: “A multifuncionalidade do verbo modal ‘poder’: usos identificados e evidências sobre sua atuação em contextos de pedidos e permissão”. Encerramos esta sessão com o artigo “Entre Pêcheux e Jakobson: algumas considerações sobre o papel da significação saussuriana nas ciências da linguagem”, de Denise Machado Pinto (UFMS), que desvela textos de Pêcheux e Jakobson partindo do pensamento saussuriano acerca da significação da linguagem.
Na sessão seguinte, dedicada a artigos de Iniciação Científica, apresentamos dois textos. O primeiro, intitulado “Quando João Cabral de Melo Neto nos chama para dançar”, de Bárbara Campos Silva (UnB), sob orientação do Prof. Dr. Alexandre Pilati, analisa os poemas “A bailarina” e “Estudos para uma bailadora andaluza”, de João Cabral de Melo Neto, provocando relações entre a dança e a literatura. O segundo – “Contextualização de práticas de ensino como ações alternativas e questionadoras no processo de aquisição de língua inglesa sob a óptica da linguística aplicada” – é da autoria de Maria José Rocha Fernandes da Silva (AFARP-UNIESP), sob a orientação da Profa. Ms. Flávia Danielle Sordi Miranda, e propõe pensar o ensino de língua inglesa por meio de práticas contextuais/contextualizadoras, desmistificando a aprendizagem de língua estrangeira pautada apenas pelas estruturas linguísticas normativas.
Agradecemos a contribuição de todos os autores, que nos ofertaram com textos resultantes de maturidade investigativa, e o conselho editorial, que mais uma vez se dedicou com excelência no processo de avaliação dos artigos. Findamos aqui o nosso trabalho mediante o oitavo volume, e inicia o dos leitores, a quem possibilitamos, a partir de agora, viagem por muitas travessias.
Os editores,
Alexandre de Melo Andrade - Editor-chefe
Valéria da Fonseca Castrequini - Editora-adjunta -
Travessias Interativas ➭ jan-jun/2014
n. 7 (2014)Existe é homem humano. Travessias...
Chegamos ao sétimo número da revista de letras Travessias Interativas, com onze artigos que referendam estudos poéticos e leitura de poesias, estruturas narrativas e análise de romances, estudo teatral e ensino de literatura, análise do discurso e gêneros textuais. A diversidade deste volume cumpre a tarefa importante de trazer contribuição para leitores e pesquisadores; os textos possuem investigação crítica e originalidade.
Na primeira sessão da revista, há uma entrevista com o Prof. Dr. Paulo Franchetti, que se destaca como crítico de literatura e, mais recentemente, como poeta, com uma produção já considerável e reveladora de uma voz singular na pluralidade contemporânea. Franchetti fala sobre sua produção, incorporando, ainda, reflexões sobre a poesia contemporânea, a crítica literária atual, os novos meios de proliferação da po esia etc. No final da entrevista, há dez poemas que o poeta nos enviou, permitindo-nos publicá-los. A entrevista foi concedida a Leonardo Vicente Vivaldo (AFARP-UNIESP), também estudioso de poesia. Registramos, aqui, nosso agradecimento ao entrevistado, pela disponibilidade e contribuição.
O primeiro artigo, intitulado “A poesia de Mário de Andrade, em versos de Roberto Piva e de Carlos Felipe Moisés”, de Cristiane Rodrigues de Souza (Centro Universitário Barão de Mauá), traz, por via da “estética dos vestígios”, a herança da poesia de Mário de Andrade nos versos dos dois poetas contemporâneos. Em “O silêncio de pedra: breves considerações sobre o nada, o silêncio e as ausências em A pedra do sono, de João Cabral de Melo Neto”, Fabiano Rodrigo da Silva Santos (USP) e Maria Clara Gonçalves (UNICAMP) delineiam a ausência como categoria poética aparente em A pedra do sono – obra inaugural (1942) de João Cabral. Dando continuidade ao estudo poético, o próximo artigo, de Alex Moretto (Faculdade São Luís) – “A poética da natureza em O pastor amoroso, de Alberto Caeiro” – aclara um aspecto pouco explorado no heterônimo pessoano: o afastamento da natureza em detrimento da subjetividade.
Os artigos seguintes privilegiam o estudo da narrativa. Em “Breve percurso por caminhos da literatura. Sobre narrativas: Mito, Epopeia e a problemática do Romance”, de Mirella Priscila Izídio da Silva (UFPE), parte-se de teorias de Jolles Northrop Frye e Georg Lukács para um estudo sobre o desenvolvimento do romance e suas relações para com o mito e a epopeia. Já o próximo artigo, de Liliane Pereira Soares do Nascimento (UNESP/S. José do Rio Preto), intitulado “Alexandre e outros heróis e a experiência comunicável de Walter Benjamin”, estuda o referido romance, de Graciliano Ramos, à luz da “experiência comunicável” de Walter Benjamin, palmilhando a relação entre literatura e sociedade. Em “A personagem feminina nos contos de Hans Christian Andersen”, de Gracinéa I. Oliveira (UFMG) e Olívia de Fátima Medeiros (FACISABH), estuda-se o perfil da figura feminina na obra de Andersen, observando-se elementos comuns em perso nagens de classes sociais distintas. O artigo seguinte, “A utilização da maquinaria gótica e seus sentidos em Rapaccini’s Daughter”, de Raquel de Vasconcellos Cantarelli (UNESP/ Araraquara), parte do estudo da obra de Nathaniel Hawthorne para desvelar aspectos importantes do gótico e sua relação com o desenvolvimento científico e tecnológico.
No próximo artigo, voltado para o gênero dramático, Solange Santos Santana (UFBA) estuda alguns aspectos da ironia de Nelson Rodrigues, no artigo “O homem é apenas um ser trágico que ama e morre: a ironia em O beijo no asfalto”. Pensando o ensi no de literatura por via de teóricos da tradição literária moderno-contemporânea, Lin con Luiz Vaneti (UNESP/Araraquara) e Alexandre de Melo Andrade (AFARP-UNIESP/UNESP-Araraquara) trazem reflexões pertinentes à literatura e ao ensino, no artigo intitulado “Literatura: ensiná-la pela teoria ou pela fruição?”.
Os dois últimos artigos seguem as trilhas dos estudos linguísticos. Em “Três faces do discurso em Jakob Von Gunter”, Paula Carolina Betereli (UFMG) estuda as diversas facetas do poder, na referida novela, do escritor suíço Robert Walser, à luz da teoria de Michel Foucault sobre discurso e poder. No artigo que fecha a edição – “Tecnologias digitais e ensino: análise de um trabalho de produção de vídeos sob a óptica dos gêneros” –, Fávia Danielle Sordi Silva Miranda (AFARP-UNIESP / UNICAMP) apresenta “reflexões acerca da interface entre linguagens e tecnologias e suas implicações para o ensino”.
Entregando mais este volume, só nos resta agradecer a todos os articulistas que nos premiaram com seus textos e desejar que eles ratifiquem sua contribuição para os estudos das letras.
Os editores,
Alexandre de Melo Andrade - Editor-chefe
Valéria da Fonseca Castrequini - Editora-adjunta -
Travessias Interativas ➭ jul-dez/2013
n. 6 (2013)LITERATURA E HISTÓRIA: RELAÇÕES, IMPLICAÇÕES, LEITURAS
Tornaram-se frequentes os estudos que provocam relações entre literatura e outros saberes. Tais estudos têm demonstrado que a arte literária, ainda que fundamentada em trabalho autônomo da linguagem que se perfaz pela criatividade de quem compõe o texto, possui estreito vínculo com o conhecimento do mundo. Conforme no dizer de Antonio Candido, em “O direito à literatura”, a função da literatura percorre três faces: “(1) ela é uma construção de objetos autônomos como estrutura e significante; (2) ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão de mundo dos indivíduos e dos grupos; (3) ela é uma forma de conhecimento [...]” (1998, p. 176).
Nessa perspectiva, este volume da Travessias reuniu textos que tendem a possíveis relações entre literatura e história. O primeiro artigo, intitulado “Fogo morto: a dramatização social e subjetiva da decadência”, de Bárbara Del Rio Araújo (UFMG), tematiza a decadência de certa estrutura sócio-econômica, para além de rótulos acerca da prosa de ficção da geração de 30 brasileira. O artigo seguinte – “Projetando reflexões sobre a (re)apresentação da realidade em Fahrenheit 9/11, de Michel Moore” – de Márcia Corrêa de Oliveira Mariano (UNESP/São José do Rio Preto), intenta uma análise peculiar do documentário Fahrenheit 9/11, observando relações entre os fatos históricos e o ponto de vista de Michel Moore acerca dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O terceiro artigo é o de Alexandre Francisco Solano (FNSA/UNIESP), “A escrita de uma vida: São Francisco de Assis entre a história e a ficção”; o articulista parte da biografia de São Francisco de Assis escrita por Jacques Le Goff, chegando a reflexões importantes sobre a narrativa biográfica.
Já o artigo de Morganna Sousa Rocha (UnB), “O outro pé da sereia: da história para a ficção”, parte do romance de Mia Couto para discutir a questão da ficcionalização da história. Patrícia Helena Baialuna de Andrade (UNESP/Araraquara), em “Sobre a autobiografia na literatura de exílio: um conto de Anna Seghers”, busca, conforme seu próprio dizer, “apontar para a presença do elemento autobiográfico no conto ‘O passeio das meninas mortas’, de Anna Seghers”. Eduardo Neves da Silva (UNESP/Araraquara), com seu texto “As relações nada naturais entre o amor e a nobreza no teatro de Antônio José da Silva, o Judeu”, analisa o amor e a nobreza em Esopaida ou Vida de Esopo (1734) e Guerras do alecrim e manjerona (1737), ambas de Antônio José da Silva (O Judeu), relacionando tais obras a uma transformação sócio-histórica em Lisboa. O próximo artigo – “Tensões, intercessões e dissoluções: a desestabilização do conceito de nação na literatura brasileira contemporânea” –, de Laura Assis (PUC-Rio), traz leituras acerca do tema da nação (e suas implicações heterogêneas) na literatura brasileira contemporânea.
Por último, temos o artigo de Iniciação Científica “A descoberta do frio: uma escrita afro-brasileira”, de Auliam da Silva (UFPa), sob orientação do Prof. Dr. Sérgio Afonso Alves (UFPa); o texto discute a novela A descoberta do frio, de Oswaldo Camargo, refletindo sobre a literatura afro-brasileira.
A revista apresenta, ainda, uma Resenha do livro Linguística da Internet (organizado por Tânia G. Shepherd e Tânia G. Saliés), publicado em 2013, elaborada por Flávia Danielle Sordi Silva Miranda (UNICAMP / AFARP-UNIESP).
E para abrir o volume, há uma entrevista com a professora, pesquisadora e ensaísta Nádia Batella Gotlib – expoente nos estudos de literatura e crítica – elaborada por Milca Tscherne (AFARP-UNIESP) e Alexandre de Melo Andrade (AFARP-UNIESP). Sendo destaque nos estudos de Clarice Lispector, conforme atestam os livros Clarice: uma vida que se conta (1995) e Clarice Fotobiografia (2008), Gotlib fala sobre suas pesquisas em torno da escritora. Registramos, aqui, nossos agradecimentos pela entrevista gentilmente cedida.
A todos os que se arriscarem por essas travessias, uma boa leitura!
Alexandre de Melo Andrade - Editor-chefe
Valéria da Fonseca Castrequini - Editora-adjunta -
Travessias Interativas ➭ jan-jun/2013
n. 5 (2013)POÉTICAS, SUBJETIVIDADE E ADAPTAÇÕES DA OBRA LITERÁRIA
A quinta edição da Revista de Letras Travessias Interativas (ISSN 2236-7403) ampliou o conselho editorial devido ao grande número de artigos que tem recebido. Agradecemos, desde já, aos seguintes professores, que gentilmente aceitaram fazer parte de tal comissão: Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente e Profa. Dra. Karin Volobuef (UNESP/Araraquara), Prof. Dr. Alexandre Pilati (UnB), Profa. Dra. Fani Miranda Tabak (UFTM-Uberaba) e Prof. Dr. Luís Claudio Dallier Saldanha (Centro Universitário Uniseb/Ribeirão Preto). Agradecemos, ainda, à Prof. Dra. Tania Mara Antonietti Lopes e ao Prof. Ms. Carlos Eduardo Marcos Bonfá, que auxiliaram esta edição, avaliando textos e emitindo pareceres.
Este volume, além de selar dois anos do surgimento da Travessias Interativas, é marcado pela sua primeira avaliação CAPES (Coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior), obtendo Qualis B4, o que pressupõe cumprimento de nossos principais objetivos e boa qualidade de nossas publicações.
Optamos por dividir em dois volumes os textos aprovados para publicação. Neste, selecionamos artigos que tenham relação com as poéticas – cujo objeto de estudo seja textos em verso ou prosa –, a abordagem da subjetividade e suas implicações na (re)construção da linguagem, e a transcrição do texto literário para a linguagem televisiva.
Nessa perspectiva, o primeiro artigo – “Mística e poesia, nos limites da linguagem: Hilda Hilst e as místicas” –, de Jonas Miguel Pires (UFU), traz reflexões e análises da lírica hilstiana, com vistas à relação inerente entre a mística e a poesia. Na sequência, Antônio Donizeti Pires (UNESP/Araraquara) traz, no texto intitulado “Os jogos frutais e o poema: natureza viva; natureza-morta”, análises temáticas e estruturais da poesia de Ferreira Gullar, motivado e conduzido pela presença das frutas, inerentes ao projeto poético do poeta, sem desprezar um possível recorte diacrônico de tal abordagem. Em “Política e poética do cotidiano em O corpo fora, de Francisco Alvim”, Fernando Albuquerque Miranda (UFJF) parte da “mitologia da mineiridade” para alcançar o que chama de política do cotidiano no poeta da geração marginal.
Os dois artigos seguintes são fundamentados em textos narrativos. Em “Poéticas do inconcluso em romances de Clarice Lispector”, Mariângela Alonso (UNESP/Araraquara) parte do projeto labiríntico e “escorpiônico” da autora, demonstrando uma escritura inconclusa e altamente subjetiva. Já Rosana Munutte da Silva (UNESP/Araraquara), em seu texto “Os efeitos da memória coletiva nas lembranças individuais e na formação do EU em Ciranda de Pedra”, traça uma leitura da tensão entre a vivência individual e a adesão ao grupo social, presente no romance de Lygia Fagundes Telles. No artigo seguinte, da autoria de Camila Chernichiarro de Abreu Correia (UnB), há uma análise da reprodução de “A hora da estrela” para a linguagem televisiva, conforme sugere o título: “Da novela clariceana à rede televisiva: a adaptação d’A hora da estrela em Cena Aberta”. Ainda na esteira de Clarice, surge o artigo “Simulacros de uma esposa: leitura de ‘A imitação da rosa’, de Clarice Lispector”, de Gabriela Ruggiero Nor (USP), onde apresenta nuances da personagem Laura.
Abrindo a série dos três artigos que compõem a Iniciação Científica, aparece o texto “Jorge Amado: sua trajetória e a relação de sua obra para com a TV”, de Alessandro Fernandes Alves (UNIESP/Ribeirão Preto), sob orientação da Profa. Dra. Milca Tscherne e do Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade. Em “Estar perto não é físico: a produção de presença da personagem ausente em Sinuca embaixo d’água”, Otávio Campos Vasconcelos Farjado (UFJF) analisa a “personagem ausente” no romance citado no título, de Carol Bensimon, utilizando teoria de Hans Ulrich Gumbrecht, contando com a orientação do Prof. Dr. Alexandre Graça Faria. Por último, aparece o artigo “O leite em pó da bondade humana, de Haroldo Maranhão: uma escrita ‘abjeto-grotesca’”, de Anna Mônica da Silva Aleixo (UFPA), sob orientação da Profa. Dra. Tânia Sarmento-Pantoja, com observação atenta ao “realismo grotesco” presente no conto.
Três Resenhas compõem esta edição. A primeira, de Natasha Vicente da Silveira Costa (UNESP/Araraquara), refere-se à obra Tapete de silêncio (2011), de Menalton Braff. A segunda, intitulada “O caminho da ficção brasileira”, de Gracille Custódio Apolinário e Wagner Lacerda (UFJF), comenta a publicação do livro Ficção brasileira contemporânea (2009), de Karl Erik Schollhammer. E a terceira, de Daniel Rossi (UNESP/Araraquara), parte da publicação de Hawthorne e seus musgos (2009), de Herman Melville.
E para abrir a edição, há uma entrevista com o escritor João Anzanello Carrascoza, cuja obra de estreia foi As flores do lado de baixo (1991), e sua última, Espinhos e alfinetes (2010). Tendo destaque na produção de contos e crônicas e acumulado vários prêmios, o autor fala de sua carreira e faz uma reflexão sobre aspectos marcantes de sua obra.
Alexandre de Melo Andrade Editor-chefe
Valéria da Fonseca Castrequini Editora-adjunta -
Travessias Interativas ➭ jul-dez/2012
n. 4 (2012)NOVAS TRAVESSIAS...
A Revista de Letras Travessias Interativas chega à sua quarta edição, que consta de sete artigos, uma resenha e uma entrevista.
Abrindo a edição, há uma entrevista com a poeta Cristiane Rodrigues de Souza concedida a A lexandre de Melo Andrade. A autora comenta questões ligadas à produção poética de modo geral e, em particular, tece comentários sobre sua obra O Dragoeiro, publicada em 2012.
O primeiro artigo, intitulado “Tessituras de histórias em As visitas do Dr. Valdez”, de Mágna Tânia Secchi Pierini (UNESP/Araraquara), faz uma leitura da obra citada, do autor João Paulo Borges Coelho, tratando de questões referentes a representação, cultura africana, tempo e narratividade. O segundo artigo – “Entre o mythos e o logos: espaço e medo em Mia Couto” –, de Jacob dos Santos Biziak (UNESP/Araraquara) analisa aspectos ligados à modernidade artística e ao enfrentamento entre o espaço “civilizado” e o espaço mítico. O artigo seguinte, de Ana Carolina Bianco Amaral (UNESP/ São José do Rio Preto), “A loucura do século XIX: o fantástico e o leitor implícito em ‘O coração denunciador’ e em ‘ O Horla’”, traz uma análise interpretativa – via Todorov – dos dois contos apontados pelo título, de Edgar Allan Poe e Maupassant, respectivamente. Já o próximo artigo, inserido em abordagem linguística, intitulado “Mulheres cristãs em Visão Missionária: uma análise discursiva”, de Daiane Rodrigues de Oliveira (UNICAMP), apresenta uma análise discursiva da revista “Visão Missionária”, intentando compreender, nela, a representação da mulher.
Os três artigos seguintes são de Iniciação Científica. O primeiro, de Marcos Vinícius de Carvalho Terra (UNIESP/Ribeirão Preto) – “A duplicidade da alma humana numa perspectiva machadiana” –, sob a orientação do Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade, trata de uma leitura do conto “O espelho”, de Machado de Assis, desvelando sentidos impostos pelo autor na construção do personagem protagonista. Na sequência, aparece o artigo “O gênero discursivo fábula: um estudo na perspectiva bakhtiniana”, de Brennda Valléria do Rosário (UFPA/Castanhal), com orientação da Profa. Doutoranda Márcia Cristina Greco Ohuschi; partindo de “Os dois castores”, de Esopo, a autora investiga questões referentes ao gênero “fábula” e à sua aplicabilidade no processo de aprendizagem. Por último, temos o artigo “Literatura irlandesa: patrimônio cultural”, de Claudia Parra (UNIESP/Sertãozinho), sob orientação da Profa. Dra. Adriana C. Capuchinho, que apresenta, de modo geral, aspectos marcantes da literatura irlandesa, por meio de um percurso histórico.
A revista ainda consta de uma resenha, de Jayme Ferreira Bueno (UFPR/PUCPR), sobre a obra O Dragoeiro, de Cristiane Rodrigues de Souza, publicada em 2012.
Fica aqui o nosso agradecimento a todos os que colaboraram para esta edição, seja enviando artigos ou avaliando os mesmos. Que estas novas travessias contribuam para o conhecimento e o enriquecimento crítico dos leitores.
Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade.
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Travessias Interativas ➭ jan-jun/2012
n. 3 (2012)LITERATURA, LINGUAGENS E EDUCAÇÃO: PERSPECTIVAS PÓS-MODERNAS
Chegamos ao terceiro volume da revista Travessias Interativas, depois de todo o esforço de nosso corpo editorial em selecionar os textos, primando pela qualidade e pela pertinência das propostas submetidas. Este terceiro volume sela um ano do surgimento da revista, que agora deixa de ser multidisciplinar e passa a ser de Letras, o que nos permitirá maior especificidade e concentração de abordagens temáticas.
Neste volume, houve alterações em nosso corpo editorial, que, pela necessidade, ganhou dois novos membros: Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (UNESP/Araraquara) e Profa. Dra. Milca Tscherne (UNIESP/Ribeirão Preto). Não posso deixar de expressar meu contentamento em ter como integrante desta comissão o professor Antônio, que, além de pesquisador brilhante, é amigo já de longa jornada, dentro e fora das trilhas acadêmicas. Obrigado pelo aceite de ambos! Igualmente agradecemos ao Prof. Silas Gutierrez pelo auxílio prestado nestes três volumes.
A partir do segundo volume, a revista agregou nova sessão, intitulada Autor Convidado, que divulga artigo ou entrevista com autores de obras literárias. Neste terceiro, inauguramos uma terceira sessão, que publica Resenhas de obras publicadas nos últimos cinco anos. Tais propostas sinalizam maior prestígio e necessidade de crescimento no âmbito da pesquisa científica, conforme atestam os inúmeros acessos realizados.
Abrindo o volume, em Autor Convidado, apresentamos uma entrevista com o poeta contemporâneo e grande amigo Alexei Bueno. Atuante na crítica e na produção literária, Alexei teve destaque em várias publicações, das quais podemos ressaltar, entre tantas outras obras poéticas, os livros As escadas da torre (1984), Poemas gregos (1985), A juventude dos deuses (1996), Entusiasmo (1997) e As desaparições (2009).
Em seguida, aparecem cinco artigos que exploram, de algum modo, o universo das linguagens, das literaturas e da educação em suas manifestações contemporâneas. O primeiro artigo, intitulado “Teatro moderno: a peça de um só ato e o diálogo dramático num monólogo polifônico português”, de Milca Tscherne (UNIESP/Ribeirão Preto), informa o modo como o drama contemporâneo de um só ato despoja-se de elementos da tradição dramática; a autora se vale do monólogo dramático A lei é a lei (1977), do escritor português Luiz Francisco Rebello. Na sequência, o artigo de Valéria Castrequini (UNIESP/Ribeirão Preto) – “Interdisciplinaridade: teoria e prática” – repensa o conceito de “interdisciplinaridade”, associando-o diretamente à prática pedagógica em cursos de licenciatura, com enfoque no curso de Letras. O terceiro artigo, de Raquel Bevilaqua (UFSM) e Jacira Miolo Leal (UNIFRA), aborda “O documentário como ferramenta de ensino em uma turma de PROEJA: comunicação e cidadania”; no texto, as autoras discutem, com embasamento prático, o letramento de jovens e adultos no ensino fundamental. Em “A criatividade no ensino de línguas na formação superior”, Beatriz Pereira de Santana (FMU), Ernestina de Lourdes C. Frigelg (UPM) e Silza Maria Librelon Raia (FATEC/SP) trazem uma discussão pertinente à prática do ensino de línguas nos cursos de nível superior, com destaque à criatividade e ao multiculturalismo. Por último, temos o artigo de Maria Francisca Valiente (CPTL/UFMS) e Margarida Xisto da Silva Soares (CPTL/UFMS) – “As relações de poder/saber no documento: carta de apresentação do SAEMS – 2011” –, que traz uma análise crítica do documento oficial: carta de apresentação do Manual do Professor Aplicador do Sistema de Avaliação da Educação da Rede Pública de Mato Grosso do Sul (SAEMS) – 2011, investigando relações de poder e saber.
Na terceira parte da revista, aparecem três resenhas de obras literárias, sendo a primeira referente à obra O dom do crime (Marco Lucchesi – 2010), produzida por Alexandre de Melo Andrade (UNIESP/Ribeirão Preto); a segunda, sobre a obra As desaparições (Alexei Bueno – 2009), por Carlos Eduardo Marcos Bonfá (UNICAMP); e a terceira, sobre a obra Com certeza tenho amor (Marina Colasanti – 2009), por Raphaela Magalhães Portella Henriques (UNIESP/Ribeirão Preto).
Agradecemos a todos os contribuintes, entre articulistas e pareceristas, que colaboraram para este volume. Desejamos que estas leituras proporcionem reflexões, de modo a colaborar para novos olhares e novas discussões, tanto no âmbito da produção literária quanto da prática pedagógica das linguagens.
Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade.
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Travessias Interativas ➭ jul-dez/2011
n. 2 (2011)ARTE, EDUCAÇÃO, LINGUAGENS
É preciso animar-se para a sabedoria. A decisão pelo esclarecimento é um empre- endimento ousado que exige o abandono do seio da indolência, a tensão de todas as forças do espírito, a negação de muitas vantagens e uma perseverança de ânimo que se torna demasiadamente difícil para o mimado filho do prazer.
(F. Schiller).A chamada para o segundo número da Revista Travessias Interativas divulgou seu interesse em publicar artigos referentes ao tema “Arte, Educação, Linguagens”. Dessa forma, os artigos recebidos e aprovados pelo conselho editorial contemplaram abordagens que se relacionam a este propósito temático. Ainda que abrangentes, os setores ligados à arte, à educação e às linguagens nos impõem o desafio de pensar as relações existentes entre eles e as relações existentes em seu universo particular. Interligados por contextos culturais, tais setores nos permitem levantar aspectos críticos e teóricos, bem como avaliar a aplicação e a viabilidade de tais pressupostos no âmbito socioeducacional.
O texto de abertura – “O Infinito e a Flor Azul” – é um presente que nos foi ofertado pelo seu autor, Prof. Dr. Marco Lucchesi (UFRJ). Membro da Academia Brasileira de Letras, poeta, ensaísta e tradutor, Lucchesi é um dos grandes destaques da poesia brasileira contemporânea, com uma poética singular, de onde brotam iluminações e a busca pelo Todo: o Todo que é origem, o Todo que é fim. Seu texto aqui exposto retoma o poeta alemão Novalis, visionário do mito da Flor Azul, símbolo não só do Romantismo, mas da poesia em geral. Lucchesi se serve deste mito para abordar, aqui, questões como a matemática do universo... ou o universo da matemática... Fico lisonjeado e grato pela disponibilidade e gentileza de Lucchesi.
Os três primeiros artigos provocam reflexões sobre a educação, envolvendo questões que vão da prática escolar às práticas e problemáticas sociais. O primeiro artigo, do Prof. Dr. Matheus Marques Nunes, intitulado Notas sobre educação e a indústria cultural, faz relações entre o progresso e a sociedade massificada, tentando compreender os modos de vida decorrentes da racionalização tecnológica característica do capitalismo. O artigo seguinte, do Prof. Esp. Pedro Luís da Silva Costa – Democracia, cidadania e o dever de educação do Estado na constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – discute temas como democracia, cidadania, participação política e educação, partindo da Constituição Brasileira de 1988. Na sequência, aparece o artigo As dificuldades no ensino da matemática no Brasil, do Prof. Ms. Alexandre da Silva Mello, que discute, entre outros, o tema do fracasso escolar referente à aquisição de conhecimentos matemáticos, embasado em pressupostos teóricos e nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Os quatro artigos seguintes são da área de Letras, sendo um voltado a teorias linguísticas, e os outros três aos estudos literários. O artigo do Doutorando Silas Gutierrez, intitulado Análise textual da plasticidade em 3D, faz uma análise semiótica do recurso 3D, tão largamente explorado pela indústria cinematográfica, intentando um olhar sobre as leituras subjacentes a este recurso. Depois, temos o texto do Prof. Ms. Márcio Luís Souza-Marchetti, Adeus às armas e Nada de novo no front: similaridades e distinções do embate entre o “eu” e o “mundo”, onde discute as duas obras, de Ernest Hemingway e Erich M. Remarque respectivamente, por via de René Wellek e Georg Lukács, levando em conta princípios históricos, comparativos e literários. Em seguida, a Doutoranda Mariângela Alonso traz, com seu texto Clarice Lispector e a imprensa feminina na década de 50: Como matar baratas?, uma discussão sobre questões pouco exploradas pela crítica da obra clariceana, a saber, a trajetória de Clarice Lispector na imprensa feminina brasileira, o que acaba por revelar aspectos pertinentes à obra dessa escritora. O texto A moderna hesitação fantástica em “O pé da múmia”, de Gautier, da Mestranda Ana Carolina Bianco Amaral, apresenta uma análise do referido conto, fundamentada em teorias de Todorov, acerca das estruturas textuais e de questões como “hesitação”, “rompimento com o verossímil”, “leitor implícito” e “elemento sobrenatural”.
Por último, aparecem dois trabalhos de Iniciação Científica. O primeiro, intitulado “Visio”, de Machado de Assis: uma poética de transição, do Graduando em Letras Sandro Ponciano (sob orientação do Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade), traz uma leitura do poema “Visio”, que consta na obra Crisálidas, de Machado de Assis, tendo como objetivo apresentar aspectos representativos da obra poética machadiana. O segundo, da Graduada em Letras Raphaela Magalhães Portella Henriques, Autoritarismo versus submissão em contos maravilhosos de Marina Colasanti, parte de elementos teóricos acerca do maravilhoso, direcionando-os a leituras textuais da escritora Marina Colasanti, tendo ainda como aspecto de observação a relação homem-mulher em alguns contos.
Fica, aqui, nosso agradecimento ao conselho editorial da revista, pelo esmero na avaliação e seleção de artigos, e nosso desejo de que essas leituras suscitem novas discussões, interesses e práticas.
Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade.
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Travessias Interativas ➭ jan-jun/2011
n. 1 (2011)É com muita satisfação que apresentamos o primeiro volume das Travessias Interativas. Resultado de um esforço de nossos editores, a revista surge para enriquecer a comunidade acadêmica com propostas, pesquisas, diálogos e interações. Este número, que sinaliza uma sequência ininterrupta de muitas outras edições, possui tema livre. Todos os artigos são instigantes e apresentam desenvoltura argumentativa e coesa, tendo em comum o olhar criterioso sobre o tema pertinente a cada um deles.
O primeiro artigo, intitulado “Álvares de Azevedo na ficção sobrenatural brasileira”, da autoria de Alexandre de Melo Andrade, aponta para uma leitura de duas obras do escritor romântico brasileiro Álvares de Azevedo: Macário e Noite na taverna. Os apontamentos levam a uma discussão acerca da herança gótica e fantástica recebida pelo autor.
O segundo artigo, intitulado “Willian Wilson em O homem duplicado”, de Elaine Christina Motta, traz, comparativamente, aproximações e dissonâncias entre as obras Willian Wilson, de Edgar Allan Poe, e O homem duplicado, de José Saramago. Amparada por teorias acerca da paródia e do duplo, a autora faz uma investigação narrativa que desvela, ainda, modos de narrar e perspectivas modernas e pós-modernas da ficção.
Na sequencia, temos o artigo “Riso, Linguagem e Política nas manifestações dadaístas”, de Matheus Marques Nunes. Partindo do pressuposto de que o Dadaísmo corresponde a uma “luta contra as convenções” e um “riso contra os valores burgueses” – para usar palavras do próprio texto –, o autor levanta uma discussão que direciona o Dadaísmo a um universo onde a interrogação e o niilismo sejam os pilares de sustentação.
No artigo seguinte – “Para uma análise dialógica das comunidades virtuais” –, Silas Gutierrez provoca, em perspectiva bakhtiniana, uma leitura de espaços virtuais (mais especificamente sites de relacionamento) dispostos na mídia eletrônica instigadores de inter-relações, compreendendo tanto os aspectos da linguagem interativa quanto os associados à plasticidade do veículo.
Encerrando este primeiro volume, aparece o trabalho de Lílian Regina Peroni Grecco, resultado de seu trabalho de iniciação científica (Letras – UNIESP/Ribeirão Preto). Seu artigo, “Possíveis leituras do Amor em Folhas Caídas, de Almeida Garrett”, investiga aspectos temáticos e estilísticos que fazem de Almeida Garrett um escritor – embora de linhagem romântica – com estreito vínculo a uma poética classicizante.
Desejamos que estes estudos sejam o princípio de muitas e enriquecedoras travessias!
Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade.




















